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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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ou temporários também colocam os alunos em situação especial. 
O desenvolvimento de estudos no campo da educação e a defesa dos direitos 
humanos vêm modificando os conceitos, a legislação e as práticas pedagógicas. 
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Conforme se afirma no documento da Política Nacional da Educação Especial (2008), 
passa a ser disseminado o conceito de necessidades educacionais especiais, a partir da 
Declaração de Salamanca (1994). Nesta, ressalta-se a interação das características 
individuais dos alunos e os desafios de atender a suas necessidades, estejam estes onde 
estiverem, em sala de aula regular de ensino, nas escolas, ou até mesmo nos leitos dos 
hospitais, quando internados. 
O referido documento preconiza em suas diretrizes que 
 
[...] para atuar na educação especial, o professor deve ter como base 
da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o 
exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa 
formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional 
especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar 
da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos 
nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de 
acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes 
hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e 
recursos de educação especial (BRASIL, 2008, p.18). 
 
 Neste contexto pode-se evidenciar a Pedagogia Hospitalar numa perspectiva 
inclusiva, visto que os referenciais educacionais apresentam documentos orientadores 
para a prática de atividades no ambiente hospitalar, atendendo alunos em situação 
especial. 
Ao contrário do que se pensava antes, de que educação especial destinava-se 
apenas a deficientes, vimos que especial também pode ser o estado em que se 
encontram os pacientes. 
 
 
2.5 O profissional pedagogo na Pedagogia Hospitalar 
 
Como vimos nas seções anteriores, o profissional da educação pode atuar na área 
da saúde e contribuir para o desempenho das atividades de outros profissionais, 
integrando uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, técnicos 
em enfermagem, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais, além de colaborar no 
processo de humanização hospitalar desenvolvendo atividades lúdico-educativas com os 
pacientes e seus acompanhantes. 
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 Podemos afirmar, portanto, que a atuação do pedagogo pode se expandir no 
atendimento à criança hospitalizada; para Ricardo Ceccim, 
 
há muito para um hospital aprender com a educação escolar para 
transpor à prática clínica a instituição de relações organizadas para a 
criança, aprendendo a operar com o reconhecimento da situação social 
particular, ligada, ao mesmo tempo, à condição de criança e a um 
ambiente social determinado, preservando a espontaneidade e a 
originalidade da criança (CECCIM, 1999, p. 32). 
 
 O que Ceccim nos apresenta é uma compreensão de que a educação, neste caso 
escolar, pode e deve estar presente nos hospitais, respeitando a condição da criança com 
necessidades especiais momentâneas. Essa visão humanística que muitos hospitais com 
atendimento pediátrico procuram enfatizar na sua prática vem demonstrando que não é 
só o físico que deve ser tratado, mas o ser integral, incluindo suas necessidades 
psíquicas e sociais. 
O pedagogo, ao promover experiências vivenciais dentro de um hospital, como 
brincar, pensar, criar, trocar, estará favorecendo o desenvolvimento pleno da criança, 
que não deve ser interrompido em função da hospitalização. 
O atendimento hospitalar não se realiza somente no âmbito físico, mas também 
afetivo. As ações da pedagogia se efetuam sob a ótica de que, mesmo passando por uma 
internação, a criança e o adolescente não precisam ter o seu processo de escolarização e 
sua vida social prejudicados e/ou interrompidos. Podem ser desenvolvidas atividades 
em ambiente hospitalar que deem continuidade a esse processo. 
De acordo com Ceccim, 
 
[...] a enfermidade e a hospitalização das crianças passam por seu 
corpo e emoções, passam por sua cultura e relações; produzem afetos 
e inscrevem conhecimentos sobre si, o outro, a saúde, a doença, o 
cuidado, a proteção, a vida. A corporeidade e a inteligência vivenciam 
essas informações como conhecimento e saber pessoal (CECCIM, 
1997, p.33). 
 
A criança hospitalizada está em constante aprendizagem, mesmo dentro do 
hospital. Novas relações são estabelecidas, com os outros pacientes, com os 
acompanhantes, com a equipe do hospital e consigo mesma. Aprendizagens que vão 
desde a socialização até as descobertas sobre si, sobre seu corpo, sobre seus medos, 
sobre sua força. 
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A atenção pedagógica nessas situações deve olhar o sujeito na sua integralidade, 
mas também requer um atendimento específico e direcionado para contribuir com o 
tratamento e abreviar a permanência hospitalar. Através de atendimento diário com a 
equipe de saúde da unidade, faz-se um acompanhamento deste paciente criando um 
vínculo que favorecerá o contexto da internação. Posteriormente, envolve-se a escola e a 
família, procurando suprir as dificuldades e ansiedades quanto à escolarização. 
O envolvimento das instituições família e escola auxiliam consideravelmente o 
atendimento pedagógico. Já o afastamento, por parte do internado, de sua família, escola 
e amigos por vezes altera sua autoestima e provoca reações que irão de alguma forma 
modificar a trajetória de vida deste paciente, pois se observa que muitas internações são 
verdadeiros traumas sofridos pelas crianças internadas. 
Dessa forma, a intervenção pedagógica dentro dos hospitais irá auxiliar este 
paciente a re-significar seus valores e desejos interrompidos pela internação, fazendo 
um elo com a educação. 
 Nesse sentido, as políticas públicas voltadas para o exercício da Pedagogia 
Hospitalar darão respaldo para o desenvolvimento das ações educacionais nos hospitais, 
com vistas a incluir este paciente em uma rotina que se aproxima da sua rotina anterior à 
entrada no hospital, buscando incluí-lo, de alguma forma, em um ambiente não só 
asséptico e cheio de medicamentos, mas também em um ambiente mais humano, com 
brincadeiras, com estudo e com laços de afeto. 
Assim, na seção que se segue, apresentamos um breve levantamento acerca das 
políticas públicas que regulamentam e norteiam as práticas educativas nos hospitais 
brasileiros. 
 
 
2.6 Políticas públicas que implementam a Pedagogia Hospitalar no Brasil 
 
A Declaração dos Direitos da Criança apresenta, desde 1959, a preocupação com 
a educação e o lazer no hospital, defendendo, entre outros aspectos primordiais, o 
direito à recreação e ao brincar como meio de aprender a viver (KOHN, 2010). No 
Artigo 4º, a Declaração defendia o direito à recreação em paralelo a direitos primordiais 
como a alimentação, a moradia e a assistência médica, se configurando nesse direito as 
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condições essenciais para o desenvolvimento da criança, nos aspectos físicos, 
cognitivos, psicológicos e sociais. 
 No Brasil, de acordo, com Kohn (2010), a ação educativa no espaço hospitalar 
mais antiga ocorreu em 1950, no Hospital Jesus, no Rio de Janeiro, seguido pelo 
Hospital Barata Ribeiro. A vinculação do atendimento educativo no hospital ocorreu 
com a parceria com a Secretaria de Educação do Município. 
 Mas é só a partir de 1990 que a legislação brasileira vem promulgando leis que 
amparam o atendimento dos hospitalizados, enfocando especificamente a criança e o 
atendimento pedagógico no contexto hospitalar. Regulamenta as práticas educativas 
nesse ambiente através das políticas públicas desenvolvidas pelo Ministério da 
Educação (MEC), das políticas educacionais brasileiras, seja através da Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, ou da política da Educação Especial, 
através da Secretaria de Educação Especial (SEESP), oficializando essa modalidade

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