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MATERIAL DIDÁTICO INTRODUÇÃO À PSICOPEDAGOGIA E INCLUSÃO SOCIAL U N I V E R S I DA D E CANDIDO MENDES CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 Impressão e Editoração 0800 283 8380 www.ucamprominas.com.br Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 2 SUMÁRIO UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO .......................................................................... 03 UNIDADE 2 – O QUE É PSICOPEDAGOGIA? ............................................... 06 UNIDADE 3 – O SABER E O FAZER PSICOPEDAGÓGICO ......................... 16 UNIDADE 4 – ASSESSORAMENTO PSICOPEDAGÓGICO .......................... 29 UNIDADE 5 – PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E INSTITUCIONAL .................. 44 UNIDADE 6 – FUNDAMENTOS E PRINCÍPIOS DA INCLUSÃO SOCIAL ..... 50 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 54 ANEXOS ......................................................................................................... 57 Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 3 UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO Sejam bem-vindos a este curso de Pós-Graduação! Enquanto a inclusão social tem feito parte da agenda dos governos de países em desenvolvimento e até mesmo do terceiro setor, se constituindo em um tema atualizado e carro chefe de políticas sociais, a Psicopedagogia é um campo de estudo relativamente novo, principalmente no Brasil, entretanto, ambos enfrentam vários desafios como veremos ao longo deste curso. Em relação à Psicopedagogia um dos desafios a ser enfrentado está na construção da identidade do Psicopedagogo e na delimitação do seu campo de atuação. Isto deve contribuir para que a Psicopedagogia não se constitua em um modismo passageiro, mas que tenha o seu espaço de atuação e proposta de trabalho delimitados e, ao mesmo tempo, articulados a outros profissionais. Concordamos com Porto (2009) que essa forma de ação do Psicopedagogo, com campo de atuação e proposta de trabalho delimitados o levará a comprometer- se com os reais problemas vivenciados no cotidiano do processo de ensino- aprendizagem, propondo especialmente alternativas didático-metodológicas que visem contribuir para a redução dos altos índices de fracasso escolar e exclusão social. Outro desafio da Psicopedagogia é a busca de um trabalho interdisciplinar comprometido com o fenômeno educativo e que projete uma intervenção transformadora em benefício do aluno. Com isto, a ação Psicopedagógica passa a ser ampliada e incorporada aos projetos pedagógicos das unidades escolares, enriquecendo a metodologia utilizada em sala de aula, o que irá contribuir também para se repensar o processo avaliativo, especialmente no que diz respeito à coerência entre o planejamento, os procedimentos metodológicos desenvolvidos e o processo avaliativo. Um terceiro desafio e que muitos articulistas acreditam ser o maior deles no Brasil, é a popularização, deixando de ser uma especialidade restrita a determinada Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 4 classe social, a clínicas e instituições particulares. Isso quer dizer torná-la uma prática comum, disponível nas escolas e instituições públicas atendendo aos mais diversos segmentos da sociedade. Falamos em desafios, mas não nos esquecemos das conquistas, uma vez que a abertura de vários cursos que focam a Psicopedagogia já tem sido uma realidade que visa ao final, subsidiar os profissionais de conhecimentos teóricos e práticos para promover melhorias no processo ensino-aprendizagem. Conforme Aranha (2000), quanto à inclusão social, sua ideia tem fundamentos no reconhecimento e aceitação da diversidade na vida em sociedade. Isso significa a garantia do acesso de todos a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada indivíduo ou grupo social. A Constituição Federal do Brasil assume como fundamental, dentre outros, o princípio da igualdade, quando reza no caput de seu artigo 5, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros, residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Como desafio da agenda da Inclusão Social está proporcionar uma igualdade relativa, o que significa dar tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais, isto é, uma vez que as pessoas são diferentes, elas têm necessidades diferentes, portanto, devem ser atendidas dentro de suas peculiaridades. Para Aranha (2000), o principal valor que permeia, portanto, a ideia da inclusão é o configurado no princípio da igualdade, pilar fundamental de uma sociedade democrática e justa: a diversidade requer a peculiaridade de tratamentos, para que não se transforme em desigualdade social. Enfim, veremos ao longo desta apostila do curso de Psicopedagogia e Inclusão Social justamente tópicos que discutem esses assuntos. Para iniciarmos, nada mais coerente do que apresentar a Psicopedagogia, suas origens, evolução, campo de atuação do profissional. Vamos discutir o saber e o fazer psicopedagógico e como acontece o assessoramente psicopedagógico. Definir e comparar a Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 5 Psicopedagogia Clínica e Institucional. Um glossário com os termos psicopedagógicos mais corriqueiramente utilizados completa a apostila. Ressaltamos em primeiro lugar que, embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científica. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 6 UNIDADE 2 – O QUE É PSICOPEDAGOGIA? Grosso modo podemos dizer que a Psicopedagogia nasceu da necessidade deencontrar solução para os problemas de aprendizagem que acontecem no meio educacional. A Psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes, recorrendo aos conhecimentos de várias ciências, sem perder de vista o fato educativo, nas suas articulações sociais mais amplas (SCOZ, 1994, p.12). Em linhas gerais, a Psicopedagogia tem procurado contribuir para a conscientização da importância do ato educativo, através de uma prática transformadora, visando especialmente o sucesso do aluno e a melhoria na qualidade do processo de ensino e aprendizagem. A história da psicopedagogia tem início na Europa, em 1946, onde foram fundados os primeiros centros psicopedagógicos por J. Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica. Unindo conhecimentos da área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, esses centros tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar e atender crianças com dificuldades de aprendizagem apesar de serem inteligentes (BOSSA, 2000, p. 39). Na literatura francesa – podemos observar como essa influenciou as ideias sobre psicopedagogia na Argentina (a qual, por sua vez, influenciou a práxis brasileira) – encontra-se, entre outros, os trabalhos de Janine Mery, a psicopedagoga francesa que apresenta algumas considerações sobre o termo psicopedagogia e sobre a origem dessas ideias na Europa, e os trabalhos de George Mauco, fundador do primeiro centro médico psicopedagógico na França, onde se percebeu as primeiras tentativas de articulação entre Medicina, Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, na solução dos problemas de comportamento e de aprendizagem (BOSSA, 2000). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 7 A história da psicopedagogia no Brasil tem um caminho percorrido pela Associação Brasileira de Psicopedagogia e foi marcado por pontos polêmicos, entre eles, alguns questionamentos sobre o verdadeiro papel desta ciência, ou seja, a consistência, fortalecimento e autonomia da Psicopedagogia. De 1995 a 1996, foram elaborados vários documentos explicitando seu campo de atuação, sua área científica, sua contribuição e seus critérios de formação acadêmica. A profissão do psicopedagogo não está regulamentada, mas o projeto se encontra na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, na Câmara dos Deputados Federais, para ser aprovada. Enquanto isso, a formação do psicopedagogo vem ocorrendo em caráter regular e oficial em cursos de pós- graduação oferecidos por instituições devidamente autorizadas ou credenciadas. No que tange ao limite na prática institucional preventiva, por exemplo, um dos aspectos que merece destaque tem sido a dificuldade dos psicopedagogos em propor procedimentos de avaliação e de intervenção. Esta questão também é uma das preocupações de Bossa (2000) ao enfatizar que uma das dificuldades práticas com que se deparam os psicopedagogos brasileiros, reside nos procedimentos diagnósticos para a intervenção. Segundo a autora, a indefinição quanto ao instrumental utilizado no trabalho psicopedagógico merece ser pensada, de forma que novas perspectivas possam daí surgir e atender as reivindicações inerentes à atividade psicopedagógica. Ela também acrescenta que vários autores já se debruçaram sobre esta questão, entretanto enfatiza que ainda há muito por se fazer (RUBINSTEIN, CASTANHO, NOFFS; 2004; MASINI, 2006). A Psicopedagogia se apresenta com um caráter multidisciplinar devido à complexidade dos problemas de aprendizagem, que busca conhecimento em diversas outras áreas do conhecimento, além da psicologia e da pedagogia. É necessário ter noções de linguística para explicar como se dá o desenvolvimento da linguagem humana sobre os processos de aquisição da linguagem oral e escrita. Requer também conhecimentos sobre o desenvolvimento neurológico, sobre suas disfunções que acabam dificultando a aprendizagem; de conhecimentos filosóficos e Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 8 sociológicos, que nos oferece o entendimento sobre a visão do homem, seus relacionamentos a cada momento histórico e sua correspondente concepção de aprendizagem. Portanto, o psicopedagogo deverá ter um embasamento teórico para o desenvolvimento de sua função (PERES, OLIVEIRA, 2007). Assim sendo, a psicopedagogia se propõe a integrar, de modo coerente, conhecimentos e princípios de distintas ciências humanas, objetivando adquirir uma ampla compreensão sobre os variados processos inerentes ao aprender. O profissional que atua como psicopedagogo tem um amplo conjunto de tarefas e funções que prestam assessoramento psicopedagógico às escolas, apesar de sua diversidade, pode ser organizado em torno de quatro eixos. O primeiro eixo é relativo à natureza dos objetivos da intervenção, cujos polos caracterizam respectivamente as tarefas que se centram, prioritariamente no sujeito e aquelas que têm como finalidade incidir no contexto educacional. Assim, as tarefas incluídas são tanto as que têm como objetivo prioritário o atendimento a um aluno, quanto as que aparecem vinculadas a aspectos curriculares e organizacionais (COLL, 1989 apud FERREIRA, 2008). O segundo eixo afeta as modalidades de intervenção, que podem ser consideradas como corretivas, ou preventivas e enriquecedoras. Qualquer intervenção realizada na escola pode ser caracterizada em um determinado momento, embora, em um momento posterior, sua consideração se modifique. Outro eixo que também diferencia modelos de intervenção, embora tenha como objetivo final o aluno, pode ter diferenças consideráveis: enquanto alguns psicopedagogos trabalham diretamente com o aluno, orientam-no e, inclusive, manejam tratamentos educacionais individualizados, outros combinam momentos de intervenção direta com intervenções indiretas, (por exemplo, no caso de uma avaliação psicopedagógica), centradas nos agentes educacionais que interagem com ele (no próprio processo de avaliação psicopedagógica, na tomada de decisões sobre o plano de trabalho mais adequado para esse aluno). São frequentes as consultas formuladas por um professor ao psicopedagogo em relação a um aluno que não vai manter nenhum contato direto com esse profissional. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 9 O último eixo, Coll (1989 apud Ferreira, 2008) indica o lugar preferencial de intervenção, que entendemos como a diversidade de níveis e contextos, inclusive quando circunscrita ao marco educacional escolar. Este eixo inclui tanto as tarefas localizadas no nível de sala de aula, em algum subsistema dentro da escola, na instituição em seu conjunto, ano, série, assim como aquelas que se dirigem ao sistema familiar, à zona de influência, entre outras. O fato que se deve considerar é que as tarefas que aparecem englobadas nos eixos precedentes são objeto da intervenção psicopedagógica, não significa que todos os psicopedagogos as executem em seu conjunto e, obviamente, não significa que as realizem da mesma forma. Um dos aspectos importantes sobre a profissão do psicopedagogoé a formação continuada, além de fazer um curso de pós-graduação, é necessário sempre atualizar-se, realizando cursos nas mais diversas áreas como na linguística, neurociência, psicologia, entre outras. É muito importante entender os seus limites de atuação. O psicopedagogo é um profissional que está entre a saúde e a educação, os limites da atuação devem ser sempre rigorosamente observados. No que tange à área da saúde, não podem exercer o que for de competência profissional nem de médicos nem de psicólogos. “Passar o CID1”, por exemplo, não é de sua competência como psicopedagogo, pois está inserido na classificação das doenças na área médica. Também não é da sua competência aplicar testes psicológicos (avaliação de inteligência, de personalidade e outros). Carvalho (2009) pensa ser imperativo buscar sempre uma supervisão junto a psicopedagogos quanto aos tipos de avaliação do processo de aprendizagem e das dificuldades de aprendizagem que competem ao psicopedagogo. Vale lembrar que na área da Psicopedagogia a relevância do trabalho realizado dependerá da consciência profissional de cada um que nela atua. A dificuldade escolar pode gerar um círculo vicioso do fracasso, ou seja, quanto mais a criança se sente inferiorizada, mais ela estará suscetível ao 1 Código Internacional de Doenças Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 10 insucesso, e menos poderá obter aprovação a partir de seu desempenho (LINHARES et al, 1993 apud OKANO, et al, 2003). O manejo das dificuldades de aprendizagem no ambiente escolar não se constitui em tarefa fácil, e muitas vezes, a alternativa dada envolve a colocação das crianças em programas especiais de ensino como o proposto para as salas de reforço ou de recuperação paralela, destinadas a alunos com dificuldades não superadas no cotidiano escolar. Os programas de reforço, em nosso meio, a princípio se apresentam como uma proposta que visa contribuir para o bom desenvolvimento escolar, contudo carecem de estudos sistemáticos que demonstrem a sua eficácia no que diz respeito aos aspectos psicológicos de crianças com dificuldade de aprendizagem. Diversos estudos têm relatado que as crianças com dificuldades de aprendizagem têm autopercepção mais negativa sobre o seu próprio comportamento quando comparadas a crianças que têm rendimento satisfatório e quando comparadas àquelas que têm baixo rendimento, mas não são identificadas como tendo dificuldade de aprendizagem (BELTEMPO & ACHILE, 1990; CLEVER, BEAR & JUVONEN, 1992; LEONDARI, 1993; JACKSON & BRACKEN, 1998 apud CARVALHO, 2009). Lidar com o insucesso escolar, com o baixo rendimento, com as múltiplas implicações para a autoavaliação da criança, para a família, professores e comunidade constitui-se em tarefa complexa e desafiadora para a qual não se tem ainda uma resposta acabada e pronta, o que aponta para a necessidade de buscar alternativas que possam minimizar tal situação (OKANO et al, 2003). Na concepção de Carvalho (2009), as dificuldades muitas vezes são de fatores externos (ambiental), ou seja, estereótipos criados pela família e também pela escola/professores. Portanto, os Psicopedagogos precisam conhecer a causa das dificuldades para encontrar meios de ajudar o aluno e não para excluí-lo. Acontece que quando o aluno é encaminhado por outro profissional e toma-se conhecimento do diagnóstico, intrinsecamente a exclusão acontece. “Com este aluno, fulano já fez de 'tudo' e não deu jeito”! “Ele não sabe nada”, mas: O que é Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 11 tudo? Como esse tudo foi realizado? Será que o aluno tem mesmo dificuldade de aprendizagem ou é dificuldade na ensinagem? questiona Carvalho. Na concepção de Polity (2002), a pedagogia com enfoque construtivista com base no Construcionismo social elenca três fatores básicos do processo educacional: a interdisciplinaridade, a interacionalidade e o pensamento complexo conduzindo o educando para a prática da transformação social. A autora faz a relação entre as dificuldades do aluno a as dificuldades do professor no processo ensino-aprendizagem, interrelacionando-os, até mesmo, nos fracassos. Segundo Carvalho, Polity cria essa nova abordagem com a interdependência interativa entre a subjetividade de ambos – professor/aluno. É a mescla entre ensino e aprendizagem como um conjunto. Com essas perspectivas surge o conceito de dificuldade de ensinagem: a natureza relacional do Ensino, mudando significado, domínios de convivências, através do emocional, o professor constrói a sua subjetividade no ato de ensinar. Daí a dificuldade de ensinagem, ou seja, “é o movimento de ensinar carregado de emoção: ansiedade por ter de cumprir uma missão, medo e/ ou frustração por não entender o aluno, fantasias de incompetência...”. A dificuldade de ensinagem se refere a esta prática do professor, colocada em cheque, corresponde às dificuldades de aprendizagem do educando. Nas instituições, o psicopedagogo cumpre a importante função de socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de normas de conduta inseridas num mais amplo projeto social, procurando afastar, contrabalançar a necessidade de repressão. Agindo assim, a maioria das questões poderão ser tratadas de forma preventiva, antes que se tornem verdadeiros problemas e/ou também interventiva, se a dificuldade de aprendizagem já estiver evidente. Peres e Oliveira (2007) fazem menção com respeito à importância da prevenção e da intervenção psicopedagógica, mas enfatizam também que não podemos ignorar a fase que precede a essas ações. A etapa de avaliar, por exemplo, a avaliação psicopedagógica, deverá anteceder a toda e qualquer proposta de intervenção, seja ela clínica ou institucional. A análise da adequação dos Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 12 materiais didáticos, da proposta pedagógica, da metodologia, da avaliação, associadas a entrevistas com professores, tem se constituído em importante instrumento de avaliação. O caminhar do Psicopedagogo O psicopedagogo, no papel de agente corretor, de acordo com Visca (1987), deve priorizar o "conhecimento" do paciente, mesmo que para tal, tenha de realizar encaminhamentos a outros profissionais. De acordo com Chamat (2008), seu papel é de focalizar a problemática dentro do contexto causa/sintoma e atuar sobre eles. Deve planejar sua atuação desde o contato telefônico. Este, muitas vezes, fornece dados de como estão as relações vinculares familiares. Sabe-se que, após o contato telefônico, virá a entrevista com os genitores, expondo a causa dos sintomas e a mudança de atuação dos mesmos em relação ao sujeito. Da mesma forma, será marcado horário para a entrevista com o professor. A forma como este expõe a problemática fará parte do diagnóstico. Conforme Chamat (2005), esses elementos se constituirão como ponto de partida para a elaboração e realização do diagnóstico. Posteriormente, após o diagnóstico, deverá o profissionalefetuar o planejamento do tratamento e ou intervenção psicopedagógica. Esse planejamento deve ser comunicado aos pais, para que possam cooperar e ter consciência das possíveis causas e sintomas, que futuramente poderão ocorrer. Essa interação com os pais os torna, em geral, muito cooperativos e conscientizam a necessidade do tratamento. Após o diagnóstico virá o tratamento, sobre o qual o professor também receberá esclarecimentos e as devidas orientações. Segundo Chamat (1996), após realizar todo o diagnóstico psicopedagógico, o psicopedagogo estará de posse do quadro "patológico" sobre o caso em estudo, Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 13 bem como de um sistema de hipóteses que lhe permita direcionar o tratamento psicopedagógico. O agente corretor, conforme Visca (1987), deve estar acessível às chamadas da escola e dar as devidas orientações. No aspecto assistencial, discute-se a necessidade de poder contar com um assistente social, em um trabalho em conjunto. Este se dirigirá à família, levantará as dificuldades e orientará de forma ampla e realista, abrangendo outros aspectos que a família não percebe, mas estão relacionados com a produtividade escolar da criança. Todo o trabalho do assistente social deve ser comunicado ao agente corretor ou terapeuta. Uma imprescindível colocação é a de que, ao receber o sujeito, o profissional deve aceitá-Io incondicionalmente, sem restrições, pois esta é a base na qual se estrutura todo o trabalho, isto é, permeia a estruturação das relações vinculares. O atendimento psicopedagógico, mediante um olhar clínico, pretende facilitar o diagnóstico da dinâmica relacional e da aprendizagem, a fim de propiciar mudanças e facilitar o trabalho preventivo, objetivando evitar e/ou superar problemas de aprendizagem na relação aluno -"conhecimento"- professor. Segundo Paín (1989), a intervenção tem como objetivo: Levantar e sistematizar o perfil do aluno dos diferentes cursos; Detectar os principais pontos de dificuldades e necessidades apresentadas pelos alunos nos diferentes momentos de sua formação; Desenvolver atividades em conjunto com a área pedagógica, a fim de facilitar a elaboração de técnicas acadêmicas eficazes para o bom andamento da vida acadêmica do aluno; Atender individualmente o aluno que procura o programa, e verificar a possibilidade de lidar com suas necessidades e dificuldades; Auxiliar o aluno em suas dificuldades acadêmicas, de ordem pedagógica e de relação no contexto acadêmico, encaminhando-o de forma condizente, em caso de necessidade; Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 14 Fazer o levantamento do perfil do aluno ingressante; estabelecer dados comparativos com o andamento de sua formação por meio de levantamento de dados a ser realizado no início, meio e no final da Intervenção. Para tal, Chamat (2008) nos mostra que se deve usar um método de trabalho. Geralmente, o psicopedagogo deve levar em consideração, ao efetuar o planejamento, os seguintes itens: Item 1: Receberão atendimento psicopedagógico, alunos de todos os cursos de todos os anos, por meio de encontros de 30 a 50 minutos, agendados anteriormente, desde que portadores de dificuldades de aprendizagem. Outros casos poderão ser atendidos mesmo que adultos, desde que se refiram à organização do dia-a-dia, adaptação, vida social e "Conhecimento". Os casos que demandarem acompanhamento psicológico, serão encaminhados para Profissionais de Psicologia. Item 2: A atividade deverá ser exercida pelo profissional da área de psicopedagogia de uma a três vezes por semana. Item 3: Os portadores de deficiência física, de locomoção, visual e auditiva terão suporte de inclusão na escola apropriada, encaminhados pelo profissional, e atendimento psicopedagógico por meio de um do especialista na deficiência. Um exemplo para refletir: O psicopedagogo recebe um paciente com dificuldades de locomoção, mas seu consultório fica na parte superior. Sobe carregado pelo pai. O profissional deve encaminhá-lo para um colega seu, que atenda no térreo ou em consultório com elevador. Nas outras deficiências, o mesmo deve ocorrer. Se o profissional não souber trabalhar com um deficiente visual e não souber se comunicar com o deficiente auditivo, como irá atendê-lo? Existem especialistas para esses casos. Para cada caso, deve-se usar o profissional adequado e um material específico. A sessão realizada com o sujeito poderá ser dividida em duas partes, sobre as quais a discussão será retomada posteriormente. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 15 Na primeira parte serão utilizados materiais escolares de forma lúdica, construtivista e, na segunda, serão utilizados materiais especificamente lúdicos, porém cognitivistas. Quando jogar com a criança, não procure agradá-Ia, deixando-a vencer. Jogue normalmente e, se estiver ganhando muito, deixe-a ganhar uma e outra vez para motivá-Ia. No entanto, usando sempre a argumentação: “O que fez você ganhar agora? Jogou diferente em quê?” Deixe-a perder algumas vezes para aprender a lidar com a frustração e aumentar a concentração e questionar suas jogadas. Exemplo: - Por que colocou desta forma? Tem certeza que não havia outra? - E se fizesse assim, o que aconteceria? - Posso voltar? - Não, tem de assumir a sua falta de raciocínio, pois você não usou o raciocínio.2 É importante induzi-Io a antecipar a ação, que expandirá o potencial. O psicopedagogo deve estar sempre atencioso e receptivo para as necessidades do sujeito e sua família. Se solicitado, deve atender a escola, assim como respaldar a família. Deve ter sempre em mente que, a entrevista inicial, a devolutiva e as outras, tanto com os pais como com a criança, despertam muitas ansiedades em todos os envolvidos. Também, acontece com a professora, pelo temor à avaliação. Além do exposto, faz-se de extrema importância que o agente corretor, se submeta a um processo psicoterápico para lidar com as frustrações e, a uma supervisão. Assim, estará melhor subsidiado, aprendendo a separar as suas emoções das dos seus pacientes. Esse procedimento evitará a "contaminação" e a "inundação", favorecendo o "olhar clínico" (VISCA, 1987). 2 Parece que estamos avançando demais colocando questões sobre diagnóstico e intervenção num momento em que a proposta básica é discorrer sobre a Psicopedagogia de modo geral, mas acreditamos que esses momentos em que mesclamos a teoria com a prática contribuem para irem se acostumando e assimilando todo o fazer do profissional. Exemplos acontecerão ao longo de todo o curso. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 16 UNIDADE 3 – O SABER E O FAZER PSICOPEDAGÓGICO Duas frases ditas “de efeito” abrem esse tópico: Mais do que aprender a conhecer, a psicopedagogia nos ensinaa aprender a ser (LIMA, 2003). O saber é como essa Árvore do Paraíso. Dentro de cada um, tenta, impulsiona. Convoca, busca a certeza da verdade absoluta e possível. No entanto, ao comer de seu fruto, podemos perder a felicidade incorpórea do Éden. Sem dúvida, atrever-se a esse jogo nos permitirá saborear algo do saber-sabor do impossível (FERNÁNDEZ, 2008). Já vamos avisando que não será possível esgotar essas questões pontuais, o saber e o fazer psicopedagógico, pois cada profissional tem em seu íntimo uma maneira peculiar de tratar aos seus “aprendentes”, mas lançaremos questionamentos que os levem a refletir sobre as perspectivas atuais e os desafios que lhes reserva o futuro. Concordamos com Beauclair (2009) quando diz que a demanda social pela aprendizagem em nosso tempo gerou espaços e tempos institucionais novos, onde a atuação do psicopedagogo se faz necessária e que novas teorias capazes de captar novas dimensões se fazem necessárias, principalmente baseadas na sensibilidade e na intuição do profissional. Vamos começar pontuando os objetivos da atuação psicopedagógica, fazendo uma releitura de diferentes autores que já dedicaram muito a essa questão. Jorge Visca3 (1987) compreendeu a Psicopedagogia como uma possibilidade de termos uma visão mais ampliada dos complexos processos que nos levam à efetiva aprendizagem. 3 Argentino e graduado em Ciências da Educação, fundou os Centros de Estudos Psicopedagógicos de Buenos Aires, de Misiones, do Rio de Janeiro, de Curitiba, de São Paulo e de Salvador. Publicou seu primeiro livro - Clínica psicopedagógica - em 1985, traduzido para o português em 1987. Criador da Epistemologia Convergente, linha que propõe um trabalho clínico utilizando-se da integração de Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 17 Para este autor, a Psicopedagogia, ao fazer uso de múltiplos modos de prevenir, diagnosticar e de corrigir possíveis dificuldades, pode dispor de estratégias capazes de intervir na relação que o sujeito aprendente estabelece com outros sujeitos e com o meio, para encontrar significado e sentido ao seu movimento de ser e estar em processo de aprender. Alerta que não podemos esquecer, em nenhuma hipótese, as interações que este sujeito mantém com o seu mundo segundo suas condições sociais e culturais. Deste modo, o campo de estudo da Psicopedagogia está focado no próprio ato de aprender e ensinar, percebendo que é necessário considerar simultaneamente aspectos da realidade interna e da realidade externa da aprendizagem visando compreender as dimensões sociais, subjetivas, afetivas e cognitivas que interagem dialeticamente na constituição do sujeito que se movimenta na complexidade inerente ao processo do conhecer. Weiss (2001) ressalta, em seus estudos, que a Psicopedagogia é um caminho fundamental à ampliação das possibilidades de busca de qualidade nos processos relacionais, presentes na aprendizagem humana, que ocorre no movimento do desejo, potencialidade maior de cada um de nós, enquanto sujeitos humanos, de melhor construirmos nossas próprias aprendizagens. Em toda a sua obra, Alicia Fernández (2001) destaca que é preciso, no campo psicopedagógico, sempre incorporar novos saberes e conhecimentos sobre a inteligência, o corpo, o desejo e o organismo pelo fato de que estes são os principais níveis imbricados no ato humano de aprender: cada sujeito, em seus processos de aprendências, possui sua própria modalidade de aprendizagem, o que quer dizer que cada um, em sua individualidade, possui suas próprias condições, seus limites e meios para acessar conhecimentos e construir saberes. três linhas da Psicologia: Escola de Genebra (Psicogenética de Piaget), Escola Psicanalítica (Freud) e Psicologia Social (Enrique Pichon Rivière). Faleceu em 2000. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 18 É, no conceito de autoria de pensamento, elaborado por Alicia Fernández, que reside o que podemos considerar como sendo passo inicial e essencial para refletirmos sobre as perspectivas atuais do agir e do fazer psicopedagógico. Segundo esta autora, para que de fato os estudos dos temas psicopedagógicos tenham validade e, deste modo, transformem-se em aprendizagem, é necessário construir espaços de autoria do pensamento para cada um de nós, no mesmo momento em que elaboramos estratégias e ações para abrir também para os outros esta mesma construção e este mesmo espaço. É neste espaço de autoria de pensamento que este sujeito aprendente, que somos todos nós, desenvolve potencialidades de autonomia, de expressão, de discussão para pensarmos a constituição dos próprios processos de produção de conhecimento em Psicopedagogia. Ensinar e aprender, em uma relação dialética - principalmente quando se pensa nas perspectivas atuais do agir e do fazer psicopedagógico - que faz com que a autoria de pensamento seja ferramenta conceitual para o desenvolvimento de uma práxis formativa em Psicopedagogia, é repensar nossos pressupostos teóricos. E tal ação deve partir da reconfiguração paradigmática contemporânea e da percepção sobre quais são as possíveis interfaces com a busca de fundamentação da própria teoria psicopedagógica (BEAUCLAIR, 2009). Novamente, é Fernández (2001, p. 90) que diz que autoria é o "processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção." Portanto, tornar-se autor só é possível para cada um de nós, aprendentes e ensinantes, se sairmos do lugar de passivos e meros reprodutores de um modelo previamente determinado como realidade maior, pronta, acabada. Nossas observações e inserções são fundamentais para se fazer uma revisão, possibilitadora de novos olhares sobre a imensa importância do ensinar e o aprender no mundo atual. Isto porque, quer tenhamos esta consciência ou não, nosso tempo presente é extremamente complexo e nos exige tomada de postura, assunção de novos Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 19 desafios, construção cotidiana de novas práticas, feitura de novos fazeres, elaboração de outros cardápios, invenções de novos temperos, elaboração de novos sabores, de novos saberes. É preciso, como diz Beauclair (2009) criar suportes e aportes para fazer travessias pelo fio do conhecimento. Nossa imersão neste movimento deve nos levar, enquanto psicopedagogos em formação inicial ou continuada (neste sentido não importa tanto de onde estamos vivenciando este saber fazer), a criarmos dosagens de suficientes suportes e aportes que nos permitam fazer diversas travessias pelo fio do conhecimento. Neste movimento, saber que tempo, medos, frustrações, envolvimentos, sentimentos, dores, prazeres, jogos lúdicos, sonhos, desejos investigações, conexões, intenções, apropriações e desapropriações mesclam-se na autopoiese, no caos, no desequilíbrio ótimo piagetiano, na desordemdo não-saber, do ignorar, na delícia de aprender, de constituir-se sujeito (BEAUCLAIR, 2009). Avelar (2004), em texto "prosopoético", brinda-nos com um aporte essencial para o fazer psicopedagógico atual. Quando nos afirma que, quando falamos deste sujeito, essencial é fugirmos de tudo que é padronização. A palavra sujeito remete- nos à subjetividade e, desta forma, a vicissitudes, a percursos imprevisíveis, impredizíveis, irreproduzíveis. A palavra sujeito remete-nos a possibilidades, particularidades, à tecitura singular de aprendizagens. Daí, termos que falar do sujeito do desenhar e não do desenho. Olhar-ler-falar do sujeito de desenhar é abrir espaço da produção de sentido e simultaneamente jogar-se em busca de sentidos, sabendo de antemão que eles nunca se esgotam. Um desenho não esgota o sentido, o gesto também não; a palavra também não. Não é o sujeito leitor que vai esgotar o sentido, tampouco o sujeito autor. Os sujeitos estão se transformando e transformando as situações. As situações não são estáticas, como as radiografias. Portanto, não podemos padronizar nosso olhar, padronizando os elementos gráficos. Uma só jogada não esgota o jogo, uma só questão também não, uma só lógica também não (BEAUCLAIR, 2009). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 20 A autoria de pensamento é uma possibilidade de interpretação, mas não se esgota, pois sempre necessitaremos de movimentos e relações de aberturas e de complementaridades, visando a novas e permanentes possibilidades. Com isso, podemos afirmar que o universo da aprendizagem vincula-se não somente aos conteúdos concretos, mas também aos mundos psíquico e simbólico do ser cognoscente. E aqui, surge um ponto de reflexão fundamental: de que modo, dentro do estudo da Psicopedagogia, estes mundos (simbólico e psíquico) se relacionam com a dinamicidade da complexa realidade externa que todos nós temos efetiva interlocução? No campo do simbólico, ocorrem as "aprendências" e as "ensinagens", percebidas como processos correlatos, onde realidade interna e realidade externa se mesclam. No contexto de construção de subjetividades, a aprendência é reflexo do desenvolvimento cognitivo, afetivo e emocional. Deste modo, podemos pensar e vivenciar processos de aprendências quando associamos afeto e emoção no agir e fazer que conduza à cognição. Esta ideia é uma possível referência para pensarmos o quanto é importante ampliar horizontes teóricos para o desenvolvimento de cada aprendente. Acreditando que aprender é um modo elaborado por nosso psiquismo para organizarmos e apreendermos o real, é importante perceber que é o conjunto de sensações e percepções do ambiente pelo sujeito cognoscente que possibilita o desejo de aprender. Tal desejo, fundado em movimento dialético entre sujeito e ambiente, é capaz de despertar ações para a busca de soluções, adaptações e resoluções para nossas intervenções no mundo. Cabe, em nossos espaços e tempos de inserção profissional, reconhecer que é preciso construir processos permanentes de promoção e elaboração de autoria de pensamento (BEAUCLAIR, 2009). É desafio, neste movimento, criar condições para que o aprendente se autorize a pensar e que, neste aceitar e autorizar, compreenda que este seu pensar Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 21 é único, diverso do pensamento do outro, porque é seu e envolve sua subjetividade e capacidade de análise, síntese e integração de saberes e conhecimentos. É óbvio que para arriscar e recriar saberes e conhecimentos, é essencial deixar de lado o agir e fazer repleto de repetições e sem criticidade, passo inicial para o risco, para a ousadia. Ousar é partir do que agregamos como significação ao longo de nossa trajetória, arriscar criando e recriando saberes e conhecimentos, ir à busca da interlocução com os outros, onde objetividade e subjetividade ganham corporeidade e latência (BEAUCLAIR, 2009). Reconhecer-se como ser que deseja é reconhecer-se como ser que pensa e aprende, mas em nível pessoal. Este é só um lado da questão, pois é preciso ir além da ação individual: o outro precisa ser visto também como desejante, pensante: o outro como único e legítimo. Ensinantes e aprendentes autorizando-se mutuamente, sendo autores dos pensamentos e movidos por seus desejos, em busca de seus processos e movimentos de autonomia, devem ir além do olhar do outro, para reconhecer a autoria de seu pensamento e produção (BEAUCLAIR, 2009). Importante é perceber que "ensinagem" e "aprendência" são processos de permissão à autoridade de pensamentos, como movimentos diferenciados e reconhecedores da alteridade. De acordo com Prandini (2003), é preciso reconhecer a legitimidade do outro, autorizar-se a criar, recriar, reconhecer-se realizando o próprio desejo, pois apenas a partir daí seremos capazes de proporcionar ao outro espaço para isso e oferecermo-nos a ele como referência, mas nunca como modelo a ser simplesmente imitado. Se assim reconhecermos o outro, deixaremos que as diferenças sejam agenciadoras dos processos de inclusão, não de exclusão como comumente tem sido em nossa sociedade e instituições. Por isso, toma-se urgente, nas relações de aprendência e ensinagem, não excluir o outro por suas diferenças, mas ao contrário valorizá-Ias. Para isso, é preciso, antes de tudo, não auto excluir-se, ou não sentir- Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 22 se excluído do universo do outro em virtude de nossas próprias diferenças, suportar estar só, ficar consigo mesmo e refletir. Enfim, a aposta e a proposta de Beauclair (2009) é reconfigurarmos nossas múltiplas dimensões humanas, buscando nos paradigmas emergentes aportes e suportes teóricos que contribuam para a constituição de um outro modo de ser-e- estar no mundo. Para construirmos um novo olhar sobre o aprender e o ensinar e suas relações com a produção do conhecimento em Psicopedagogia, é válido ter cada um de nós uma postura de curiosidade intelectual e, principalmente, abertura para nos aproximarmos de ideias com as quais ainda não temos familiaridade. Desde os anos de 1960, do século passado, momentos marcantes na busca de uma maior mobilidade do pensamento têm vivido rupturas e nos aproximado de pensares que visam à superação do modelo cartesiano, ou seja, é momento de lançar mão de novos paradigmas e enfrentar os novos desafios na produção do conhecimento em Psicopedagogia. O movimento feminista, as lutas de grupos voltados aos Direitos Humanos e à Ecologia, as organizações pacifistas, as descobertas importantes das Ciências Físicas e Biológicas, entre outras manifestações da cultura, contribuíram para a configuração de um novo estatuto de ideias sobre a vida, os seres humanos e suas relações com o meio ambiente e com os seus pares. Aqui, com certeza, não é o lugar de mapear toda esta construção, surgida principalmente na segunda metade do século XX. Entretanto, sabemos que foi com a Epistemologia Genética e a Ciência Cognitiva que avançamos no campo teórico sobre o ato de conhecer. Os paradigmas interdisciplinar,pluridisciplinar, multidisciplinar, transdisciplinar e metadisciplinar apontam para uma multiplicidade de pressupostos teóricos que contribuem para a produção acadêmica em Psicopedagogia, principalmente se reafirmarmos que é esta uma área do conhecimento, por essência, em permanente construção. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 23 Assim, para estarmos atentos à estreita relação entre o conhecimento, a pesquisa e a constituição dos sujeitos e os diferentes problemas do nosso tempo, urge saber que é possível pensar para além das limitações, visto que, em muitas situações, torna-se essencial perceber que há alternativas presentes nos próprios contextos onde cada um de nós se insere na busca por novos significados e sentidos para o fazer psicopedagógico (BEAUCLAIR, 2009). No que diz respeito ao produzir conhecimento em Psicopedagogia, é também importante ampliar o ambiente e a atuação daquele profissional que pesquisa: de modo geral, é preciso perceber que a pesquisa só pode ser considerada centro de seu aspecto educativo, ou seja, da própria formação do psicopedagogo. Para obtermos algum domínio de nossos processos de autoria de pensamento, é de extrema valia conquistar e exercitar a qualidade de sermos produtivos, conscientes e emancipados, tornando-nos sujeitos capazes de encontrar nossos próprios espaços e tempos, e sermos desejantes de crescimento, recusando-nos cotidianamente a sermos apenas objetos, a sermos apenas meros expectadores de todo este movimento. Concordamos com Beauclair que diz que para desenvolvermos este processo, um grande desafio emerge: refletirmos sobre os novos paradigmas, propormos o pensar complexo, buscarmos estar em permanente movimento de aprender a conhecer, aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a amar. O problema de aprendizagem põe em evidência a necessária inter-relação dos níveis orgânico, corporal, intelectual e desejante, a partir de sua articulação sintomática. No processo de aprendizagem normal, tal inter-relação, ao dar-se equilibradamente, pode aparecer em suas manifestações como se os níveis funcionassem com total autonomia. Além disso, tais níveis podem ser isolados para o estudo do processo de aprendizagem normal. Essa teoria é a epistemologia ou psicologia da inteligência, mas não teoria psicopedagógica, ambas necessárias para a teoria psicopedagógica, porém não confundíveis com ela, cujo fim é dar conta da articulação inteligência desejo. Com a Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 24 simples inclusão dos conhecimentos na teoria psicopedagógica, não conseguimos uma escuta psicopedagógica, mas é necessário incorporar, além disso, o saber psicopedagógico. O conhecimento é objetivável, transmissível de forma indireta ou impessoal; pode ser adquirido através de livros ou máquinas; é factível de ser sistematizado em teorias; enuncia-se através de conceitos. Por outro lado, o saber é transmissível só diretamente, de pessoa a pessoa, experiencialmente; não se pode aprender através de um livro, nem de máquinas, não é sistematizável (não existem tratados de saber); pode ser enunciado somente através de metáforas, paradigmas, situações, casos clínicos. Por exemplo, o saber sobre a psicose só pode ser conseguido através do contato com uma pessoa (daquelas chamadas psicóticas), e deixando que interaja com nossos próprios aspectos confusos. Não obstante, podem ser transmitidos conhecimentos sobre a psicose a partir de uma teoria sobre a mesma. Uma grande falha de nossa educação tem a ver com a desqualificação do saber e o endeusamento do conhecimento. Pode-se entender por que convém a determinados sistemas que circulem os conhecimentos, mas não o poder de uso sobre eles. A linguagem, no seu uso popular, costuma fazer esta diferença entre conhecimento e saber. Assim, se alguém diz: "Sei dirigir", supõe-se que se pudesse dispor de um carro, poderia sair dirigindo. Mas se diz: "Eu conheço como dirigir um carro", até o melhor amigo hesitará em emprestar-lhe seu carro, pois, pode conhecer, porque lhe contaram, ou porque leu um manual de instruções de direção e conhece os procedimentos, ou porque talvez tenha passado cinco anos estudando como dirigir, mas isto não quer dizer que ao entrar em um carro e poderá dirigir. Ainda que para ter "o saber" de dirigir o carro sejam necessários conhecimentos, somente com eles não se pode dirigir. Os conhecimentos somente se operativizam no terreno construído pela inteligência, desejo, organismo e pelo corpo. O saber psicopedagógico se obtém a partir de duas vertentes: da experiência, "mergulhando na tarefa", e através do tratamento psicopedagógico didático. Posicionando-se como observador ou como juiz é muito difícil contatar com o saber. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 25 Um espaço importante de gestação do saber psicopedagógico é o trabalho de autoanálise das próprias dificuldades e possibilidades no aprender, pois a formação do psicopedagogo, assim como requer a transmissão de conhecimentos e teorias, também requer um espaço para a construção de um olhar e uma escuta psicopedagógicos a partir de uma análise de seu próprio aprender. O que um pretende fazer a outro, tem que praticar consigo mesmo, contatar com as próprias fraturas na aprendizagem, com a história de aprendizagem pessoal, com as personagens ensinantes e aprendentes de si mesmo, e ver como jogaram e seguem atuando. Somente a possibilidade de apropriar-se (fazer próprios os conhecimentos) constrói o saber. Incorporar os conhecimentos, fazer o processo de digestão dos mesmos, supõe incorporar os próprios líquidos e substâncias digestivas, que não vão ser iguais às de nenhum outro, e transformá-las em parte do corpo. O saber permite apropriar-se dos conhecimentos e o aprender os supõe. Eis um Guia para conseguir uma escuta psicopedagógica, proposto por Beauclair. 1. Escutar-olhar – A intervenção do psicopedagogo no primeiro momento da relação com o paciente supõe escutar-olhar e nada mais. Escutar não é sinônimo de ficar em silêncio, como olhar não é manter os olhos abertos. Escutar, receber, aceitar, abrir-se, permitir, impregnar-se. Olhar, seguir, procurar, incluir-se, interessar-se, acompanhar. O escutar e o olhar do terapeuta irão permitir ao paciente falar e ser reconhecido, e ao terapeuta compreender a mensagem. 2. Deter-se nas fraturas do discurso – Discurso (mensagem sobre mensagem). O autor acima se refere não só ao discurso verbal, como também ao corporal, ao agir unitário do sujeito. Através dos lapsos, das dificuldades na expressão, da forma metafórica para referir-se a uma situação das frases incompletas, das incongruências, dos cortes, das reticências, das repetições, emerge o inconsciente. Como diz Sara Paín, não se pode tomar como equivalente que uma mãe diga, referindo-se a seu filho que "não lhe fica a lição", "não lhe entra", ou que "não sai Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31)3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 26 nada": as três expressões, referindo-se aparentemente mesma coisa, estão nos mostrando diferentes aspectos do problema. Expressa muito mais a metáfora em relação ao saber que o conceito. Expressa mais a cena, a imagem, que o relato conceitual. 3. Deter-se na fratura e observar relacionando com o acontecido anteriormente – Na admissão ao centro de aprendizagem, uma mulher disse: "Meu marido tinha sido médico". Se o marido tivesse morrido, poder-se-ia usar essa expressão, ainda que não seja o habitual, mas com o marido vivo, ficava estranho. Registramos essa fratura, essa forma diferente de expressar-se. Observamos então a que se estava referindo previamente com esta menção de que o marido tinha sido médico. Queixava-se da filha, pela qual recorria à consulta: "É muito agressiva e briga com os companheiros, não a aceitam, os companheiros não a querem". A posteriori nos inteiramos de que o marido havia sido um médico que participou da repressão na época da ditadura e vivia, no momento da admissão, fora do país. Usaremos a expressão "esquema de ação" de Piaget, mas estendendo e jogando com seu significado. Para encontrar o esquema de ação, seja no discurso lúdico, verbal ou corporal, ou em uma ação, não é necessário deter-se no conteúdo do mesmo, mas no processo e nos mecanismos. Por exemplo, uma criança corta com uma tesoura uma casa de uma gravura, depois corta um cachorrinho de plastilina que estava no consultório, e imediatamente interrompe suas próprias frases, cortando-as antes de terminá-Ias. Então, não nos deteremos nem na casa, nem no significado do cachorro cortado, mas no cortar. Marisa (7 anos) omite o "r". Escreve "boto" em vez de "broto", diz a mãe; a professora reafirma: "Não aprende os grupos consonantais. Escreve "bo" por "bro"; "ta" por "tra", etc". Para efeito de analisar o significado para o aprender, o principal é a omissão em si mesma, independentemente do omitido. Podemos suspeitar por que a mãe escolhe esse exemplo. A menina não pode crescer-brotar, podemos observar a articulação fonatória, a lateralidade, etc. Mas se a análise se detém ali, perderemos de vista a ação de omitir, sobre a qual se trasladaram significações de outras omissões que se calam no grupo familiar (FERNÁNDEZ, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 27 O nome da menina é Marisa Etelvina, mas a chamam "Etel, porque é mais curto". Durante todo o motivo de consulta os pais deixaram de chamar Marisa Etelvina por seu nome. Juan, 7 anos, escreve "bar" em lugar de "bra", "tar" em lugar de "tra". Embora esteja envolvido o erre, como na omissão de Marisa, aqui se trata de uma alteração, por isso nos perguntamos em que outro aspecto da vida familiar apresenta-se a alteração. No caso de Marisa, trataremos de observar o valor e o lugar da omissão dentro do grupo familiar, que omissões está ocultando a menina com a omissão do "r". Que aspectos da realidade se omitem à Marisa Etelvina, que informações são mantidas em segredo, em que medida ela está omitida dentro do grupo familiar. Os esquemas de ação seriam, nestes casos, omitir ou alterar. Interessam- nos mais os esquemas de ação do que o conteúdo das ações. Aos efeitos da análise, o terapeuta poderá deter-se nos inumeráveis esquemas de ação atuantes, mas somente empregará alguns, aqueles que persistem. Beauclair imagina a produção do paciente como uma esfera, e o psicopedagogo tentando chegar ao centro com uma agulha; por qualquer um dos infinitos pontos da superfície da esfera em que se introduza a agulha, pode-se chegar ao centro, mas para isto, uma vez que se começou a penetrar, dever-se-á insistir e continuar entrando. Se vários terapeutas observam uma mesma produção, talvez cada um deles se detenha em um esquema de ação diferente. Não seriam análises equivocadas por serem diferentes, mas indicariam diferentes pontos de entrada. 4. Buscar a repetição do esquema de ação – A insistência do esquema de ação em sua aparição vai nos permitir verificar se aquele, como esquema de ação escolhido, é um ponto de entrada importante. Procuraremos, então, em que outras situações e com que outros conteúdos repete-se o esquema de ação. Vamos buscar a repetição na produção do paciente, mas, além disso, na relação entre a produção do paciente e a de sua família. 5. Interpretar a operação que forma o sintoma – Fages assinala que os indícios constituem a rede dos significantes inconscientes, a trama de ideias inconscientes Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 28 de um sujeito. Acredita-se que "os esquemas de ação" formam ou constituem essa rede e essa trama de ideias conscientes de um sujeito, e é a isto que temos de apelar, tanto no diagnóstico como no tratamento. Enquanto psicopedagogos, buscaremos as ideias inconscientes sobre o aprender, relacionando-as com a operação particular que constitui o sintoma (FERNÁNDEZ, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 29 UNIDADE 4 – ASSESSORAMENTO PSICOPEDAGÓGICO O termo Psicopedagogia apresenta-se, hoje, com uma característica especial. Quanto mais tentamos elucidá-Io, menos claro ele nos parece. À primeira vista, o termo sugere tratar-se de uma aplicação da Psicologia à Pedagogia, porém tal definição não reflete o significado que esse termo assume em razão do seu nascimento (PORTO, 2009). Assim, o termo já foi inventado e assinala de forma simples e direta uma das mais profundas e importantes razões da produção de um conhecimento científico, a Psicopedagogia, que nasceu da necessidade de uma melhor compreensão do processo de aprendizagem, não se basta como aplicação da Psicologia à Pedagogia. ( ...) sendo assim, pode-se defini-lo como aplicação da psicologia experimental à pedagogia. (MACEDO apud BOSSA, 2000, p. 17) A Psicopedagogia, como área de aplicação, antecede o status de área de estudos, a qual tem procurado sistematizar um corpo teórico próprio, definir o seu objeto de estudo, delimitar o seu campo de atuação e, para isso, recorre à Psicologia, Psicanálise, Linguística, Fonoaudiologia, Medicina, Pedagogia (PORTO, 2009). Desta forma, falar sobre psicopedagogia é, necessariamente, falar sobre articulação entre educação e psicologia, articulação essa que desafia estudiosos e práticos dessas duas áreas. Embora quase sempre presente no relato de inúmeros trabalhos científicos que tratam principalmente dos problemas ligados à aprendizagem, o termo psicopedagogia não consegue adquirir clareza na sua dimensão conceitual. (NEVES apud BOSSA, 2000, p. 18) A Psicopedagogia inicialmente foi utilizada como adjetivo, indicando uma forma de atuação que apontava a inevitável interseção dos campos do conhecimento da Psicologia e da Pedagogia (PORTO, 2009). Dentro dessa conotação adjetiva da psicopedagogia, alguns autores, principalmente pertencentes ao campo pedagógico, no final da décadade 70 e início dos anos 80 no Brasil, chamaram de "atitude psicopedagógica" o que em verdade Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 30 era um "psicologismo radical". Por isso, tratavam de denunciar a formação dos professores por eles cognominada de psicopedagogia (BOSSA, 2000). Posteriormente, a Psicopedagogia assumiu uma conotação substantiva, o que, por um lado, correspondeu a uma aplicação conceitual e, por outro, causou um lamentável estado de confusão, por causa da utilização de toda uma polissemia aplicada a um só termo. Assim, em relação à questão conceitual, mencionando a confusão que se apresenta, creio que essa ambiguidade ou dubiedade se estende também à prática (PORTO, 2009). Historicamente, a Psicopedagogia surgiu na fronteira entre a Pedagogia e a Psicologia, a partir das necessidades de atendimento de crianças com "distúrbio de aprendizagem", consideradas inaptas dentro do sistema educacional convencional. (...) No momento atual, à luz de pesquisas psicopedagógicas que vêm se desenvolvendo, inclusive no nosso meio, e de contribuições da área da psicologia, sociologia, antropologia, linguística, epistemologia, o campo da psicopedagogia passa por uma reformulação. De uma perspectiva puramente clínica e individual, busca-se uma compreensão mais integradora do fenômeno da aprendizagem e uma atuação de natureza mais preventiva. (KIGUEL apud BOSSA, 2000, p. 18) A afirmação de que a Psicopedagogia, historicamente, surgiu na fronteira entre a Psicologia e a Pedagogia merece maior atenção. Menciono as tentativas de explicação para o fracasso escolar por outras vias que não a pedagógica e a psicológica. (...) os fatores etiológicos utilizados para explicar índices alarmantes do fracasso escolar envolviam quase que exclusivamente fatores individuais, como desnutrição, problemas neurológicos, psicológicos, etc. (...) No Brasil, particularmente durante a década de 70, foi amplamente difundido o rótulo de Disfunção Cerebral Mínima para as crianças que apresentavam, como sintoma proeminente, distúrbios na escolaridade (KIGUEL apud BOSSA, 2000, pp. 18-19). Se a (in)definição do termo Psicopedagogia produz um estado de confusão conforme aponta Neves, vejamos a definição do objeto de estudo da Psicopedagogia segundo alguns psicopedagogos brasileiros. (...) o objeto central de estudo da Psicopedagogia está se estruturando em torno do processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 31 patológicos - bem como a influência do meio (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento (KIGUEL apud BOSSA, 2000, p. 19). (...) a psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. E, mais, procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implícitos (NEVES apud BOSSA, 2000, p. 19). (...) a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades e, em uma ação profissional, deve englobar vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os (SCOZ apud BOSSA, 2000, p. 19) (...) o objeto de estudo da Psicopedagogia deve ser entendido a partir de dois enfoques: preventivo e terapêutico. O enfoque considera o objeto de estudo da Psicopedagogia o ser humano em desenvolvimento, enquanto educável. Seu objeto de estudo é a pessoa a ser educada, seus processos de desenvolvimento e as alterações de tais processos. Focaliza as possibilidades do aprender, num sentido amplo. Não deve se restringir a uma só agência como a escola, mas ir também à família e à comunidade. Poderá esclarecer, de forma mais ou menos sistemática, a professores, pais e administradores sobre as características das diferentes etapas do desenvolvimento, sobre o progresso nos processos de aprendizagem, sobre as condições psicodinâmicas da aprendizagem, sobre as condições determinantes de dificuldades de aprendizagem. O enfoque terapêutico considera o objeto de estudo da psicopedagogia a identificação, análise, elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem (GOLBERT apud BOSSA, 2000, p. 20). Essas considerações em relação ao objeto de estudo da Psicopedagogia sugerem que há um certo consenso quanto ao fato de que ela deve ocupar-se em estudar a aprendizagem humana, porém é uma ilusão pensar que tal consenso nos conduza, a todos, a um único caminho. O tema da aprendizagem apresenta tamanha complexidade que tem a dimensão da própria natureza humana e caberia um outro ensaio para tratá-lo. É importante, no entanto, ressaltar que a concepção Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 32 de aprendizagem é resultado de uma visão de homem, e é em razão desta que acontece a práxis psicopedagógica (PORTO, 2009). Assim, a Psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, que adveio de uma demanda – o problema da aprendizagem, colocado em um território pouco explorado situado além dos limites da Psicologia e da própria Pedagogia – e evoluiu em virtude da existência de recursos, ainda que embrionários, para atender a essa demanda, constituindo-se, assim, em uma prática. Como se preocupa com o problema de aprendizagem, deve ocupar-se inicialmente do processo de aprendizagem. Portanto, vemos que Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-Ias, tratá-Ias e preveni-Ias (PORTO, 2009). A demanda por avaliação psicopedagógica O assessoramento psicopedagógico nas escolas baseia-se, em boa medida, em responder a demandas. Um docente, uma equipe educacional, um diretor, etc., formulam uma demanda, que gera um processo no qual o assessor terá um papel relevante. A demanda refere-se a problemas que precisam ser resolvidos, situações suscetíveis de modificar, temas que devem ser trabalhados ou conflitos a solucionar (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). Pode-se entender como o momento inicial de um processo através do qual refletimos, no mínimo, sobre quem a formula, quem a recebe, o contexto em que ocorre e o conteúdo de que trata. Entre a emissão da demanda e o planejamento da resposta deve haver um processo que ofereça uma resposta sobre o porquê desta, das necessidades ou dos interesses do demandante e das consequências das possíveis respostas. Uma resposta que pulasse essa etapa correria o risco de não se adequar às Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 33 necessidades de quem a faz (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). Sem a análise prévia, a intervenção assessora em muitas ocasiões pode ser equivocada. A concretização da resposta deve basear-se nacompreensão da situação que gerou a demanda. Uma resposta que pretenda as máximas garantias de acerto tem de partir da escuta atenta da demanda e da consideração de seu significado – daí a importância da reflexão sobre o tema. É preciso entender que a demanda de avaliação psicopedagógica emerge em um contexto, que informa sobre si e sobre quem a elabora. Para dar uma resposta apropriada, temos de prestar atenção em quem a elabora, para quem, onde, como, quando, o que e por que a apresenta; para também perfilar a resposta que se oferece: como, quando, quem e por que se dá. Em um âmbito muito geral, teríamos de situar a demanda de assessoramento e orientação psicopedagógica em um contexto histórico recente no mundo da educação, onde se aposta em um modelo inclusivo, no qual o ensino se ajusta às diferentes necessidades educacionais dos alunos, ao mesmo tempo em que são considerados os interesses e as necessidades dos docentes. Há menos de três décadas o assessoramento psicopedagógico foi introduzido nas escolas de modo generalizado e com uma força surpreendente (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). O conceito de alunos com dificuldades de aprendizagem também evoluiu, mas com menos força do que seria realmente desejável. Daquele que há quarenta anos era um aluno "deficiente", que não servia para estudar ou que precisava de "disciplina", começou a nascer o aluno com necessidades educacionais específicas; a diversidade cultural, social, de modos de ser, de fazer, de relacionar-se e de aprender; o modelo educacional que diferenciava quem "servia" de quem "não servia" para estudar deu lugar a um modelo inclusivo que manifesta a conveniência de se adaptar a ritmos, níveis, interesses e motivações da diversidade dos alunos; da exigência de que os estudantes se adaptassem aos processos de ensino, surgiu a evidência de que é preciso ajustar os processos de ensino-aprendizagem às características de todos os alunos. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 34 As formas diferentes de entender e praticar a educação nos aproximaram de outras, nas quais a psicopedagogia tem um papel relevante. Sem dúvida, em determinadas situações ainda sentimos a carga, manifesta ou encoberta, das propostas que respondem a modelos não-inclusivos, elitistas e excludentes. Uma parte importante da contribuição psicopedagógica à educação atual é dada como resposta às demandas que recebemos das escolas. Eis uma razão a mais para que essas respostas se fundamentem em profunda compreensão do que as gera e evitem a precipitação ou a ingenuidade das ações originadas de pouca reflexão. A análise de cada uma dessas demandas de intervenção deve servir igualmente para diferenciar as atuações convenientes daquelas que não podemos nos permitir sem redefini-las previamente (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). A demanda das escolas aos assessores psicopedagógicos costuma ser feita de modo usual. Na maioria das vezes, é formulada sobre um caso concreto. "Este aluno não consegue aprender." "Você pode nos dizer como agir neste caso?" "O que fazer para motivar este aluno?" "O que devemos fazer com os problemas de comportamento de ... ?" De maneira geral, na demanda e na resposta assessora, poderíamos enfatizar o seguinte: A pergunta pelos processos de ensino-aprendizagem da classe; A análise da sequência didática em sala de aula; A flexibilização do currículo; A apropriação por parte das escolas de um modelo inclusivo de ensino; Os processos de mudança metodológica das escolas; A facilitação dos procedimentos de ajuste à diversidade dos alunos em geral; A disponibilidade das escolas ao ensino inclusivo; A concepção de contextos educacionais mais saudáveis para todos; Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 35 A análise da organização e do funcionamento das escolas, etc; A demanda das escolas aos assessores. Nossas maiores contribuições a partir da psicopedagogia poderiam ser orientadas prioritariamente nessas direções. Embora as demandas que recebemos possam incluir-se entre as que mencionamos anteriormente, é comum dirigir o foco ao problema manifestado pelo aluno apontado (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). O que supostamente tensiona o sistema, cria mal-estar, leva a explorar as necessidades, foi definido enfaticamente como necessidade educacional especial – imagina-se que o necessário passa pela atenção a casos e pela adequação de programações para determinados alunos. Por que a maior parte das demandas segue nessa direção? Qual a responsabilidade de cada um de nós? Pode-se assinalar que o aluno não está bem, ou que o que não está bem é a adequação do ensino-aprendizagem, concretizada em um aluno, ou o trabalho com a turma, ou a cultura da escola. Do mesmo modo, para responder às necessidades educacionais de um aluno, podemos também assinalar ou a relação entre o que se ensina e o que se aprende, ou a existente entre docente e aluno, ou a metodologia utilizada, ou a participação dos alunos ou das famílias. Em todo caso, o assessoramento aos alunos com necessidades específicas foi uma das vias de entrada nas contribuições psicopedagógicas à educação. Entre outras razões, porque essa é uma das funções que nos são atribuídas, embora não seja a única. Ainda assim, é preciso fazer o possível para que essa via, necessária por sua vez, não impeça as outras possibilidades que nos parecem tão promissoras. Do mesmo modo, entendemos que é uma necessidade imperiosa identificar as atuações que possam nos propor ou nos forçar a realizar e que possam apontar justamente na direção oposta ao modelo educacional pelo qual trabalhamos (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 36 Referimo-nos à deterioração profissional que supõe ficarmos presos demais a tarefas administrativas ou outras tarefas basicamente impróprias à nossa profissão. Portanto, é necessário analisar o que nos pedem e, ao mesmo tempo, o que por falha não nos pedem, sem esquecermos ainda aquilo que nos incumbem e o que não nos incumbem. Vamos dedicar atenção às demandas referentes a casos de alunos, entendendo-as em um contexto global, ou seja, considerando os diferentes fatores que entram em jogo, demarcando o tema em uma sequência organizada em três grandes itens: 1. Enunciado e escuta da demanda. 2. Análise da demanda. 3. Reformulação conjunta da demanda e planejamento da resposta. O enunciado e a escuta da demanda É evidente que os que se dedicam a assessorar, não podem considerar como demandas de assessoramento todas as comunicações que recebem no trabalho. Às vezes, quem requer nossa atenção para falar de um aluno com necessidades educacionais especiais precisa apenas que alguém o escute; se houvesse demanda, nesse caso, seria somente de escuta. Outras vezes, não há demanda, mas apenas transmissão de uma queixa. Se uma pessoa reclama, e se aquilo que comunica não vai além disso, ela não está pedindo nada; porém, se conseguir formular uma demanda, já não será apenas uma queixa (BONALS; GONZÁLEZ, 2008).A resposta de assessoramento a uma pessoa que se queixa não pode ser a mesma que oferecemos a quem formula uma demanda. Devemos considerar também que, após um trabalho prévio, uma reclamação pode se converter em demanda. Há ocasiões em que as comunicações que os assessores recebem assumem a forma de encargo: provêm de Secretarias de Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 37 Educação, visando coletar informações da área ou regular determinados processos. A resposta dada a cada um desses pedidos tem de se ajustar a cada situação. Inicialmente, como assessores psicopedagógicos não podemos esquecer que também podemos fazer propostas, e não apenas receber demandas ou encargos. Entendemos por demanda de assessoramento de casos os pedidos feitos às equipes de assessoramento psicopedagógico (EAP) para colaborarem, no âmbito da escola, na atenção aos alunos que manifestam algum tipo de problemática específica. A demanda surge de um desejo, de uma necessidade, de um interesse de melhorar uma situação na qual se identificam carências de natureza diversa e que se prevê como potencialmente passível de melhora. A demanda pode vir diretamente dos professores, das famílias, dos próprios alunos ou de um profissional envolvido direta ou indiretamente no caso. Independentemente de quem a formule, em cada situação é preciso ter presentes as pessoas envolvidas e aquelas que devem estar informadas (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). O encargo, ao contrário, entendemos como uma prescrição concreta que nos é feita pela própria administração e que temos de assumir pelas funções estabelecidas. O encargo não responde a uma necessidade sentida pelos docentes, pelos pais ou pelos alunos, mas sim a um interesse da Secretaria de Educação, que passa por quantificar dados, prestar contas ou planejar recursos. Este não reúne os requisitos da demanda, nem se enquadra em relações de colaboração, nem surge de uma necessidade sentida pelos profissionais, com a finalidade de resolver uma situação vivida de modo problemático. Nos encargos, quem faz a demanda situa o assessor no lugar de encarregado de um determinado trabalho. Por essa via, o assessoramento se vê limitado em seu campo de ação, correndo o risco de se burocratizar. Assessores e assessorados têm de se mover o tempo todo no campo da demanda não-prescrita e assumir os encargos correspondentes, procurando não deixar que o trabalho responda majoritariamente a Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 38 requisitos administrativos, uma armadilha às vezes cômoda e acompanhada de sofrimento pela renúncia ao ideal profissional, na qual correm o risco de ficar presos. Como afirma Leal (2002, p. 22-24 apud BONALS; GONZÁLEZ, 2008), as instituições estão cada vez mais formalizadas, e as escolas são um exemplo disso: "correm o risco de substituir a expressão de desejo por normas que exigem o cumprimento de uma função". Assim, a demanda não surge com base em uma necessidade sentida, mas pela obrigatoriedade de cumprir o encargo da administração. Nesse caso, o assessoramento perde seu sentido e converte-se em uma atuação "imposta" pela exigência, na qual atua "como se" isso fosse assessoramento, quando na verdade o que se faz não implica uma resposta a um verdadeiro desejo compartilhado entre o assessor e o assessorado, elemento pessoal e de grupo indispensável na função de assessoramento. Com relação à demanda de avaliação psicopedagógica, os assessores podem propor, mas não impor, atuações que julguem necessárias para um aluno concreto. Os docentes às vezes ignoram ou não veem a necessidade de formular a demanda para um aluno que não segue adequadamente a escolaridade. Se é o assessor quem detecta ou conhece uma situação suscetível de ser melhorada e acredita que é possível otimizar a escolaridade de um aluno, então ele mesmo propõe ao interessado a possibilidade de assessoramento. Nesse caso, estimula a formulação de demandas, sugerindo diversas possibilidades de atuação. Condições necessárias na enunciação e na escuta da demanda Para atender adequadamente a uma demanda, é preciso levar em conta uma série de condições que facilitam sua comunicação. Entre elas, podemos citar as que se se referem às coordenadas espaço-temporais, as que definem uma relação adequada entre quem apresenta e quem recebe a demanda, as expectativas corretas por parte de quem faz a demanda, bem como o suficiente interesse, a disponibilidade e as condições emocionais apropriadas de ambas as partes, sem esquecermos a formação dos profissionais envolvidos na demanda. Tanto o Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 39 enunciado das demandas quanto sua escuta são suscetíveis de aprendizagem. Nesse sentido, a formação no tema pode ser uma boa contribuição (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). Condições de tempo e de lugar Uma demanda requer um tempo e um espaço adequados a fim de que a pessoa que a formule possa expressar as necessidades que percebe e possa transmitir sua compreensão da situação que a gerou. Além disso, esse tempo e espaço são necessários para que a pessoa que o ouvinte possa fazer uma representação suficiente para si mesmo do que se pede e da situação que provocou a demanda. O tempo varia, naturalmente, de uma demanda a outra; mas deve ser sempre suficiente. Outra questão referente à temporalidade desses processos seria o tempo transcorrido entre o momento em que o interessado apresenta uma solicitação até o instante em que se dá a resposta. Nesse sentido, todos temos experiências particularmente negativas do tempo de espera de intervenções no campo da saúde, nos processos judiciais ou em alguns trâmites administrativos, para citar alguns exemplos. No assessoramento psicopedagógico em geral e na recepção das demandas de casos em particular, devemos ter um cuidado especial na regulação do tempo de espera, a fim de que não se crie inconvenientes para ninguém. No que diz respeito ao espaço, embora não exista um lugar especificamente determinado fora do qual não se possa realizar esse primeiro momento da intervenção, sem dúvida são necessárias condições que possibilitem uma boa situação comunicativa. Não é raro ouvir uma demanda na escada, no corredor, na sala dos professores, com outros profissionais entrando e saindo, mas com certeza esses espaços não permitem um encontro adequado entre o assessor e o assessorado no qual se possa emitir, ouvir, analisar e reformular a demanda. Uma das primeiras atuações do assessor deveria consistir em estabelecer as condições adequadas de espaço e tempo para um bom processo de emissão e Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 40 recepção da demanda. Por exemplo, pode sugerir: "Que tal marcarmos uma hora adequada para conversarmos?", "E se procurássemos um lugar onde não haja tanto barulho, que a gente possa ficar à vontade?" "Quandomarcamos?", "Onde marcamos?" Do contrário, desde o primeiro momento, nós mesmos corremos o risco de nos prendermos a maneiras de atuar pouco funcionais, tornando difícil estabelecer uma distância conveniente para pensar a situação que o demandante descreve. O processo de estabelecimento e recepção da demanda deve se iniciar e se manter em um contexto de autêntica colaboração. Quando isso ocorre, as duas partes, emissor e receptor, situam-se em uma relação simétrica, isenta de hierarquias, em que cada profissional reconhece o outro como portador de um conhecimento complementar ao seu. A conjunção dos dois conhecimentos pode proporcionar uma visão mais apropriada da situação, o que permitirá organizar uma resposta adequada para o aluno ou fator considerado. As expectativas de quem faz a solicitação em relação a quem a recebe são determinantes, inclusive para que a demanda seja formulada ou não. O potencial demandante pode sentir que o assessor pode ajudá-Io, ou que será um estorvo, ou que trará mais problemas do que soluções, que lhe dará mais trabalho do que pode assumir, ou que poderá satisfazê-lo plenamente naquilo que solicita. Muitas vezes, o demandante sabe por experiência própria o que o assessor pode fazer ou não; outras vezes, quem faz a solicitação pode ter um conceito errôneo do assessor e achar que não lhe será útil, ou, inversamente, pode ter expectativas exageradas que não poderão ser satisfeitas. O receptor da demanda não deve deixar que se crie uma grande defasagem entre o que o demandante receberá e suas expectativas iniciais. Em certas situações, deve verbalizar as possibilidades e os limites da intervenção. As expectativas são condicionadas, em parte, pela confiança mútua entre o assessor e o assessorado, e pelas expectativas criadas em demandas anteriores, formuladas pelo próprio assessor ou por outros membros da instituição. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 41 O interesse e a disponibilidade do demandante e do receptor condicionam profundamente todo o processo. Quem emite a demanda sobre um caso pode estar muito interessado em pôr as condições a serviço do aluno, assim como muito disposto a fazer o que for preciso, ou a demanda pode ser uma forma de delegação para que outros se ocupem do aluno. Em algumas ocasiões, observamos que o demandante pode não saber que deve se dispor a realizar alguma ação e talvez imagine que a intervenção sobre o aluno é responsabilidade de outro profissional. É muito comum que o demandante esteja disposto a fazer, mas não sabe ou não pode... ou quer, pode e sabe. O demandante às vezes não está disposto a realizar, mas não pode admitir, ou está disposto a participar, mas muito pouco. O receptor deve levar em conta a disponibilidade do demandante e os conhecimentos de que necessita para respondê-lo. Todas essas situações condicionam não apenas a primeira recepção da demanda, mas também todo o processo que se segue e os resultados obtidos. O estado emocional do demandante e a percepção que tem do próprio trabalho serão determinantes para as expectativas e para a disponibilidade diante da contribuição da assessoria. Nesse sentido, é preciso ter presente que as condições de trabalho podem levar muitos profissionais a intervenções de grande qualidade em suas atuações com os alunos, mas também podem adotar maneiras de entender, de fazer e de ser na tarefa, próprias de quem "perdeu a paciência" ou de quem manifesta "estresse". Nesses casos, o cansaço emocional leva a uma diminuição da qualidade da resposta à diversidade de necessidades dos alunos. Tanto o excesso de preocupação, quanto a ausência de inquietação, condicionam negativamente a demanda. Às vezes, será preciso achar uma maneira de tranquilizar quem a formula, antes de iniciar qualquer processo; outras vezes, será preciso mostrar que é compreensível sentir um certo grau de inquietação diante da situação causadora da solicitação. Temos de ser receptivos a essas situações, sabendo que o interesse, as expectativas e a disponibilidade podem ser muito diferentes em cada caso. Não devemos nos esquecer também da importância do estado emocional do receptor da demanda e da percepção que tenha de seu trabalho, como condicionantes das Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 42 contribuições que devem fazer a partir da psicopedagogia (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). A pessoa que assessora deve assegurar que se cumpram as condições consideradas necessárias em cada caso para uma ótima resolução desse momento inicial de assessoramento; deve possibilitar um tempo e um espaço adequado para a recepção da demanda; escutar atentamente o que preocupa o emissor, o que se questiona, o que ele necessita, e verbalizar aquilo que, segundo seu entendimento, é possível oferecer e o que não é. Do mesmo modo, é preciso identificar as expectativas, o interesse, a disponibilidade e o estado emocional de quem formula a demanda. Essas condições que a sustentam são tão importantes quanto a própria demanda. O assessor e o assessorado, em um processo de diálogo, devem construí-Ia de novo para que se ajuste às necessidades, aos interesses, à disponibilidade e às expectativas do demandante, assim como das possibilidades do assessor. Em qualquer pedido de avaliação de um aluno, podemos considerar a emissão e a recepção da demanda: quem a comunica ou quem a recebe. A resposta a ser dada dependerá, em grande parte, do quê, de quem, como, quando, quanto, onde e por que se emite e se escuta. O emissor da demanda condicionará o quê, o como, o quando e o porquê da solicitação. Outros condicionantes serão as circunstâncias: aquilo que se passa no mundo à sua volta e que provocará a intenção ou necessidade de apresentar uma demanda. As características do demandante – a experiência profissional, a segurança na tarefa, a capacidade no manejo da classe, a disponibilidade para os alunos com necessidades, seu estado de ânimo, a relação que costuma ter com o assessor, etc. – constituirão, portanto, um elemento determinante para a demanda. Seu receptor, obviamente, nunca é neutro; sua escuta será essencial para o processo posterior. A escuta atenta deve permitir que se mostre aquilo que aparece no discurso do demandante. Esta leva em conta o que se diz e o que não se diz; foca o entendimento do que se pede, para além do modo como o demandante formula o pedido (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 43 Por isso, é recomendável que o receptor minimize as ações burocráticas que por vezes se interpõem à demanda, como, por exemplo, "Faça a demanda por escrito", "Preencha este formulário". Convém evitar interrogatórios. Ao contrário, é preciso atender a tudo que o demandante transmite. A demanda não independe da pessoa que escuta; é um constructo, modulado pelo tipo de receptividade de quem a percebe. O receptor se sente impactado pela demanda e conduzido a validá-Ia, rechaçá-Ia ou reorientá-la, conforme seja apresentada. Nesse sentido, podemos dizer que a resposta a ela deve ser construída processualmente.Além do emissor e do receptor, é necessário considerar, em cada caso, os outros profissionais envolvidos na demanda, às vezes diretamente, sem os quais esta não teria razão de ser: o próprio aluno e sua família, outros professores ou a direção da escola. Devemos ter o cuidado de comunicar adequadamente o que for preciso e a quem for necessário, e apenas aquilo que for preciso e à pessoa ou às pessoas certas, no momento mais adequado, por razões éticas e funcionais. Às vezes, as necessidades de quem tece a demanda não coincidem com as da família, ou do próprio aluno. Em algumas famílias, a situação se torna mais complexa pela tendência a jogar a culpa no outro ou a excluí-lo. Em outros casos, será preciso conhecer o ponto de vista de cada um dos profissionais envolvidos com o aluno. Teremos de avaliar previamente como e a quem oferecer a informação pertinente, com que finalidade e em que momento, para situá-Ia em seu contexto (BONALS; GONZÁLEZ, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 44 UNIDADE 5 – PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E INSTITUCIONAL Como vimos inicialmente, a Psicopedagogia ainda é um campo de conhecimento em estruturação, de todo modo, é o estudo e a pesquisa dos fenômenos que ocorrem na sala de aula, cenário que nos fornece os indicadores para a ação psicopedagógica. Portanto, podemos estabelecer três conotações diferentes: 1. Como prática – Refere-se a técnicas de intervenção que tratam dos “problemas de aprendizagem” e se conduz a trabalhar as possíveis raízes dos problemas e o resgate dos elementos essenciais à aprendizagem. 2. Como investigação – É um campo de estudos, de investigação, que tem como objetivo o estudo do ato de aprender e de ensinar. 3. Como saber científico – A Psicopedagogia precisa ir além da mera constatação de fatos. É necessário que os dados coletados sejam referendados a um contexto teórico, que permita a interpretação desses dados e oriente a investigação. A Psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o conhecimento, sua ampliação, sua aquisição, distorções diferenças e desenvolvimento por meio de múltiplos processos e estratégias, considerando sempre a individualidade do aprendente. Está comprometida com a melhoria das condições pessoais de quem adquire o conhecimento (CÓDIGO DE ÉTICA DO PSICOPEDAGOGO, 1993, CAP.1 ART.1º). Os quadros abaixo apresentam situações vivenciadas pelo Psicopedagogo nos diversos campos de atuação. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 45 CLÍNICO INSTITUCIONAL TEÓRICO DIAGNÓSTICO Compreensão diagnóstica do sistema de dificuldade de aprendizagem através de técnicas específicas e da integração de dados de outros exames: neurológicos, psicológicos, etc. Identificar os obstáculos do desenvolvimento do processo de aprendizagem através de técnicas específicas de análise, institucional e pedagógica. -Análise do discurso; -Análise de atitudes; -Codificação de sintomas; -Psicossomática da aprendizagem; -Avaliação das intervenções, determinação de variáveis. Reavaliação constante dos itens acima. TRATAMENTO E ASSESSORIA Familiar em relação ao processo de aprendizagem. Orientação junto à escola, de aspectos evidenciados no diagnóstico e/ou tratamento. Fragmentação de conhecimentos. Informação sobre atitudes pedagógicas com dificuldades de elaboração a todos os níveis. Implantação de recursos preventivos. INVESTIGAÇÃO Métodos clínicos: -Trabalho com hipótese; -Processamento clínico da entrevista; -Seleção de amostras; -Tratamento estatístico (optativo); -Supervisão. Diferentes metodologias: a)sócio-pedagógica, histórica antropológica e etnológica-educativa; b)Estatístico analítica do campo de atuação. Sugestões de temas para pesquisa: . da imagem que o professor tem do aluno e vice-versa. . sobre a ideologia da realidade (mitos, símbolos, etc). Fonte: Revista Psicopedagogia nº 14 (32): 21-27, 1995 Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 46 PROFESSOR PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL PSICOPEDAGOGO CLÍNICO Especialista em conteúdo Instrutor – especialista em informações. Lida com a informação – oralista, não permite em si um conhecimento. Para que a informação se transforme em conhecimento é preciso haver um ensinante – um aprendente – vínculo – apropriação. Oferece recursos para que o outro aprenda (recursos didáticos). Se dirige ao aluno – no lugar do aluno. Intervenção – aprendizagem como aluno. Relação dominada x dominado. Quem manda: programa. Meta – exercitar. Abrange a história escolar do aluno e da instituição escola. Faz as relações entre a história do aluno e a rede – relações escolares. Preocupa-se com o não aprender do aluno. Sair do alugar da queira para passar ao lugar da autoria do ensino. Atento aos aspectos instituídos (conservação Administra ansiedades Cria clima harmonioso nos grupos de trabalho. Colabora com a construção do conhecimento. identifica obstáculos no processo de aprendizagem e desenvolvimento. Implanta recursos preventivos, conscientizando os conflitos da fragmentação do conteúdo e da não formação de grupos. Se dirige ao aluno como aprendente; ao professor como ensinante. clareia papéis e tarefas no grupo. possibilita mudança de papéis – rodízio de liderança – aprende delegar. possibilita elaboração do conhecimento sobre si mesmo e do outro em clima de autonomia (capacidade para tomar iniciativa e obter progressiva independência) e cooperação (capacidade para adotar estratégias de interação eficazes e solidárias com parcerias em seu ambiente). Uso de metodologia fenomenologia (observa Reelabora o processo de aprendizagem Propicia a construção do saber. Devolve ao sujeito o prazer de aprender. Quem manda – o paciente. Pp – testemunha “insight”. Resgate da autonomia. Cardápio individual – flexível. Há folga para trabalhar o desejo. Espaço para rastrear meta. Objetivo – dirigido à história do sujeito – rede de situações familiares. Uso de metodologia clínica. Está dirigida à história do sujeito porque a demanda é a cura. Sintoma: doença? – tentativa de sair da armadilha familiar. Cura: desaparecimento do sintoma e apropriação do saber. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 47 –poder) instituintes (transformação). – descreve – interpreta). Não há demanda para olhar a história pessoal. Sintoma – conflito. Apropriar-se do conhecimento – escola. Intervenção – aprendizagem – relação intermediada pelo conhecimento, construída por cada um, olha o aluno como aprendente. Olha o professor, família, amigos como ensinantes também intermediados pelo conhecimento. Fonte: Revista psicopedagogia nº 14 (32): 21-27, 1995 A Psicopedagogia como uma área de estudo interdisciplinar está integrada por diversas ciências, como pedagógica, psicológica, fonoaudiológica, entre outras, sempre a serviço do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. A psicopedagogia apresenta modalidades de atuação como a clínica e a institucional. A intervenção clínica é a mais antiga e surgiu na fronteira entre a psicologia e a pedagogia, privilegiando o atendimento individual de forma terapêutica. Assim, vemos as escolas encaminhando o aluno com dificuldades de aprendizagem para as clínicas. Estas clínicas geralmente trabalham com uma equipe interdisciplinar composta por Psicopedagogo, psicólogos, fonoaudiólogos, médicos, entre outros, que após o diagnóstico do problema, iniciam o tratamento. A intervenção institucional é mais recente. Ela geralmente é desenvolvida na própria escola com o objetivo de prevenir ou superar as possíveis dificuldades de aprendizagem. Este trabalho pode ser realizado pela equipe interdisciplinar da escola composta por Professores, Psicopedagogo, Coordenador, Diretor, enfim, pelos profissionais disponíveis na unidade escolar. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 48 Desta forma, a Psicopedagogia tem procurado contribuir para a conscientização da importância do ato educativo, através de uma prática transformadora, visando especialmente o sucesso do aluno e a melhoria na qualidade do processo de ensino e aprendizagem (OLIVEIRA, 2001). Ao voltar o nosso olhar para a Psicopedagogia Institucional, estamos nos voltando para o trabalho de assessoria a pedagogos, orientadores, professores, gestores, profissionais que têm como objetivo trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares entre sujeitos em situação de aprendizagem e a construção desse processo, considerando os diferentes níveis de implicações que decorrem da interação permanente do aprendente com o meio que o cerca, mais especificamente, com figuras significativas que se fazem mediadores dessa relação sujeito X aprendizagem. Nesse sentido, Morais (2004) considera a Psicopedagogia Institucional um modelo teórico-prático que permite um questionamento, um diagnóstico e uma elaboração de recursos para a solução de problemas em situações de carência, conflito, crise, em instituições educacionais. A Psicopedagogia Institucional contemporânea é reflexo do desenvolvimento do Movimento Institucionalista, que se estendeu para além do campo da Psicologia, e passou a se configurar, na área educacional, como uma busca de compreensão das relações instituídas entre os atores de um mesmo cenário – a Educação. Nesse campo de atuação, o diagnóstico é importante para instituir, organizar, planejar, antecipar, decidir as seguintes atividades: o contrato, a logística, a estratégia, as táticas e as técnicas. Contrato são os acordos, pactos, convênios que se fazem com as organizações, os coletivos-clientes. Através do contrato se estabelecem os compromissos mútuos e se explicitam os respectivos direitos e deveres das partes interessadas. Em diversos aspectos, é semelhante a outros contratos de prestação de serviços, com a diferença de que todos os seus elementos constituem analisadores, como definimos inicialmente: o tempo de sua duração, pagamentos, custos, as partes contratantes, objetivos, expectativas, etc. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 49 A logística seria um conjunto de conhecimentos, equipamentos e um lastro de experiência que servem como base e suporte para o planejamento de uma ação. Trata-se do balanço, do cálculo que os analistas institucionais fazem acerca de todas as forças, disponibilidades, elementos, recursos, etc. de que se dispõe no início de uma intervenção (o conjunto de coisas favoráveis e desfavoráveis com as quais se pode contar no sentido de levar a realização do trabalho avante com um mínimo de possibilidades de realização) (BAREMBLITT, 1998) A estratégia diz respeito ao estudo detalhado de como usar a logística para produzir um êxito operacional, alcançando a finalidade desejada. Ela sistematiza os grandes objetivos a serem alcançados, cuja máxima expressão é a própria autoanálise e a autogestão do coletivo intervindo, bem como a progressão das manobras, dos espaços e territórios que se colocarão, a previsão de vicissitudes, opções, alternativas, avanços, retrocessos, etc. A tática designa as variadas formas de abordagens existentes, de acordo com as circunstâncias da operação em curso. São os pequenos segmentos nos quais de decompõem a estratégia. A técnica se refere ao conjunto de procedimentos e de regras de aplicabilidade prática, tornando possível a execução da operação. Trata-se dos procedimentos usados para a consecução do fim. Sua eleição é consideravelmente livre, sendo ditadas pela inspiração e treinamento, assim como pelas disposições pessoais da equipe operadora, objetivo geral e imediato perseguido, o momento e peculiaridades do coletivo em pauta. Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 50 UNIDADE 6 – FUNDAMENTOS E PRINCÍPIOS DA INCLUSÃO SOCIAL Para alguns estudiosos, falar de inclusão social nos remete ao seu reverso, ou seja, a exclusão social, e embora concordemos que refletir criticamente sobre a exclusão seja importante, optamos por enaltecer a inclusão, mostrar seus benefícios, sua importância e relação com a Psicopedagogia. Melhores condições de vida, igualdade de oportunidades para todos os seres humanos e levar principalmente os sujeitos que estão ativamente participando do ambiente educacional para a construção de valores éticos socialmente desejáveis é uma maneira de enfrentar a situação da exclusão e um bom caminho para um trabalho que visa à democracia e à cidadania. O texto de Stainback, intitulado “as raízes do movimento de inclusão” publicado na Revista Pátio (nº 5, 2002) é nosso mote para introduzir o desafio da inclusão social que começa no ambiente escolar: Têm sido grandes os progressos nas áreas de diversidade e equidade, com melhores oportunidades educacionais e maior disponibilidade de informações necessárias a educadores que ensinam grupos de estudantes diversos. Entretanto, a promoção de ambientes educacionais flexíveis e sensíveis às necessidades singulares de todo aluno não é uma tarefa fácil no âmbito da educação tradicional. “Praticamente em toda a história da civilização a educação tem sido para a elite, e as práticas educacionais têm refletido a orientação elitista” (Blankenship e Lilly, 1981). Há quase um século,houve o reconhecimento dessa situação na educação, e grupos de defensores uniram forças e começaram a se organizar para contrabalançar tal injustiça. Diversas pessoas comprometidas com o futuro reuniram- se para discutir e melhorar as oportunidades disponíveis às crianças e a todas as pessoas com necessidades e características diversas. As mudanças na educação ao longo dos anos assumiram muitas formas e progressos graduais foram feitos. Os desenvolvimentos têm sido cada vez mais progressistas rumo a critérios educacionais e sociais mais inclusivos. Na educação, Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 51 o movimento tem-se manifestado em mudanças como: da educação dos “privilegiados” para a educação da população geral; para o desenvolvimento de classes e escolas especiais; para o enfoque nos direitos de todas as crianças de receber educação; para o reconhecimento da educabilidade e dos talentos que todos os alunos têm a oferecer às suas comunidades e aos seus pares; para o reconhecimento da necessidade de proximidade e interação entre alunos de diferentes características, sem discriminação, em ambientes escolares naturais. As mudanças no entendimento e nos valores apresentados às crianças durante seus anos de formação em ambientes educacionais podem ter grande impacto no futuro de nossa sociedade e do mundo em que vivemos. Por exemplo, muitas vezes as diferenças nas necessidades de aprendizagem e características dos alunos nas situações educacionais eram vistas como “um problema” ou como “algo a ser superado”. Atualmente, com o movimento em prol de oportunidades educacionais mais inclusivas para as crianças, as diferenças estão sendo reconhecidas como parte inerente de todos nós. As experiências educacionais inclusivas estão cada vez mais indicando às crianças que os alunos não precisam ter todos as mesmas necessidades de aprendizagem e características para serem integrantes respeitados e dignos da sala de aula. Ao contrário, as diferenças entre os alunos em uma sala de aula estão sendo reconhecidas como uma vantagem para a aprendizagem. Como explica Robert Barth, professor de Harvard (1990, p. 514- 515): “As diferenças representam grandes oportunidades de aprendizado. As diferenças oferecem um recurso grátis, abundante e renovável... o que é importante nas pessoas – e nas escolas – é o que é diferente, não o que é igual”. Com o passar do tempo, essas mudanças promoveram uma compreensão ainda mais ampla de nosso semelhante para além dos limites das diferenças de aprendizagem individuais. A total inclusão de todos os membros da humanidade, de quaisquer raças, religiões, nacionalidades, classes socioeconômicas, culturas ou capacidades, em ambientes de aprendizagem e comunidade, pode facilitar o desenvolvimento do respeito mútuo, do apoio mútuo, da autorização própria e do aproveitamento dessas diferenças para melhorar nossa sociedade. Com a maior Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 52 mobilidade e decomposição do respaldo de unidades familiares intactas e mais amplas, o desenvolvimento da compreensão da igualdade de todas as pessoas e a responsabilidade por nossos semelhantes é fundamental para nossa prosperidade e sobrevivência. Como assinalado anteriormente, é durante seus anos de formação que as crianças adquirem o entendimento das diferenças, o respeito e o apoio mútuos em ambientes educacionais que promovem e celebram a diversidade humana. Os progressos nas áreas de diversidade e equidade entre os alunos continuam ocorrendo. Esses progressos envolveram a melhoria das oportunidades educacionais oferecidas aos alunos e a disponibilidade de informações necessárias a educadores que ensinam grupos de estudantes diversos. Entretanto, a promoção de ambientes educacionais flexíveis e sensíveis às necessidades singulares de todo aluno, juntamente com a promoção de amizades e sistemas de apoio natural entre pares, não será uma tarefa fácil no âmbito da educação tradicional. “A segregação tem sido praticada há séculos e existem atitudes, leis, políticas e estruturas educacionais arraigadas que atuam contra a total inclusão dos alunos de maneira generalizada” (Stainback, Stainback e Ayres, 1996). Consequentemente, o desenvolvimento e a manutenção de programas de preparação para professores e procedimentos de reforma escolar que ofereçam à equipe educacional informações e experiências para desenvolverem comunidades educacionais e escolas inclusivas exigirão muito apoio. Como em outros avanços relacionados aos alunos com necessidades diversas, restam poucas dúvidas de que educadores, pais e membros comunitários continuarão assumindo um papel de liderança na melhoria da educação das crianças e tornar-se-ão agentes fundamentais no que foi descrito como movimento de reforma escolar total (Villa, Thousand e Nevin, 1996). A inclusão, abrangendo conceitos como respeito mútuo, compreensão, apoio, equidade e autorização, não é uma tendência, um processo ou um conjunto de procedimentos educacionais passageiros a serem implementados. Ao contrário, a inclusão é um valor social que, se considerado desejável, torna-se um desafio no Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 53 sentido de determinar modos de conduzir nosso processo educacional para promovê-la. Não haverá um conjunto de práticas estáticas, e sim uma interação dinâmica entre educadores, pais, membros da comunidade e alunos para desenvolver e manter ambientes e oportunidades educacionais que serão orientadas pelo tipo de sociedade na qual queremos viver. É, somente através do trabalho conjunto de pessoas comprometidas que podemos esperar lidar com tal desafio. Esse movimento para a mudança foi descrito por uma das grandes figuras da história, John Kennedy. Ele disse que poucos entre nós são individualmente capazes de fazer acontecer uma mudança positiva entre as pessoas, mas, à medida que cada um de nós faz sua pequena parte, cada uma dessas partes torna-se uma pequena ondulação e essas ondulações tornam-se uma onda poderosa capaz de derrubar a montanha mais alta. A reforma educacional inclusiva é o veículo que pode permitir que todas as nossas ondulações funcionem juntas para formar essa onda. Que façamos cada um a sua pequena parte, quer seja como educador, como psicopedagogo ou como cidadão! Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 54 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS BEAUCLAIR, João. Para entender psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros. 3 ed. Rio de Janeiro: Wak, 2009. PORTO, Olivia. Bases da Psicopedagogia: diagnóstico e intervenção nos problemas de aprendizagem. 4 ed. Rio de Janeiro: Wak, 2009. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ALSOP, Pippa; MCCAFFREY, Trisha (orgs). Transtorno emocionais na escola: alternativas teóricase práticas. 2 ed. Trad. Maria Bolanho. São Paulo: Summus, 1999. ARANHA, Maria Salete F. Inclusão social e municipalização (2000). Disponível em: http://cape.edunet.sp.gov.br/textos/textos/10.doc Acesso em: 21 fev. 2011. AVELAR, Yar a Stela Rodrigues. 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Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 55 CESÁRIO, João Batista. Psicopedagogia e inclusão social: intervenção psicopedagógica com crianças em situação de risco. Campinas: PUC, 2007. CHAMAT, L. S. J. A arte de cultivar. São Paulo: Vetar, 2005. CHAMAT, L. S. J. Relações vinculares e Aprendizagem. São Paulo: Vetar Editora, 1996. CHAMAT, Leila Sara José. Técnicas de intervenção psicopedagógica para dificuldades e problemas de aprendizagem. São Paulo: Vetor, 2008. CÓDIGO DE ÉTICA DA ABPP, In: Revista Psicopedagogia. São Paulo. v.12, Nº25, p.36-37, ABPp, 1993. FERNÁNDEZ, Alícia. A Inteligência Aprisionada: Abordagem Psicopedagógica Clínica da Criança e sua Família. Trad. Iara Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 2008. FERNANDÉZ, Alicia. 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Nilce da Silva - FEUSP e incide sobre os conceitos relativos à Psicologia e Psicanálise que podem ser considerados como “requisitos” para a compreensão de diversos termos que aparecem nas primeiras obras pertinentes à formação do psicopedagogo no primeiro ano dos seus estudos. Os eixos orientadores foram: 1. Conceitos básicos utilizados para a compreensão do processo de ensino e de aprendizagem; 2. Conceitos advindos da teoria de Jean Piaget; 3. Conceitos advindos de Pichón-Rivière; 4. Conceitos de D. Winnicott; 5. Conceitos de Freud; 6. Conceitos de Vygotsy, e; 7. Conceitos compartilhados por diferentes autores (CCDA). Acomodação: Momento em que o novo conhecimento é adquirido por uma pessoa. É parte do processo de “adaptação” do indivíduo à realidade. (PIAGET) Adaptação: Momento formado pela “assimilação” e pela “acomodação” em que o indivíduo é modificado pelo meio ambiente e o modifica. (PIAGET) Afetividade: Conjunto de fenômenos psíquicos manifestados por emoções, sentimentos, acompanhados da impressão de prazer ou dor, satisfação ou insatisfação. (CCDA) Alucinações: Percepções sensoriais que ocorrem na ausência de um estímulo externo, real, e ou entradas distorcidas da realidade pela via dos sentidos. (CCDA) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 58 Amnésia Infantil: Esquecimento dos fatos dos primeiros anos da vida pelacriança. (CCDA) Animismo: Característica do pensamento egocêntrico que atribui vida a objetos inanimados. (PIAGET) Agressividade: A agressividade tem dois significados. Um deles é o de que ela é, direta ou indiretamente, uma reação à frustração. O outro é o de que ela é uma das duas mais importantes fontes de energia individual. (Winnicott) Angústia: Fala em “angústias (ansiedades) impensáveis”: colapsos que tivemos quando pequenos, carregando conosco o medo de sua recorrência, porque éramos, paradoxalmente, muito pequenos para assimilá-los completamente. Depois de algum tempo, ele concluiu que essa descrição era muito branda, e passou referir-se a elas como “agonias primitivas”. (Winnicott) Ansiedade: reação de temor ou apreensão diante de situações inócuas ou resposta desproporcional ao grau real de 'stress' externo. (Freud) Aparelho Psíquico: Capacidade de transmitir e transformar uma energia e a sua diferenciação em sistemas ou distâncias. (Freud) Aprendente: É o sujeito que apresenta desejo de conhecer, de compartilhar, de construir o pensamento. É um sujeito livre para criar e se expressar; assume a autoria do seu pensamento. (CCDA com auxílio de A. Fernández e Márcia A. Siqueira) Assimilação: Processo de incorporação de uma nova experiência ou informação que se ajusta à estrutura de pensamento já existente. (Piaget) Associação livre: Método que permite ao sujeito em terapia sua expressão indiscriminadamente dos seus pensamentos quer a partir de um elemento proposto pelo analista, quer de forma espontânea. (Freud) Ato falho: Ato em que o resultado explicitamente visado não é atingido, mas se vê substituído por outro. Não designam o conjunto das falhas da palavra, da memória e da ação, mas ações que habitualmente o sujeito consegue realizar bem e cujo fracasso tende atribuir apenas à sua distração ou ao acaso. Freud demonstrou que Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 59 os atos falhos eram, assim como os sintomas, formação de compromisso entre a intenção consciente do sujeito e o recalcado. (Freud) Autismo: Atitude mental de fechamento sobre si mesmo. (CCDA) Autorregulação: Ordenamento e organização das estruturas mentais por si mesmas. (Piaget) Borderline: Tipo de caso em que o núcleo do distúrbio do paciente é psicótico, mas no qual o paciente alcançou um grau de organização neurótica que lhe permite apresentar sempre um problema neurótico ou psicossomático toda vez que a ansiedade psicótica central ameaça emergir em sua forma crua. (Winnicott) Castrar: Ficar sem o falo, o pênis. (CCDA) Centração: Tendência de focalizar apenas uma característica de um problema. (Piaget) Cisão: Separação em partes do que deveria ser um todo organizado. (CCDA) Ciclotimia: Variação atenuada do transtorno bipolar. (CCDA) Classificação hierárquica: Possibilidade de analisar ao mesmo tempo duas classificações atribuídas a determinado objeto. (Piaget) Cognição: adaptação ao meio em termos de acomodação e assimilação. (Piaget) Produto da socialização em dois níveis: intra e interpsicológico. (Vygotsky) Compensação: Mecanismo de defesa em que uma pessoa substitui uma atividade por outra na tentativa de satisfazer suas vontades não realizadas. (Freud) Complexo: Conjunto organizado de representações e recordações de forte valor afetivo, parcial ou totalmente inconscientes. (Freud) Complexo de Castração: Complexo centrado na fantasia da castração que procura responder às questões das crianças frente às diferenças anatômicas entre os sexos. Esta diferença é vista pela menina como a amputação do pênis e, por isso, a menina Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 60 sente que sofreu um dano e que, por isto, ela procura negar, compensar ou reparar. Já o menino tem medo que a castração lhe ocorra, sofre, por isso, de intensa angústia. Complexo ligado ao Complexo de Édipo. (Freud) Complexo de Édipo: Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta relativamente aos seus pais. Na forma positiva, o rival é o genitor do mesmo sexo e a criança quer uma união com o genital do sexo oposto. Na forma negativa, o rival é o genital do sexo oposto e a criança quer uma união com a pessoa do mesmo sexo. (Freud) Compulsão: Necessidade patológica de agir segundo um impulso, vontade forte interior. (CCDA) Condensação: Mecanismo essencial da interpretação do chiste, lapso ou sonho, em que a censura impede a manifestação completa do inconsciente. (Freud) Conflito: Duas ou mais motivações ou impulsos comportamentais incompatíveis competem pela decisão de um indivíduo. (Freud) Consciência: Qualidade momentânea que caracteriza as percepções externas e internas de um indivíduo. (Freud) Conservação: Forma de pensamento adquirido por crianças entre seis e onze anos em que os objetos permanecem os mesmos em aspectos fundamentais – como em peso ou número – apesar das modificações que sofrem do ponto de vista aparente ou externo. (Piaget) Conteúdo Latente: Conjunto de significações a que se chega por meio da análise da produção do inconsciente. Exemplo: significado dos sonhos, dos atos falhos, etc. (Freud) Conteúdo Manifesto: Ação, conjunto de atos, ideias que são mostrados, expostos. (Freud) Contratransferência: Conjunto das reações inconscientes do analista em direção à pessoa que analisa. (Freud) Construtivismo: Concepção acerca do desenvolvimento do Homem, da inteligência, do conhecimento. Este desenvolvimento se dá por meio da contínua Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 61 elaboração de estruturas mentais que se fazem mediante à solução de problemas postos aos indivíduos durante as suas vidas. (Piaget) Conversão: Transposição de um conflito psíquico e numa tentativa de resolvê-lo em sintomas somáticos, motores ou sensitivos. (Freud) Convulsão: Contração ou série de contrações súbitas e involuntárias dos músculos voluntários. (CCDA) Criatividade: Nas palavras de Winnicott, criatividade é o fazer que emerge do ser. Viver criativamente significa a capacidade, paradoxalmente desenvolvida junto aos pais, no início, de não ser morto ou aniquilado sistematicamente pela submissão. Usar criatividade significa ver tudo de novo com "novos olhos" o tempo todo. Para Vygotsky, toda realização humana criadora de algo novo, quer se trate de reflexos de algum objeto do mundo exterior, quer de determinadas construções do cérebro ou do sentimento, que vivem e se manifestam apenas no próprio ser humano. Para Piaget, processo vital permanente: criar é sempre "complexificar", coordenar, combinar de forma nova. Pode ser sensório-motora, verbal ou mental. Os esquemas de assimilação coordenam-se e se autoassimilam, complexificando-se, criando novas estruturas de comportamento. Delírios: São crenças falsas que são sustentadas por uma pessoa mesmo que estejam visivelmente fora da realidade. (CCDA) Descentração: Possibilidade do pensamento de analisar mais de uma característica de um problema ao mesmo tempo. (Piaget) Desejo: Algoque falta. De acordo com Freud, é um dos pólos de um conflito. (CCDA) Desenvolvimento: Processo que busca atingir formas de equilíbrio cada vez melhores através de equilibração sucessiva que tende a uma forma final, a aquisição do pensamento operatório formal. Pode-se dizer ainda que é a construção de estruturas ou estratégias de comportamento. (Piaget) Desequilíbrio: É o recebimento de uma nova informação por uma pessoa que desorganiza suas estruturas mentais. (Piaget) Distimia: Estado depressivo leve e prolongado acompanhado de algum dos seguintes sintomas: falta de apetite ou apetite em excesso, insônia ou hipersonia, falta de energia ou fadiga, baixa da autoestima, dificuldade de concentrar-se ou tomar decisões e sentimento de falta de esperança. (CCDA) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 62 Distúrbios: Padrões de atitudes, pensamentos, etc, que se distanciam do que é considerado “normal” em determinado grupo social. (CCDA) Distúrbio bipolar: Antigamente era chamado de distúrbio maníaco-depressivo. É caracterizado pela experiência de períodos de depressão e de mania (euforia). (CCDA) Distúrbio de agorafobia: Temor de ir a lugares públicos. (CCDA) Distúrbios de ansiedade: São caracterizados por sinais fisiológicos de ansiedade (palpitações, por exemplo), sentimentos de tensão e medo. (CCDA) Distúrbios de ansiedade generalizada: Alto nível de ansiedade crônica (contínua e difusa) não vinculada a qualquer ameaça específica. (CCDA) Distúrbios de conversão: Perda significativa de uma função física, sem nenhuma base orgânica aparente. (CCDA) Distúrbios esquizofrênicos: são um grupo de distúrbios marcados por perturbações no pensamento que se apresenta e afetam os processos perceptivos, sociais e emocionais. (CCDA) Distúrbios de múltipla personalidade: Envolve a coexistência, em uma pessoa, de duas personalidades bastante completas e muito diferentes entre si. Também conhecida como distúrbio de identidade dissociativa. (CCDA) Distúrbio de pânico: É caracterizado por recorrentes ataques de forte ansiedade. Ocorrem de modo inesperado. São acompanhados por sintomas físicos de ansiedade. (CCDA) Distúrbios de somatização: História de queixas físicas diversas que têm origem psicológica. (CCDA) Distúrbio depressivo: Caracterizado por sentimentos persistentes de tristeza, desesperança, perda de interesse em fontes que anteriormente davam prazer. (CCDA) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 63 Distúrbios dissociativos: Caracterizam-se por alteração repentina e temporária ou disfunção de memória, consciência, identidade e de comportamento. (CCDA) Distúrbios fóbicos: Medo persistente por determinado objeto ou situação. Exemplo: medo de baratas, medo de andar de avião. (CCDA) Distúrbios de humor: A característica principal é o distúrbio emocional. Grande depressão, distúrbio bipolar, distímico e ciclotímico. (CCDA) Distúrbios mentais orgânicos: São disfunções temporárias ou permanentes do tecido cerebral causadas por doenças ou medicamentos. Exemplos: delírio e demência. (CCDA) Distúrbio obsessivo-compulsivo: Imposições persistentes e indesejadas de pensamentos (obsessões) e impulsos de praticar rituais sem sentido (ações). (CCDA) Distúrbios psicóticos ou esquizofrenia: São caracterizados pelos seguintes sintomas: comportamento desorganizado, ilusões e alucinações, deteriorização do comportamento por mais de seis meses. (CCDA) Distúrbios relacionados a substâncias: Distúrbios relacionados ao uso de drogas, álcool, etc. Caracterizado pela dependência. (CCDA) Distúrbios somatoformes: São dominados por sintomas somáticos que lembram doenças físicas. Exemplo: somatização, conversão e hipocondria. (CCDA) Ego: “Eu” que é o resultado de um processo repetido de transformação das tendências inconscientes mais superficiais, ao contado da realidade exterior, graças à intervenção da percepção consciente. (Freud) Egocentrismo: Capacidade limitada do pensamento de partilhar o ponto de vista de outra pessoa. (Piaget) Elaboração psíquica: Designação atribuída ao trabalho realizado pelo aparelho psíquico com a finalidade de dominar as excitações que chegam até ele e cuja acumulação pode produzir uma patologia. (Freud) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 64 Ensinante: Profissional que se propõe a ensinar e que se relaciona com o que ensina de modo pleno: cognitivo e afetivo. (CCDA – com auxílio de Alicia Fernandez e Márcia de A. Siqueira) Epistemologia: Teoria do conhecimento. “Epistemologia Genética” é ciência empírica e teórica sobre o modo de “obter”, “construir” conhecimento. (Piaget) Equilibração: Concepção global do processo de desenvolvimento e de seus resultados estruturais sucessivos. Define as regras de transição que dirigem o movimento de um estágio a outro dentro do desenvolvimento. Ou refere-se ao processo regulador interno de diferenciação e coordenação que tende sempre para uma melhor adaptação. (Piaget) Equilibração majorante: Mecanismo de evolução ou desenvolvimento do organismo. É o aumento do conhecimento. (Piaget) Erógeno: Aquilo que se relaciona com a produção de uma excitação sexual. (CCDA) Escuta: Permissão à pessoa em terapia para falar e ser ouvido, reconhecido para que o analista possa interpretar a natureza das questões que a ele são apresentadas. A escuta faz do analista a testemunha que legaliza a palavra da pessoa em terapia e ainda outorga valor e sentido à palavra daquele que fala. (CCDA – com auxílio da obra de Alicia Fernandez) Espaço transicional ou potencial: Espaço cultural em que o brincar, o ato criativo e a experiência cultural desenvolvem-se. Existe entre a mãe e o bebê. É uma área hipotética que existe (mas pode não existir) entre o bebê e a mãe. De um estado de fundido à mãe, o bebê passa para um estágio de separá-la do self, enquanto a mãe diminui o grau de adaptação às necessidades do bebê (tanto em consequência de recuperar-se de um alto grau de identificação com ele, quanto devido à sua percepção da nova necessidade do bebê, a necessidade de que ela seja um fenômeno separado). Trata-se exatamente da mesma coisa que a área de perigo a que se chega, mais cedo ou mais tarde, em todos os tratamentos psiquiátricos, com o paciente sentindo-se seguro e viável em consequência da confiabilidade do analista, da adaptação deste às suas necessidades de libertar-se e alcançar autonomia. Tal como o bebê com a mãe, o paciente não pode tornar-se autônomo, exceto em conjunção com a boa vontade do analista em deixá-lo partir e, no entanto, qualquer movimento por parte do terapeuta suspeita de afastar-se do estado de fusão com o paciente vê-se sob terrível suspeita, fazendo surgir a ameaça de desastre. (Winnicott) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 65 Esquizofrenia: Distúrbio mental caracterizado por um relaxamentodas formas habituais de associação de ideias, diminuição da afetividade, fechamento sobre si mesmo perdendo contato com a realidade. (CCDA) Esquizofrenia catatônica: É marcada por perturbações motoras notáveis como rigidez muscular e ou movimento aleatório. (CCDA) Esquizofrenia desorganizada: Há uma deteriorização do comportamento de adaptar-se à realidade. (CCDA) Esquizofrenia indiferenciada: Comporta manifestações dos diferentes tipos de esquizofrenia. (CCDA) Esquizofrenia paranóide: É dominada por delírios de perseguição com mania de grandeza. (CCDA) Estágios Evolutivos: Etapas do desenvolvimento que reúnem padrões de características interrelacionadas, que determinam o comportamento de cada período da vida. (Piaget) Estereotipia: Repetição involuntária de palavras, atitudes, ações musculares. (CCDA) Estímulo: Parte do ambiente que chama a atenção da pessoa e provoca alguma modificação nas estruturas do pensamento da mesma. (Piaget) Estrutura: Conjunto de esquemas de pensamento por meio do qual o sujeito conhece a realidade. (Piaget) Fálica: Termo utilizado por Freud ao apresentar um modelo neurológico do funcionamento do aparelho psíquico. (Freud) Falso-self: Deriva da incapacidade de a mãe sentir as necessidades do bebê. O Falso Self tem uma função muito positiva e poderosa, qual seja, a de ocultar o verdadeiro Self, o que é realizado por meio da submissão às exigências da mãe. (Winnicott) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 66 Fantasia: Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente. (Freud) Fase anal: Segunda fase da evolução da energia sexual que se situa entre, aproximadamente, dois e quatro anos. Organiza-se em torno da região anal e ao valor das fezes. (Freud) Fase fálica: Fase de organização da energia sexual (libido) que vem depois das fases oral e anal e se caracteriza por uma unificação das atenções para os órgãos genitais. A criança, nesta fase, reconhece apenas o falo como órgão genital. A relação entre meninos e meninas é a mesma que fálico X castrado. À fase fálica, corresponde o momento culminante e ao declínio do Complexo de Édipo. (Freud) Fase genital: Fase do desenvolvimento psicosexual caracterizada pela organização da energia sexual sob as zonas genitais. Compreende tanto o momento da fase fálica como a puberdade. (Freud) Fase oral: Primeira fase da organização sexual. O prazer está ligado à cavidade bucal e dos lábios que acompanham a alimentação. (Freud) Falo: Representação do órgão sexual masculino e da sua função na constituição subjetiva das pessoas. (Freud) Fixação: Forte ligação a pessoas, ações, objetos. Repetição de determinado modo de satisfação e permanece ligada a uma das fases da sexualidade humana apresentadas por Freud. Pode indicar uma volta a um estado anterior de desenvolvimento vivenciada em outra época da vida. (Freud) Fobia: Medo de. (CCDA) Freud, S. Nasceu em 6 de maio de 1856, em Freiberg, Moravia. Sua família era judia e emigrou para Áustria com 4 anos de idade. Permaneceu residindo em Viena até pouco antes de sua morte, aos 78 anos, onde completou sua educação e realizou os estudos e pesquisas que o tornaram mundialmente famoso. Cursou a Faculdade de Medicina de Viena, concluindo o curso em 1881, tornando-se um clínico especializado em neurologia. Freud era o mais revolucionário de todos os psicólogos da época. Durante dez anos, Freud trabalhou sozinho no desenvolvimento da psicanálise. Em 1906, a ele se juntou um certo número de Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 67 colegas e fundou a Associação Internacional Psicanalítica, com sucursais em vários países. Fundador da Psicanálise. Médico austríaco. Faleceu em 1939. Frustração: Condição/emoção que se experiência quando um objetivo não é alcançado. (Freud) Função semiótica: Capacidade que o indivíduo tem de gerar imagens mentais de objetos ou ações. Começa pela manipulação imitativa do objeto e prossegue na imitação interior ou diferida (imagem mental), na ausência do objeto. É a função semiótica que permite o pensamento. (Piaget) Hiperatividade: Também conhecida como Transtorno do Déficit de Atenção. Comporta um conjunto de sintomas (desatenção, atividade em excesso, dentre outros) que compromete a aprendizagem. (CCDA) Hipocondria: Modalidade de pensamento e ação de monitoramento constante da condição física a procura de sinais de doença. (CCDA) Histeria: Classe de neuroses que apresentam quadros clínicos variados. (CCDA) Histeria de angústia: A angústia é fixada neste ou naquele objeto. (Freud) Histeria de conversão: Situação em que o conflito psíquico transforma-se em sintoma corporal com função simbólica. (Freud) Holding: Fase em que a mãe ou substituta “segura” o bebê física e psiquicamente. Inclui a proteção e agressão fisiológica, a rotina completa de cuidados, a percepção das mudanças do dia-a-dia que fazem parte do crescimento e do desenvolvimento do lactente e a viabilização da constituição do verdadeiro self do bebê. (Winnicott) Id: Uma das três instâncias que compõe o aparelho psíquico. Reservatório de pulsões. Lado hereditário, características inatas, instintos. (Freud) Identificação: Processo pelo qual um indivíduo assimila um aspecto, propriedade do outro e se transforma total ou parcialmente segundo este “modelo”. (CCDA) Imagem mental: Produto da interiorização dos atos de inteligência. Constitui num decalque, não do próprio objeto, mas das acomodações próprias da ação que Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 68 incidem sobre o objeto. É a imagem criada na mente de um objeto ou ação distante. (Piaget) Inatismo: Teoria psicológica que sustenta que o desenvolvimento do comportamento humano dar-se-á a partir de condições internas do próprio organismo, como se este já trouxesse dentro de si as possibilidades de seu desenvolvimento. Valoriza a maturação do organismo. (Piaget) Inconsciente: Conjunto dos conteúdos não presentes no campo atual da consciência de uma pessoa. Constituído por conteúdos reprimidos ou recalcados aos quais não se tem acesso. (Freud) Inteligência: Capacidade de adaptação do organismo a uma situação nova. Sendo um caso particular da adaptação biológica, é essencialmente uma organização e sua função é a de estruturar o universo como o organismo estrutura o meio imediato. (Piaget) Interacionismo: Teoria psicológica que sustenta que o desenvolvimento do comportamento humano é uma construção resultante da relação do organismo com o meio em que está inserido. Valoriza igualmente o organismo e o meio. (Piaget) Interpretação: Tentativas do terapeuta de explicar o significado dos pensamentos, lembranças, crenças daquele que faz terapia. (Freud) Introjeção: Processo evidenciado pela investigação analítica em que o sujeito coloca para dentro de si qualidade deste ou daquele objeto. (CCDA) Intrusão: Fracassona empatia da relação mãe-bebê nos estágios de dependência absoluta, ainda que se saiba que um certo grau de fracasso na empatia seja inevitável. Resulta da percepção prematura e traumática de algo da mãe por parte do bebê, e as sucessivas invasões vêm a constituir um trauma cumulativo. (Winnicott) Irreversibilidade: Incapacidade de conceber a reversibilidade de uma ação. (Piaget) Jogo: Exercício sensório-motor ou simbólico que permite à pessoa assimilar o real e transformá-lo. (Piaget) Julgamento moral: Possibilidade de avaliar as ações, atitudes de outros e as suas próprias. (Piaget) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 69 Lapso: Fenômeno da linguagem que se constitui por uma falha (esquecimento) durante o discurso. O lapso remete a relação da palavra ao inconsciente, ao seu significado. (Freud) Libido: Instinto/energia sexual, pulsão. (Freud) Livre-associação: Modo de expressar os sentimentos defendidos por Freud de maneira livre e espontânea, ou seja, como eles ocorrem, com o menor grau de censura possível. (Freud) Logicização: Processo de transformar o pensamento simbólico e intuitivo em pensamento operatório. (Piaget) Mãe suficientemente boa: aquela que gradativamente diminui a adaptação ativa às necessidades do bebê, segundo a capacidade crescente deste de suportar os resultados da frustração, contribuindo para a experiência de desilusão que, se tudo corre bem, torna reais os objetos. Suas funções são: o “holding” e a apresentação de objetos de modo que possibilite a passagem do bebê do relacionamento ao uso dos objetos. (Winnicott) Masoquismo: Perversão sexual em que a satisfação está ligada ao sofrimento ou a humilhação que o sujeito sofre. Freud estende a noção de masoquismo para além da perversão descrita pelos Sexólogos, por um lado reconhecendo elementos dela em numerosos comportamentos sexuais, e rudimentos na sexualidade infantil, e por outro lado descrevendo formas que dela derivam, particularmente o 'masoquismo moral', no qual o sujeito, em razão de um sentimento de culpa inconsciente, procura a posição de vítima sem que um prazer sexual esteja diretamente implicado no fato. (CCDA) Mecanismos de defesa: Reações, em grande parte, inconscientes que protegem uma pessoa de emoções desagradáveis. (Freud) Motivação: Sentimento de uma necessidade. (Piaget) Narcisismo: Refere-se ao mito de Narciso: amor pela imagem de si mesmo. (CCDA) Necessidade: Desequilíbrio na organização interna (mental, intelectual, emocional) de uma pessoa. (Piaget) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 70 Negação: Processo pelo qual uma pessoa nega a existência de alguns de seus desejos, sentimentos ou pensamentos. (Freud) Neurose: Conflito psíquico que tem origem na infância. Há diferentes denominações para suas diferentes manifestações. (Freud) Neurose obsessiva: Caracteriza-se pelo controle da pessoa sobre ela mesma. (Freud) Objeto: A- Objetivo a ser alcançado pela pulsão, pode ser uma pessoa, um objeto real ou fantasístico. B- No campo do amor ou do ódio, trata-se de uma pessoa total. (CCDA) Objeto transicional: É um objeto material, por exemplo, um ursinho eleito pela criança para minimizar o sofrimento pela ausência especialmente da pessoa que desempenha a função materna. A esse ursinho ou qualquer outro objeto, Winnicott chama de “primeira posse não-eu”. (Winnicott) Obsessão: Ideia, imagem, pensamento, impulso forte que domina o indivíduo a ponto de que ele não consegue se libertar de tal “fato”. (CCDA) Oligofrenia: Qualificativo genérico aplicado a estados patológicos que se caracterizam pela falta de maturação psíquica (intelectual, afetiva e/ou de movimento) de uma pessoa. Pode designar pouco desenvolvimento mental. (CCDA) Olhar: Seguir, procurar, incluir-se, interessar-se pela vida de alguém. O “olhar” é sempre acompanhado pela escuta. (CCDA - com auxílio da obra de Alicia Fernandez) Onírico: Relativo aos sonhos. (CCDA) Patologia: Parte da Medicina que estuda as doenças, seus sintomas e natureza das modificações que elas provocam no organismo. (CCDA) Pensamento: Interiorização da ação. (Piaget) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 71 Período Sensório-Motor: Primeiro estágio do desenvolvimento humano que vai de zero a dois anos aproximadamente. Período em que o bebê desenvolve a capacidade de coordenar seus sentidos com suas ações motoras. (Piaget) Período Operacional Concreto: Terceira fase do desenvolvimento humano que vai de 7 a 11 anos aproximadamente. Desenvolvimento das operações mentais aplicadas a eventos concretos. Há o domínio da conservação, classificação e hierarquia. (Piaget) Período Operacional Formal: Período da vida humana que se inicia por volta dos onze anos e continua por toda a vida. Desenvolvimento e predomínio do pensamento lógico, matemático, sistemático e de ideias abstratas. (Piaget) Período Pré-operacional: Fase da vida do ser humano que compreende o período entre dois e sete anos de vida aproximadamente. Período de desenvolvimento do pensamento simbólico marcado pela irreversibilidade, descentração e egocentrismo. (Piaget) Permanência do Objeto: Possibilidade da criança perceber que um objeto continua a existir mesmo que ele não esteja visível. (Piaget) Piaget, J. Nasceu em Neuchâtel, na Suíça, aos 9 de agosto de 1896. Pesquisador e estudioso do desenvolvimento intelectual. Através do método clínico, Piaget nos trouxe a gênese das estruturas lógicas do pensamento da criança. Suas pesquisas o levaram da biologia à filosofia e psicologia, aproximando progressivamente a biologia a cibernética, a psicologia e a matemática para explicar o desenvolvimento da inteligência. Em 1947, publica seu primeiro livro de síntese da teoria, "A psicologia da Inteligência". Em 1950, lança aquele que é considerado sua obra- prima "Introdução e epistemologia genética". Pichon Riviere: Filho de pais franceses, nasceu na Suíça, em 25 de junho de 1907, com seus pais, migrou aos três anos para a Argentina, país em que faleceu, em 1977. Fundou a Associação Psicanalítica da Argentina, é considerado o fundador da Psicologia Social. Precursor da Teoria do Vínculo. Princípio de Prazer: primeiro princípio que rege o funcionamento mental: a atividade psíquica no seu conjunto tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer. É um princípio econômico na medida em que o desprazer está ligado ao aumento das quantidades de excitação e o prazer à sua redução. (Freud) Princípio de Realidade: Para Freud, é o segundo princípio que rege o funcionamento mental, ligado à natureza social do homem, tensionando Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 72 dialeticamente os conteúdos psicológicos. Conforme Winnicott, capacidade de usar objetos. Psicanálise: Ciência e terapia fundada por S. Freud no final do séculoXIX que enfatiza a recuperação de conflitos emocionais por meio, especialmente, da transferência e da livre-associação. É uma disciplina composta por: método de investigação, método psicoterápico e um conjunto de teorias psicológicas. (CCDA) Psicopedagogia: Conjunto de práticas institucionalizadas de intervenção no campo da aprendizagem como prevenção, seja como diagnóstico ou tratamento, seja como modificação do processo de aprendizagem escolar. Área que estuda e trabalha com o processo de aprendizagem e suas dificuldades. (CCDA – Com auxílio de Márcia de A. Siqueira) Psicopedagogo: Profissional habilitado em curso de pós-graduação cujo campo de trabalho constitui-se pela atuação em clínica e ou em instituições escolares no sentido de prevenir problemas no âmbito da aprendizagem; diagnosticar problemas de aprendizagem e modificar este processo visando o sucesso na aprendizagem. (CCDA – Com auxílio de Márcia de A. Siqueira) Psicose: Tipo de comportamento “anormal” caracterizado por funcionamento cognitivo e comportamental seriamente prejudicado. Pessoas acometidas pela psicose estão fora do contato com a realidade e são incapazes de tomar conta de si próprias. (CCDA) Pulsão: Processo dinâmico que consiste numa pressão que faz o organismo dirigir- se a um objetivo. (Freud) Racionalização: Processo por meio do qual um sujeito procura apresentar uma explicação coerente (lógica, moral, aceitável) cujos motivos verdadeiros não são, muitas vezes, conhecidos por ele e/ou por seus ouvintes. (Freud) Realismo: Explicação que afirma a relação necessária entre o pensamento e a realidade. (Piaget) Reação circular: Ação qualquer que a criança executa por acaso provocando uma satisfação e, por isso, reproduz esta mesma ação. (Piaget) Regressão: Parte-se da ideia de que o processo psíquico possui um desenvolvimento. Assim, um retorno neste caminho até determinado ponto que já Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 73 fora atingido por uma pessoa é considerado uma regressão. Esta pode-se desenvolver referente às fases da organização da energia sexual e ou de expressão, atitude, comportamento de nível inferior ao já realizado pela pessoa em questão. (Freud) Recalque: Modalidade de repressão/ repelir ou manter no inconsciente pensamentos, imagens... ligadas a uma pulsão. (Freud) Relação com/ de objeto: Experiência do sujeito que pode ser descrita em função do indivíduo, como ser isolado. Primeiro momento da criação que antecede o uso do objeto que se torna significativo, no qual o sujeito permite que se efetuem certas alterações do self através de mecanismos de projeção e identificações. (Winnicott) Representação: Termo clássico em filosofia e em psicologia para designar “aquilo que se representa, o que forma o conteúdo concreto de um ato de pensamento” e “em especial a reprodução de uma percepção anterior”. Freud opõe a representação ao “afeto”, pois cada um destes dois elementos tem destinos diferentes nos processos psíquicos. (CCDA) Repressão: Operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência conteúdo desagradável. (Freud) Resistência: Chama-se de resistência tudo aquilo que não permite o acesso ao inconsciente da pessoa em análise. Manobras defensivas que perturbam o processo de terapia. (Freud) Reversibilidade: Momento da vida em que a criança compreende que as operações podem voltar a ser o que eram, ou seja, são reversíveis. (Piaget) Sadismo: Perversão sexual em que a satisfação está ligada ao sofrimento ou humilhação de outro. A psicanálise (Freud) estende a noção de sadismo para além da perversão, reconhecendo-lhe numerosas manifestações mais encobertas, particularmente infantis, e fazendo dele um dos componentes da vida pulsional. (CCDA) Self: Imagem de si próprio construída por um indivíduo por meio da experiência inicial com os pais – composta por confiança e frustração – que fortalece a interiorização nascente do “eu” do bebê. (Winnicott) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 74 Socialização: Combinação de indivíduos para formarem estruturas sociais ou um fenômeno de combinação de novas formas de relações individuais. (Piaget) Subjetividade: Referente à esfera do desejo de uma pessoa. (CCDA) Sobrevivência: Fuga da morte pelo bebê que pode ser satisfeita pela dependência aos pais. Significa “não retaliar”. (Winnicott) Sublimação: Nome que explica a relação entre atividades humanas, aparentemente sem relação com a sexualidade humana, que se relacionam fortemente com a sexualidade (pulsão sexual). Diz-se que a “pulsão” é sublimada na medida em que é dirigida para a realização de um novo objetivo, valorizado socialmente, que não o sexual. (Freud) Sujeito cognoscente: É a pessoa que age para adquirir conhecimento. (Piaget) Super-ego: Uma das instâncias da personalidade que atua como juiz ou sensor do ego. (Freud) Transferência: É o processo em que o analisado começa a se relacionar com o analista de modo a imitar relações importantes da sua vida. (Freud) Teoria do Vínculo: Fundada por P. Rivière no âmbito da Psicologia Social em que o referido teórico explica-nos a relação estabelecida entre a pessoa e o mundo exterior e este mundo exterior, agora objeto interno, com a própria pessoa. Uso do objeto: Experiência mais ampla que a “relação de objeto”, acrescida de novas características que envolvem a natureza e o comportamento do objeto que deve ser necessariamente real, no sentido de fazer parte da realidade compartilhada, como coisa em si. Só pode ser descrito em função da aceitação da existência independente do objeto, sua propriedade de estar sempre ali. (Winnicott) Vínculo: Estrutura complexa e dinâmica que representa a ligação entre uma pessoa e um “objeto” que, no caso, é também uma pessoa. (Pichón) Vínculo depressivo: Vínculo patológico que se caracteriza pela culpa. (Pichón) Vínculo hipocondríaco: Vínculo patológico cuja principal característica é a manifestação de sintomas físicos. (Pichón) Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 75 Vínculo histérico: Vínculo patológico cuja principal característica é a dramaticidade. (Pichón) Vínculo normal: Relação estabelecida entre sujeito e objeto em que não há dependência entre eles, há comunicação e aprendizagem. Também conhecido como “vínculo saudável”. (Pichón) Vínculo obsessivo: Vínculo patológico que se caracteriza pelo controle e pela ordem. (Pichón) Vínculo paranóico: Vínculo patológico que se caracteriza pela desconfiança. (Pichón) Vínculo patológico: (Pichón) Quando sujeito e objeto constroem uma relação de dependência entre si. Pode ser de diferentes maneiras: paranoico, depressivo etc. Vygotsky, L.S. Lev Semenovich Vygotsky nasceu em Orsha (Bielo-Russia) aos 5 de novembro de 1896 e foi o segundo de oito filhos de um casal da comunidade judaica de Gomel, cidade situada ao sudoeste de Moscou. Seu pai trabalhou no Banco Unido de Gomel e chegou a chefiar uma seção do Banco Comercial de Moscou após a revolução bolchevista. Embora sua mãe fosse professora licenciada tantosua educação como a de seus irmãos foi confiada a um tutor particular. Quando adolescente seus interesses se concentraram na Literatura e nas Artes, iniciando nesta época estudos sobre o Hamlet de Shakespeare – que viria a ser o tema de seu trabalho de conclusão do curso de Direito e Literatura na Universidade de Moscou. Em 1917, concluída sua formação universitária em Moscou, retornou à cidade de Gomel logo após a revolução e passou a lecionar em escolas estaduais. Formou-se também em Medicina. Preocupou-se sobremaneira com a interferência da cultura no desenvolvimento cognitivo dos seres humanos. Estudou cuidadosamente o pensamento simbólico do Homem, a Linguagem (oral e escrita) e a relação destes com o desenvolvimento cognitivo dos seres humanos. Foi o primeiro psicólogo moderno a sugerir os mecanismos pelos quais a cultura torna-se parte da natureza de cada pessoa ao insistir que as funções psicológicas são um produto de atividade cerebral. De formação eclética, que também se reflete no tipo de temas e teses desenvolvidas. Winnicott, Donald Woods. Psicanalista de crianças e adolescentes. Nasceu, em 7 de abril de 1896, na Inglaterra, no período em que reinava a Rainha Vitória. A família de Winnicott vivia em Plymouth, cidade um pouco afastada do centro urbano desse país. Como o pai ficava pouco em casa, vivia rodeado por mulheres. Formou-se médico, em 1920, e conseguiu, em 1923, seu primeiro emprego no Hospital Paddington Green Childreen, em Londres, no qual trabalhou com crianças por 40 Site: www.ucamprominas.com.br E-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:15 as 18:00 horas 76 anos. Liderou o Middle Group da Sociedade Psicanalítica Britânica (SBP), do qual foi presidente em duas gestões. Ocupou o cargo de Diretor do Departameno Infantil da SBP por 25 anos, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, período em que ganhou notoriedade pela divulgação de suas ideias num programa da BBC de Londres. Trabalhou na UNESCO, coordenou vários grupos de estudo e foi grane conferencista, legando vasto material para publicação póstuma. A defesa do viver criativo como condição para saúde mental e para o convívio social democrático constitui o cerne de sua teoria, baseada na análise dos fenômenos transicionais que inova os estudos sobre relação entre a realidade e o mundo interior. Faleceu em 1971 devido a uma doença cardíaca. Foi cremado e descansa em Londres. Não teve filhos em nenhum dos seus dois casamentos. Zona erógena: Qualquer região do revestimento cutâneo/mucoso suscetível de se tornar sede de uma excitação sexual. Por exemplo: zona anal, oral, uretro-genital, mamilos. (Freud) Zona de desenvolvimento proximal: Conceito que define o espaço temporal e espacial em que determinada pessoa consegue resolver uma tarefa apenas com a ajuda de uma pessoa que tem maior domínio da questão do que ela. (Vygotsky) Zona de desenvolvimento real: Conceito que define o espaço temporal e espacial em que uma pessoa resolve determinada tarefa sem a ajuda de nenhuma outra pessoa. (Vygotsky).