2 - A Analise do Comportamento no Laboratorio Didatico - Matos & Tomanari - 2002-2
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2 - A Analise do Comportamento no Laboratorio Didatico - Matos & Tomanari - 2002-2


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e não acei­
taria relatos na primeira pessoa. Na verdade, ele usa, estuda e aceita, porém 
questiona a natureza do que está sendo observado, conhecido e relatado.
Historicamente, a primeira proposta clara deste programa de pesqui­
sa em Psicologia surgiu em 1938 com a obra de Skinner The Behavior o f 
Organisms: An experimental analysis, mas devemos reconhecer que este 
programa mudou muito desde então.
A Análise do Comportamento envolve pesquisa básica e aplicada4. 
Seu programa de pesquisa básica tem o objetivo de produzir conheci-
5 C. Bernard (1813-1878), fisiólogo francês, pai da medicina experimental.
4 A designação Análise Aplicada do Comportamento é freqüentemente empregada quando nos referimos ao con­
junto de pesquisas aplicadas em Análise do Comportamento. Quando a distinção entre pesquisa básica e aplicada 
é irrelevante, ou apenas questões conceituais estão enfocadas, dizemos simplesmente Análise do Comportamento.
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POR UMA C I ÊNC I A NATURAL: A ANÁLISE EXPER I MENTAL DO C O M P O R T A M E N T O
mento acerca das leis gerais que descrevem as relações funcionais entre 
o comportamento e o ambiente. Essas pesquisas são, geralmente, execu­
tadas em situações de laboratório experimentalmente controladas. Já seu 
programa de pesquisas aplicadas tem um enfoque voltado para a transpo­
sição e adaptação dessas leis para condições específicas ao ser humano. 
Realizam-se, pois, no contexto de aplicação e uso dessas leis, isto é, no 
contexto de sua interação com múltiplas (e nem sempre completamente 
identificadas) variáveis, buscando-se a solução de problemas. Em geral, 
ocorrem fora do laboratório, porém, tanto quanto possível, com todo o 
rigor metodológico deste.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERNARD, C. (1865). L \u2019Introduction à la médecine expérimentale. http://lcp.
damesme.cnrs.fr/claude-bernard/ieme/texte-int.cfm.
SIDMAN, M. (1960)*. Tactics o f scientific research. New York: Basic Books,
SKINNER, B. F. (1938). The Behavior of Organisms: An experimental analysis. New York: 
Appleton-Century-Crofts.
SKINNER, B. F. (1945). The operational analysis o f psychological terms. Psychological 
Review, n. 52, 270-277.
SKINNER, B. F. (1953)*. Science and Human Behavior. New York: Macmillan. 
SKINNER, B. F. (1974)*. About Behaviorism. New York: Knopf.
SKINNER, B. F. (1981). Selection by consequences. Science, 213(31), 501-504.
LEITURAS RECOMENDADAS
DE ROSE, J. C. (1982) Consciência e Propósito no Behaviorismo Radical. Em B. Prado 
Júnior (Org.) Filosofia e Comportamento. São Paulo, Brasiliense, 67-91.
LOPES JR., J. (1994). Behaviorismo Radical, Epistemologia e Problemas humanos. Psi­
cologia: ciência e profissão, 14(1, 2 e 3), 34-39.
MATOS, M. A. (1990). Controle experimental e controle estatístico: a filosofia do caso 
único na pesquisa comportamental. Ciência e Cultura, 42(8), 585-592.
MATOS, M. A. (19 9 L). A Análise Experimental do Comportamento: o estado da arte. 
Em C. Hutz. e A. D. Schliemann, A. (Orgs.), Simpósio Brasileiro de Pesquisa e Inter­
câmbio Científico, Porto Alegre: ANPEPP, 53-66.
MATOS, M. A., MACHADO, L. M. C. M\u201e FERRARA, M. L. D., SILVA, M. T. A\u201e HUN- 
ZIKER, M. H. L\u201e ANDERY, M. A. P. A \u201e SÉRIO, T. M. A. P., FIGUEIREDO, L. C. 
M. (1989). O modelo de conseqüenciação de B. F. Skinner. Psicologia: Teoria e Pes­
quisa, 5(2), 137-158.
* Obras já traduzidas para a Língua Portuguesa (veja o Apêndice I).
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O laboratório didático como 
oportunidade de iniciação 
científica para alunos de 
graduação em Psicologia
D\u25a0 I ^ H a r a se trabalhar experimentalmente, em qualquer área das Ciências Natu­
rais, o laboratório é o local de produção científica por excelência. Nele, 
podemos otimizar o controle de variáveis de modo a garantir maior pre­
cisão na observação dos efeitos daquelas que manipulamos sobre aquelas 
que mensuramos. Por meio do controle de variáveis, controle esse possí­
vel nas condições de laboratório, torna-se viável, ou o seu relativo isola­
mento, ou o contrabalanceamento de seus efeitos, de modo a facilitar a 
análise e a identificação de relações funcionais.
Contudo, por mais que sejamos levados a imaginar um laboratório 
como um local especial, repleto de materiais e equipamentos, não é o 
local e sua infra-estrutura que definem um laboratório, mas sim sua rela­
tiva capacidade de gerar conhecimento científico fidedigno. O que define 
um laboratório é, basicamente, a capacidade de oferecer condições ao 
pesquisador de controlar e manipular adequadamente as variáveis de 
interesse, tendo em vista um problema de pesquisa a ser respondido. Se 
tivermos uma pergunta cuja resposta só possa ser obtida em sala de aula
e, se nessa situação, conseguirmos um bom controle das variáveis rele­
vantes, isso significa que a sala de aula é um excelente \u201claboratório\u201d , no 
que diz respeito àquelas variáveis em particular.
As atividades realizadas em um laboratório didático em Análise 
Experimental do Comportamento deveriam se colocar sob controle 
de dois objetivos fundamentais. Um deles é propiciar ao aluno a opor­
tunidade de testar e estudar alguns princípios básicos da Análise do 
Comportamento. Em relação a esse objetivo, uma série de fenômenos
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A ANÁLI SE DO C O M P O R T A M E N T O NO L A B OR ATÓ R I O D I DÁT I CO
comportamentais (tais como: reforço, extinção, reforço secundário, es­
quem as sim ples e complexos de reforçam ento, discrim inação e 
generalização de estímulos, diferenciação e indução de respostas, enca­
deamento, controle do comportamento por estímulos aversivos etc.) 
podem ser estudados utilizando-se procedimentos básicos descritos em 
vários exercícios práticos de laboratório (Guidi e Bauermeister, 1974; 
Gomide e Weber, 1998; Kerbauy, 1970; Lombard-Platet, Watanabe, e 
Cassetari, 1998).
O segundo objetivo para as atividades em um laboratório em Análi­
se do Comportamento, igualmente importante em se tratando de labo­
ratório didático, seria o de promover condições para a iniciação científica 
do estudante nos modos de pensar e investigar de uma ciência experi­
mental. Sendo introduzido ao pensamento científico por meio de exer­
cícios de laboratório, o aluno não só aprende que o conhecimento 
científico está em constante processo de construção (seja por meio de 
novas descobertas, seja por intermédio de modificações em conheci­
mentos previamente adquiridos) mas, e principalmente, que ele, o 
aluno, pode vir a fazer parte desse processo de construção (Machado e 
Matos, 1990).
Para tanto, a iniciação científica no laboratório didático deve se dar 
não só pela aquisição de conhecimentos e habilidades mas, principal­
mente, de atitudes que fazem parte do modo de pensar e de atuar de 
um pesquisador. As práticas de laboratório, tais como as propostas 
neste manual, foram elaboradas pensando-se em como elas poderiam 
se constituir em condições para que essa iniciação ocorra. Especifica­
mente, estas práticas de laboratório buscam promover:
\u2022 O contato do aluno com uma pergunta (\u201cproblema de pesquisa\u201d) a 
ser respondida experimentalmente. Nos exercícios propostos há pelo 
menos uma questão experimental explicitamente apresentada para 
cada um dos exercícios.
\u2022 O contato do aluno com a metodologia experimental típica da Aná­
lise do Comportamento. Cada exercício traz seu delineamento expe­
rimental descrito e justificado, assim como seus procedimentos 
específicos. Nesse sentido, recomenda-se que o professor promova 
uma discussão, anterior à execução de cada exercício, sobre 0 delinea­
mento e os procedimentos nele empregados. Por exemplo,