Buscar

AULA FERIDAS -pdf


Continue navegando


Prévia do material em texto

FERIDAS 
Profª Cristina Hansel 
Roberta Brand 
FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS – FMP 
FACULDADE ARTHUR SÁ EARP NETO - FASE
Definição 
◼ Ferida é qualquer interrupção na continuidade da pele, que 
afeta sua integridade. Também é definida como uma 
deformidade ou lesão.
◼ Pode ser : superficial ou profunda, fechada ou aberta, 
simples ou complexa, aguda ou crônica.
Proteção – atua como barreira física 
Sensibilidade – (dor, pressão, calor e frio) 
Termorregulação – (vasoconstrição, vasodilatação e sudorese) 
Excreção – ajuda na termorregulação através da excreção de 
resíduos como de água 
Metabolismo – síntese de vitamina D (exposição sol) 
Imagem corporal – Define a nossa aparência / auto-estima
Funções da pele
Etiologia das feridas
Acidental ou traumática – causadas por objetos cortantes,
perfurantes, mordeduras, queimaduras, etc.
Intencional ou cirúrgicas – realizadas com um fim terapêutico
Iatrogênicas – resultantes de procedimentos ou tratamentos
Causas externas – causadas por lesão contínua, fricção,
umidade, por exemplo, lesão por pressão.
Agudas - geralmente são feridas traumáticas.
Ex: cortes e queimaduras
Crônicas – feridas de longa duração ou recorrência
frequente.
Ex: úlceras
Evolução das feridas
Tipos de cicatrização 
Primeira Intenção – Ferida limpa com bordas próximas (quando é
possível fazer a junção dos tecidos por meio de sutura ou
aproximação. Ex: Feridas cirúrgicas.
Segunda Intenção – Quando ocorre perda acentuada de tecido, há
presença de infecção, não é possível fazer a junção das bordas.
Ex: úlceras venosas, abscessos, fístulas, etc.
Terceira Intenção- Feridas que apresentam fatores que retardam o
processo de cicatrização como: inserção de drenos, ostomias e
feridas cirúrgicas infectadas.
Quanto a presença de infecção
Limpa - em condições assépticas e isenta de microorganismos;
Limpa Contaminada – lesão com tempo inferior a 6 horas entre o
trauma e o atendimento sem contaminação significativa (baixa
colonização);
Contaminada – lesão com tempo superior a 6 horas e com presença
de contaminação (média colonização).
Infectada- presença de agente infeccioso local e intensa reação
inflamatória.
Tipos de exsudato
Seroso: claro, plasma aguado;
Sanguinolento: vermelho vivo, indica sangue ativo;
Purulento: grosso, amarelo, verde ou marrom;
Sanguinolento: pálido c/ presença de sangue 
(mistura de seroso com sanguinolento)
Odor: Inodoro ou fétido
Fatores Adversos à cicatrização
Locais
Pressão;
Ambiente seco;
Infecção;
Necrose;
Eliminações fisiológicas;
Traumatismo e edema.
Fatores sistêmicos
Idade,
Biótipo,
Doenças crônicas,
Condições nutricionais,
Insuficiências vasculares,
Sistema imunológico e
Medicamentos ou Tratamentos (Radioterapia).
Complicações da cicatrização
Infecção – Drenagem de material purulento ou inflamação (pode
gerar osteomelite, sepse).
Hemorragia – Interna (hematoma) ou externa.
Deiscência – Separação das camadas da pele e tecido (3 a 11 dias
após a lesão).
Evisceração – protrusão dos órgãos viscerais através da abertura
da ferida.
Fístula – Comunicação anormal entre dois órgãos ou entre um
órgão e a superfície do corpo.
Estágio I – Pele íntegra, hiperemiada, edemaciada ou endurecida.
Estágio II – Perda parcial da epiderme e derme. Ulceração
superficial.
Estágio III – Perda total da epiderme, derme e tecido subcutâneo
podendo chegar a fáscia muscular.
Estágio IV – Perda total das camadas da pele com destruição
tecidual, com necrose, atingindo músculo, tendão e osso.
Quanto ao comprometimento tecidual
Estágio I
Estágio II
Estágio III
Estágio IV
Como e por que avaliar a ferida?
Escala de Braden
Mensuração (dimensões);
Registro fotográfico;
Registro no prontuário (evolução da cicatrização);
Avaliação semanal ou diária.
Outros métodos de avaliação de feridas
Cuidados com o registro no prontuário 
Registro claro e conciso
Cronológico
Descrever as características da ferida
Promove a comunicação multidisciplinar
Respaldo legal para o profissional
REGISTRO FOTOGRÁFICO
Aspectos Legais e Éticos: as imagens devem ser autorizadas sempre
por escrito, pelo paciente ou pelo seu responsável legal.
Avaliação da ferida
O que avaliar uma ferida?
Tamanho: medida
Localização: anatômica 
Profundidade : estadiamento, mensuração por 
instilação de soro ou fitas estéreis 
Bordas (regulares ou irregulares)
Presença de exsudato 
Sistema de Avaliação de Cores
Red, Yellow, Black
PROTEGER A VERMELHA
LIMPAR A AMARELA
DESBRIDAR A PRETA
Sistema de Avaliação por Cores
RYB
• TRATE INICIALMENTE A COR PRETA
• DEPOIS A AMARELA
• E FINALMENTE A VERMELHA!!!
Propriedades das Cores
Tipos de Tecido
Granulação 
Necrose de liquefativa
(Tecido delgado, de coloração amarelada)
Necrose de coagulativa
(As células convertem-se em uma lápide acidófila e opaca de 
coloração negra)
Diferenciando úlceras arterial, 
diabética e venosa
ARTERIAL
✓ Pele fina brilhante e seca
✓ Espessamento das unhas 
dos pés
✓ Palidez ao elevar e rubor 
ao 
✓abaixar o membro
✓ Cianose
✓ Redução da temperatura
✓ Ausência ou redução dos 
pulsos 
DIABÉTICA
✓ Redução ou 
ausência de 
sensibilidade 
no pé
✓
Deformidade 
do pé
✓ Pulsos 
palpáveis
✓ Pé quente 
VENOSA
✓Edema firme
✓ Veias superficiais 
dilatadas
✓ Pele descamante, fina e 
seca 
✓ Evidência de úlceras 
cicatrizadas 
✓ Possível dermatite
Diferenciando úlceras arterial, 
diabética e venosa (continuação)
ARTERIAL
✓Bordos uniformes 
✓ Gangrena ou 
necrose 
✓Leito da ferida 
profundo e pálido
✓ Tecido em torno da 
ferida pálido
✓ Dor intensa
✓ Celulite
✓Pouco exsudato
DIABÉTICA
✓Bordos uniformes 
✓Leito da ferida 
profundo
✓Celulite ou 
osteomelite 
✓ Presença de tecido 
de granulação
✓ Drenagem de 
exsudato baixa ou 
moderada
VENOSA
✓Bordos irregulares
✓ Ferida superficial
✓ Tecido de 
granulação corado
✓ Dor em geral 
mínima a moderada
✓ Exsudato com 
freqüência moderada 
a intensa 
Curativo 
◼ Curativo é a proteção da lesão ou ferida
contra a ação de agentes externos físicos,
mecânicos ou biológicos.
◼ É um meio que consiste na limpeza e
aplicação de uma cobertura estéril em uma
ferida.
Objetivos do curativo
Manter a ferida úmida;
Remover o excesso de secreção;
Permitir a troca gasosa;
Fornecer isolamento térmico;
Ser impermeável às bactérias;
Ser isento de partículas;
Permitir a retirada do curativo sem trauma. 
Absorver e facilitar a drenagem de exsudato;
Proteção contra infecções (impermeabilidade às 
bactérias);
Não aderente à ferida.
Continuação dos objetivos
Tratar e prevenir infecções;
Eliminar os fatores desfavoráveis a cicatrização;
Diminuir a incidência de infecções cruzadas
Remover corpos estranhos;
Reaproximar bordas separadas;
Proteger a ferida contra contaminação e infecções;
Promover hemostasia;
Reduzir o edema;
Promover a cicatrização da ferida;
Diminuir a dor.
Curativo semi-oclusivo: Este tipo de curativo é absorvente, e 
comumente utilizado em feridas cirúrgicas, drenos, feridas exsudativas. 
Curativo oclusivo: não permite a entrada de ar ou fluídos, atua como 
barreira mecânica, impede a perda de fluídos, promove isolamento 
térmico.
Curativo compressivo: Utilizado para reduzir o fluxo sanguíneo, 
promover a estase e ajudar na aproximação das extremidades da 
lesão.
Curativos abertos: São realizados em ferimentos que não há 
necessidade de serem ocluídos. Feridas cirúrgicas limpas após 24 
horas, cortes pequenos, suturas, escoriações, etc.
Tipos de curativo 
Curativo primário 
(ou cobertura primária)
Curativo secundário 
(ou cobertura secundária)
Material necessário 
Bandeja ou carrinho de curativo contendo:
1 Kit de curativo contendo: 1 pinça Kelly, 1 pinça 
anatômica gazes) ou luvas estéril 
1 cuba redonda 
1 frasco de soro fisiológico 0,9% 
Micropore ou esparadrapo impermeável 
1 par de luvas de procedimentoEPIs (máscara descartável e óculos de proteção)
Produto indicado para o tipo de ferida (cicatrizante, 
debridante ou antisséptico) 
Lixeira ou saco plástico para lixo
Bacia e atadura (se necessário) 
Lavar as mãos antes e após cada curativo;
Verificar data de validade dos materiais e do kit de 
curativo; 
Expor a ferida e o material o mínimo de tempo possível;
Utilizar só material esterilizado;
Antes de retirar o curativo sujo, umedecê-lo com soro;
Não falar e não tossir sobre a ferida e do material estéril;
Se contaminar qualquer material descartá-lo/substituí-lo;
Técnica de curativo – Aspectos gerais
Sempre usar luvas de procedimentos;
Realizar o curativo usando técnica asséptica;
Se houver mais de um curativo no mesmo paciente 
iniciar pelo menos contaminado e depois mais infectado; 
Ao umedecer a gaze com soluções manter a ponta da 
pinça voltada para baixo;
Os curativos devem ser realizados no leito com toda 
técnica asséptica e após o banho; 
Nunca colocar o material sobre a cama do paciente