2 - A Analise do Comportamento no Laboratorio Didatico - Matos & Tomanari - 2002-2
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2 - A Analise do Comportamento no Laboratorio Didatico - Matos & Tomanari - 2002-2


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exercidos pela contingência e pela contigüidade, separadamente, para a 
manutenção do comportamento de pressionar a barra?\u201d Seria a proximi­
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dade temporal entre a resposta e a apresentação de água, independente­
mente da contingência entre esses eventos, suficiente para aumentar a 
freqüência desse comportamento?
Ao discutirmos o Treino ao Bebedouro e a Modelagem (Práticas 2 e 
3, respectivamente), havíamos afirmado que, quanto mais imediata a con­
seqüência, maior a sua efetividade como reforçador. Com isso, estávamos 
apontando para o fato que, além da relação fundamental de contingência 
(conseqüência), a proximidade temporal entre um comportamento e o 
evento que o segue também desempenha um papel importante (subse- 
qüência) na manutenção do comportamento.
Quando se instala um comportamento cuja freqüência de ocorrência 
é muito baixa (ou um comportamento cujo custo de emissão é alto), é útil 
e mais eficaz apresentar a conseqüência reforçadora o mais próximo pos­
sível da ocorrência do comportamento em questão (na Prática 2, por 
exemplo, foi demonstrado o papel facilitador do som do bebedouro no 
processo de modelagem da resposta de pressão à barra, pois este era apre­
sentado imediatamente após a resposta, antes mesmo do animal abaixar- 
se e lamber o bebedouro). À medida que o comportamento se instala e se 
estabiliza, esta relação temporal deixa de ser tão importante, mas é verda­
de que continua havendo uma relação entre a eficácia do reforço e sua 
proximidade temporal da resposta reforçada. Para expressar esta relação, 
dizemos que o atraso do reforço é um parâmetro de sua eficiência. O 
exercício de demonstração a seguir ajudará a entender por que, embora 
uma relação de conseqüênciação (contingência) seja importante, a proxi­
midade temporal comportamento-conseqüência também parece sê-lo, 
embora em menor grau.
Para avaliarmos o papel da contingência na relação \u201cpressão à barra\u201d 
e \u201cágua\u201d, vamos expor nosso sujeito experimental a uma condição em 
que iremos apresentar-lhe água repetidamente, porém na ausência de 
qualquer relação sistemática entre essas apresentações e seu comporta­
mento. Dito de outra forma: Como se comportaria um rato ingênuo e pri­
vado de água quando colocado em uma situação em que o mecanismo do 
bebedouro fosse freqüentemente acionado, em intervalos mais ou menos 
curtos porém regulares, independentemente do que o animal fizesse? 
Nesta situação, não haveria qualquer relação de contingência necessária 
entre as respostas desse animal e a apresentação de água; no entanto, 
diferentes comportamentos, em momentos distintos, estariam sendo jus­
tapostos temporalmente com o acionamento do bebedouro carregado de 
água. Esta justaposição seria suficiente para afetar o comportamento do 
nosso rato? Pelo que vimos nas práticas anteriores, a resposta seria \u201csim \u201d , 
estes diferentes comportamentos estariam sendo afetados por esta justa­
posição entre resposta e água, pois, afinal, esta justaposição é uma forma
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de conseqüenciação. E esse efeito seria tanto maior quanto mais freqüen­
temente esta justaposição ocorresse. Em um ambiente restrito (como 
nossa caixa experimental), usando intervalos curtos entre os sucessivos 
acionamentos do bebedouro, é possível que uma gama pequena de res­
postas acabasse sendo freqüentemente justaposta à apresentação da 
água. Esta relação seria acidental e não contingencial, mas atuaria como 
uma relação de conseqüência e, funcionalmente, poderia ser classificada 
como uma relação de contingência já que esta pequena gama de respos­
tas aumentaria em freqüência. Por outro lado, em um ambiente mais 
rico, usando intervalos mais longos e/ou irregulares entre apresentações 
de água, uma variedade maior de respostas acabaria por ocorrer em jus­
taposição ao acionamento do bebedouro: a cada acionamento, uma res­
posta diferente estaria acabando de ocorrer. Neste último caso, nenhuma 
resposta em particular aumentaria em freqüência. E estaria demonstrado 
que não basta a proximidade temporal, mas é importante a relação de 
dependência entre \u201cpressão a barra\u201d e \u201cágua\u201d , pois somente esta relação 
de dependência garante a sistematicidade e a repetitividade necessárias 
para a seleção do comportamento de interesse.
Explicando de outra forma, na situação de reforçamento indepen­
dente de resposta, quando é possível a justaposição repetida de um 
determinado comportamento e um evento fílogeneticamente im por­
tante, é altamente provável a ocorrência de comportamentos mantidos 
por relações acidentais entre esse comportamento e esse evento subse­
qüente. Tecnicamente, denominamos esses comportamentos de su­
persticiosos, e os definimos como sendo aqueles que são modificados 
ou mantidos por relações acidentais entre respostas e reforço, em 
contraposição a relações de contingência implícita ou explicitamente 
programadas (Catania, 1998). Arranjos experimentais que propiciam 
condições para a ocorrência de comportamentos supersticiosos são 
aqueles nos quais vigoram apresentações atrasadas do reforço, bem 
como arranjos em que os eventos reforçadores são apresentados inde­
pendentemente de qualquer comportamento do organismo, porém de 
forma mais ou menos sistemática em termos temporais. Comporta­
mentos supersticiosos podem ser extremamente voláteis; na medida em 
que não há uma relação de contingência verdadeira, eles podem entrar 
em extinção. Em uma situação de atraso de reforço regular, eles sempre 
acabam competindo com os comportamentos de interesse, e isso expli­
ca porque dissemos acima que \u201co atraso do reforço é um parâmetro de 
sua eficiência\u201d .
O trabalho de Skinner (1948) sobre o comportamento supersticioso 
no pombo exemplifica esse conceito e pode servir ao professor como 
material de apoio no que diz respeito à definição de comportamento
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supersticioso, análise da metodologia tipicamente empregada, e discus­
são de resultados.
PROCEDIMENTO
O exercício de hoje consistirá basicamente em uma atividade de 
demonstração. O procedimento a ser executado utilizará um rato experi­
mentalmente ingênuo, privado de água por 36 horas1 antes do início da 
atividade no laboratório. O animal deverá ser colocado no interior de uma 
caixa de condicionamento operante cuja localização, no recinto, permita 
aos alunos visualizar o animal de forma fácil e direta. O recipiente de 
água do bebedouro deverá estar cheio.
Previamente ao início do exercício, o professor deverá apresentar 
brevemente aos alunos uma rápida introdução sobre os objetivos desta 
demonstração, preferencialmente instigando-os com questões como as 
colocadas acima. Mais tarde, haverá ocasião para um a retomada dessas 
questões. Durante parte do exercício (Passo 2, descrito abaixo), por 
cerca de 60 minutos os alunos não estarão comprometidos com ativi­
dades de observação e registro sistemáticos do comportamento do ani­
mal. Durante esse tempo, sugerimos ao professor dar prosseguimento 
à discussão relativa ao tema, por exemplo, discutindo o trabalho de 
Skinner (1948).
Após a breve introdução feita pelo professor, os alunos deverão pre­
parar a folha de registro