TRADUÇÃO RESUMIDA Stefano Guzzini - Realism in International Relations and International Political Economy (capítulo 2)
10 pág.

TRADUÇÃO RESUMIDA Stefano Guzzini - Realism in International Relations and International Political Economy (capítulo 2)


DisciplinaRelações Internacionais I4.047 materiais33.027 seguidores
Pré-visualização5 páginas
CAPÍTULO 2: CLASSICAL REALISM: CARR, MORGENTHAU AND THE CRISIS 
OF COLLECTIVE SECURITY 
INTRODUCTION 
> O pensamento político é influenciado pelo contexto histórico no qual é 
formulado (...). O começo das RI é marcado por um momento idealista, em 
si mesmo uma reação contra as práticas diplomátricas do século XIX. 
> A disciplina das RI nasceu com a preocupação normativa de entender as 
origens da paz e da guerra. Os idealistas "found the causes for armed 
conflicts not in the inherently war-prone international enviroment, but in 
the irrational breakdown of a potential world community of nations". Esse 
período entre guerras idealista posteriormente viu a emergência de uma 
crítica realista e da disciplina das RI (...). 
> O debate realista-idealista é chamado o primeiro debate das RI, mas é 
mais do que isso: o realismo deriva sua interna lógica da constante 
contraposição de um constante idealizado idealismo. De fato, o realismo é 
impensável sem o plano de fundo de uma posição anterior idealista, 
profundamente comprometida com o universalismo do Iluminismo e a 
teoria da política democrática. 
> Os pais da disciplina, E. H. Carr e Hans J. Morgenthau representam a 
expressão clássica do realismo derivado do anti-idealismo. 
 - A posição mitigada realista de Carr foi menos bem sucedida que a de 
Morgenthau em Política entre nações; 
 - A aborgadem de Morgenthau se tornou paradigmática por duas razões: 
 1. Ele se esforça em definir um campo de política independente da 
pesquisa social; 
 2. Mais do que qualquer outro texto, ele exemplifica a tentativa de reviver 
o conhecimento prático do século XIX na diplomacia europeia, e torná-la 
uma teoria explicatória das RI. 
1. THE RISE AND FALL OF IDEALISM AFTER THE FIRST WORLD WAR 
> What came to be called idealism in the inter war period was based upon 
three major tenets: 
 1 - A natureza humana não é redutível à motivação egoísta e necessidades 
materiais; ela requer também objetivos e ideais; 
 2 - Esses ideias, que afetam os objetivos e o comportamento humano, são 
potencialmente universais no que elas representam o verdadeiro interesse 
dos indivíduos no longo-termo, como muitos dos Estados e a comunidade 
mundial. 
 3 - Central para esse filosofia política está contudo a razão e a 
comunicação racionada, de modo a assegurar que a harmonia de 
interesses seja alcançada. 
> Em resumo, o idealismo afirma que através da razão apenas a 
humanidade pode sair do estado de natureza nas relações inter-estatais. 
Com razão, princípios universais podem ser entendidos e transformados 
em normas, leis, e comportamento humano e governamental. A política 
deveria assim encorajar tanto a educação das pessoas de modo a fazê-los 
entender seus interesses de longo-termo, e a democratização da esfera 
política. Essas assunções dão espaço à concepção das relações 
internacionais e a política externa. Diferia da diplomacia tradicional, e 
posteriormente realismo, em como ele entendia o que poderia ser 
chamado as causas objetivas e subjetivas da guerra. 
> Causas objetivas da guerra geralmente se referem à imutabilidade da 
natureza humana e a natureza da política. 
 - No idealismo, considerando a humanidade potencialmente boa, deve 
existir ao menos uma possível harmonia de interesses. Assim, a guerra 
deve ser a falha ou colapso da comunicação racional que a política deveria 
prover em lugar de traduzir princípios universais harmoniosos na 
realidade. Assim não o sistema mas os governos são responsáveis pelas 
guerras. Eles as começam, contra os interesses de seus cidadãos. 
 - Governos não democráticos ou ilegítimos são as causas primárias da 
guerra. A guerra pode ser prevenida através da democratização da política, 
começando do local para o nacional e finalmente para o nível 
internacional. NO ambiente internacional não democrático do século XIX, 
egoísmo se tornou nacionalismo, e inevitavelmente levou à guerra. 
> Já as causas subjetivas, a velha diplomacia se mostra como a primeira 
causa. 
 - Na crítica idealista, essa diplomacia tinha várias falhas. 
 1º, diplomatas tomavam decisões acima das cabeças de seus povos. Em 
vez disso, política estrangeira deveria se tornar democratizada e 
responsável pela vontade do povo soberano. 
 2º, a primazia da política externa justificava suas atividades mantidas em 
segredo tanto da esfera doméstica e do outros diplomatas. Ainda assim, a 
política secreta evitava o debate racional que é requirido para fazer as 
soluções mais razoáveis prevalecerem. De fato, a diplomacia secreta era 
entendida como o gatilho que destrinchou a guerra. 
 3º, o balanço de poder, longe de ser o principal meio de prevenir a guerra, 
era uma das principais razões para a sua explosão. Power balancing 
depends on the very possibility of conflict. O idealismo vê a velha 
diplomacia como a encarnação da arrogância da elite usando a arena 
internacional como playground. 
> Se baseando na falha da diplomacia convencional para garantir paz, o 
idealismo tentava introduzir novos princípios e práticas à política 
internacional. 
 - Em vários prismas, o idealismo é tentado transpor os princípios da do 
regime doméstico liberal-democrático para o âmbito internacional. 
 - Por outro lado, isso incluiria o direito da autodeterminação como 
reconhecimento do papel negativo que os impérios multinacionais 
interpretaram com a explosão da IGM. 
 - No nível internacional, com suas alianças mudando e eventualmente se 
desestabilizando, o poder político seria substituído por um sistema de 
segurança coletiva onde a comunidade internacional como um todo 
deteria com mais eficiência e se oporia a qualquer uso ilegítimo da 
violência. Não o balanço de poder, mas um corpo internacional, a Liga das 
Nações, deveria ser o meio da diplomacia internacional. 
 - Em resumo, ao levar a sério os direitos nacionais e remover as causas 
nacionalistas do conflito internacional, um sistema internacional de 
segurança poderia ser designado a sobrepor esses interesses nacionais em 
detrimento da prevenção da guerra. A precondição da aceitação de tal 
sistema seria uma publicidade que daria razoável tempo para fazer as 
opções políticas se ajustarem. 
> Ainda assim a política internacional do período entre guerras não parecia 
conformar-se à visão global do idealismo. A crise de 1929 colocou um fim 
ao sistema monetário internacional do período (padrão ouro) e levou ao 
início de uma cooperação internacional econômica. Em vez de um regime 
de trocas livres, o sistema internacional econômico se caracterizou: 
primeiro, pelo protecionismo (política nacional que privilegiava mercados e 
produtores domésticos), e segundo, o mercantilismo (política que 
subordina a economia aos objetivos da política externa nacional). 
Tentativas individuais a exportar problemas econômicos através das 
políticas de "beggar-thy-neighbour" resultaram numa piora da crise 
internacional. Trazendo a visão de mundo idealista em questão, 
conferências de desarmamento falharam. Quando a Itália invadiu a Etiópia 
em 1935, a Liga das Nações provou-se incapaz de prover segurança mesmo 
para seus membros africanos mais antigos. 
> O sistema colapsou inteiramente quando a Alemanha nazista obteve 
parte da Checoslováquia, um país soberano, por pressão militar. Contudo, 
esse ato foi ironicamente legitimado em termos de autodeterminação 
idealista no Acordo de Munique (1938) com as grandes potências 
europeias (incluindo a URSS), assinado na esperança de prevenir uma 
guerra maior. A propaganda nazista ludibriou os poderosos de 1918 em 
sua própria lógica: o governo alemão clamava agir em direito de defesa 
dos sudetes alemães. Os ideais de ordem pacífica se tornaram parte da 
máquina de guerra alemã. A estratégia das democracias de prevenir outra 
guerra maior contra a Alemanha foi uma série de concessões que 
simbolizavam a compra das restrições feitas à Alemanha (???). Mas sob 
condições