A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
116 pág.
Material de Apoio - Direito Constitucional (Prof Caroline Bittencourt e Prof Janriê Reck)

Pré-visualização | Página 27 de 36

que o impetrado promova a edição da norma 
regulamentadora; 
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou 
das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado 
promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no 
prazo determinado.” 
 
OU SEJA: O PODER JUDICIÁRIO ESTÁ AUTORIZADO NO CASO CONCRETO DE 
DECIDIR COMO VIABILIZAR O DIREITO QUE ESTÁ IMPEDIDO DE SER EXERCIDO 
PELA MORA 
“Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput 
quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, 
ao prazo estabelecido para a edição da norma” 
 
MANDADO DE SEGURANÇA 
 
Art. 5º (...) LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela 
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no 
exercício de atribuições do Poder Público; 
 LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
 a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
 b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em 
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou 
associados; 
 
85 
Lei 12.16/2009 
 
É o meio constitucional posto a disposição de qualquer pessoa física ou jurídica, 
órgão com capacidade processual, para a proteção de direito individual e coletivo, líquido 
e certo, não amparado por habeas corpus ou por habeas datas, lesado ou ameaçado de 
lesão, por ato de autoridade seja de que categoria for e seja quais as funções que exerça. 
 
LÍQUIDO E CERTO 
• O direito líquido e certo será aquele apto a realizar-se no momento da impetração, 
ou seja, a liquidez e certeza não residem na vontade normativa e sim na 
materialidade ou existência fática da situação jurídica. A liquidez é imprescindível 
para admissibilidade do conhecimento do mandado de segurança, por isso, todas 
as provas que demonstrem a certeza e a liquidez, deverão acompanhar a inicial 
• Se a existência do direito for duvidosa; se a sua extensão ainda não estiver 
delimitada; se o seu exercício depender de situações e fatos ainda indeterminados, 
não será cabível o mandado de segurança. Esse direito incerto, indeterminado, 
poderá ser defendido por outras vias, mas não em sede de MS. 
• Por essa razão, não há dilação probatória – nem espaço para produção de prova 
complexa no mandado de segurança; as provas devem ser pré-constituídas, 
documentais, levadas aos autos do processo no momento da impetração. 
 
OBS: sumula 625 TSF - CABERÁ SE A COMPLEXIDADE FOR DE DIREITO E NÃO DE 
MATÉRIA FÁTICA 
 
OBJETO 
O objeto do mandado de segurança será a correção do ato ou omissão da autoridade, 
desde que o ato seja ilegal e que ofenda o direito individual ou coletivo, líquido e certo, do 
impetrante. Poderá o ato emanar de qualquer autoridade dos três poderes. Em via de regra 
não se admite mandado de segurança contra atos meramente normativos, ou seja, a lei em 
tese não é atacável, pois por si só, não lesa direito individual. Contudo as leis e decretos 
de efeito concreto, como os proibitivos, poderão ser passíveis do mandado de segurança. 
 
SUBSIDIARIEDADE 
O MS é ação de natureza residual, subsidiária, pois somente é cabível quando o direito 
líquido e certo a ser protegido não for amparado por outros remédios judiciais (habeas 
corpus, habeas data, ação popular, etc.) 
 
CABIMENTO 
- Ato de qualquer autoridade do poder público ou por particular decorrente de delegação 
(comissivo ou omissivo): contudo a lei excepciona que seja contra os que comportem 
recurso administrativo com efeito suspensivo independente de caução; 
- Ilegalidade ou abuso de poder; 
- Lesão ou ameaça de lesão; 
- Contra lei ou ato administrativo se produzirem efeitos concretos e individualizados; 
- Contra ato que caiba recurso administrativo com efeito suspensivo (em caso de omissão 
da autoridade); 
 
86 
- Contra ato judicial de qualquer instância e natureza, desde que ilegal e violador de direito 
líquido e certo do impetrante e que não possa ser coibido por recursos comuns (por exemplo 
recurso que não enseja efeito suspensivo). 
 
LEGITIMIDADE ATIVA: 
a) as pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, domiciliadas ou não no Brasil; 
b) as universalidades reconhecidas por lei, que, embora sem personalidade jurídica, 
possuem capacidade processual para a defesa de seus direitos (ex: o espólio, a massa 
falida, o condomínio de apartamentos, a herança, a sociedade de fato, a massa do devedor 
insolvente, etc...); 
c) os órgãos públicos de grau superior, na defesa de suas prerrogativas e atribuições; 
d) os agentes políticos (governador de estado, prefeito municipal, magistrados, deputados, 
senadores, vereadores, membros do MP, membros dos Tribunais de Contas, Ministros de 
Estado, Secretários de Estado, etc.), na defesa de suas atribuições e prerrogativas; 
e) o Ministério Público, competindo a impetração, perante os Tribunais locais, ao promotor 
de Justiça, quando o ato atacado emanar de juiz de primeiro grau; 
 
LEGITIMIDADE PASSIVA 
a) autoridade pública de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do DF e dos 
Municípios, bem como de suas autarquias, fundações públicas, empresas públicas e 
sociedades de economia mista; 
b) agente de pessoa jurídica privada, desde que no exercício de atribuições do Poder 
Público (só responderão se estiverem, por delegação, no exercício de atribuições do Poder 
Público 
 
PRAZO 
DECADENCIAL de cento e vinte dias da data em que o ato a ser impugnado se torna 
operante e exeqüível, ou seja, da data em que tiver conhecimento oficial do ato a ser 
impugnado, sendo este capaz de produzir lesão ao direito do impetrante. Como todo prazo 
decadencial para impetração, não poderá ser este suspenso ou interrompido. 
 
AÇÃO POPULAR 
 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato 
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo 
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; 
Lei Nº 4.717/65 
 
• O objeto da ação popular é anular atos comissivos ou omissivos que sejam lesivos 
ao patrimônio público e condenar os responsáveis pelo dano a restituir o bem ou 
indenizar por perdas e danos. 
• Na ação popular pede-se a anulação do ato lesivo e a condenação dos responsáveis 
ao pagamento de perdas e danos ou à restituição de bens e valores, conforme a 
letra da lei. 
• Assim, é que se pode extrair a própria finalidade da ação, O DIREITO DE 
 
87 
FISCALIZAR A COISA PÚBLICA, um importante instrumento posto à disposição do 
cidadão para a proteção do patrimônio da comunidade. 
• A cidadania, ilegalidade ou imoralidade pública praticada pelos agentes das 
pessoas de direito público, lesão ao patrimônio público, à moralidade administrativa, 
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. 
• Ilegalidade e lesividade representam na necessidade de se provar o vício do ato e 
a lesão causada ao patrimônio público em sua virtude. 
• Lesão ao patrimônio público, por último é exemplificada já na letra da Lei Nº 
4.717/65, regulamentadora da actio popularis, ou ainda à moralidade administrativa, 
ao meio ambiente, ao patrimônio histórico e cultural 
 
Atos com presunção de ilegalidade ou lesividade sujeitos à anulação por meio de 
ação popular: 
Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo 
anterior, nos casos de: 
a) incompetência; 
b) vício de forma; 
c) ilegalidade do objeto; 
d) inexistência dos motivos; 
e) desvio de finalidade. 
 
CONCEITO DE PATRIMÔNIO PÚBLICO: o mais amplo possível, abrange coisas 
corpóreas ou incorpóreas, móveis, ou imóveis, créditos, direitos, ações que pertençam a 
qualquer