Virologia Veterinaria Eduardo Flores
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Virologia Veterinaria Eduardo Flores


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laboratórios em ilhas, o caso mais conhecido é 
de Plum Island Animal Disease Center, nos Estados 
Unidos. Posteriormente outros laboratórios de 
segurança elevada e acesso restrito, para mani-
pulação de agentes virais e animais infectados, 
foram estabelecidos, tais como: o Australian Ani-
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Vírus não-zoonóticos.
Bancada laboratorial.
BoHV, BVDV, BLV, BTV,
PRV, CDV, outros.
Normas básicas de prática
laboratorial.
BSL-1Nível
Nenhum requerido.
BSL-2
Associados com
infecções em humanos,
risco de auto-inoculação,
ingestão ou exposição
da pele e mucosas.
BSL-1, com acesso limitado,
identificação das áreas de
manipulação, primeiros
socorros e descontaminação
do lixo e resíduos.
Aventais, luvas, óculos,
conforme a necessidade.
Manipulação de material
que produz aerossol em
cabine de fluxo laminar do
tipo I ou II.
BSL-1 com autoclave.
Adenovírus humano,
citomegalovírus, influenza A,
B e C, rubéola, poliovírus,
parainfluenza, vírus da raiva.
BSL-3
Agentes exóticos ou
selvagens, com potencial de
transmissão por aerossol e de
produzir doença severa ou
letal.
Normas do BSL-2, com
acesso restrito e controlado,
coleta de soro do
trabalhadores,
descontaminação de todo o
lixo e resíduos e esterilização
das roupas antes da lavagem.
Requerimentos do BSL-1 e
toda manipulação em
cabine de fluxo laminar do
tipo I ou II. Uso de luvas,
aventais, respiradores,
conforme a necessidade.
BSL-2 acrescido de
separação física para
corredores e áreas de
circulação, porta duplas,
pressão negativa nos
laboratórios, sistema de
filtração do ar.
Herpesvírus dos símios
(vírus B), vírus da encefalite
japonesa, hantavírus, febre
amarela, encefalite eqüina
venezuelana, vírus do Nilo
Ocidental.
BSL-4
Agentes altamente perigosos
ou exóticos, com risco de
vida para humanos,
transmitidos por aerossóis,
ou agentes de periculosidade
desconhecida.
Normas do BSL-3, com
mudanças de roupas ao
ingressar na área
contaminada. Requerimento
de banho para saída,
descontaminação de todo o
material antes da remoção
do laboratório.
BSL-3, utilização de cabine
de fluxo laminar tipo III ou
cabines tipo I e II em
ambiente com pressão
positiva, macacões de
corpos inteiro com
respiradores para todos os
procedimentos.
BSL-3, área ou prédio
isolado com suprimento de
ar e exaustão, vácuo e
sistema de
descontaminação.
Vírus Ebola, Marburg, sabiá,
febre do vale Rift, entre
outros.
Tabela 3.4. Níveis de biossegurança para manipulação de agentes virais
Adaptada de Murphy et al., 1999.
86 Capítulo 3
mal Health Laboratory na Austrália, o Onderstepoort 
Veterinary Institute na África do Sul, o Institute for 
Animal Health na Inglaterra, o Center for Disease 
Control (CDC) em Atlanta e, mais recentemente, 
o Canadian Science Center for Human and Animal 
Health, em Winnipeg, no Cánada.
A manipulação de amostras infectadas para 
pesquisa ou diagnóstico deve seguir as normas 
da boa prática laboratorial. Dessa maneira, con-
taminações inadvertidas de amostras ou dissemi-
nações da infecção entre humanos ou animais são 
evitadas. Conforme a infra-estrutura do laborató-
rio e o risco dos agentes manipulados, os labora-
tórios de virologia são classifi cados em Níveis de 
Segurança (BSL) 1, 2, 3 ou 4 (Tabela 3.4). O uso de 
técnicas assépticas, roupas adequadas (avental, 
máscaras, luvas e óculos) e desinfetantes apro-
priados são cuidados básicos e necessários em 
todo trabalho laboratorial, independente do nível 
de segurança. O uso de equipamentos, tais como: 
cabines de fl uxo laminar, sistema de fi ltração do 
ar, tratamento e esterilização de dejetos, descarte 
e incineração dos dejetos são requisitos necessá-
rios para laboratórios que manipulem agentes 
com risco médio a elevado, conforme o caso.
7 Bibliogra\ufb01 a consultada
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PCR protocols. 2.ed. Totowa, NJ: Humana Press, 2003. 545p.
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GENÉTICA E EVOLUÇÃO VIRAL
Mauro Pires Moraes & Hernando Duque Jaramillo1
1 Responsável pela seção de Evolução Viral. 
1 Genética viral
1.1 Conceitos e de\ufb01 nições
1.2 Mutação
1.3 Classi\ufb01 cação genotípica
1.4 Classi\ufb01 cação fenotípica
1.5 Taxa de mutação
1.6 Interações genéticas entre vírus 
1.6.1 Recombinação
1.6.2 Ressortimento 
1.7 Outras interações virais 
1.7.1 Complementação
1.7.2 Mistura fenotípica
1.7.3 Poliploidia
2 Evolução viral
2.1 Origem dos vírus
2.2 Quando se originaram os vírus
2.3 Como os vírus ampliaram o seu repertório protéico
2.4 Capacidade de mutação viral
2.5 Estudos laboratoriais de evolução 
2.6 Exemplos de evolução viral 
2.6.1 Vírus da estomatite vesicular: tempo versus fatores ambientais
2.6.2 Mixomatose na Austrália
2.6.3 Vírus da in\ufb02 uenza
2.6.4 Parvovírus canino
2.7 Conclusões
3 Bibliogra\ufb01 a consultada
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1 Genética viral
As populações virais, principalmente aque-
las de vírus RNA, são excelentes modelos para 
estudos de evolução genética. Devido ao ciclo 
replicativo dos vírus ser extremamente rápido, 
tanto em infecções naturais como em cultivo ce-
lular, os processos de seleção e evolução podem 
ser observados em um curto espaço de tempo. 
Assim, a genética de populações virais pode ser 
considerada uma visão minimalista e simplista 
da evolução das espécies.
Ao longo de sua história natural \u2013 que pode 
remeter há milhões de anos \u2013 os vírus vêm reali-
zando um número incontável de ciclos replicati-
vos em seus hospedeiros, sendo constantemente 
transmitidos entre hospedeiros. Alguns necessi-
tam utilizar diferentes espécies de hospedeiros 
\u2013 mesmo invertebrados \u2013 para assegurar a sua 
manutenção na natureza. As infecções naturais 
resultam em pressão de seleção constante, que 
acaba moldando o perfi l genético e fenotípico dos