Resumo_de_Direito_Internacional_Privado
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imunidade de jurisdição? Sim, no país de sua sede; porém, a extensão desse direito é controvertida, não encontrando uniformidade no direito internacional. A tendência no Brasil é a aplicação da tese da imunidade relativa ou limitada de jurisdição da organização internacional.
5.5. Observações de Provas
1. TRF1 \u2013 XIV \u2013 CESPE \u2013 QUESTÃO 100. A competência jurisdicional brasileira é territorial-relativa e incide sobre o estrangeiro domiciliado no país, sendo competente também o juiz brasileiro quando a obrigação tiver de ser cumprida no Brasil e quando a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no território nacional.
2. TRF1 \u2013 XIV \u2013 CESPE \u2013 QUESTÃO 99. Denomina-se imperativa a disposição que impede as partes de, ao celebrarem contrato em um país, para nele ser cumprido, incluir regras contratuais que confrontem as leis desse país.
3. TRF3 \u2013 XIII \u2013 QUESTÃO 79. Em ação promovida no Brasil sobre controvérsia derivada de contrato internacional firmado no Brasil, onde as obrigações devem ser cumpridas, prevendo o contrato cláusula de eleição de foro estrangeiro, sendo o réu domiciliado no País, o juiz deve acatar a exceção de incompetência territorial, com base na cláusula de eleição do foro estrangeiro, e determinar que os autos sejam remetidos ao juiz estrangeiro[footnoteRef:2]. [2: Isso porque os interesses nesse caso são de ordem privada, não se afeta qualquer norma de ordem pública ou de competência internacional da Justiça brasileira. Assim, deve ser respeitado o que foi convencionado pelas partes, se a outra intentou exceção de incompetência da Justiça. No entanto, achei decisão em sentido diferente do STJ:
PROCESSO CIVIL. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL. ART. 88 DO CPC. NOTAS TAQUIGRÁFICAS. INTIMAÇÃO. PRECLUSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS.
1. A cláusula de eleição de foro estrangeiro não afasta a competência internacional concorrente da autoridade brasileira, nas hipóteses em que a obrigação deva ser cumprida no Brasil (art. 88, II, do CPC). Precedentes.
[...]
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS.
(STJ, EDcl nos EDcl no REsp 1159796/PE, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 25/03/2011)] 
4. TRF4 \u2013 XII \u2013 QUESTÃO 95. Não há litispendência entre processos idênticos (mesmas partes, causa de pedir e pedidos) que tramitem um no Brasil e outro em Estado estrangeiro, independentemente da matéria que versem.
5. EMAGIS \u2013 2011/43 \u2013 QUESTÃO 20. O litígio acerca de relação empregatícia com ente público externo, cuja prestação de serviço ocorre no Brasil, enquadra-se na denominada competência internacional concorrente, podendo dela cuidar tanto a Justiça brasileira quanto a estrangeira.
6. EMAGIS \u2013 2011/43 \u2013 QUESTÃO 20. A competência internacional concorrente por fato praticado no Brasil não induz litispendência, podendo a Justiça estrangeira julgar os casos a ela submetidos.
7. GEMAF \u2013 2010/16 \u2013 QUESTÃO 15. Em caso de conflito armado, os locais da missão diplomática devem ser protegidos pelo Estado acreditado.
6. Homologação de Sentença Estrangeira
6.1. Conceitos e Princípios
Nenhum Estado é obrigado a reconhecer as sentenças de outro. Entretanto, na prática a regra é que o façam, desde que cumpridos determinados requisitos legais.
Normalmente não se reexamina o mérito ou o fundo da sentença estrangeira, não sendo objeto de cognição da autoridade judiciária interna a aplicação correta do direito pelo juiz alienígena.
A sentença estrangeira somente não há de ser reconhecida quando ferir a ordem pública, violando princípios fundamentais da ordem jurídica interna.
Uma sentença estrangeira somente pode ter os efeitos jurídicos dentro do território nacional que lhe concede o país de origem. Entretanto, esses efeitos jamais podem ir além daqueles que um país admite para as sentenças proferidas pelos seus próprios juízes. Logo, após o reconhecimento, a sentença estrangeira estará, no máximo, apta a produzir os mesmos efeitos jurídicos de uma sentença nacional.
Assim, a homologação da sentença estrangeira é o ato que permite que uma decisão judicial proferida em um Estado possa ser executada no território de outro ente estatal, viabilizando a eficácia jurídica de um provimento jurisdicional estrangeiro em outro Estado.
A homologação não é automática, dependendo essencialmente do cumprimento de exigências estabelecidas pelo ordenamento jurídico do Estado ao qual é solicitada a homologação.
A SENTENÇA ESTRANGEIRA DEVIDAMENTE HOMOLOGADA PELO STJ É TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL, APTO A SER AQUI EXECUTADO. A COMPETÊNCIA PARA EXECUÇÃO É DO JUÍZO FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU.
O Brasil já ratificou alguns instrumentos bi e multilaterais sobre a homologação de sentença estrangeira, visando a unificar o procedimento. São exemplos:
a) Convenção de Nova Iorque sobre a Prestação de Alimentos no Estrangeiro, de 1956;
b) Protocolo de Las Leñas sobre Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa, de 1992;
c) Convenção de Nova Iorque sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras, de 1958;
d) Código Bustamante;
e) Convenção Interamericana sobre a Eficácia Territorial das Sentenças e Laudos Arbitrais Estrangeiros.
Todas essas convenções já foram homologadas pelo Brasil.
6.1.1. Sistemas de Homologação da Sentença Estrangeira
a) Sistema da revisão do mérito da sentença: deve haver novo processo judicial no Estado homologante, como se não existisse sentença estrangeira anterior a homologar, e, somente após o julgamento do processo nacional, e dependendo de seu resultado, a decisão estrangeira poderá ser homologada.
b) Sistema da revisão parcial de mérito: a homologação depende da verificação da boa ou má aplicação da lei do Estado onde a sentença estrangeira gerará efeitos.
c) Reciprocidade diplomática: a homologação se fundamenta em tratados que envolvam o Estado de origem da sentença e aquele onde a decisão judicial deverá surtir efeitos. Utiliza-se dos tratados como basilar; não existindo esse entre os dois Estados, sequer será possível a homologação.
d) Reciprocidade de fato: a homologação só pode ocorrer quando o Estado de origem da sentença também homologa sentenças estrangeiras que tratem daquele tema; Neste sistema a homologação só se faz possível se e somente se ambos os Estados envoltos na relação protegerem os mesmos institutos, eg; União de indivíduos de mesmo sexo é permitido na Holanda, logo para homologação em Portugal seria necessário a união ser um instituto previsto na legislação lusa.
e) DELIBAÇÃO ou contenciosidade limitada: não se entra no mérito da decisão a ser homologada, examinando-se apenas certos pressupostos formais. É o sistema adotado no Brasil.
6.2. Homologação da Sentença Estrangeira no Direito Brasileiro
6.2.1. Legislação
São normas que regem a homologação da sentença estrangeira no Brasil o art. 105, I, i, da CF/88; os arts. 483 e 484 do CPC; o art. 15 da LINDB; Regimento Interno do STF; Resolução nº 09, STJ; a Lei nº 9.307/96.
6.2.2. Competência
O STJ passou a ser competente para homologar sentença estrangeira com a EC nº 45/04. Desde essa emenda, os processos que estavam no STF deveriam ser imediatamente enviados àquele órgão, seja em que fase estivessem, já que as normas constitucionais que alteram competência de Tribunais possuem eficácia imediata.
Entretanto, a competência do STJ não impede que o STF continue a conhecer de processos sobre homologação que envolvam matéria constitucional e que sejam levados a sua apreciação em grau de recurso.
6.2.3. Finalidade
A finalidade do processo homologatório no STJ é o RECONHECIMENTO DA EFICÁCIA JURÍDICA da sentença estrangeira perante a ordem jurídica brasileira. A concentração do ato de homologação no STJ favorece a produção de uma jurisprudência uniforme e, assim, também a certeza de direito.
6.2.4. Decisões Homologáveis
Todas as decisões judiciais estrangeiras são homologáveis, inclusive cautelares. Entretanto, não o são as interlocutórias e os despachos de mero expediente, por não terem