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o destino será o financiamento da seguridade 
social (CF/88, art. 195, caput). Nas contribuições de intervenção no 
domínio econômico, por sua vez, o produto arrecadado será utilizado pela 
União em prol do melhor funcionamento de determinado setor da 
economia, a exemplo da CIDE-Combustível, prevista expressamente no art. 
177, § 4º, da CF/88, como forma de regulação e desenvolvimento do setor 
de combustíveis. Por fim, as contribuições de interesse das categorias 
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profissionais ou econômicas servirão ao custeio dos sindicatos de 
trabalhadores e empregadores. 
A competência para criação das contribuições sociais, de interesse das 
categorias profissionais ou econômicas e de intervenção no domínio 
econômico será exclusiva da União (CF/88, art. 149, caput), ressalvada a 
hipótese do artigo 149, § 1º, CF/88, segundo o qual os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, 
para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o 
art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores 
titulares de cargos efetivos da União. 
A criação das contribuições, em regra, se dará por meio de lei ordinária. 
Serão instituídas por lei complementar as contribuições sociais residuais, 
conforme regra prevista no artigo 195, § 4º, da CF/88. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SÍNTESE: 
***Características da CIDE: 
 
• A Cide somente poderá ser instituída e cobrada pela União, com 
caráter interventivo e nunca arrecadatório. 
 
• Na vigente 
Constituição, a 
livre iniciativa da 
atividade 
econômica é 
regra, sendo a 
intervenção 
somente possível 
em casos 
excepcionais; 
 
A interpretação das 
normas pertinentes à 
instituição da Cide 
deve ser feita 
restritivamente; 
a) transitoriedade 
ou 
temporariedade 
da cobrança (até 
que desapareça a 
situação que 
motivou a 
instituição); 
b) existência da 
necessidade de 
controle e/ou de 
intervenção 
(pressuposto necessário); 
Espécies Pessoas 
competentes 
Constituição 
Contribuições 
sociais gerais 
União Art. 149 
Cont. 
Previdenciária 
União Art. 195 
CIDE União 149 
Contribuição 
Corporativa 
União 149 
Contribuição 
Previdenciária 
União. 195 
Contribuição 
Previdenciária 
Residual 
União 195 §4º 
Contribuição 
para o custeio 
do regime 
previdenciário 
dos seus 
servidores 
União, 
Estados, 
Distrito 
Federal e 
Municípios 
Art. 149, § 
1º 
Contribuição 
para o custeio 
do serviço de 
iluminação 
pública 
Distrito 
Federal e 
Municípios 
Art. 149-A 
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c) vinculação da receita exclusivamente para aplicação na intervenção 
(o que afasta o caráter arrecadatório da sua instituição); 
d) materialidade do fato gerador (vinculada a um fato econômico 
objeto da intervenção; e 
e) os contribuintes somente podem ser aquelas pessoas vinculadas à 
atividade econômica objeto da intervenção (sujeito do verbo que 
constitui a materialidade do FG). 
 
***COSIP (art. 149-A CF): 
 
Nos termos do artigo 149-A da Constituição, acrescido pela EC 39/2002, os 
Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das 
respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado 
o disposto no art. 150, I e III. O parágrafo único do dispositivo em comento 
estabelece que é facultada a cobrança da contribuição a que se refere o 
caput, na fatura de consumo de energia elétrica. Trata-se, em verdade, de 
subespécie de contribuição especial, de forma que à Contribuição de 
Iluminação Pública aplicar-se-ão praticamente todos os ensinamentos 
acima listados. 
 
A característica principal da Contribuição de Iluminação Pública é o destino 
do produto da arrecadação, qual seja, o custeio do serviço municipal de 
iluminação pública. Além disso, só poderão ser criadas por leis ordinárias, 
municipais ou distritais (CF/88, art. 149-A, caput). 
 
7 – LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR. 
 
7.1 - Imunidades tributárias: 
São proibições absolutas para a realização de certas situações jurídicas ou 
a produção de certos efeitos jurídicos. No campo tributário, as imunidades 
de impostos estão concentradas no art. 150, inciso VI da Constituição. Ali, 
podemos encontrar: 
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a) imunidade recíproca (Art. 150 alínea "a" e §§ 2o. e 3º CF.). Vedação 
dos entes estatais instituírem impostos sobre o patrimônio, renda ou 
serviços, uns dos outros. Lembre-se que a imunidade em tela não se 
aplica ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com 
exploração de atividade econômica reguladas pelo direito privado 
ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas 
pelo usuário. Essa imunidade além da Administração Direta, também 
alcança as Autarquias e Fundações (Art. 150 § 2º). 
 
O STF decidiu, por exemplo, que o Município de São Paulo é imune ao IOF 
em suas aplicações financeiras: 
 
RE 233497 / SP - SÃO PAULO 
Relator: Min. MOREIRA ALVES 
Órgão Julgador: Primeira Turma 
 
EMENTA: IOF. Aplicação de recursos de Prefeitura Municipal no 
mercado financeiro. Imunidade do art. 150, VI, "a", da Constituição 
Federal. - Esta Primeira Turma, ao julgar o RE nº 196.415, que 
versava hipótese análoga à presente, assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. 
IOF. APLICAÇÃO DE RECURSOS DA PREFEITURA MUNICIPAL NO 
MERCADO FINANCEIRO. IMUNIDADE DO ART. 150, VI, "A", DA 
CONSTITUIÇÃO. À ausência de norma vedando as operações 
financeiras da espécie, é de reconhecer-se estarem elas 
protegidas pela imunidade do dispositivo constitucional indicado, 
posto tratar-se, no caso, de rendas produzidas por bens 
patrimoniais do ente público. Recurso não conhecido." Recurso 
extraordinário não conhecido. 
 
Autarquias e Fundações: O § 2º do art. 150 da CF estende a imunidade 
recíproca ao patrimônio, à renda e aos serviços das autarquias e das 
fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, desde que vinculados 
às suas finalidades essenciais ou sejam delas decorrentes. 
 
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Prestadora de Serviço Público: 
 
• Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos equiparam-se a 
autarquias e, por isso, gozam da imunidade recíproca (RE 424.227, 
em que foi relator o Min. Carlos Velloso) 
 
• “A jurisprudência do STF entende que a sociedade de economia 
mista prestadora de serviço público de água e esgoto é abrangida 
pela imunidade tributária recíproca, nos termos da alínea a do inciso 
VI do art. 150 da CF.” (RE 631.309-AgR, Rel. Min. Ayres Britto, 
julgamento em 27-3-2012, Segunda Turma, DJE de 26-4-2012.). 
 
• “As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços 
de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da 
imunidade tributária prevista na alínea a do inciso VI do art. 150 da 
CF.” (RE 580.264, Rel. p/ o ac. Min. Ayres Britto, julgamento em 16-
12-2010, Plenário, DJE de 6-10-2011, com repercussão geral.) 
 
• A Infraero, empresa pública prestadora de serviço público, está 
abrangida pela imunidade tributária prevista no art. 150, VI, a, da 
Constituição. (ARE 638.315-RG, Rel. Min. Presidente Cezar Peluso, 
julgamento em 9-6-2011, Plenário, DJE de 31-8-2011, com 
repercussão geral). 
 
O § 3º do art. 150 da CF estabelece que a imunidade recíproca não se aplica 
ao patrimônio relacionado com a exploração de atividade econômica 
regida pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que 
haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. 
 
b) imunidade sobre templos religiosos (alínea "b" e § 4o.). Vedação 
dos entes estatais instituírem impostos sobre o patrimônio, a renda 
e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das 
entidades mantenedoras de templos de qualquer culto. 
 
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