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Taxa de Sinistro (RE 403453). Mas já foi declarado inconstitucional a Taxa 
de Limpeza Pública por ser um serviço de natureza geral que se presta a 
servir a comunidade e não alguém em específico (AI 245539/RJ) 
 
Alerta-se que a taxa não poderá ter base de cálculo própria de impostos 
(art. 145, parágrafo 2.º, CF). Porém, é permitida a utilização desta base de 
cálculo como mero parâmetro de enquadramento: 
 
Súmula Vinculante 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor 
de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de 
determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre 
uma base e outra. 
 
4 CARRAZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional tributário. 22 ed. São Paulo: Malheiros, 2006, 
p. 507. 
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Súmula 595 STF: É inconstitucional a taxa municipal de conservação 
de estradas de rodagem cuja base de cálculo seja idêntica a do imposto 
territorial rural. 
 
***Taxa do Lixo – Uma segunda discussão está na taxa do lixo. O STF já se 
manifestou sobre esse assunto e, em diversas ocasiões falou: a taxa do lixo 
é constitucional: 
 
AI 636528 AgR / RJ - RIO DE JANEIRO - RICARDO LEWANDOWSKI - 
Julgamento: 09/06/2009 -Primeira Turma - I - A taxa de coleta de lixo 
domiciliar - TCDL, instituída pela Lei Municipal 2.687/98, reúne os 
pressupostos da especificidade e divisibilidade. Legitimidade da cobrança. 
Precedentes do STF. II - Opostos embargos infringentes, o prazo para 
interposição de recurso extraordinário relativo à parte unânime fica 
sobrestado até a intimação da decisão dos embargos. O recurso 
extraordinário interposto anteriormente a esta publicação é extemporâneo, 
se não ratificado posteriormente. Precedentes do STF. III - Agravo regimental 
improvido. 
 
***Taxa de limpeza pública: se for taxa do lixo vinculada única e 
exclusivamente à coleta dos resíduos, tudo bem, é constitucional porque 
específica e divisível, mas não podemos ter uma taxa do lixo que esteja 
vinculada a esse outro serviço de natureza geral que se presta a servir a 
comunidade, como a taxa de limpeza pública: 
 
STF - AI 245539 AgR / RJ - RIO DE JANEIRO - ILMAR GALVÃO - 
Julgamento: 14/12/1999 -Primeira Turma - EMENTA: TRIBUTÁRIO. 
MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. ILEGALIDADE DA TAXA DE COLETA DE 
LIXO E LIMPEZA PÚBLICA. ART. 145, II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Tributo 
vinculado não apenas à coleta de lixo domiciliar, mas também à limpeza de 
logradouros públicos, hipótese em que os serviços são executados em 
benefício da população em geral (uti universi), sem possibilidade de 
individualização dos respectivos usuários e, conseqüentemente, da 
referibilidade a contribuintes determinados, não se prestando para custeio 
mediante taxa. Impossibilidade, no caso, de separação das duas parcelas. 
Agravo regimental improvido. 
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***Taxa de Incêndio: 
 
TAXA DE COMBATE A INCÊNDIO – INADEQUAÇÃO CONSTITUCIONAL. 
Descabe introduzir no cenário tributário, como obrigação do contribuinte, 
taxa visando a prevenção e o combate a incêndios, sendo imprópria a 
atuação do Município em tal campo. (RE 643247, Relator(a): Min. MARCO 
AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO 
DJe-292 DIVULG 18-12-2017 PUBLIC 19-12-2017) 
 
***Taxa de Sinistro: 
 
E MENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 
INTERPOSIÇÃO DE DECISÃO MONOCRÁTICA E COM INTUITO 
MODIFICATIVO. CONHECIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. 
OBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO. TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE 
LANÇAMENTO. IPTU. TAXA DE LIMPEZA. TAXA DE COMBATE A SINISTRO. 
VALIDADE DA ÚLTIMA EXAÇÃO. CUSTAS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 
1. Segundo jurisprudência desta Corte, é constitucional a Taxa de Combate 
a Sinistros, tal como instituída na espécie. (RE 403453 ED, Relator(a): Min. 
JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe-074 
DIVULG 18-04-2011 PUBLIC 19-04-2011 EMENT 
 
Contribuições de Melhoria: A arrecadação de recursos financeiros para 
cobrir os custos da obra é o seu objeto. A fórmula linguística utilizada pela 
Constituição de 1988 para tratar das contribuições de melhoria é muito 
limitada. Dela derivam duas premissas: 
 
a) relação entre a melhoria observada e a realização de uma obra pública. 
 
b) Valorização Imóvel 
 
Regulam a instituição e cobrança das contribuições de melhoria os arts. 81 
e 82 do Código Tributário Nacional, além do Decreto-Lei n. 195, de 1967, 
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já mencionado. Importa destacar a existência de dois limites para a 
cobrança do tributo: 
 
a) limite total ou global é o custo da obra (ou despesa realizada) e o 
b) limite individual é o acréscimo de valor que da obra resultar para 
cada imóvel beneficiado. Entende-se que a contribuição de melhoria 
ao ser cobrada deve respeitar o menor destes valores. 
 
Dito isso, podemos concluir que as contribuições de melhoria são tributos 
vinculados, contudo, diferentemente do que ocorre com as taxas, a 
vinculação não tem relação com um serviço público prestado pelo Estado, 
mas sim com a realização de uma obra pública que cause valorização de 
imóveis. 
 
Empréstimos Compulsórios: Prevê o artigo 148 da Constituição que a 
União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos 
compulsórios para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de 
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência ou no caso de 
investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, 
observado o disposto no art. 150, III, “b”. O parágrafo único do artigo em 
comento dispõe que a aplicação dos recursos provenientes de empréstimo 
compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. 
Os principais traços identificadores do empréstimo compulsório como 
espécie tributária própria são a restituibilidade, a causalidade e a 
destinação vinculada. Desse modo, pode-se dizer que, consoante à 
previsão constitucional, são quatro os requisitos para a instituição do 
empréstimo compulsório: 
• instituição por lei complementar; 
• ocorrência das situações urgentes descritas no referido art. 148; a) 
atender despesas extraordinárias nos casos de calamidade pública 
ou guerra externa (inclusive sua iminência) ou b) investimento 
público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. 
• destinação legal dos recursos às despesas que deram origem à 
criação do tributo; e 
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• previsão legal para a restituição, pois o empréstimo compulsório é 
um ingresso de recursos temporários em favor do Estado. 
 
Contribuições Sociais: 
 
• Contribuição da seguridade social (art. 195 CF) 
• Outras contribuições sociais (residual – art. 195 § 4º CF) 
• Contribuições sociais gerais (art. 149 CF – SESC, SESI, salário educação) 
• Contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE – art. 149 CF) 
• Contribuições corporativas (CREA, SINDICAL – art. 149 CF) 
 
***A União possui competência exclusiva para instituir contribuições 
sociais, conforme fixa o art. 149 da 
 
Constituição. As únicas ressalvas, previstas no mesmo artigo, consistem: 
a) na instituição de contribuições previdenciárias para custeio dos 
sistemas de previdência e assistência social dos servidores dos 
Estados, Distrito Federal e Municípios e 
 
b) na criação da contribuição para o custeio da iluminação pública por 
parte dos Municípios e do Distrito Federal. 
 
Assim como nos empréstimos compulsórios, o que distingue cada uma das 
contribuições especiais das demais espécies tributárias é o destino do 
produto da arrecadação. O fato gerador da obrigação, por sua vez, 
poderá ser vinculado ou não a uma atividade estatal específica, logo, as 
contribuições especiais, a depender do disposto nas leis instituidoras, 
poderão ter “natureza” de taxa ou de imposto. 
Nas contribuições sociais,