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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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de alunos em idade escolar. Segundo a autora, com esses critérios de 
indicação das instituições, enfatizou-se a importância da participação dos hospitais 
universitários para o campo de estágio, possibilitando aos acadêmicos dos cursos de 
licenciaturas a vivência, sob amparo legal, de estagiar em unidades hospitalares. 
 Para isso, respaldaram-se no Art. 13, parágrafo 3º das Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica em Nível Superior, que 
tem como finalidade a promoção e articulação das diferentes práticas disciplinares e 
inovadoras; assim, foi aberto o espaço para a realização de estágio com atuação em 
outros ambientes, tal como o hospitalar. 
 O estágio por sua vez, permitiu o contato, a vivência, a prática, oportunizando a 
realização de atividades lúdicas educativas com os pacientes, observando os resultados 
alcançados e contribuindo para a ampliação do conhecimento sobre as possibilidades 
educacionais formais e não formais, dentro de um ambiente até então pensado apenas 
para o tratamento e recuperação da saúde dos enfermos. 
 
Na escola hospitalar, cabe ao professor criar estratégias que favoreçam 
ao processo ensino aprendizagem, contextualizando-o com o 
desenvolvimento e experiências daqueles que o vivenciam. Mas, para 
a atuação adequada, o professor precisa estar capacitado para lidar 
com as referências subjetivas das crianças, e deve ter destreza e 
discernimento para atuar com planos e programas abertos, móveis, 
mutuantes, constantemente reorientados pela situação especial e 
individual de cada criança, ou seja, o aluno da escola hospitalar 
(FONSECA, apud MATOS, 2009, p. 40). 
 
 Castro apud Matos (2009) apresenta quatro modalidades em que ocorrem as 
aulas nas escolas hospitalares do Paraná, levando-se em consideração o tipo de 
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patologia, a estrutura física disponível de cada unidade pediátrica e a condição clínica 
do paciente: 
 
a) Multisseriada – aplicada na cirurgia pediátrica, onde o professor 
utiliza um espaço na própria unidade como sala de aula; os alunos 
são organizados em grupos por série; as aulas são simultâneas da 
Educação Infantil ao Ensino Fundamental. 
b) Individual ou Leito – aplicada na clínica pediátrica e serviço de 
emergência. Os atendimentos são realizados na própria enfermaria, 
utilizando-se de pranchetas adaptadas para o trabalho no leito. 
c) Isolamento – esse atendimento é realizado na infectopediatria 
(meningite, HIV, tuberculose...) e no transplante de medula óssea. 
Nestes ambientes é necessária a paramentação do professor 
(máscara, luvas e avental) e há desinfecção a cada troca de quarto. 
É permitida a entrada somente de materiais escolares virgens, que 
após a alta do aluno, deverão ser levados por ele ou descartados. 
Os materiais de apoio só poderão ser utilizados desde que a 
matéria-prima permita a desinfecção por álcool 70%. Na unidade 
de transplante de medula óssea, além destes cuidados, os livros 
didáticos e de literatura têm suas páginas plastificadas, e após cada 
utilização individual deverão passar pelo processo de desinfecção 
para serem reutilizados. 
d) Classe Hospitalar – Ambulatório de Hemato/Onco Pediatria e 
Ambulatório de Transplante de Medula Óssea. Ambos localizados 
em imóveis externos ao prédio central do hospital. Nestes são 
atendidas as crianças que se encontram impossibilitadas de 
frequentar a escola devido à queda da imunidade, causada pelo 
pós-transplante ou longo tratamento quimioterápico. As aulas são 
diárias, a turma é relativamente fixa, o que torna o ambiente 
idêntico a sala de aula. São adotadas rotinas de horário de chegada, 
saída e hora do recreio, as salas possuem quadro negro e as 
atividades são expostas em murais. Em 2006, sem terem 
frequentado a escola de origem, dezessete crianças foram 
promovidas ao ano letivo subsequente em decorrência da oferta 
desta modalidade de ensino (MATOS, 2009, p. 40). 
 
Para Castro (apud MATOS, 2009), todas as modalidades de aula são bem-
sucedidas, pois cada uma adapta-se à realidade do aluno/paciente; bem como os 
profissionais da educação têm formação adequada para exercerem as atividades 
propostas. A coordenação pedagógica hospitalar do processo é feita por um profissional 
com formação acadêmica em Pedagogia e especialização nas áreas educacionais. 
 Dos trabalhos das autoras podem-se destacar os livros Pedagogia Hospitalar 
(2001), Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde (2006) e 
Escolarização Hospitalar: educação e saúde de mãos dadas para humanizar (2007), 
sendo esse último uma coletânea de produções de profissionais convidados a 
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produzirem seus textos com base na atuação e na pesquisa nesta modalidade nos cursos 
e nos hospitais em que atuam. 
 Matos e Mugiatti (2009) expressam em suas obras a percepção do caráter 
humanizador nos trabalhos desenvolvidos nos hospitais, associados as atividades 
educacionais presentes no trabalho integrado das equipes multidisciplinares. 
 As autoras afirmam que o desenvolvimento da escolarização nos hospitais exige 
um projeto pedagógico que caracterize o atendimento para não incorrer em 
improvisação, recomendando-se que a concepção do projeto pedagógico precisa partir 
dos pressupostos do paradigma da complexidade do ser humano e das suas diferenças e 
semelhanças, sem preconceitos ou discriminações. Um projeto com visão de totalidade 
que atenda a crianças e adolescentes hospitalizados observando as especificidades de 
cada um. 
 As referidas autoras, utilizando conceitos do filósofo Edgar Moran, afirmam que 
“o ser humano tem que ser visto em sua complexidade, os alunos hospitalizados 
precisam ser vistos como um todo, com emoções, sentimentos, com seus próprios 
valores e com suas possibilidades” (MATOS, 2009, p. 14). 
 Outro aspecto importante destacado por Matos e Mugiatti (2009) chama a 
atenção para os profissionais da educação, que na proposta e desenvolvimento de 
atividades, devem observar e respeitar os limites de cada aluno/paciente, exigindo o 
equilíbrio do educador no que se refere à ideia da aprendizagem não ser mais essencial 
que a saúde do paciente. Por isso, a importância do trabalho em equipe para que, em 
conjunto, os profissionais envolvidos possam dialogar perceber e respeitar os espaços e 
para que a docência não intervenha em momentos inadequados para cada aluno 
hospitalizado. 
 
Por isso, os educadores precisam ter preparo e entender o todo, para 
atuar com sucesso junto ao aluno hospitalizado. Assim, as propostas 
pedagógicas podem ajudar na atuação dos profissionais que desejam 
oferecer um cuidado baseado na sensibilidade, no carinho, na 
confiança, na competência, mas, principalmente, na humanização 
desta modalidade de ensino (MATOS, 2009, p.15). 
 
 As autoras ressaltam que todas as atividades pedagógicas propostas devem ser 
acompanhadas, programadas e adaptadas à realidade de cada criança ou adolescente 
hospitalizado. Destacam ainda que, se houver voluntários a desenvolver as atividades, 
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que estes sejam orientados para que não sejam oferecidas atividades que não estejam 
compatíveis com a idade e o processo de aprendizagem do aluno/paciente. 
 Matos e Mugiatti (2009) consideram relevantes as atividades recreativas como 
momentos de aprendizagem; todavia ressaltam que devem ser mediadas pela professora. 
Fazem um alerta aos gestores dos hospitais e aos educadores, no sentido de que, 
promoverem a recreação ou implantarem brinquedotecas, não os isenta de ofertar a 
escolarização formal para o atendimento da escolarização hospitalar (MATOS, 2009, 
p.16). 
 De acordo com as autoras, 
 
a legislação dos Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizado 
contempla vários âmbitos de proteção e direito. Dispõe no art. 9: 
“Direito a desfrutar de alguma recreação, programas de educação para 
a saúde, acompanhamento do curriculum escolar, durante sua

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