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por cinco auditores-fiscais da Receita Federal. 
 
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As Praticas Reiteradamente Observadas pelas Autoridades 
Administrativas: O principio da legalidade é muito rígido em direito 
tributário. Uma das conseqüências dessa rigidez é a interpretação 
extremamente restritiva que se deve dar ao art. 100, III. 
Ao falar em “praticas reiteradamente observadas pelas autoridades 
administrativas”, o legislador abriu espaço, é verdade, para a utilização dos 
usos e costumes como normas complementares em matéria tributaria. 
 
Todavia, os usos e costumes aqui admitidos são aqueles meramente 
interpretativos, jamais podendo inovar em matérias sujeitas a reserva de 
lei ou, ainda com mais razão, derrogar disposições legais. 
 
Vigência, aplicação e integração 
 
Vigência: CTN - Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente 
aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja 
ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. 
- Aplicação Prospectiva: Significa que a legislação nova não alcança 
os fatos já concluídos antes do inicio da sua vigência. 
 
- Aplicação Imediata: Significa que a legislação nova alcança os 
fatos pendentes, ou seja, aqueles que já tiveram início, mas ainda não 
estão concluídos. 
 
Vigência Espacial: A regra fundamental aqui é a territorialidade. 
 
“Art. 102. A legislação tributaria dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios vigora, no Pais, fora dos respectivos territórios, nos limites 
em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que 
participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas gerais 
expedidas pela União”. 
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CTN - Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, 
excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos 
interpretados11 
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado12: 
a) quando deixe de defini-lo como infração; 
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de 
ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha 
implicado em falta de pagamento de tributo; 
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei 
vigente ao tempo da sua prática. 
 
CTN - Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente 
para aplicar a legislação tributária utilizará, sucessivamente, na ordem 
indicada: 
I. a analogia; 
II. os princípios gerais de Direito Tributário; 
III. os princípios gerais de direito público; 
IV. a eqüidade. 
 
§ 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo 
não previsto em lei. 
 
11 STF: admite a existência de leis interpretativas, desde que voltadas a esclarecer preceitos da legislação, 
não havendo vulneração ao princípio da separação funcional do poder (Vide ADI MC 605/DF, Rel. Min. 
Celso de Mello, pleno, DJU 05/03/1993) - Ricardo Lobo Torres: “A lei interpretativa retroage (art. 106, 
I, CTN), pois tem eficácia meramente declaratória. Não cria direito novo nem tributo, senão que apenas 
fixa o sentido da norma tributária preexistente. (TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e 
tributário. 12 ed, Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 117). 
12Tem-se entendido, para fins de interpretação dessa condição, que só se considera como encerrada a 
Execução Fiscal após a arrematação, adjudicação e remição, sendo irrelevante a existência ou não de 
Embargos à Execução, procedentes ou não. (STJ – Resp. 200.781/RS – julg. 12/06/2001) 
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§ 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do 
pagamento de tributo devido. 
 
Princípios gerais do direito privado 
Utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus 
institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos 
efeitos tributários (Art. 109 CTN). Ao mesmo tempo em que a lei tributária 
não pode alternar a definição e o conteúdo jurídico do direito privado, 
conforme art. 110 CTN: 
CTN - Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se 
para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus 
institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos 
efeitos tributários. 
 
CTN - Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o 
conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito 
privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição 
Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do 
Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar 
competências tributárias. 
 
Interpretação 
 
É a busca do significado de uma norma. Quando se escreve CASA, o cabe 
ao intérprete desvendar se a casa será no sentido tradicional, feito de 
material sobre o solo, ou um barco que serve de casa, ou até mesmo um 
trailer. 
 
I - Interpretação quanto à fonte (ou quanto ao agente que a realiza): 
a) Pública. 
b) Privada. 
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II - Interpretação quanto à natureza (ou meios adequados à sua 
exegese): 
a) gramatical; 
b) histórica; 
c) teleológica; 
d) lógico-sistemática. 
 
III - Quanto à extensão (ou resultados da exegese): 
• declarativa: o enunciado da interpretação coincide com o da lei. 
Não há necessidade de estender o pensamento da lei a casos não 
previstos ou restringi-los mediante a exclusão de casos 
inadmissíveis; 
• extensiva: o intérprete da norma conclui que o alcance da norma 
é mais amplo do que indicam os seus termos; 
• restritiva: quando o legislador escreveu mais do que realmente 
pretendia, utilizando expressões mais amplas que o seu 
pensamento. 
 
 
Meios de Interpretação: 
 
• Gramatical: é investigado antes de tudo o significado gramatical das 
palavras usadas no texto legal em exame; 
• Histórica: o sentido da norma é buscado com o exame da situação a 
que a mesma se refere através dos tempos; investiga-se o direito 
anterior; 
• Sistemático: é procurado o sentido da regra jurídica, verificando a 
posição em que a mesma se encarta no diploma legal e as relações 
desta com as demais regras no mesmo contidas; 
• Teleológico: é emprestado maior relevância al elemento finalístico, 
busca o sentido da regra jurídica, tendo em vista o fim para o qual foi 
ela elaborada. Pode ser ainda: autêntica, doutrinária, jurisprudencial, 
lógica, de direito comparado, extensiva e restritiva. 
 
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***Deverá haver interpretação literal (art. 111 CTN): 
d) suspensão ou exclusão do crédito tributário; 
e) outorga de isenção; 
f) dispensa do cumprimento de obrigações tributarias acessórias. 
***Interpretação benigna – “pro contribuinte”: 
Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina 
penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao 
acusado, em caso de dúvida quanto: 
I - à capitulação legal do fato; 
II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza 
ou extensão dos seus efeitos; 
III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; 
IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 
 
 
Domicílio tributário 
REGRA: ELEIÇÃO DO DOMICÍLIO: 
Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de 
domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se 
como tal: 
I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo 
esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; 
II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas 
individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos 
que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; 
III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas 
repartições no território