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são consideradas menos importantes que as mortes que 
ocorrem depois do nascimento, implicando ausência de políticas públicas e investimentos 
para sua redução. Esses óbitos também sofrem influência do grau de desenvolvimento 
econômico e social do País.
Entre 2000 e 2009, mais de 65% dos óbitos fetais foram decorrentes de apenas quatro cau-
sas básicas: duas delas são inespecíficas – “hipóxia intrauterina” e “causa não especificada” – e 
as outras duas poderiam ter sido reduzidas com assistência adequada à gestação e ao parto 
– “complicações da placenta, do cordão umbilical e das membranas” e “afeções maternas, 
não obrigatoriamente relacionadas com a gravidez atual”.
1.4 Sistema de informação hospitalar (SIH)
Disponível para consulta em: <http://w3.datasus.gov.br/datasus/index.php?area=0202>.
Permite sistematizar as informações sobre as internações, para avaliação da atenção hospitalar. 
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A Saúde do Recém-Nascido no Brasil 1 Capítulo
Esses dados podem ser selecionados por sua relevância e frequência, e propiciam o monitora-
mento de eventos-sentinela como asfixia, tétano neonatal, sífilis, HIV/aids, rubéola, hepatite 
e toxoplasmose congênita, entre outros, assim como os óbitos durante a internação.
1.5 Rede de assistência ao RN operando a vigilância em saúde
O atendimento à gestante, à puérpera e ao RN deve ser priorizado com 
acolhimento, avaliação de risco e vigilância à saúde pelos serviços de saúde.
O termo RN de risco se refere àquele exposto a situações em que há maior risco de evo-
lução desfavorável, que devem ser prontamente reconhecidas pela equipe de saúde, pois 
demandam atenção especial e prioritária. Essas situações podem estar presentes no nasci-
mento – RN de risco ao nascer – ou acontecer ao longo da vida da criança.
A Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da Criança e a Redução 
da Mortalidade Infantil20 sugere os seguintes critérios para identificação 
do RN de risco:
•	Baixo nível socioeconômico.
•	História de morte de criança menor de 5 anos na família.
•	Criança explicitamente indesejada.
•	Mãe adolescente (<20 anos).
•	RN pré-termo (<37 semanas).
•	RN com baixo peso ao nascer (<2.500g).
•	 Mãe com baixa instrução (<oito anos de estudo).
Condições de risco adquiridas ao longo da vida, como desnutrição e internações de repe-
tição, por exemplo, devem ser consideradas pela atenção básica para vigilância em saúde 
da criança.
O RN de alto risco merece ainda maior destaque, pois, além da necessidade de cuidados 
pela equipe da atenção básica de saúde, com muita frequência demanda atendimento 
especializado por profissionais habilitados. Essas crianças devem ser seguidas preferencial-
mente nos ambulatórios de acompanhamento do RN de alto risco, além do acompanha-
mento pela atenção básica, conforme a rede de atenção regionalizada.
Sugerem-se os seguintes critérios para identificar o RN de alto risco:20
•	RN com asfixia grave ao nascer (Apgar <7 no 5o min).
•	RN pré-termo com peso ao nascer <2.000g.
•	RN <35 semanas de idade gestacional.
•	 RN com outras doenças graves.
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Ministério da saúde
É fundamental a interlocução entre os serviços de saúde em todos os níveis de complexi-
dade, acordos para o funcionamento dos serviços e definição de atribuições e responsabi-
lidades dos profissionais. Só assim será possível uma atenção integral que garanta a conti-
nuidade da assistência, otimizando recursos e provendo atenção resolutiva com potencial 
de redução da mortalidade por causas evitáveis e sequelas que podem comprometer a vida 
das crianças e suas famílias.
A definição do fluxo para assistência dessa população é fundamental para 
orientar a prestação de serviços na rede de saúde.20
1.6 Princípios assistenciais da linha de cuidado perinatal
•	Qualidade, integralidade, resolutividade e continuidade do cuidado, com responsabi-
lização até a resolução completa dos problemas.
•	 Promoção de vínculo entre o profissional e o usuário do sistema de saúde, estreitan-
do as relações de confiança e de corresponsabilidade, incentivando o autocuidado e o 
reconhecimento de risco.
•	Prática de ações de promoção integral da saúde e prevenção de agravos, para além do 
atendimento apenas às demandas colocadas.
•	 Integração da rede de saúde e outros setores de assistência e desenvolvimento social 
para incremento das condições de vida da família.
•	Acolhimento. Todo RN e gestante com intercorrências e/ou em trabalho de parto devem 
ter prioridade no atendimento. Devem ser acolhidos, avaliados e assistidos em qualquer 
ponto de atenção na rede de saúde onde procuram assistência, seja a unidade básica de 
saúde, o serviço de urgência, a maternidade ou o hospital, de modo a não haver perda 
de oportunidade de se prover cuidados adequados a cada caso. Deve ser avaliada a ne-
cessidade de realização de algum tratamento, internação e/ou transferência responsável 
para serviço de maior complexidade, quando necessário. A peregrinação de gestantes e 
de mães com seus RNs em busca de assistência não é infrequente. A vigilância dos óbitos 
infantis no País tem apontado que muitas vezes a gestante e o RN passam pelo serviço de 
saúde durante a doença que levou à morte e não obtêm a resposta apropriada e em tem-
po oportuno. Muitas vezes as unidades de saúde encaminham a criança à maternidade 
onde nasceu alegando não ser de sua responsabilidade o seu atendimento e vice-versa, 
perdendo a oportunidade de intervenção e expondo-a a riscos desnecessários. Acolher o 
RN e a gestante e responder de forma qualificada é um compromisso de todo profissional 
e serviço de saúde para a prevenção da morbidade e de mortes infantis evitáveis.
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A Saúde do Recém-Nascido no Brasil 1 Capítulo
•	Abordagem de risco garante que a atenção adequada – imediata e continuada – seja 
destinada a cada criança e mulher, sem perda de oportunidade de ação da saúde.
•	Vigilância à saúde, compreendida como a postura ativa que o serviço deve assumir em 
situações de maior risco, dirigida a pessoas com maior vulnerabilidade, desencadeando 
ações estratégicas como a busca ativa, para minimizar os danos com o adequado acom-
panhamento de saúde.
1.7 Vigilância à saúde do RN
Começa antes de seu nascimento, com a atenção à saúde da mulher e da gestante.
O acompanhamento pré-natal iniciado em momento oportuno, com assistência quali-
ficada e humanizada e integração com a atenção de saúde de média e alta complexidade 
(pré-natal de alto risco, quando necessário), constitui uma rede articulada de assistência 
para responder às necessidades da gestante e do RN. As seguintes ações devem ser desen-
volvidas pelos serviços:
•	Captação precoce e busca ativa para início do acompanhamento pré-natal.
•	 Acolhimento imediato para o acompanhamento pré-natal, conforme protocolo e aten-
ção humanizada.
•	 Identificação da gestação de alto risco e referenciamento para atenção especializada 
(Central de Regulação), mantendo-se o acompanhamento pela atenção básica.
•	 Visita domiciliar/busca ativa da gestante que não comparece às consultas pré-natais.
•	 Visita domiciliar no último mês de gestação.
•	Continuidade da assistência até o final da gravidez e o parto, abolindo a “alta do acom-
panhamento pré-natal”.
•	 Vinculação da gestante à maternidade desde o acompanhamento pré-natal (Lei nº 
11.634, de 27 de dezembro de 2007)21 é dever do serviço de saúde e direito das usuárias.
•	 Acolhimento imediato na maternidade, para evitar peregrinação em busca de vaga hos-
pitalar durante o trabalho de parto e/ou urgências, com atraso da assistência.
•	Garantia de transporte pré e inter-hospitalar quando necessário.
Atenção