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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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na área da saúde, sendo que ficam claros os conceitos distintos de Classe Hospitalar, 
Escolarização Hospitalar e Pedagogia Hospitalar. 
 O estudo de Oliveira (2010) nos trouxe um panorama sobre as pesquisas 
acadêmicas em torno da temática e nos fez perceber o quanto a discussão tem sido 
fomentada em busca de conhecimento, formação e legitimação dessa área. Porém 
percebemos nos trabalhos muitas dúvidas sobre o assunto que suscitam novas pesquisas 
e muita discussão. 
 Fonseca (1999), uma das precursoras dessa modalidade de ensino, iniciou as 
pesquisas científicas sobre o atendimento educacional nas classes hospitalares, 
podendo-se atribuir à pesquisadora o mérito dos avanços obtidos nas pesquisas da 
referida área. Tendo reconhecimento nacional, observa-se que é citada em todos os 
trabalhos dos demais autores. Percebemos uma mudança, ou amadurecimento em suas 
pesquisas, quando em 1999 conceituava classe hospitalar e em 2011 conceitua escola 
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hospitalar, por compreender que a criança hospitalizada tem direito à continuidade dos 
estudos semelhantes ao da escola regular, só que no hospital. 
Matos e Mugiatti (2009) concordam com Fonseca sobre o conceito atribuído a 
Escola Hospitalar, bem como enfatizam a questão da formação continuada de 
professores nessa área e desenvolvem projetos de especialização. 
Gabardo (2002) e Zardo (2007) perseveram com o conceito de Classe Hospitalar 
e entendem ser a maneira mais correta de desenvolver as atividades educacionais no 
hospital. 
Apesar da parceria com Fonseca em livros e artigos, Ricardo Ceccim (1999) 
expressa um diferencial, qual seja, o caráter humanizador no atendimento pedagógico, 
enfatizando o processo da escuta como fator importante no processo de aprendizagem 
que pode acontecer com o aluno/paciente, observando o ser de maneira integral, 
destacando o processo emocional e afetivo. 
Em uma linha de pesquisa mais próxima, encontram-se Barros (2008), Ortiz e 
Freitas (2005), Vasconcelos (2010) e Kohn (2010), que manifestam o valor da 
humanização e das práticas lúdico-educativas no processo de aprendizagem no ambiente 
hospitalar. Vasconcelos (2010), entretanto, destaca em suas pesquisas o Atendimento 
Domiciliar, contemplado no documento orientador do Ministério da Educação, mas 
pouco discutido em outros trabalhos. Porém, deixa algumas lacunas no seu trabalho que 
nos instiga a curiosidade do seu procedimento. Como localizar crianças que estão 
doentes em casa sem frequentar a escola? Como acionar esse atendimento? 
Nos textos de Barros (2008) e Kohn (2010) observa-se a presença da ludicidade 
como facilitador do processo ensino-aprendizagem no ambiente hospitalar, enfatizando 
o caráter humanizador que contribui para a recuperação da saúde das crianças e 
adolescentes hospitalizados. 
Assim, concluímos entendendo conceitos e procedimentos atribuídos às práticas 
educativas nos hospitais que desenvolvem essas atividades, em respeito ao cumprimento 
da lei e principalmente que reconhecem os direitos das crianças e dos adolescentes 
hospitalizados, provendo atividades lúdicas educativas de acordo com suas 
especificidades e possibilidades. Entretanto, reconhecemos que muito ainda tem que se 
fazer para que o direito, hoje contemplado apenas por alguns, seja o direito de todos. 
Diante desta análise sobre as denominações que veiculam as práticas 
pedagógicas dentro do hospital, pode-se dizer que estas buscam distinguir práticas 
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educativas de acordo com a necessidade do aluno/paciente, com o porte da unidade de 
saúde onde está sendo disponibilizado o tratamento e também de acordo com o tempo 
de permanência que o tratamento requer. 
Hospitais para tratamento de transplantados, oncologia, HIV e outras doenças 
infectocontagiosas requerem maiores cuidados e longa permanência, sendo necessário 
pensar em uma estrutura física que atenda diariamente as necessidades dos educandos, 
fazendo-se necessárias a escolarização hospitalar e as classes hospitalares. 
Outras situações de tratamento de saúde, com necessidade de internamento 
hospitalar para atender a patologias diversas, com permanências variadas, podem ser 
bem atendidas pela pedagogia hospitalar de várias maneiras, a exemplo das 
brinquedotecas e ludotecas que há em alguns hospitais. 
Como vimos nesta revisão, pode-se resumir as principais expressões que 
definem as diferenças na abordagem no tema em três vertentes: os que versam sobre 
Pedagogia Hospitalar destacam a ludicidade e o aspecto humanizador no desenvolver 
das suas atividades; os que abordam a Classe Hospitalar dão ênfase a uma modalidade 
de ensino educacional que acontece em ambiente diferenciado, em hospitais, e definem 
como sendo parte da educação especial; os que consideram Escola Hospitalar 
desenvolvem suas atividades acompanhando uma rotina mais próxima a da escola 
regular. 
 
 
2.4 O aspecto inclusivo da Pedagogia Hospitalar 
 
Ao investigar as possibilidades educacionais, nos deparamos com o fator da 
inclusão no âmbito hospitalar. Se o aluno que se encontra doente, hospitalizado, não 
pode ser incluído na escola, a escola inclui-se no hospital para atender as necessidades 
educacionais do paciente internado. 
 Tal perspectiva tem respaldo legal na Política Nacional de Educação Especial na 
Perspectiva da Educação Inclusiva, documento elaborado por um Grupo de Trabalho 
nomeado pela Portaria nº 555/2007, prorrogada pela Portaria nº 948/2007, entregue ao 
Ministério da Educação em 07 de janeiro de 2008; no documento, a proposta é 
acompanhar “os avanços do conhecimento e das lutas sociais, visando constituir 
políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos” 
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(BRASIL, 2008, p. 5) e desenvolver propostas educacionais inclusivas, que contemplem 
as necessidades de toda criança e adolescente em idade escolar, em espaços escolares ou 
não. 
 Nessa proposta pode-se e deve-se contemplar o direito à educação dentro do 
hospital, já que na maioria das vezes o paciente tem condições de desenvolver tarefas 
vinculadas à escola. Além desse aspecto relativo à inclusão, há também os pacientes 
deficientes dentro do hospital, e estes não ficam segregados em alas diferentes, mas sim, 
incluídos no ambiente hospitalar, tanto no aspecto social, quanto educacional. 
 As políticas públicas desenvolvem-se de acordo com as necessidades sociais. 
Quando se observa um discurso que fala de acessibilidade, direito para todos, devemos 
pensar também em pessoas que estão impossibilitadas momentaneamente de usufruir 
desses direitos. 
Assim, percebemos a eficácia no atendimento educacional dentro do hospital, 
que vem contemplar o direito de receber um tratamento igualitário e de ter acesso à 
educação, mesmo em um ambiente diferente da classe regular de ensino. Entretanto, 
depois da alta hospitalar, há que se evitar o rompimento na aprendizagem construída 
durante a internação e na continuidade do ano letivo, uma vez que entre os fatores da 
evasão escolar e da repetência estão os internamentos constantes, ou de longa duração, 
que desmotivam os alunos a retornarem à escola; apesar das atividades 
pedagogicamente orientadas desenvolvidas durante a hospitalização, acreditam não ter 
condições de acompanhar o conteúdo programático já trabalhado enquanto estavam 
internados. 
Um dos objetivos da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva é a articulação intersetorial, segundo a qual é necessário pensar nas 
relações entre as instituições de saúde, nesse caso, o hospital, e a instituição 
educacional, a escola, ambas prestando atendimento a crianças e adolescentes 
hospitalizados e em idade escolar, que precisam do tratamento da saúde e do 
atendimento educacional. 
Por muito tempo, perdurou o entendimento de que a educação especial ou 
inclusiva restringia-se apenas a alunos que apresentavam deficiência, todavia problemas 
de saúde permanentes

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