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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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não são claramente evidentes (YIN, 2010, p. 39). 
 
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Com essa premissa, o método utilizado na pesquisa nos deu condições para 
entender o fenômeno estudado em suas especificidades; entretanto, de acordo com Yin 
(2010), uma das mais importantes fontes de informação para o estudo de caso é a 
entrevista. Assim, nos valemos desse instrumento de coleta de dados que nos deu mais 
subsídios para compreender o objeto da pesquisa. 
 
Em geral, as entrevistas são uma fonte essencial de evidência do 
estudo de caso porque a maioria delas é sobre assuntos humanos ou 
eventos comportamentais. Os entrevistados bem informados podem 
proporcionar insights importantes sobre esses assuntos ou eventos. 
Eles também podem fornecer atalhos para a história prévia dessas 
situações, ajudando-o a identificar outras fontes relevantes de 
evidência (YIN, 2010, p. 135). 
 
As informações adquiridas através das entrevistas contribuíram para legitimar as 
evidências observadas no decorrer da pesquisa. Os entrevistados forneceram 
informações significativas quanto aos fatos que ocorreram durante o processo de 
realização das atividades lúdico-educativas no lócus estudado. 
As entrevistas seguiram um roteiro estruturado de perguntas; porém, tivemos o 
cuidado de deixá-los falar à vontade, sem cortá-los e, enquanto observador direto e 
participante da pesquisa, tentar manter certa imparcialidade durante esta conduta. 
 
Como o estudo de caso deve ocorrer no ambiente natural do “caso”, 
você está criando a oportunidade para as observações diretas. 
Presumindo que os fenômenos de interesse não tenham sido 
puramente históricos, alguns comportamentos relevantes ou condições 
ambientais estarão disponíveis para a observação. Essas observações 
servem ainda como outra fonte de evidência no estudo de caso (YIN, 
2010, p. 136). 
 
 As observações diretas contribuíram para análise do fenômeno pesquisado; no 
caso da humanização hospitalar e suas premissas, o estudo nos ajudou a compreender 
melhor sobre essa intervenção pedagógica no ambiente hospitalar. E por ter sido um 
elemento constituinte dessa pesquisa, enquanto funcionária e idealizadora dos projetos, 
utilizamos a técnica de observação participante. 
 Para Yin (2010), 
 
a observação participante é uma modalidade especial de observação 
na qual você não é simplesmente um observador passivo. Em vez 
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disso, você pode assumir vários papéis na situação de estudo de caso e 
participar realmente nos eventos sendo estudados (YIN, 2010, p. 138). 
 
Para o autor, a observação participante proporciona oportunidades incomuns 
para a coleta de dados do estudo de caso; uma delas é a capacidade de captar a realidade 
do ponto de vista de alguém interno ao estudo de caso. Esse é um dado relevante, visto 
que a participação direta nos proporcionou um resgate das lembranças que ajudaram a 
constituir um memorial das atividades de humanização realizadas durante o marco 
temporal estudado, analisando o processo da intervenção pedagógica no decorrer da 
hospitalização das crianças. 
A participação direta que tive durante anos neste hospital, envolvida com os 
projetos de humanização e a memória que a todo momento me auxilia na reflexão sobre 
estas ações, o que resultou este projeto de pesquisa, me aproxima do método da 
pesquisa-ação. As interpretações da realidade observada e as ações realizadas durante 
essa trajetória deu procedimento a uma pesquisa ação, por ser um sujeito participante 
das atividades lúdico-educativas desenvolvidas no hospital, durante seu processo de 
humanização. 
Podemos dizer que na pesquisa em questão pode-se utilizar da pesquisa ação e 
da participante, sendo que não houve apenas a simples participação nas ações de 
humanização desenvolvidas no hospital, mas também uma ação que desenvolveu-se 
mediante pesquisas e trabalhos implantados do decorrer do processo, envolvendo uma 
equipe de trabalho que promoveu uma intervenção com atividades lúdico-educativas 
durante o tratamento dos pacientes internados. 
O procedimento de análise compreende uma revisão bibliográfica que nos dê 
subsídio teórico para refletir sobre as ações lúdicas e educativas na área da saúde e uma 
pesquisa de campo no HRAM, onde são desenvolvidas as atividades educativas, com o 
intuito de investigar como se deu o processo de intervenção pedagógica e quais são os 
possíveis benefícios apresentados nas crianças hospitalizadas. 
Durante os primeiros meses deste trabalho, realizamos uma revisão 
bibliográfica, procurando revisar o que já havia sido produzido sobre este tema e fazer 
um levantamento bibliográfico de autores que pudessem nos dar suporte teórico. 
Também realizamos um estudo a partir dos documentos encontrados no arquivo do 
hospital e no acervo pessoal de alguns funcionários, médicos e administradores que 
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passaram pelo hospital, o que nos foi de grande valia na tentativa de compreender a 
história dessa centenária instituição e para a pesquisa em foco. 
Devido a essa escolha, de resgatar primeiramente a história do hospital, para 
depois entrar na questão das práticas educacionais, foi necessário estudar aspectos da 
historiografia a fim de compreendermos como se deu o surgimento e o processo 
evolutivo dessa instituição de saúde. O conjunto de informações adquiridas compõe um 
instrumental que nos auxilia na tentativa de descortinar fatos ocorridos no passado. 
Segundo Thompson (1981, p. 30), “as chamadas „fontes‟ da história registraram apenas 
os fatos que parece bastante interessante registrar (...)”. Assim, pode-se observar que, de 
acordo com o autor, as fontes da história registram apenas fatos que interessam ser 
registrados; no caso desta pesquisa vemos que as pessoas guardaram apenas os 
documentos que consideraram interessantes, o que pode acabar direcionando 
interpretações. 
 Por este motivo, o historiador deve ter cuidado ao registrar a história, sua 
fidelidade aos fatos e as fontes que registram os acontecimentos serão essenciais para o 
registro de cada memória. Embora este trabalho não seja na área de História, 
acreditamos que compreender a história deste hospital é importante para podermos 
compreender o momento de abertura deste hospital para as práticas lúdicas e educativas. 
 Considerando que o surgimento do hospital é um fato histórico, contar como se 
deu sua implantação, quem a idealizou, quais caminhos foram percorridos e como o 
hospital se mantém funcionando há 150 anos, atendendo os doentes das camadas mais 
pobres da sociedade, é um marco na história não apenas da cidade de Estância, como 
também do Estado de Sergipe. 
 No entanto, observamos que os registros dessa instituição são poucos e estão 
dispersos, o que nos indica que nenhum dirigente se preocupou em guardar essa 
memória. Thompson (1981, p. 30) diz que, “segundo Popper, não podemos conhecer a 
„história‟, ou no máximo podemos conhecer apenas os fatos isolados (...)”. No caso 
deste Hospital, só conseguimos construir uma história utilizando registros históricos 
isolados. Assim interpretamos os acontecimentos que compõem a história, em busca de 
entendimentos e compreensões sobre um determinado fato; neste caso a origem e a 
consolidação dessa instituição. As fontes apenas revelam registros de fatos isolados e 
estes fragmentos são a base para nossa interpretação a fim de conhecer essa memória 
histórica. 
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Nesse sentido, resgatar a história do HRAM, fundado em 1860 e que há um 
século e meio de existência presta serviços à comunidade de Estância, faz-se necessário 
para compreendermos como se deu a evolução deste hospital, sua importância para a 
sociedade da região centro sul do estado de Sergipe, especialmente para a cidade de 
Estância, envolvendo não apenas as atividades fins da sua criação, no tratamento e 
recuperação da saúde, mas também as atividades lúdicas e educacionais que nele foram 
desenvolvidas após a intervenção de pedagogos

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