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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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sua saúde emocional por muito 
tempo ou acompanhá-las por toda a vida. As crianças tendem a ter medo de pessoas 
vestidas de branco; muitas em idade escolar sentem-se desmotivadas para retornarem à 
escola, ficam deprimidas, o nível de estresse aumenta. Além da dor originada pela 
doença, as crianças não entendem o motivo de estarem no hospital, “presas” naquele 
local, sem poderem ir para casa e onde pessoas vestidas de branco estão a todo o 
momento lhes dando remédios, aplicando injeções, muitas vezes sem diálogo ou afeto. 
Dessa forma, o hospital, ao invés de ser um local de ajuda, de tratamento da 
doença em busca da cura, passa a ser visto pelas crianças como um local de sofrimento 
e tortura, sendo um ambiente desfavorável ao seu desenvolvimento, para a aceitação do 
estado momentâneo da doença e para adesão ao tratamento aplicado no hospital. 
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Diante disso, pode-se indagar até que ponto há espaço e aceitação para a atuação 
do profissional da educação junto à equipe médica do hospital? Que tipo de resistência e 
obstáculos pode ser encontrado para que a ação educacional aconteça? Que tipo de 
relacionamento pode existir entre a equipe de profissionais da saúde e o da educação? 
Além dessas questões mais gerais, questionamos também quais foram as ações 
implementadas no HRAM? Por que foram implantadas? Que resultados puderam ser 
obtidos durante o período de 2005 a 2010 em que foram implantadas as atividades 
lúdico-educacionais? 
 Essas questões nos serviram como guia no decorrer da pesquisa. Há muitos 
desafios a enfrentar em um trabalho de humanização hospitalar. Um deles diz respeito 
às dificuldades inerentes à internação destes pacientes em relação às suas patologias, 
pois a depender da mesma, esta se torna um empecilho na participação e 
desenvolvimento das atividades propostas; o tempo de internação é um fator 
constituinte do processo educacional no hospital, pois há crianças que correspondem 
melhor ao tratamento se recuperando mais rápido do que outras; outro ponto são as 
idades dos pacientes, sendo que cada criança pode variar em idade/série, implicando que 
o planejamento deva ser flexível e diversificado, proporcionando a participação de 
todos. 
 Essas especificidades da pedagogia hospitalar compõem o perfil dessa 
modalidade de ensino, que instiga pesquisas no intuito de melhor desenvolvê-la e 
atender ao paciente/aluno. Essa modalidade de ensino busca inserção e reconhecimento 
no ambiente hospitalar para atender as necessidades educacionais de crianças e 
adolescentes hospitalizados, que devem ter acompanhamento educacional independente 
do tempo de duração da internação, para que esse desligamento momentâneo da escola 
regular e de seu cotidiano não traga prejuízos à sua escolarização e ao seu estado 
emocional. 
 Estabelecemos como marco temporal para esta pesquisa o período entre 2005 a 
2010, no qual foram implantadas as atividades educacionais e lúdicas. No entanto, 
daremos início ao trabalho com um panorama histórico do HRAM, localizado no 
município de Estância, hoje o hospital mais antigo do estado de Sergipe em 
funcionamento, a fim de conhecermos o contexto antecedente ao processo de 
humanização e compreendermos como se deu a intervenção lúdica educativa nesse 
estabelecimento de saúde. 
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 A metodologia utilizada para desenvolver esta pesquisa encontra aporte nas 
pesquisas qualitativas, mais especificamente no estudo de caso, e tem como fontes 
principais os documentos do hospital, os documentos legais produzidos nas políticas 
públicas, tanto da área de educação como na área de saúde, os documentos dos projetos 
implantados, os relatórios de trabalhos desenvolvidos no hospital durante o período 
estudado e as entrevistas estruturadas realizadas com alguns profissionais do hospital, 
diretamente ligados às atividades de humanização. 
Como referencial teórico, nossos principais autores são Ceccim (1997), Fonseca 
(1997), Gabardo (2002), Ortiz e Freitas (2005), Zardo (2007) Barros (2008), Matos 
(2009) e Vasconcelos e Kohn (2010). 
 A escolha pelo método qualitativo se firma por sua eficácia em descrever e 
explicar fenômenos. Segundo Neves (1996), esse método surgiu inicialmente no seio da 
Antropologia e da Sociologia e nos últimos anos ganhou espaço em áreas como a 
Psicologia, Educação e Administração de Empresas. Faz parte da pesquisa qualitativa a 
obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a 
situação do objeto de estudo, proporcionando maior aproximação do pesquisador com o 
objeto ou situação pesquisada. 
 Para Neves (1996), o marco temporal define o campo e o espaço em que a 
pesquisa será desenvolvida. Para esse estudo o trabalho de descrição é essencial, pois os 
dados são coletados através dele. 
 
Em certa medida, os métodos qualitativos se assemelham a 
procedimentos de interpretação dos fenômenos que empregamos 
no nosso dia-a-dia, que tem a mesma natureza dos dados que o 
pesquisador qualitativo emprega em sua pesquisa. Tanto em um 
como em outro caso, trata-se de dados simbólicos, situados em 
determinado contexto; revelam parte da realidade ao mesmo tempo 
que escondem outra parte (NEVES, 1996, p.01). 
 
 Neves (1996) nos alerta para a necessidade de observar com bastante atenção os 
dados simbólicos, com os quais nós nos deparamos, pois há sempre um contexto, parte 
da realidade está contida neste fragmento, mas muitas outras estão escondidas. Assim, 
nossas interpretações podem ser equivocadas, caso não levemos em conta essas 
características da pesquisa qualitativa. 
 Optamos nesse trabalho pela utilização do método de estudo de caso, imbuídos 
no desejo de compreender o fenômeno social existente; ancorados em Yin (2010), 
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observa-se que este método contribui para pesquisas do conhecimento de fenômenos 
individuais, grupais, organizacionais, sociais e políticos. É um método de pesquisa 
comum às áreas da Psicologia, Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Assistência 
Social, Administração, Educação, Enfermagem e Planejamento Comunitários. 
 
O método de estudo de caso permite que os investigadores retenham 
características holísticas e significativas dos eventos da vida real – 
como os ciclos individuais da vida, o comportamento dos pequenos 
grupos, os processos organizacionais e administrativos, a mudança de 
vizinhança, o desempenho escolar, as relações internacionais e a 
maturação das indústrias (YIN, 2010, p. 24) 
 
 Nessa perspectiva, com a utilização desse método buscamos dados que 
subsidiem nossa pesquisa, na qual abordamos uma instituição com crianças/pacientes 
hospitalizados. 
 De acordo com Yin (2010), o estudo de caso é o método preferido no exame dos 
eventos contemporâneos e conta com muitas técnicas que também são utilizadas na 
pesquisa histórica; todavia, adiciona duas fontes de evidência geralmente não incluídas 
na referida pesquisa, sendo elas a observação direta do evento estudado e a realização 
de entrevistas com as pessoas envolvidas no evento. 
 
Embora o estudo de caso e as pesquisas históricas possam se sobrepor, 
a força exclusiva do estudo de caso é sua capacidade de lidar com uma 
ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas e 
observações – além do que pode estar disponível em um estudo 
histórico convencional. Além disso, em algumas situações, como a 
observação participante, pode ocorrer a manipulação informal (YIN, 
2010, p.32). 
 
Para Yin (2010), nesse estudo os experimentos são realizados quando o 
pesquisador pode manipular o comportamento direta, precisa e sistematicamente, 
podendo ocorrer em ambientes diferenciados, a exemplo de laboratórios ou em campo. 
Assim, o autor afirma que 
 
o estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um 
fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida 
real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto

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