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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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2001, p.10). 
 
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 Essa relação prazerosa é prevista no atendimento pedagógico no ambiente 
hospitalar, onde devem prevalecer métodos que facilitem a intervenção dos 
profissionais com práticas educacionais significativas para que façam do momento 
educacional um momento de ressignificação pela criança, do resgate de sua autoestima, 
que irão auxiliar tanto no processo terapêutico quanto no seu processo educacional, pois 
este não será interrompido durante o tratamento. 
Portanto, dispor de classes hospitalares, mesmo que por um tempo mínimo, é 
importante para a criança hospitalizada, uma vez que podemos trabalhar suas 
necessidades, desvinculando-se mesmo que momentaneamente da problemática da 
saúde, e adquirir conceitos importantes tanto para a sua vida escolar quanto pessoal, 
pois a educação está presente em todos os momentos de nossas vidas, até mesmo 
naqueles mais tensos e difíceis; como afirma Ceccim (1997), 
 
é possível o aprender dentro do hospital, a aprendizagem de crianças 
doentes que, afinal, estão doentes, mas em tudo continuam crescendo. 
Acreditamos ser, também nossa, a tarefa de afirmar a vida, e sua 
melhor qualidade, junto com essas crianças, ajudando-as a reagir, 
interagindo para que o mundo de fora continue dentro do hospital e as 
acolha com um projeto de saúde (CECCIM, 1997, p. 80). 
 
A classe hospitalar também serve como crivo na obrigatoriedade e na evasão 
escolar, uma vez que a passagem por esta modalidade de ensino contribui para o 
reingresso desta criança na sua escola de origem ou seu encaminhamento para matrícula 
após sua alta. Muitos aspectos sobre a relação entre as atividades pedagógico-
educacionais da classe hospitalar e o desempenho escolar desta clientela em sua escola 
regular (após a alta) precisam de estudos específicos, pois são aspectos que devem ser 
(re)pensados. 
De acordo com a legislação federal (MEC/SEESP, 1994), o fato de estar 
hospitalizado caracteriza a criança como portador de necessidades especiais, uma vez 
que sua situação de saúde a impossibilita de estar integrada em seu cotidiano. Mesmo 
considerando uma necessidade especial temporária, por exemplo, uma criança com 
pneumonia, que necessita hospitalização, após a cura da enfermidade retorna à sua 
rotina de vida, deixando de ser considerada uma criança portadora de necessidades 
especiais. Por esse motivo, a classe hospitalar é considerada uma modalidade de ensino 
da Educação Especial. 
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O presente estudo aponta a necessidade de discussão político-administrativo 
entre as classes hospitalares e as secretarias de educação no sentido de clarificar e mais 
eficientemente harmonizar políticas e diretrizes adequadas à cada realidade, dentro do 
contexto nacional. Concomitantemente, compreender-se-ia o que seria mais adequado a 
cada realidade, em particular atendendo efetivamente às necessidades e direitos 
pedagógico-educacionais das crianças e jovens hospitalizados. 
 A modalidade de ensino de classe hospitalar precisa ser estudada, analisada e 
discutida profundamente, não apenas dentro, mas também fora de seu grupo profissional 
imediato, ou seja, por docentes também de outras áreas para que o papel do professor, 
em face às crianças hospitalizadas que apresentam idades variadas, possa receber 
contribuições que implementem os trabalhos propostos. 
Cabe aos hospitais a disponibilização de espaço físico para a atuação dos 
profissionais da classe hospitalar; a ausência desse espaço pode dificultar tanto o 
planejamento quanto o desenvolvimento das atividades pedagógico-educacionais 
propostas às crianças. Por um lado, tal fato é compreensível se considerarmos que, do 
ponto de vista arquitetônico, os hospitais gerais não foram idealizados e/ou construídos 
contando com a existência de uma classe hospitalar em suas dependências; por outro 
lado, as adequações precisam ser pensadas e efetivadas. 
Atenção especial deve ser dada aos convênios e parcerias firmados entre as 
instituições envolvidas. A Secretaria de Educação deve prestar aos hospitais maiores 
esclarecimentos quanto ao trabalho a ser desenvolvido pelos profissionais das classes 
junto às crianças hospitalizadas, discutindo e sensibilizando-os para que possam 
encontrar alternativas que levem à oferta de acomodações mais adequadas para o 
exercício desta modalidade educacional. Além disso, deve ser um dos órgãos mais 
interessados em cumprir esse dever, reconhecendo a prática educacional dentro do 
ambiente hospitalar. 
Segundo Fonseca (1998), são considerados aqui os diversos entraves que a área 
de saúde tenta gerenciar, mas, em tempos de globalização, não mais podemos pensar em 
concentrar-nos apenas em nossas áreas específicas. 
A modalidade de ensino de classe hospitalar contribui para que juntas, saúde e 
educação possam unificar esforços, transpondo barreiras que poderão garantir a 
excelência dos serviços, sejam estes prestados por pedagogos, médicos, enfermeiros, 
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psicólogos, assistentes sociais ou quaisquer outros profissionais em exercício no 
ambiente hospitalar, contribuindo assim para a política de humanização dos hospitais. 
 
Ressaltamos que o conceito de Classe Hospitalar foi posto por Fonseca em 1999 
e adotado por outros autores, a exemplo de Zardo
10
 (2007), que desenvolveu pesquisas 
sobre Classes Hospitalares, tendo o documento orientador da Secretaria de Educação 
Especial do Ministério da Educação e a pesquisadora Eneida Simões Fonseca como 
principais fontes que respaldam o seu trabalho, trazendo também as contribuições de 
Ceccim (1997), Ortiz (2002) e Funghetto (1998). 
Mesmo tendo duas experiências diferentes no processo educacional dentro do 
ambiente hospitalar – uma através do projeto “Brinquedoteca hospitalar: uma alternativa 
de atenção à criança” com uma proposta mais lúdica e do projeto “Inteligências 
Múltiplas: desenvolvendo potencialidades em classe hospitalar”, numa perspectiva 
escolarizada, a pesquisadora dá seguimento a suas pesquisas problematizando o 
conceito de Classe Hospitalar e apregoando que 
 
emerge a necessidade de realizar uma discussão, aliando o 
desenvolvimento organizacional ao caráter institucional das classes 
hospitalares, a fim de construir subsídios teóricos e práticos que 
possibilitem o aperfeiçoamento da estruturação dos ambientes de 
ensino hospitalares, libertando-se das atuações amadoras (ZARDO, 
2007, p. 19). 
 
 O objetivo da pesquisa de Zardo (2007) consiste em compreender como se 
articula o processo de desenvolvimento organizacional das classes hospitalares do Rio 
Grande do Sul, sendo quatro os hospitais que têm o atendimento em classe hospitalar: 
dois em Porto Alegre, um em Santa Maria e um em Erechim. 
 Zardo (2007) busca entender a configuração histórica e organizacional dos 
ambientes hospitalares e a influência da organização de um ambiente educacional nas 
práticas de saúde. Busca também suporte na legislação educacional para justificar a 
prática educativa estudada e o conceito de modalidade educacional que apresenta. 
Instiga, através de suas análises, discussões em torno da temática, em busca de 
 
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Sinara Pollom Zardo defendeu sua dissertação de Mestrado em 2007, na cidade de Santa Maria – RS, 
intitulada “O desenvolvimento organizacional das classes hospitalares do RS: uma análise das dimensões 
econômica, pedagógica, política cultural. No período de 2000 a 2004 vivenciou experiências pedagógicas 
em hospitais enquanto graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Maria/UFSM. Atuou 
como bolsista em projetos que objetivavam o acompanhamento educacional às crianças hospitalizadas. 
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estruturar uma nova epistemologia para a organização de ambientes de ensino em 
hospitais, considerando as dimensões políticas, pedagógicas, econômicas e culturais das 
classes hospitalares do Rio Grande do Sul. 
 A pesquisadora revela que um estudo

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