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OSTENSIVO CIAA - 112/010
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OSTENSIVO CIAA-112/010
GESTÃO POR EXCELÊNCIA
MARINHA DO BRASIL
CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO
2018
FINALIDADE: DIDÁTICA
3ª REVISÃO
OSTENSIVO -I- R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
ATO DE APROVAÇÃO
Aprovo, para uso no Curso Especial de Habilitação para Promoção a Sargento, a 3ª
revisão da apostila CIAA-112/010 - GESTÃO POR EXCELÊNCIA, elaborada pelo SO-Refº-
MO MANOEL DE JESUS GONÇALVES LISBOA , em 10 de setembro de 2018, no Centro de
Instrução Almirante Alexandrino.
Os direitos de edição são reservados para o Centro de Instrução Almirante Alexandrino,
sendo proibida a reprodução total ou parcial, sob qualquer forma ou meio.
Rio de Janeiro, RJ. Em 10 de setembro de 2018.
PETRUCIO GOMES DA SILVA
Capitão de Corveta (RM1-T)
Coordenador da Escola de Cursos de Formação
OSTENSIVO - II- R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
ÍNDICE
PÁGINA
Folha de Rosto......................................................................................................................... I
Ato de Aprovação................................................................................................................... II
Índice........................................................................................................................................ III
Introdução.................................................................................................................................
Prefacio……………………………………………………...………….………………...
IV
V
CAPÍTULO 1 – A QUALIDADE TOTAL
1.1 - Histórico........................................................................................................................ 1-1
1.2 – Aspectos da qualidade................................................................................................. 1-16
1.3 – Processos e clientes...................................................................................................... 1-27
CAPÍTULO 2 – GERENCIAMENTO DO PROCESSO
2.1 – As fases do gerenciamento............................................................................................ 2-1
2.2 – O método gerencial PDCA.......................................................................................... 2-13
23 – Indicadores de qualidade e de produtividade................................................................ 2-19
CAPÍTULO 3 – PROGRAMA “5S”
3.1 – Os cinco sensos............................................................................................................. 3-1
3.2 – Implementação do Programa 5S.................................................................................. 3-7
CAPÍTULO 4 – FERRAMENTAS GERENCIAIS
4.1 – As ferramentas da GQT................................................................................................ 4-1
4.2 – Prática do Método 5W2H............................................................................................ 4-21
4.3 – Elaboração de um fluxograma..................................................................................... 4-23
CAPÍTULO 5 – EXCELÊNCIA EM GESPÚBLICA PÚBLICA
5.1 - Fundamentos da gestão: importância e perspectivas.................................................... 5-1
5.2 - Noções sobre a produção: cadeia de valor................................................................... 5-2
5.3 - Noções sobre medidas de desempenho........................................................................ 5-4
5.4 - Enfoque gerencial contemporâneo............................................................................... 5-5
5.5 - Excelência em gestão................................................................................................... 5.5
5.6 - Programa GESPÚBLICA............................................................................................. 5-6
5.7 - Programa NETUNO da MB......................................................................................... 5-9
CAPÍTULO 6 – ISO 9000
6.1 – Definição...................................................................................................................... 6-1
ANEXO A – Referências Bibliograficas........................................................................... A-1
OSTENSIVO - III- R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
INTRODUÇÃO
1 - PROPÓSITO
Esta publicação foi elaborada visando uma orientação básica sobre Gestão por Excelência
(GEXCEL).
Os assuntos nela contidos foram extraídos de publicações de fácil compreensão, atendendo
às exigências dos currículos, com o propósito de facilitar a aprendizagem dos alunos.
2 - DESCRIÇÃO
Esta publicação está dividida em cinco capítulos e um anexo.
O Capítulo 1, fala sobre a Qualidade Total;
O Capítulo 2, fala sobre Gerenciamento do Processo;
O Capítulo 3, fala sobre o Programa “5S”;
O Capítulo 4, fala sobre Ferramentas Gerenciais;
O Capítulo 5, fala sobre Excelência em Gestão Pública; e
O Capítulo 6, fala sobre ISO (Organização Internacional de Normalização).
O Anexo A relaciona a bibliografia.
3 - REVISÃO E EDIÇÃO
Esta publicação é de autoria do SO-MO (RM1) MANOEL DE JESUS GONÇALVES
LISBOA ; foi elaborada no CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO .
4 - DIREITOS DE EDIÇÃO
Reservado para o CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO .
Proibida a reprodução total ou parcial, sob qualquer forma ou meio.
5 - CLASSIFICAÇÃO
Esta publicação é classificada, de acordo com o EMA-411 (Manual de Publicações da
Marinha) em: Publicação da Marinha do Brasil, não controlada, ostensiva, didática e manual.
OSTENSIVO - IV- R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
PREFÁCIO
POR QUE AS ORGANIZAÇÕES BUSCAM A QUALIDADE TOTAL?
As rápidas transformações que estão acontecendo no mundo, decorrentes da globalização
dos mercados e da economia, da rapidez das comunicações, dos sistemas avançados de
processamento e transferência de dados, da rápida movimentação das pessoas e as exigências
crescentes dos consumidores, têm influenciado sensivelmente as organizações. A forte
competitividade as têm obrigado a acompanhar estas evoluções como única forma de assegurar
sua sobrevivência.
Uma organização competitiva é aquela que tem um grupo de pessoas mais capaz de atingir
metas. Portanto,não é possível admitir o crescimento das organizações dissociado do
crescimento das pessoas.
Diante disso, acadêmicos, empresários, governantes e executivos encontraram apenas um
caminho para manter suas organizações com saúde, ou mesmo preservar sua sobrevivência:
buscar a competitividade com base na qualidade e produtividade de seus produtos. No Brasil,
nos últimos anos, falar em qualidade é tema obrigatório em qualquer evento ou reunião de
executivos ou acadêmicos; é uma tendência mundial. A qualidade não mais pode ser privilégio
de alguns. Hoje, não ter qualidade nos produtos – bens e serviços – é um atestado e uma certeza
de queda nas vendas, bem como de um futuro negro para a organização.
A qualidade tem recebido por parte de muitas organizações um tratamento especial. O
interesse e as principais decisões sobre os programas ou técnicas a serem utilizadas tornaram-se
constante preocupação da alta administração. Nessas organizações, qualidade é associada à
criatividade, vantagem competitiva, eficiência, eficácia, necessidade de sobrevivência, arma
contra a concorrência, sempre tomando como base a visão ou necessidade do cliente.
A qualidade, assim, tem posição de destaque no processo de planejamento estratégico e na
redefinição da estrutura organizacional e das normas ou procedimentos gerenciais.
A qualidade nesse enfoque é vista com base no cliente e conseguida através de um
conjunto de atributos, dentre os quais o desempenho, características, confiabilidade,
conformidade, durabilidade, atendimento, estética e qualidade percebida.
A Gestão Estratégica da Qualidade busca o compromisso de toda a organização com a
qualidade, através do envolvimento da alta administração e de todo o corpo funcional e do
estabelecimento prioritário da relação entre qualidade e os objetivos básicos e estratégicos da
organização.
OSTENSIVO - V - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A educação, o treinamento e a formação de equipes são fatores fundamentais para o
desenvolvimento desse enfoque da qualidade. Outros aspectos vitais para viabilizar a Gestão
Estratégica da Qualidade são a pesquisa junto aos clientes e a cuidadosa análise dos produtos e
serviços.
Técnicas, ferramentas ou metodologias diversas têm sido utilizadas pelos atuais programas
de qualidade, independente de sua fase ou era. Muitas dessas foram usadas a princípio no início
do século, outras, idealizadas recentemente e utilizadas por algumas organizações. Alguns desses
mecanismos serão citados e comentados na seqüência deste trabalho.
OSTENSIVO - VI - R E V. 3.
Quem é responsável pela Qualidade?
A Qualidade era um serviço importante a ser feito e TODO MUNDO estava certo
de que ALGUÉM faria.
QUALQUER UM poderia ter feito.
NINGUÉM percebeu que TODO MUNDO não faria.
No fim, TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que
QUALQUER UM poderia ter feito.
OSTENSIVO CIAA-112/010
CAPÍTULO 1
A QUALIDADE TOTAL
1.1 – HISTÓRICO
Ao longo da história da humanidade, o homem sempre inventou e reinventou modos de
melhor tirar proveitos da natureza. Podemos supor que dentre todas as suas criações,
aquela que mais se sobressaiu por ter sido de fundamental importância para a sua
sobrevivência, sem sombra de dúvidas foi à cultura. Em antropologia, cultura significa
tudo que o homem produz na natureza para sua sobrevivência: as práticas sociais, o
trabalho, a ciência, as instituições os valores materiais e espirituais. A busca, de material
mais resistente para construir suas armas, a procura de métodos para obter melhores
colheitas “às margens do rio Nilo”, ou os detalhes que marcaram as edificações da antiga
Roma, retratam momentos distintos de culturas, em que o homem através do trabalho
buscava a perfeição. Já em 350 a C., Aristóteles dizia que “a perfeição não deve ser um
ato, mas um hábito”.
1.1.1- Desenvolvimento
A história do Controle da Qualidade é quase tão antiga quanto à própria indústria. Antes
da revolução industrial, a qualidade era controlada, principalmente pela imensa
experiência dos artesãos da época. Essa experiência, aliada ao domínio de todo o
processo produtivo, garantia a qualidade dos produtos fornecidos.
O século XVIII foi uma época na qual ocorreram sérias transformações que
determinaram a passagem da Sociedade Feudal para a Sociedade Capitalista. Além do
aperfeiçoamento das técnicas de produção, dá-se o processo de acumulação de bens e
consequentemente o acúmulo de dinheiro (capital) e a ampliação de mercados.
A Revolução Industrial, com os maquinários que possibilitaram a produção em série,
trouxe a padronização e a uniformização dos produtos. Mas somente no início do Século
XX, com o surgimento da Administração Científica, é que as preocupações com a
qualidade passaram a ser sistematizadas e a fazer parte das normas ou objetivos
organizacionais.
1.1.2 - Taylorismo
Frederick Taylor introduziu no meio produtivo os conceitos e as técnicas para a
medição e inspeção da qualidade do trabalho e do produto. Na visão de Taylor, o
trabalho precisava ser realizado com rapidez e qualidade, e o inspetor deveria ser o
responsável por esse processo.
Nos sistemas antigos de trabalhos domésticos de manufatura, era comum o trabalhador
dominar todas as etapas da produção, desde o projeto inicial até sua conclusão.
OSTENSIVO - 1-1 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A partir da implantação de um novo sistema de produção isto não seria mais possível.
Inicia-se uma nova era técnica, onde o processo de produção dividia as operações
complexas em tarefas simples, que podiam ser executadas por trabalhadores com
habilidades específicas. Como consequência, o operário deixou de ser responsável pela
fabricação de todo o produto, ficando responsável por apenas parte deste. Se for verdade
que este sistema produtivo possibilitou a fabricação em massa de produtos de baixo
custo, ele trouxe também alguns novos problemas. Um deles foi a necessidade de
intercambiar adequadamente as peças componentes de um produto, uma exigência
básica de um processo produtivo baseado na linha de montagem.
É nesse contexto que surge a inspeção, cujo objetivo era assegurar peças
intercambiáveis e produtos uniformes. Assim, a inspeção visava separar os itens não
conformes, a partir do estabelecimento das especificações e dos limites de tolerância.
No início, a inspeção era realizada em todos os itens produzidos.
1.1.3-Intensificação da produção
Com o crescimento da demanda e a consequente intensificação da produção em massa,
surge a necessidade de aumento da produtividade industrial, levando à revisão das
atividades de inspeção, que deveriam ser aprimoradas e ter seus custos reduzidos. Em
consequência, métodos estatísticos começaram a ser utilizados na indústria, sendo 100%
de “inspeção” à alternativa para uma produção em franco crescimento. É nesse
contexto, que surge a inspeção por amostragem.
A simples inspeção final, entretanto, não melhorava a qualidade dos produtos
fornecidos,apenas fornecia informações sobre o nível de qualidade destes e separava os
itens conformes, daqueles não conformes. A preocupação constante com custos e com a
produtividade deu origem à seguinte indagação: como utilizar as informações obtidas
com inspeção para melhorar a qualidade dos produtos?
A resposta a esta indagação levou ao reconhecimento de que a variabilidade era um
fator inerente aos processos industriais e podia ser compreendida através da estatística e
da probabilidade. Logo, se compreendeu que a obtenção das informações necessárias
não implicava em uma inspeção 100% dos itens produzidos, podendo ser feita através
de amostragens adequadamente dimensionadas e planejadas. Além disso, não era mais
necessário esperar a conclusão do ciclo de produção para realizar as medições, pois
estas poderiam ser feitas durante o processo de fabricação.
Em 1924, Shewhart, da Bell Telephone Laboratories, desenvolveu um gráfico para o
controle da variabilidade dos produtos. Este é considerado o começo do Controle
Estatístico do Processo (CEP).
OSTENSIVO - 1-2 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Durante a Segunda Guerra Mundial (1942), o CEP foi utilizado pela indústria bélica
americana e considerado segredo de estado pelos Estados Unidos.
Vários engenheiros ou pesquisadores contribuíram com a técnica de Controle Estatístico
da Qualidade.
Em 1931, Shewhart publicou a obra “ Economic Control of Quality of Manufactured
Product” , um marco na literatura sobre o tema; H. Dodge e H. Roming desenvolveram
o Controle de Processo Estatístico (CEP), apresentando estudos significativos sobre as
técnicas de amostragem; Juran divulgou as técnicas do Controle Estatístico da
Qualidade e a preocupação com os custos do processo.
A evolução do conceito e das técnicas utilizadas nos programas de qualidade é
didaticamente apresentada por Garvin. Este autor dividiu a evolução dos conceitos sobre
qualidade em quatro eras: Inspeção; Controle Estatístico da Qualidade; Garantia da
Qualidade; e Gestão da Qualidade Total.
1.1.4 – Eras da qualidade
I) Era da inspeção
A Inspeção se apoia em um sistema de medidas, utilizando-se de gabaritos e outros
acessórios, e de um padrão de referência. Esta técnica era utilizada pelos artesãos no
século XVIII, mas somente Taylor estabeleceu a inspeção como rotina técnica
organizacional e uma função gerencial.
II) Era do controle estatístico da qualidade
Foi estudado e utilizado inicialmente na Bell Telephone Laboratories em 1920 e tinha
como objetivo controlar a qualidade, e não somente verificá-la após o processo
realizado. Shewhart, em suas pesquisas na Bell, estabeleceu, em 1922, o conceito de
tolerância de um lote e, em 1924, usou pela primeira vez o gráfico de controle de
qualidade de produtos de fabricação.
A variabilidade, que é a oscilação em torno da média ou ponto ideal de um produto, foi
vista por Shewhart como o aspecto fundamental para o controle da qualidade. Existem
seis fatores que contribuem para essas variações, são eles: Materiais, Mão-de-Obra,
Máquinas, Meio Ambiente, Medições e Métodos.
III) Era da garantia da qualidade
Na garantia da qualidade a prevenção do problema continuou sendo seu objetivo
fundamental. Mas a forma e as técnicas foram além dos métodos estatísticos. A
Garantia da Qualidade enfoca quatro aspectos básicos: Quantificação dos Custos da
Qualidade; Controle Total da Qualidade; Engenharia da Confiabilidade e Zero
Defeitos.
OSTENSIVO - 1-3 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) Quantificação dos custos da qualidade
Até os anos 50 havia pouca preocupação com os custos decorrentes da falta de
qualidade dos produtos. Juran desenvolveu um estudo sobre a economia da
qualidade, definindo os níveis de custo para um produto (bem ou serviço) em custos
evitáveis e custos inevitáveis. Os custos evitáveis são decorrentes de prejuízos
causados pelo material sucateado, produto rejeitado, retrabalho e pela insatisfação do
cliente. Os custos inevitáveis são provenientes do custo de fabricação, custos de
inspeção, amostragem e de outras iniciativas para melhoria da qualidade.
b) Controle total da qualidade
Feigenbaum questionou a possibilidade de se fabricar produtos de alta qualidade se o
departamento de fabricação fosse obrigado a trabalhar isoladamente. Esse
posicionamento deu início à visão da Qualidade Total. Segundo Feigenbaum, para se
conseguir uma verdadeira eficácia, o controle precisa começar pelo projeto do
produto e só terminar quando o produto tiver chegado às mãos de um cliente
satisfeito. No Controle Total da Qualidade (TQC), a qualidade é um trabalho de
todos, devendo estar presente em todas as etapas do processo, quais sejam: controle
de novos projetos, controle de material recebido, controle da produção, controle da
distribuição, controle da satisfação do cliente.
c) Engenharia da confiabilidade
O desenvolvimento e a sofisticação dos materiais eletrônicos utilizados pelo exército
e, logo em seguida, também pela agência espacial nos anos 50 criaram um problema
extra. Os custos de operação e de manutenção são bem superiores ao custo de
compra, e o tempo de bom funcionamento de alguns radares às vezes é ridiculamente
curto, não ultrapassando algumas horas. Foi assim que nasceu, no final dos anos 50,
uma nova disciplina: A Engenharia da Confiabilidade que tem como principal
objetivo garantir que um dispositivo cumpra uma função pré-específica, sob certas
condições de utilização, durante um período de tempo determinado.
d) Zero defeito
Zero Defeito teve sua gênese na Martin Company em 1961. Naquela época, essa
companhia estava desenvolvendo os mísseis Pershing para o exército americano. Sua
qualidade, de maneira geral satisfatória, só era conseguida por meio de uma maciça
inspeção. Graças a uma conscientização e a uma mudança de atitude por parte da
direção, aliada a um esforço de equipe de todos os funcionários, ela consegue
fabricar, a partir de 1961, um míssil operacional e sem defeitos, de primeira!
OSTENSIVO - 1-4 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
É a aurora do movimento Defeito Zero, que vai basear-se em uma mudança radical
de atitude e em uma mobilização dos funcionários em direção ao único padrão
aceitável: O Defeito Zero.
Crosby diz que aqueles que assumem riscos reais, como os que escalam montanhas,
saltam de paraquedas, mergulham em submarinos ou vão para o espaço, certificam-
se de que as coisas estejam certas desde o início, e o fazem antes de partirem. Isso é
o Zero Defeito e, para viabilizá-lo, é preciso principalmente conhecimento, atenção,
equipamentos e instalações adequadas.
IV) Era da gestão da qualidade total
A qualidade tem recebido por parte de muitas organizações um tratamento especial. O
interesse e as principais decisões sobre os programas ou as técnicas a serem utilizadas
são motivo de preocupação da alta administração. Nessas organizações, qualidade está
associada à criatividade, vantagem competitiva, necessidade de sobrevivência, arma
contra a concorrência, sempre tomando como base a visão ou necessidade do cliente.
A qualidade, assim, passa a ter nessas organizações posição de destaque no processo de
planejamento estratégico e na redefinição da estrutura organizacional e das normas ou
procedimentosgerenciais.
A qualidade nesse enfoque é vista com base no cliente e conseguida durante a vida útil
do produto através de um conjunto de atributos, dentre os quais o desempenho,
características, confiabilidade, conformidade, durabilidade, atendimento, estética e
qualidade percebida.
A Gestão da Qualidade Total (GQT) busca o compromisso de toda a organização com a
qualidade, através do comprometimento da alta gerência e de todo o corpo funcional e
de estabelecimento prioritário da relação entre qualidade e os objetivos básicos e
estratégicos da organização.
A educação, o treinamento e a formação de equipes são fatores fundamentais para o
desenvolvimento desse enfoque da qualidade.
A GQT tem incorporado elementos ou técnicas de outras fases. As mais comuns têm
sido o CEP, o PDCA e o Zero Defeito.
1.1.5 - A qualidade no Japão
Criada em 1946, por engenheiros e cientistas, a JUSE – Union of Japanese Scientists
and Enginiers, através da constituição do grupo de pesquisa do controle de qualidade,
pesquisou e disseminou conhecimentos sobre controle da qualidade, com o objetivo de
participar da reconstrução do Japão, através melhoria da qualidade dos seus produtos e
aumento das exportações.
OSTENSIVO - 1-5- R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A JUSE convidou, em 1950, o estatístico americano William Edward Deming para
proferir um seminário sobre controle estatístico da qualidade, que foi assistido por
administradores e engenheiros japoneses. Os participantes saíram daquele seminário
sensibilizados quanto à importância do controle da qualidade nas empresas, o que muito
contribuiu para a disseminação da sua metodologia. Muitos especialistas consideram
este ponto como o marco zero da história da qualidade no Japão. Em 1951, o Japão
criou o Prêmio da Qualidade, que recebeu a denominação de Prêmio Deming.
A posição de Deming pode ser analisada a partir de três crenças básicas: constância de
propósito, melhoria contínua e conhecimento profundo. Estas crenças são traduzidas
por Deming em seus 14 Pontos para a Qualidade nas Organizações.
a) Os 14 Pontos de Deming para a Qualidade:
I ) Criar constância de propósitos para melhoria de produtos e serviços.
Isso significa inovar, pesquisar e educar, aperfeiçoar constantemente o produto e
os serviços, realizar a manutenção dos equipamentos, móveis e instalações fixas
e instalar novos meios de produção tanto na fabricação quanto na administração.
É uma perspectiva de longo prazo.
II ) Adotar a nova filosofia.
A qualidade deve ser a nova filosofia. Os papéis de liderança gerencial devem
ser assumidos. Os erros são inaceitáveis. Fornecedor não tem qualidade porque
troca o material defeituoso, tem qualidade quando seu material vai diretamente
para a linha de produção.
III ) Suspender a dependência da inspeção em massa.
A qualidade não é fruto da inspeção, mas do aperfeiçoamento do processo. É
impossível, por inspeção, e a custo aceitável, encontrar todos os produtos com
defeitos. Há duas maneiras de ver qualidade: a maneira antiga inspeciona o
produto para acabar com a má qualidade, a nova cria boa qualidade. Além do
controle estatístico do processo, novas técnicas devem ser introduzidas. Outro
aspecto importante contido nesse princípio é o das especificações. Atender
especificações nem sempre gera maior qualidade. Dois produtos podem atender
às mesmas especificações e serem bastante diferentes; daí, por exemplo,
algumas marcas de TV terem preferência sobre outras.
OSTENSIVO - 1-6 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
IV ) Acabar com a prática de negociar apenas com base no preço.
O preço não tem sentido algum sem uma medida da qualidade do que está sendo
comprado. Trabalhar com um só fornecedor no desenvolvimento de um item
requer tanta capacidade e mão de obra que é inimaginável que se possa levar a
cabo o desenvolvimento com dois. É importante desenvolver com os
fornecedores uma relação de longo prazo baseada em lealdade e confiança.
V ) Melhorar sempre e constantemente o sistema de produção e serviços.
O aperfeiçoamento não se dá e uma só vez. A administração é obrigada a
melhorar continuamente. Qualidade deve ser introduzida antes do projeto e
durante a própria concepção do mesmo. Começar depois implica em mudanças e
essas provocam custos e atrasos. Novamente aparecem as especificações;
atendê-las significa manter a situação existente, não significa melhoria. Leach
[96] argumenta que as melhorias incrementais e sucessivas provocam um efeito
acumulativo que ultrapassa o efeito de uma melhoria descontínua; isto é, o efeito
global de 100 melhorias progressivas de 1% é melhor que uma melhoria
descontínua de 100%. Além disso, mudar pouco a pouco é mais fácil do que
realizar mudanças profundas e radicais.
VI ) Instituir o treinamento.
O funcionário precisa conhecer exatamente qual é o seu trabalho e como obter
qualidade na sua execução. É indispensável que todos conheçam os princípios e
as ferramentas básicas da qualidade e sejam estimulados a adotá-los e utilizá-los
no desempenho de suas tarefas.
VII ) Adotar e instituir a liderança.
A função do administrador é liderar, ajudar as pessoas a trabalhar cada vez
melhor. Cabe à administração descobrir e remover as barreiras que impedem os
empregados de se orgulhar do que fazem.
VIII ) Afastar o medo.
As pessoas precisam se sentir seguras quanto ao emprego e suas funções. Devem
ter consciência de que o interesse da organização está no aperfeiçoamento dos
processos e nunca na descoberta dos culpados. Perguntar e sugerir devem ser um
ato natural, livre de constrangimentos. O medo inibe a participação e esconde
problemas.
OSTENSIVO - 1-7 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
IX ) Derrubar as barreiras entre as áreas de apoio.
Departamentos com objetivos diferentes ou conflitantes e com baixo nível de
comunicação prejudicam as operações. É indispensável a constituição de equipes
interdepartamentais e a administração é responsável por isso.
X ) Eliminar slogans, exortações e metas entre os empregados.
Slogans e exortações não geram competência ou qualidade. Ninguém se torna
mais capaz como consequência da fixação de cartazes: “Funcionário contente é
funcionário competente”. Metas numéricas são inúteis se não ficar claro como
chegar lá. E se houver o método e os recursos não há porque fazer alarde.
XI ) Eliminar as cotas numéricas.
Aqui o exemplo é clássico. Toda cota baseada na média provoca, imediatamente,
que muitos funcionários fiquem abaixo da cota. O importante é melhorar
continuamente.
XII ) Remover as barreiras ao orgulho da execução.
O indivíduo gosta de ser apreciado pelo que faz e gosta de fazer seu trabalho
com perfeição. É importante, portanto, que tenha todas as informações e apoios
necessários e que haja retorno da administração sobre o seu desempenho.
XIII ) Instituir um sólido programa de treinamento e educação.
O treinamento é essencial, mas é de alcance limitado. Os funcionários só
crescem sozinhos quando têm educação formal suficiente para isso.
XIV ) Agir no sentido de concretizar a transformação.
A administração tem que se organizar como equipe para colocar em prática os
outros 13 pontos. Uma sugestão é adotar o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act).É a aplicação contínua e sistemática do ciclo de Shawhart/Deming que leva à
melhoria constante dos métodos e procedimentos. Além da aplicação do PDCA,
todos devem compreender que o fato essencial para a transformação é o
direcionamento do trabalho de todos para os clientes internos e externos. É a
satisfação dos clientes que irá garantir o sucesso.
Em 1990, Deming propõe o Processo de Melhoria Contínua através do Ciclo PDCA -
Plan, Do, Check, Act (Planejar, Fazer, Verificar, Agir) -, criado por Shewhart, como
uma forma de diminuir constantemente os custos para obtenção da qualidade.
OSTENSIVO - 1-8 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Em 1954, a convite da JUSE, Joseph Juran esteve pela primeira vez no Japão para
ministrar palestras e seminários para a média e alta gerência das organizações
japonesas. Juran introduziu na gerência japonesa uma preocupação global com toda a
administração da organização, em substituição à visão existente com a tecnologia
baseada apenas no setor de produção. Assim, o Controle de Qualidade deveria ser
utilizado como uma ferramenta de administração, o que facilitou a visão japonesa do
Controle da Qualidade Total. Na visão de Juran os principais componentes de um
processo de qualidade são: Planejamento da Qualidade; Controle de Qualidade; e
Aperfeiçoamento da Qualidade. Estes conceitos foram definidos como a Trilogia Juran.
Assim, iniciou-se a transição do Controle Estatístico da Qualidade para o Controle de
Qualidade Total. Percebeu-se também, neste período, a forte influência humana e social
relacionada ao método do controle da qualidade. Concluiu-se, então, pela necessidade
de aliar-se, ao fator técnico já existente, o fator humano. Entretanto, o fator humano
teria que ter fundamentos científicos que o suportassem, tendo em vista o fator técnico
já estar suficientemente embasado.
Em função disso, constituiu-se um Grupo de Trabalho coordenado pelo Prof. Yoshio
Kondo, que estudou profundamente a obra do psicólogo americano Abraham Maslow,
“Motivation and Personality”, que acabava de ser publicada. Nela, encontrou os
fundamentos teóricos necessários para entender o fator humano e adicioná-los, de
maneira segura, ao já existente fator técnico.
Assim, a obra de Maslow não só ofereceu os referidos fundamentos, mas também
prestou excepcional contribuição para a preparação do Controle de Qualidade Total no
estilo japonês entre as quais destacamos especialmente a Abordagem Holística. Alguns
fundamentos desta abordagem merecem destaque:
a) Separação entre meios e fins
Referiu-se à excessiva ênfase dispensada aos meios e especialmente aos métodos
aplicados pelos cientistas a tal ponto que os resultados eram relegados a um plano
secundário ou mesmo se perdiam no emaranhado das técnicas;
b) Trabalho de grupo para solucionar problemas
A adoção de trabalho de grupos se baseia no fato de que os problemas constituem
oportunidades de melhoria e mobilizam o ser humano no sentido de solucioná-los.
Foi o precursor dos primeiros Círculos de Controle de Qualidade (CCQ); e
OSTENSIVO - 1-9 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Visão voltada para a sociedade
Extrapolar o individualismo e satisfazer a sociedade.
Maslow contribuiu dessa forma, para inspirar o caráter humanista às empresas e à
sua gestão.
1.1.6 – A importância do fator humano no processo de qualidade
Um fator dos mais relevantes, para o bom desempenho das organizações está associado
ao aproveitamento das contribuições individuais como dinâmica interior que impulsiona
o querer e o assumir determinada ação.
Pesquisas demonstram a existência de uma relação positiva entre o grau de participação
e os sentimentos de satisfação e comprometimento. As pessoas dão valor e tendem a
apoiar o que elas ajudam a criar. Por sua vez, o sentimento de frustração resultante da
não participação pode prejudicar seriamente o rendimento dos funcionários de uma
organização.
Outro aspecto que parece ser afetado pelo envolvimento ou não dos membros de uma
organização é sua avaliação quanto à qualidade da decisão.
A suposição de que decisões baseadas na lógica serão certamente apoiadas é
questionável. O que pode ser aceitável pelo processo lógico não o é necessariamente
pelo psicológico.
Particularidades afetivas associadas com o não envolvimento se apresentam sob a forma
de resistência à mudança, indiferença, atitudes não-cooperativas e outros aspectos
negativos.
A Qualidade Total é uma postura gerencial. Está ligada, intimamente, ao
comportamento humano. Assim, a base da Qualidade Total depende de três fatores
importantes: querer, saber e poder.
a) Querer é emoção:
Adesão interna, compromisso, alavancagem;
b) Saber é razão:
Conhecimento, certeza, capacidade técnica; e
c) Poder é confiança:
Postura, entendimento entre as pessoas, responsabilidade compartilhada,
solidariedade e participação.
A GQT é um processo participativo, de modo que o ser humano adquire importância
fundamental neste processo. A visão tradicional de à chefia cabe planejar e verificar o
trabalho e as demais pessoas cabe apenas executá-lo é um enfoque ultrapassado.
OSTENSIVO - 1-10 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A GQT propõe o Ciclo PDCA para que todos possam Planejar, Executar, Checar e
Corrigir (Fig. 1.1).
1.1.7 - Organizações tradicionais (fig. 1.1)
As organizações tradicionais partem do princípio de que à chefia cabe planejar, verificar
o trabalho e aos demais cabe apenas executá-lo. Este é um enfoque ultrapassado
baseado na Teoria X de McGregor, segundo a qual poucos trabalhadores querem ou
podem fazer serviços que exigem criatividade, auto direcionamento ou autocontrole.
(Fig. 1.1).
Figura 1.1 – Organizações Tradicionais.
1.1.8 - Organização da gestão da qualidade total (fig. 1.2)
A estrutura gerencial da GQT é bastante diferente. Muitas funções especiais são
realizadas por funcionários ou supervisores de primeira linha, que têm autoridade para
planejar e controlar seu próprio trabalho. Ao invés de se basear unicamente em uma
hierarquia de gerentes e especialistas que detêm o controle, equipes de gerentes,
especialistas e funcionários trabalham em conjunto.
OSTENSIVO - 1-11 - R E V. 3.
A
P
C
D
Classe
pensante
Classe não
pensante
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 1.2 – Organização da Gestão da Qualidade Total.
A GQT baseia-se na gerência da “Teoria Y” de Mc Gregor, que parte do princípio de
que todo mundo tem tendência natural ao talento. Cabe à gerência criar oportunidades
para que esta tendência beneficie e reverta para a organização.
1.1.9 - Teorias da motivação humana
O Ser Humano precisa ser visto em todas as suas dimensões, ele, além da força física,
possui inteligência, sensibilidade, emoções, necessidade materiais e espirituais. Para se
conseguir a excelência em produtos e serviços em cada processo é preciso o
comprometimento das pessoas que trabalham nesse processo. Porém, o
comprometimento é uma atividadeespontânea, voluntária e consciente. As pessoas
precisam estar motivadas e não se consegue isso sem um trabalho de valorização do ser
humano na organização.
Existem vários teóricos da motivação humana, que tentam explicar os motivos que
movem o comportamento humano de vários modos diferentes. Não é o propósito desta
publicação discutir o mérito dessas teorias. As propostas de Mc Gregor, Maslow e
Herzberg, sobre as motivações do comportamento humano parecem adequadas aos
objetivos da GQT.
I) Teoria de Mc Gregor
A teoria de Mc Gregor é na verdade um conjunto de dois extremos opostos de
suposições. Estes conjuntos foram denominados "X" e "Y". Por esse motivo,
também é conhecida pelo nome de "Teorias X e Y". Para Mc Gregor, se aceitarmos
a teoria "X", e nos comportarmos de acordo com ela, as pessoas se mostrarão
preguiçosas e desmotivadas. Se aceitarmos a teoria "Y", as pessoas com quem
interagimos se mostrarão motivadas.
OSTENSIVO - 1-12 - R E V. 3.
D A
P
C
P
P
A D
C
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) Teoria X
1) o homem médio não gosta do trabalho e o evita;
2) precisa ser forçado, controlado e dirigido;
3) prefere ser dirigido e tem pouca ambição; e
4) busca apenas a segurança.
b) Teoria Y
1) o dispêndio de esforço no trabalho é algo natural;
2) o controle externo e a ameaça não são meios adequados de se obter trabalho;
3) o homem exercerá autocontrole e auto direção, se suas necessidades forem
satisfeitas;
4) a pessoa média busca a responsabilidade; e
5) o empregado exercerá e usará sua engenhosidade, quando lhe permitirem
auto direção e autocontrole.
II) Teoria de Maslow
Maslow estudou o comportamento humano, concluiu que as ações do homem são
uma função direta das suas necessidades.
Essas necessidades geram, segundo ele, tensões nervosas que precisam ser aliviadas.
A busca de alívio, a fuga da sensação de desconforto causada por uma necessidade
fustigante é fonte de motivação no sentido de certas ações.
Maslow observou, também, que toda necessidade, ao ser satisfeita, deixa de ser uma
fonte de motivação.
No estudo das necessidades humanas, ele percebeu certa ordem de prioridade entre
elas e, por isso, hierarquizou-as em cinco categorias, atribuindo-lhe a configuração
mostrada na Fig. 1.3.
A teoria de Maslow procura demonstrar a mobilidade da motivação humana em
busca da satisfação das suas necessidades em sentido ascendente, da base para o topo
da pirâmide.
A mesma teoria estabelece que o homem se conscientize da presença de uma
necessidade quando outra de maior prioridade já foi anteriormente satisfeita.
OSTENSIVO - 1-13 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 1.3 – Hierarquia das Necessidades Humanas (Maslow).
a) Necessidades fisiológicas
Estão ligadas aos interesses da manutenção e sobrevivência. Entre elas, destacam-se as
necessidades de alimentação, de água, de sono, de conforto físico, de roupa e outras;
b) As necessidades de segurança
Estão ligadas à proteção contra ameaças ambientais; à habitação; à estabilidade; à
proteção contra o medo e a ansiedade, incluindo também benefícios para si e para a
família, como Assistência médica e outros;
c) As necessidades sociais
Estão relacionadas com a busca de filiação a grupos religiosos, familiares,
profissionais e outros, bem como a amizade e o amor. Tais necessidades inserem
desejos de participação, integração, aceitação e afeição. É o período em que o ser
humano ostenta o nível de transição, já que algumas necessidades sociais incluem-se
como necessidades básicas, essenciais à sobrevivência do homem;
d) As necessidades de status
Referem-se à busca de reconhecimento, de recompensas, de poder, de elevação do
ego, de estímulos à criatividade, à competência, à liberdade e à independência, entre
outros; e
e) As necessidades de autorealização
Refere-se ao desenvolvimento do autoconceito, ao crescimento pessoal interior, ao
desenvolvimento das potencialidades, à maximização das aptidões e à consolidação de
um sistema de valores próprios.
OSTENSIVO - 1-14 - R E V. 3.
AUTO-REALIZAÇÃO
STATUS
SOCIAIS
SEGURANÇA
FISIOLÓGICAS
N
E
C
E
S
S
ID
A
D
E
S
P
R
IM
Á
R
IA
S
N
E
C
E
S
S
ID
A
D
E
S
S
E
C
U
N
D
Á
R
IA
S
NÍVEL DE TRANSIÇÃO
OSTENSIVO CIAA-112/010
É importante perceber que, apesar de Maslow ter classificado as necessidades
humanas em cinco grupos distintos, há, dentro de cada grupo, a cada momento, certa
ordem de prioridade entre as várias necessidades.
Significa dizer, por exemplo, que as necessidades de alimentação, de sono, de sexo e
de vestuário, ainda que todas de natureza fisiológica variam a cada instante quanto ao
seu grau de prioridade.
III) Teoria de Herzberg
Herzberg identificou as necessidades humanas através de dois fatores, aos quais
denominou: Fatores Higiênicos e Fatores Motivacionais (Fig. 1.4).
FATORES
MOTIVACIONAIS
(o trabalho)
☺ ASCENSÃO FUNCIONAL
☺ TRABALHO EM SI
☺ RECONHECIMENTO E RESPONSABILIDADE
☺ LIBERDADE E CONFIANÇA
☺ DESAFIOS PROFISSIONAIS
☺ MAIOR RESPONSABILIDADE
☺ ESTÍMULO À CRIATIVIDADE
FATORES
HIGIÊNICOS
(o ambiente)
� SALÁRIO
� SEGURANÇA
� CONDIÇÕES AMBIENTAIS
� BEM-ESTAR FÍSICO
� SUPERVISÃO
� ACEITAÇÃO GRUPAL
Figura 1.4 – Hierarquia das Necessidades Humanas (Herzberg).
a) Fatores Higiênicos
Satisfazem necessidades que, quando não atendidas, diminuem a produtividade e o
interesse do funcionário, acarretando prejuízo à organização.
Aí se incluem o salário, a segurança, as condições ambientais do trabalho e outros
fatores diretamente ligados à manutenção e ao bem-estar físico do homem. Em
outras palavras, os fatores higiênicos não estimulam uma produtividade além dos
índices normais, embora, como foi dito, a sua ausência possa diminuir os índices
normais de produtividade.
b) Os Fatores Motivacionais
Esses sim implicam, segundo Hersberg, fontes de estímulo, elevando a
produtividade além dos índices normais.
Tais fatores decorrem da necessidade de reconhecimento e de crescimento
profissional e podem ser traduzidos do incentivo à liberdade consciente, à
criatividade, à responsabilidade e a missão que oferecem desafio.
Nos eixos cartesianos podemos representar como a falta dos Fatores Higiênicos
gera insatisfação e como o aumento dos Fatores Motivacionais aumenta a satisfação
do homem segundo Herzberg (Fig. 1.5).
OSTENSIVO - 1-15 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
☺☺☺☺
����
����
FATORES MOTIVACIONAIS
FATORES HIGIÊNICOS
Figura 1.5 – Fatores Motivacionais X Fatores Higiênicos (Herzberg).
1.2 – ASPECTOS DA QUALIDADE
1.2.1 – Qualidade
Se pedirmos a um grupo de consumidores e dirigentes de empresas uma definição de
qualidade, obteremos várias definições, algumas das quais enumeraremos a seguir:
A qualidade é:
a) Aquilo que não cria problemas e pode ser esquecido;
b) Aquilo que é feito de maneira impecável e do qual não se fala;
c) O respeito às especificações, aoorçamento e aos prazos de entrega;
d) Funcional e de fácil utilização;
e) Uma resposta rápida, adaptada;
f) Um produto seguro, que dura bastante, econômico, resistente e de fácil
manutenção;
g) O que é único, excelente, bonito, perfeito, genial; e
h) O estilo, a aparência, a sofisticação, o alto nível.
Portanto, é aquilo que às vezes manifesta-se no momento do uso, mas também dá
satisfação do ponto de vista estético, até mesmo ético, quando temos a sensação de que
o produto corresponde ao que se esperava e que não fomos “enganado em relação à
mercadoria”.
Com efeito:
A qualidade é, antes de qualquer coisa, a conformidade com as especificações. É
também a resposta ajustada à utilização que se tem em mente, na ora da compra e
também em longo prazo. Mas é também aquele “algo mais” de sedução e excelência,
mais próximo do desejo do que da qualidade.
Agora podemos abordar as diferentes definições da qualidade, quer sejam oficial ou
propostas por diversos consultores.
OSTENSIVO - 1-16 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Comecemos pela definição oficial da ISO (International Standard Organisation):
I) “A Qualidade é o conjunto das propriedades e características de um produto,
processo ou serviço que lhe fornecem a capacidade de satisfazer as
necessidades explícitas ou implícitas” (ISO);
II) “Qualidade é adequação ao uso” (Juran);
III) “Qualidade consiste em desenvolver, criar e fabricar produtos mais
econômicos, úteis e satisfatórios para o comprador” (Ishikawa);
IV) “Qualidade significa ir ao encontro das exigências” (Crosby);
V) “Qualidade é um hábito, não um ato” (Aristóteles);
VI) A qualidade não possui significado, exceto quando definida pelos desejos e
necessidades de seus clientes (Deming);
VII) Qualidade é holística e sistêmica e só pode ser concebida se incluir todas as
funções da organização (Garbo); e
VIII) A Qualidade deve ser desenvolvida por todos que trabalham na organização.
Todos devem saber o que o seu trabalho representa e como ele se coloca
dentro de um processo onde a qualidade é o objetivo (Lisboa).
1.2.2 – Qualidade Total
O objetivo das organizações é gerar produtos ou serviços que atendam plenamente às
necessidades e expectativas dos clientes. Seguindo este raciocínio, pode-se dizer que
Qualidade Total é o processo utilizado para garantir o atendimento às necessidades e
expectativas dos clientes, sejam eles os acionistas, os funcionários/colaboradores, os
usuários/consumidores e a sociedade.
A avaliação das necessidades e expectativas dos clientes deve ser feita
permanentemente. Portanto, para que um produto ou serviço tenha Qualidade Total é
necessário que atenda os cinco requisitos básicos da Qualidade Total, que são:
qualidade, custo, atendimento, moral e segurança.
1.2.3 – Requisitos da Qualidade Total
Observe que a estrutura da Qualidade Total é simples, de base sólida e de pilares firmes.
Atendendo os requisitos da Qualidade Total, as lideranças da organização construirão a
casa da Qualidade Total (Fig. 1.6), começando por uma base sólida (funcionários com
moral elevado), na qual se constrói os pilares da Qualidade, Custo, Atendimento e
Segurança, que garantirão a satisfação dos clientes e, como consequência, a
sobrevivência da organização.
OSTENSIVO - 1-17 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 1.6 – Casa da Qualidade Total
Veja agora cada um dos requisitos da Qualidade Total:
a) Qualidade ou Qualidade Intrínseca
É a ausência de defeitos. Diz-se que um produto tem qualidade quando é durável, seu
aspecto é agradável, apresenta conforto satisfatório e outras características que
atendem às necessidades específicas do cliente. Este enfoque atende ao objetivo de
“fazer certo pela primeira vez”.
A qualidade deve ser considerada sempre do ponto de vista do cliente.
Analise as situações a seguir, colocando-se na posição do cliente.
I) Como você classificaria estes objetos, quanto à sua qualidade propriamente
dita, ou qualidade intrínseca?
a) Uma caneta esferográfica, que falha ao escrever e que vaza, sujando seus
dedos e bolsos;
b) Um sapato, cujo salto se quebra no primeiro dia de uso;
c) A tomada elétrica, cujos pinos não permitem bom contato; e
d) A máquina fotográfica que, por menor descuido ao segurá-la, dispara
sozinha.
Certamente você não estaria satisfeito com estes objetos e diria que eles são de
baixa qualidade ou, que não possuem qualidade intrínseca.
OSTENSIVO - 1-18 - R E V. 3.
SOBREVIVÊNCIA
DA ORGANIZAÇÃO
SATISFAÇÃO DOS CLIENTES
Q
U
A
L
I
D
A
D
E
C
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S
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D
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M
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N
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MORAL
S
E
G
U
R
A
N
Ç
A
OSTENSIVO CIAA-112/010
II) Veja que um automóvel luxuoso, último tipo, com bancos forrados de couro,
que certamente possui uma qualidade intrínseca elevada, não atende a certas
necessidades específicas de um pequeno fazendeiro.
Neste caso, um jipe, mesmo rústico, seria da maior valia. Teria maior qualidade.
III) O que você imagina que tenha mais qualidade intrínseca?
Uma peça de seda ou uma peça de brim? Aparentemente seria a de seda, não é?
Entretanto, ambas podem possuir o mesmo nível de qualidade intrínseca.
É necessário usar o tecido adequado à sua utilização. Assim, a seda é mais
adequada à confecção de camisas, vestidos e outras roupas mais finas. Já o brim é
mais adequado para a confecção de uniformes industriais, etc.
Logo a qualidade de um determinado produto ou serviço está associada à
aplicação ou uso que será feito do produto ou serviço.
Qualidade é igual a adequação ao uso.
b) Custo
Quanto menor for o custo de um produto ou serviço, menor poderá ser o preço deste
produto ou serviço. O cliente busca sempre o produto ou serviço que tem preço mais
atraente.
Todas as pessoas na organização devem estar atentas em relação aos custos,
identificando todos os que possam ser eliminados ou reduzidos.
Deve-se ter em mente o objetivo maior, que é a satisfação dos clientes, por meio da
qualidade do produto ou serviço, com menor custo.
Os desperdícios sempre elevam os custos, logo, devem ser eliminados. Observe as
situações a seguir:
I) Desperdício de água leva ao aumento da conta d’água;
II) Desperdício de energia leva ao aumento da conta de energia e risco de
acidente; Desperdício no uso do telefone leva ao aumento da conta
telefônica e uma pessoa (cliente) insatisfeita do outro lado da linha.
III) Quando você assume uma função, recebe uma missão. Tem que se planejar
para executá-la, prever as ferramentas necessárias, etc. Se não planeja
corretamente, ou simplesmente não se preocupa em verificar todos estes
itens, podem ocorrer erros do tipo:
a) Requisitar material em excesso (desperdício de material);
b) Não requisitar material suficiente (desperdício de mão-de-obra,
necessitando de mais tempo para fazer outra requisição);
OSTENSIVO - 1-19 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Não fazer certo da primeira vez (desperdício de mão-de-obra e matéria-
prima, devido ao retrabalho); e
d) Guardar documentos, dados, informações e ferramentasem lugares
diversos (desperdício de mão-de-obra: a cada necessidade, procurá-los).
Todos os exemplos descritos e muitos outros ocasionam queda na produtividade
individual, aumentando o custo do produto ou serviço.
c) Atendimento
Alguns autores consideram, como componente da qualidade, a entrega, ao invés de
atendimento; o componente entrega corresponde aos aspectos relacionados ao local,
quantidade e prazo, não considerando os aspectos de relacionamento com o cliente.
Analisando esta situação, verificamos que, na Qualidade Total, o requisito
atendimento não envolve somente entregar o produto certo, na hora e local certo e na
quantidade pedida. O atendimento envolve, também, o tipo de atendimento, na
situação a seguir, foi satisfatório? Observe o seguinte caso:
Para presentear a sua esposa no seu 15° aniversário de casamento o Sr. João
encomendou um novo sofá na loja “YZ”. Verificou com o vendedor se sua
encomenda chegaria a 10 de julho, dia da comemoração. Ficou acertado que a
encomenda chegaria no prazo e local determinados.
Porém, até 10 de julho, não foi feita a entrega da mercadoria e, em outubro, a
desculpa do vendedor era a mesma “Perdão Sr., mas tivemos problemas com o
motorista do caminhão e a entrega não pôde ser efetuada, mas o seu sofá está no
estoque da fábrica, prontinho para ser expedido, desde a data combinada”.
De que adiantou o processo de fabricação terminar o seu serviço no prazo, se a
empresa não se preocupou com a expedição? O requisito atendimento, na Qualidade
Total, não satisfez às necessidades do cliente.
d) Moral
O moral se refere ao bem-estar, à satisfação e à dedicação (ou participação) das
pessoas da organização. Pode ser um grupo de pessoas de um setor, de um
departamento, de uma divisão ou até de todos os componentes.
O moral elevado dos funcionários é a base sem a qual o processo de qualidade não se
desenvolve. Observe que, na construção de um prédio, uma base ou alicerce frágil
pode fazer ruir toda a estrutura, por mais fortes que sejam os pilares.
Na estrutura da Qualidade Total, um moral baixo também pode comprometer um ou
todos os pilares e fazer ruir a laje, que é a satisfação de todos (Dirigentes e
subalternos).
OSTENSIVO - 1-20 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Com o moral baixo a produtividade cai. As pessoas ficam menos atentas e provocam
acidentes, frequentam mais vezes o posto médico e faltam mais ao trabalho.
Com o moral baixo, as pessoas se sentem desmotivadas, tornando frágil a base de
sustentação do processo de Qualidade Total. O moral baixo resulta em pessoas
insatisfeitas, com baixa produtividade, elevando os custos e os riscos de acidentes.
e) Segurança
A Segurança das pessoas que trabalham na organização, e de todos as que utilizam os
produtos e/ou serviços gerados por ela, é um requisito fundamental da Qualidade
Total. Mas o requisito Segurança não interfere na Qualidade Total somente neste
aspecto. Se a organização existe para satisfazer às necessidades dos clientes, é
importante que tenha em mente que a falta de Segurança põe em risco esta satisfação.
Segurança na Qualidade Total é não por em risco:
a) O funcionário da organização;
b) O consumidor do produto ou serviço;
c) O meio ambiente; e
d) A própria organização.
1.2.4 – A gestão pela qualidade total (GQT)
É um conjunto de princípios, ferramentas e procedimentos que envolvem todas as
pessoas de uma organização para controlar e aperfeiçoar permanentemente os processos
de realização de um trabalho, a fim de atender ao cliente com um produto ou serviço
com Qualidade Total.
A organização da GQT é dinâmica e utiliza planejamento estratégico para se alinhar
com o futuro. É flexível, para reagir às mudanças da demanda e do meio ambiente.
Em resumo, é talhada para o sucesso em um mundo onde a única constante é a mudança
contínua.
A indústria privada usa a GQT para competir e sobreviver no mercado. No caso do
governo, as razões vão desde oferecer um melhor serviço ao público, diminuir gastos do
orçamento, conseguir e manter melhores funcionários, até mesmo sobreviver, também!
A GQT ajuda a economizar entre 10 a 20% do orçamento operacional, através da
redução do Custo da Qualidade, sem sacrifício de desempenho. Custo da Qualidade é a
expressão usada em GQT para indicar dinheiro gasto para prevenir, avaliar e corrigir
problemas, desperdícios e falhas de serviços e produtos. Como podemos observar na
Figura 1.7, grande parte do Custo da Qualidade é oculto.
OSTENSIVO - 1-21 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 1.7 – O custo do iceberg da Qualidade.
A GQT difere da Gerência Tradicional. A Gerência Tradicional tolera erros e
desperdícios, desde que não excedam padrões e especificações preestabelecidas. A
inspeção é a maneira principal de se assegurar de que os produtos e serviços obedecem
aos antigos padrões de qualidade. Ao prever possíveis erros as organizações tradicionais
devotam recursos substanciais ao “retrabalho planejado”. Os recursos e o tempo gastos
fazem parte formal das estimativas de custos e orçamento, ou simplesmente “defeitos
naturais” e informais.
A GQT concentra-se na melhoria dos processos de criação de bens e serviços, a tal
ponto que eles possam ser isentos de defeitos, sem criar resíduos ou desperdícios.
Esta abordagem elimina a necessidade de inspecionar os defeitos a posteriori, exceto no
caso de produtos ou serviços perigosos.
1.2.5 - Os dez mandamentos da Gestão pela Qualidade Total (GQT)
Faça um teste: tire um tempinho para reparar na qualidade do atendimento que você,
não sendo Presidente da República nem astro de TV, recebe na padaria, no
supermercado, no posto, no banco, nos lugares que você frequenta no dia-a-dia.
Se alguém atencioso, gentil e sorridente vier lhe atender, você certamente vai ficar
surpreso. Isso porque estamos ainda muito distantes do padrão em que o cliente é
realmente o centro das atenções.
Por ai se avalia como requer esforço e persistência motivar as pessoas e mudar
comportamentos. É necessária a introdução de uma nova cultura na organização, o que
só é possível com a observância dos mandamentos da qualidade.
OSTENSIVO - 1-22 - R E V. 3.
VISÍVEL
OCULTO
Produtos
defeituosos
Clientes não
atendidos
Reclamações
Estoque em
excesso
Tempo ocioso
Absenteísmo
Tempo perdido
devido acidente
Comunicações
inadequadas
Moral baixo
Retreinamento
Falha no
equipamento
Esforço
dobrado
Erros
Revisões
Inspeção
Refugo
Excedente
Retrabalho
Horas extras
OSTENSIVO CIAA-112/010
Novas atitudes, valores e objetivos – os mais importantes – estão presentes nestes dez
princípios. Eles devem ser adotados não pela simples imposição (o que não funciona),
mas pelo convencimento, convicção e aceitação de todos:
I) Total Satisfação dos Clientes
Na estrutura tradicional da organização, quase sempre os clientes são colocados
como receptores passivos dos produtos e serviços oferecidos. Não raro, são vistos
como aqueles que perturbam a rotina. Qualidade Total inverte esse quadro e coloca o
cliente como a pessoa mais importante para a organização. Tudo que a ele se
relaciona torna-se prioritário.
A total satisfação dos clientes é a mola mestra da gestão pelaqualidade. Os clientes
são a própria razão de existência de uma organização. A organização que busca
qualidade estabelece um processo sistemático e permanente de troca de informações
e mútuo aprendizado com seus clientes. Depois transforma essas impressões em
indicadores de seu grau de satisfação.
A organização precisa prever as necessidades e superar expectativas do cliente. A
Gestão pela qualidade assegura a satisfação de todos os que fazem parte dos diversos
processos da empresa: clientes diretos e indiretos, externos e internos e fornecedores.
II) Gerência Participativa
É preciso criar a consciência da participação e passar as informações necessárias aos
funcionários. A participação fortalece decisão, mobiliza forças e gera compromisso
de todos com os resultados. O principal objetivo e conseguir o “efeito sinergia” onde
o todo é maior do que a soma das partes.
Novas ideias devem ser estimuladas e a criatividade aproveitada proporcionando
constante aperfeiçoamento e melhoria na solução dos problemas. Dar ordem e exigir
obediência é restringir ao mínimo o potencial do ser humano no processo de
qualidade. Gerenciar é sinônimo de liderar. E liderar significa mobilizar esforços,
compartilhar responsabilidades, delegar autoridade, motivar, debater, ouvir
sugestões, compartilhar objetivos, informar, transformar grupos em verdadeiras
equipes.
A participação, muitas vezes, não ocorre porque:
a) Nunca foi solicitada;
b) Por desconhecimento do processo; e
c) Faltam técnicas adequadas para análise e solução de problemas.
É preciso eliminar o medo e ouvir sempre os subordinados.
OSTENSIVO - 1-23 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
III) Valorização do Ser Humano
É possível ter o máximo controle sobre os subordinados, determinar normas rígidas,
supervisionar, fiscalizar. Mas nada será tão eficaz quanto o espírito de colaboração e
a iniciativa daqueles que acreditam na importância do seu trabalho como
contribuição para que a organização cumpra sua missão.
As pessoas são a matérias-primas mais importantes da organização. Nela, buscam
não apenas remuneração adequada, mas espaço e oportunidade de demonstrar
aptidões, participar, crescer profissionalmente e ver seus esforços reconhecidos.
Satisfazer tais aspirações é multiplicar o potencial de iniciativa e trabalho. Ignorá-las
é condená-las à rotina, ao comodismo, ao “tanto faz como fez”, clima exatamente
contrário ao espírito da Qualidade Total.
IV) Constância de Propósitos
A adoção de novos valores é um processo lento e gradual, que deve levar em conta a
cultura existente na organização.
Os novos princípios devem ser repetidos e reforçados, estimulados em sua prática,
até que a mudança desejada se torne irreversível. É preciso persistência e
continuidade.
O papel da administração é fundamental no acatamento e na prática dos
mandamentos da qualidade. É preciso ter coerência nas idéias e transparência na
execução de projetos.
A prioridade de qualquer projeto, dentro da organização, é sempre determinada pelas
atitudes e cobranças dos dirigentes.
Além disso, planejamento estratégico é fundamental. A definição de propósitos
através de processo de planejamento participativo, integrado e baseado em dados
corretos e abrangentes, determina comprometimento, confiança, alinhamento e
convergência de ações dentro da organização.
V) Aperfeiçoamento Contínuo
O avanço tecnológico, a renovação dos costumes e do comportamento leva as
mudanças rápidas nas reais necessidades dos clientes. Acompanhar e até mesmo
antecipar as mudanças que ocorrem na sociedade – com o contínuo aperfeiçoamento
– é uma forma de garantir o cumprimento da missão da organização. Além disso, não
se pode ignorar a crescente cobrança da sociedade civil quanto à garantia dos
produtos e serviços.
OSTENSIVO - 1-24 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Não há mais espaço para acomodação, passividade, submissão, individualismo ou
paternalismo. O sucesso da organização está comprometido com a implantação de
uma cultura de mudança, de contínuo aperfeiçoamento. É o que acontece quando a
organização oferece mais do que lhe é cobrado, supera as expectativas e ganha a
admiração dos clientes.
A organização deve estar atenta:
a) Ao permanente questionamento de suas ações;
b) À busca de inovações nos produtos, serviços e processos;
c) À criatividade e à flexibilidade de atuação;
d) À análise de desempenho com a concorrência;
e) À ousadia de propor e assumir novos desafios; e
f) À capacidade de incorporar novas tecnologias.
São estes os caminhos para a excelência. Mas é bom lembrar que é mais fácil
melhorar o que pode ser medido. Deve-se criar um conjunto de indicadores que
retrate a situação existente para depois compará-la com outras situações onde as
melhores inovações introduzidas possam ser avaliadas.
VI) Garantia da Qualidade
A base da garantia da qualidade está no planejamento e na sistematização
(formalização) de processos. Esta formalização estrutura-se na documentação escrita,
que deve ser de fácil acesso, permitindo identificar o caminho percorrido.
O registro e o controle de todas as etapas relativas à garantia proporcionam maior
confiabilidade ao produto. Em qualquer atividade produtiva, fazer certo da primeira
vez é o desejável. No setor de serviços, especialmente em consumo instantâneo,
acertar de primeira é fundamental. A garantia da qualidade desses serviços é
assegurada pela utilização das técnicas de gerência de processos.
VII) Gerência de Processos
A gerência de processos, aliada ao conceito de cadeia cliente-fornecedor, faz cair
barreiras entre as áreas da organização, elimina feudos e promove a integração. A
organização é um grande processo com a finalidade (missão) de atender às
necessidades dos clientes/usuários, através da produção de bens/serviços, gerados a
partir de insumos recebidos de fornecedores com recursos humanos e tecnológicos.
O grande processo se divide em outros processos mais simples, até a tarefa
individual. Os processos se interligam formando cadeias cliente-fornecedor.
OSTENSIVO - 1-25 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A partir do cliente externo, os processos se comunicam: o anterior é o fornecedor; o
seguinte é o cliente. Em uma fábrica de sapatos, quem corta o couro é fornecedor de
quem o costura (cliente) que, por sua vez, é fornecedor de quem executa a próxima
etapa da produção.
VIII) Gerência de Informações
A implantação da qualidade tem como pré-requisito transparência no fluxo de
informações dentro da organização. Todos devem entender qual é a missão, os
grandes propósitos e os planos.
A participação coletiva na definição dos objetivos é a melhor forma de assegurar o
compromisso de todos com sua execução. Serve também par promover maior
conhecimento do papel que a atividade de cada um representa.
A comunicação com os clientes, efetivos ou potenciais, é imprescindível. É
importante transmitir a eles a ideia de missão da organização, seus objetivos,
produtos e serviços.
IX) Delegação
O melhor controle é aquele que resulta da responsabilidade atribuída a cada um. Só
com os três atributos divinos – onipresença, onisciência e onipotência – seria fácil ao
dirigente desempenhar a mais importante missão dentro daorganização: relacionar-
se diretamente com todos os subordinados (clientes), em todas as situações. A saída é
delegar autoridade.
Mas é necessário saber delegar: transferir poder e responsabilidade a pessoas que
tenham condições técnicas e emocionais para assumir o que lhes for delegado. É
preciso contar ainda com ágil sistema de comunicação, capaz de proporcionar
respostas rápidas. Assim é possível vencer medos, barreiras e preconceitos
associados à divisão de poder e responsabilidade.
Delegar significa colocar o poder de decisão mais próximo da ação. O que quase
sempre é feito baseado em procedimentos escritos. O regulamento não pode ser
embaraço à solução das situações imprevistas: o bom senso deve prevalecer. A
presteza com que o cliente é atendido determina aproximação ou rejeição à
organização.
X) Não-Aceitação de Erros
O padrão de desempenho desejável na organização deve ser o de “zero defeitos”.
Este princípio deve ser incorporado à maneira de pensar de subordinados e
dirigentes, na busca da perfeição em suas atividades.
OSTENSIVO - 1-26 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Todos na organização devem ter clara noção do que é estabelecido como o certo.
Esta noção deve nascer de um acordo entre organização e clientes, com a
consequente formalização dos processos correspondentes dentro do princípio da
garantia da qualidade. Desvios podem e devem ser medidos para localizar a causa
principal do problema e planejar ações corretivas. O custo de prevenir erros é sempre
menor que o de corrigi-los. O erro é mais oneroso quanto mais cedo aparece no
processo. Um erro na concepção do projeto pode colocar a perder todo o
empreendimento.
1.3 - PROCESSOS E CLIENTES
1.3.1 – Processo
Processo é um conjunto de causas ou fatores (Materiais; Mão-de-Obra; Máquinas;
Métodos; Meio Ambiente; Medidas) que agindo entre si, promovem a transformação da
matéria-prima ou lhe agregam valor, produzindo um resultado ou efeito desejado
(Produto ou Serviço).
Vamos entender melhor este conceito. Imagine uma fábrica de copos para cafezinho. O
resultado ou efeito desejado é o “copo de cafezinho”, porém, para produzir este copo,
várias causas são necessárias, por exemplo:
I) Mão-de-Obra (os empregados);
II) A Matéria-Prima (resina de plástico);
III) As Máquinas (equipamentos);
IV) Os Métodos (procedimentos, manuais, padrões); e
V) Meio Ambiente (espaço físico, energia elétrica, etc).
A interação dos empregados com as máquinas, o uso da resina plástica, dos
procedimentos, da energia elétrica e outras geram o efeito ou resultado desejado, que é o
copo para cafezinho. A esta relação entre causa e efeito denominamos processo,
mostrado na Figura 8.
OSTENSIVO - 1-27 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
P R O C E S S O
P
R
O
D
U
T
O
O
U
S
E
R
V
IÇ
O
C A U S A EFEITO
Figura 1.8 – Processo.
Podemos também definir processo como um conjunto de atividades que recebe insumos
de um fornecedor, transformando-os, de acordo com a lógica pré-estabelecida e com
agregação de valor, em produtos ou serviços, para responderem às necessidades dos
clientes ou usuários, mostrado na Figura 9.
ENTRADA PROCESSAMENTO SAÍDA
Figura 1.9 – Processo.
a) Fornecedor
É qualquer entidade, pessoa, órgão ou outro processo que introduz insumos no
processo. Os fornecedores podem ser externos ou internos.
b) Insumo
São todos os produtos, serviços ou informações que são introduzidos no processo.
c) Subprocesso
São partições de um processo.
OSTENSIVO - 1-28 - R E V. 3.
MÃO-DE-OBRA MEDIDAS MÉTODOS
MÁQUINAS MATERIAIS MEIO AMBIENTE
INSUMO
PRODUTO
OU
SERVIÇO
PRODUTO
OU
SERVIÇO
S
U
B
P
R
O
C
E
S
S
O
1
SUBPROCESSO 3
S
U
B
P
R
O
C
E
S
S
O
2 FORNECEDOR
FORNECEDOR
FORNECEDOR
INSUMO
OSTENSIVO CIAA-112/010
d) Produto/Serviço
É o resultado do processo.
e) Cliente
É quem recebe o produto ou serviço proveniente do processo.
f) Valor Agregado
São as melhorias, colocadas em um produto e/ou serviço, visando à máxima
satisfação das necessidades dos clientes.
Cada pessoa dentro de uma organização produz alguma coisa, portanto tem um
produto, logo opera causas que resultam em um efeito e, assim sendo, cada pessoa
opera um processo.
1.3.2 - Cliente
É todo aquele que recebe um produto e/ou serviço proveniente de um processo ou
subprocesso. Pode-se, ainda, dizer que é todo aquele que é afetado pelo produto de um
processo ou subprocesso.
“São todos aqueles afetados por nossos processos, produtos e serviços” – Juran.
Dentro dos princípios da Qualidade Total, para identificar seus clientes, você deve
responder às perguntas:
I) Quem utiliza diretamente o produto ou serviço?
II) Quem tem interesse no produto ou serviço?
III) Quem pode vir a ser afetado ou impactado pelos processos de geração do
produto ou serviço?
Existem duas grandes categorias de clientes. O cliente direto e o cliente indireto.
a) Cliente Direto
I) Externo
É a pessoa, órgão ou entidade que realmente utiliza o produto final gerado pelos
processos internos da organização.
II) Interno
É a pessoa, órgão ou entidade responsável por um processo, que recebe insumo do
processo interno anterior.
b) Cliente Indireto:
I) Em potencial
É a pessoa, órgão ou entidade que nunca utilizou o produto ou serviço da
organização, mas que tem possibilidades em vir a utilizá-lo no futuro. Por
exemplo: uma pessoa que nunca utilizou transporte aéreo e, repentinamente,
necessita fazer uma viagem.
OSTENSIVO - 1-29 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
II) Comunidade
São as pessoas, órgãos ou entidades que não utilizam os produtos ou serviços da
organização, mas podem ser afetadas, maléfica ou beneficamente, de alguma
forma pelos produtos ou serviços desta organização. Por exemplo: a vizinhança
de uma usina nuclear que não utiliza a energia elétrica gerada pela mesma, caso
haja um vazamento nuclear, será afetada pela radiação liberada.
1.3.3 - Requisitos do Cliente
Direcionar a organização para a satisfação dos clientes significa entender a qualidade
do ponto de vista do cliente. Fazer certo da primeira vez, em todos os pontos de
contato com o cliente, é oportunidade de atendê-lo bem e, naturalmente, conservá-lo.
É a forma mais efetiva de moldar uma imagem positiva.
O superior é, obviamente, um cliente que é afetado pelas atividades dos processos de
seus subordinados. Essas atividades influenciam a habilidade do próprio superior em
atender suas próprias responsabilidades. Mas o subordinado é também cliente do
superior. Ele recebe do superior treinamento, ordens, conselhos, decisões e outras
informações importantes para executar seu processo.
Atender, satisfazer e encantar formam uma escala de excelência. Uma organização só
alcança qualidade quando surpreende os seus clientes. Tome por exemplo os serviços
de um hotel:
a) O básico
Cama limpa e quarto asseado são o básico para qualquer cliente;
b) O esperado
É a satisfação de algunsserviços a que ele já está acostumado: um bom café da
manhã e um sistema confiável de recados;
c) O desejado
Serviços que o hóspede não necessariamente esperaria encontrar: informações
sobre passeios turísticos, xerox, telex e fax à disposição;
d) O surpreendente
É tudo que encanta o cliente: enquanto o hóspede faz seu registro de entrada na
recepção, o garçom traz uma bandeja com sucos e drinques.
Surpreender exige percepção e imaginação, pois o que surpreende hoje pode se
tornar rotina.
Quem compra um Fusca está comprando robustez, economia e manutenção barata.
Já quem adquire uma Mercedes está levando status, conforto e estilo.
OSTENSIVO - 1-30 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Embora as diferenças entre os dois carros sejam grandes, ambos satisfazem as
exigências dos seguimentos de clientes a que se destinam.
Veja algumas conclusões, elaboradas por especialistas, sobre as quais vale apenas
meditar:
I) Em média, para cada cliente insatisfeito, devem existir pelo menos outros 20
que também têm reclamações contra o produto, mas ficam calados;
II) Cada cliente contrariado relata sua má experiência a pelo menos 10 outras
pessoas;
III) Caso o problema reclamado seja satisfatoriamente resolvido, é provável que
80% deles voltem a utilizar o produto;
IV) Custa, em geral, 5 vezes mais atrair um novo cliente do que manter um
antigo; e
V) Em geral, o custo do reparo do item que falhou medido em homens-horas, é
maior do que o de fabricação.
A resposta para esses e outros problemas está em programas consistentes de melhoria
da qualidade, que devem ser aplicados e aperfeiçoados permanentemente.
OSTENSIVO - 1-31 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
CAPÍTULO 2
GERENCIAMENTO DO PROCESSO
2.1 – FASES DO GERENCIAMENTO
Vimos no capítulo 1 que processo é um conjunto de causas (Mão-de-Obra; Máquina,
Material, Método, Medida e Meio-Ambiente) que, agindo entre si, geram um efeito
(Produto/Serviço).
Os processos existentes em uma organização podem ser classificados como processos
repetitivos e não repetitivos. Cada um deles é gerenciado de forma específica, em
particular, os processos repetitivos, que caracterizam a rotina diária da organização.
Em uma organização que é administrada de acordo com a filosofia da GQT são
conduzidos três tipos de ação gerencial: planejamento da qualidade; manutenção da
qualidade; e melhoria da qualidade.
a) Planejamento da qualidade
O Planejamento da qualidade se refere àquelas atividades envolvidas no
desenvolvimento de um produto, serviço ou processo novo. É neste instante que se
define a qualidade planejada, que pode ou não ser alcançada, dependendo apenas da
capacidade do processo. Quando ela não é alcançada, as demais atividades objetivam
tentar alcançá-la e mantê-la. Esta atividade é desenvolvida quando se faz uma pesquisa
para definição de um produto novo ou pesquisa tecnológica para desenvolvimento de
um novo processo ou um processo com melhor desempenho.
b) Manutenção da qualidade
A manutenção da qualidade se refere àquelas atividades que visam a manter a qualidade
do processo ou do produto, impedindo que ele diminua com o tempo. É conveniente
observar que este é o tipo de preocupação que falta a muitas organizações brasileiras.
Quantas vezes nos surpreendemos dizendo:
- o atendimento nesta loja já foi melhor; e
- o cafezinho desta lanchonete já foi mais saboroso.
Estas são observações que mostram que elas não têm mecanismos para manter o nível
de qualidade. Se não existirem estes mecanismos, a tendência natural é a qualidade
decair com o tempo. Por quê? Será visto mais adiante. Estas atividades visam a dar
previsibilidade ao processo e, como consequência, ao produto de cujo fluxo de produção
o processo participe.
OSTENSIVO - 2-1 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Melhoria da qualidade
A terceira atividade, melhoria da qualidade, é mais conhecida como melhoria continua.
São aquelas atividades desenvolvidas que objetivam melhorar o desempenho do
processo. Este tipo de atividade visa a aumentar a competitividade da organização.
Considerando que o conceito de gerenciar dentro do GQT é constituído pelas atividades
de controlar e melhorar, vê-se, então, que as atividades manutenção e melhoria da
qualidade constituem o gerenciamento do processo, enquanto que a atividade de
planejamento constitui o seu planejamento (Fig. 2.1).
2.1.1 - Gerenciamento da Rotina
A Figura 2.1 mostra como evolui o desempenho de um processo com a implantação do
gerenciamento da rotina. Ela mostra claramente a presença de três estágios:
a) O primeiro estágio (Planejamento)
Refere-se às condições atuais de operação do processo quando a manutenção da
qualidade não existe. As características deste estágio são: a presença de grandes picos e
vales e a inclinação da reta do comportamento médio, indicando uma perda de
qualidade com o tempo. Os vales se referem à melhor qualidade e, em geral, são
atribuídos à eficiência dos gerentes; os picos, que refletem a situação inversa, são, em
geral, atribuídos à incompetência dos operadores, que não sabem aproveitar a eficiência
dos gerentes. Na verdade, não acontece nem uma coisa nem outra; o que falta é um
mecanismo para tornar o processo estável, isto é, produzindo sempre dentro da mesma
faixa de qualidade.
b) O segundo estágio (Manutenção)
Aparece quando a organização opta pela implantação de um sistema de manutenção da
qualidade. A experiência tem mostrado que, apenas com a arrumação da casa,
provocada por esta decisão, já se observa uma melhoria caracterizada por um nível
médio de qualidade melhor. Poder-se-ia pensar que, com a implantação da manutenção,
as perdas seriam constantes e o gráfico apresentaria uma reta paralela ao eixo do tempo.
Isto não acontece, porque um processo tem sempre um número muito grande de causas,
que influem no efeito. É impossível controlar todas essas causas e, se fosse possível, seu
custo seria proibitivo. Por esta razão, controlam-se apenas algumas delas, consideradas
mais importantes. Controlar essas causas significa manter a sua variação dentro de
limites bem definidos. Esta variação, acrescida das influências das causas sobre as quais
não se tem controle, dá origem a oscilações no efeito do processo. Estas oscilações são
chamadas de problemas crônicos, já que têm origem na forma como se planeja operar o
processo.
OSTENSIVO - 2-2 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Assim sendo, os problemas crônicos definem a amplitude de oscilação e o nível de
qualidade do efeito.
Figura 2.1 – Evolução do Gerenciamento do Processo.
Por melhor que seja o sistema de manutenção, esporadicamente podem ocorrer
resultados incompatíveis com o comportamento regular do processo. No gráfico, isto se
reflete na forma de um pico isolado, que se destaca sobremaneira de todos os outros que
estão presentes. Em geral, esse pico pode ser atribuído a uma causa específica e é
chamado de um problema ocasional.A solução dos problemas ocasionais leva à manutenção do nível de qualidade, enquanto
que a solução dos problemas crônicos leva a melhorias do nível de qualidade.
c) O terceiro estágio (Melhoria)
Refere-se à atividade de melhoria, que só tem sentido depois de se ter implantado o
sistema de manutenção da qualidade, ou seja, após ter-se o processo operando da forma
desejada. Essa atividade consiste, essencialmente, na solução dos problemas crônicos do
processo, que resulta em melhorias do nível de qualidade e define um novo estágio de
manutenção.
É a alternância entre manutenção e melhoria que torna o processo mais previsível e
melhor. Pode-se ver a manutenção como sendo a atividade que fixa as melhorias. Esta
alternância entre manutenção e melhoria é que leva as organizações que adotam a GQT
a se tornarem sensivelmente mais competitivas do que as que não o fazem.
OSTENSIVO - 2-3 - R E V. 3.
Resultados
Irregulares (%)
Tempo
Melhoria devido a
solução de problemas
crônicos
Problemas Ocasionais
Planejamento Manutenção Melhoria Manutenção
Problemas Crônicos
Melhoria devido
a implantação
OSTENSIVO CIAA-112/010
2.1.2 - O dono do processo
Praticamente, todos nós participamos de um ou mais processos. Grupos de indivíduos
usualmente compartilham as atividades que compõem um processo. Mas a pessoa que é
responsável pelo eficaz desempenho do processo é definida como “o dono do processo”.
O dono do processo, normalmente é o supervisor ou líder que detém o controle sobre
todo o processo, do seu início ao fim.
2.1.3 – A melhoria de processo
Melhoria de processo significa “fazer as coisas melhores”, não apenas ficar “apagando
incêndios” ou gerenciando crises. Significa por de lado a prática habitual de culpar as
pessoas pelos problemas ou falhas. Quando tentamos simplesmente consertar o que está
errado, nunca entenderemos da causa primária da dificuldade. Nestas ocasiões, a “Lei de
Murphy” normalmente entra em ação e a “emenda fica pior do que o soneto”.
Porém, quando nos engajamos numa verdadeira melhoria do processo, buscamos
pesquisar quais as causas que levam o processo a se tornar ineficaz, e utilizarmos este
conhecimento para reduzir a variabilidade, excluir as atividades que não agregam valor
ao processo e melhorar a satisfação de nossos clientes.
2.1.4 - Como a melhoria de processo beneficia a organização
Uma metodologia padronizada de melhoria de processo nos permite ter uma clara visão
da maneira como conduzimos nosso trabalho. Quando a maioria dos funcionários de uma
organização está envolvida em programas de melhoria de processos, eles podem ter um
foco coletivo na eliminação de desperdícios de dinheiro, pessoas, materiais, energia,
tempo e oportunidades. O resultado será um trabalho executado de maneira mais barata,
mais rápida, mais fácil, e principalmente, mais segura.
2.1.5 - Como a organização inicia a melhoria de seus processos
Um primeiro e essencial passo para se iniciar a melhoria dos processos é que o dirigente
maior da organização se comprometa com a ideia e faça da mesma uma prioridade de
ação. A importância da melhoria dos processos deve ser transmitida de “cima para
baixo”.
Os dirigentes devem fomentar um ambiente organizacional no qual a mentalidade de
aprimoramento possa se fortalecer.
Para que uma organização alcance este estado, os dirigentes devem assegurar um
treinamento adequado a todos os funcionários, habilitando-os a conduzirem os programas
de melhoria de processos de forma adequada e eficaz.
A conscientização acerca da importância de um programa de melhoria de processos pode
não ser muito fácil, pois traz a necessidade de se “descongelar ideias antigas”.
OSTENSIVO - 2-4 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
As pessoas, normalmente, não gostam de mudanças. Um programa de melhoria de
processos exige que se transforme de “apagador de incêndio” para “prevencionista de
incêndio”.
O foco da melhoria de processos deve ser encarado como um programa de longo prazo,
não apenas executando procedimentos e rotinas de trabalho quando o problema ocorre.
2.1.6 - Como representar um processo
Normalmente, utiliza-se o Diagrama de Causa e Efeito (Figura 2.2), para representar um
Processo.
As espinhas representam as causas ou os fatores. O resultado decorrente, o efeito, é
colocado na extremidade da seta principal (cabeça).
Após a utilização de muitos Diagramas de Causa e Efeito, verificou-se que todas as
causas podiam ser sempre enquadradas no que denominamos de fatores de manufatura.
Os fatores de manufatura são famílias ou grupos de causas ou fatores que, atuando ou
interferindo num processo, exercem influência sobre ele.
Figura 2.2 – Diagrama de causa e efeito.
2.1.7 - Fatores de Manufatura
Os Fatores de Manufatura ou, simplesmente, 6M, devido às suas iniciais, são os
seguintes: Mão-de-Obra; Material; Máquina; Medida; Meio Ambiente; e Método.
Os Fatores de Manufatura influem nos processos e aparecem no Diagrama de Causa e
Efeito, da seguinte forma:
Na organização, você está, a todo o momento, envolvido em processos diversos. Daí a
importância de se conhecer o desdobramento destes processos.
Analisando cada um dos 6M, temos:
OSTENSIVO - 2-5 - R E V. 3.
E
F
E
IT
O
Mão-de-Obra Material Máquina
Medida Meio Ambiente Método
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) O Fator Mão-de-Obra (Fig. 2.3)
Inclui todos os aspectos relativos a pessoal que, no processo, podem influenciar o
efeito desejado.
Veja, agora, alguns aspectos relativos à Mão-de-Obra:
- Disponibilidade de pessoal;
- Excesso de pessoal;
- Quantidade insuficiente de pessoal;
- Má qualidade de pessoal;
- Ausência dos empregados/colaboradores em seus postos;
- Muitas faltas ao serviço;
- Desmotivação;
- Problemas particulares;
- Estafa/tensões/ansiedades/preocupações/frustrações;
- Temperamentos;
- Incompatibilidade com as pessoas ou com o serviço;
- Falhas humanas no desenvolvimento dos trabalhos; e
- Incapacidade, etc.
Ao analisar o fator Mão-de-Obra, você verifica quais são os aspectos que dizem
respeito à atuação das pessoas.
Todas as pessoas envolvidas no processo podem interferir positiva ou negativamente
no efeito.
Figura 2.3 – Fator Mão-de-Obra.
OSTENSIVO - 2-6 - R E V. 3.
• DISPONIBILIDADE
• QUALIFICAÇÃO
• QUANTIDADE
E
F
E
IT
O
MÃO-DE-OBRA Material Máquina
Medida Meio Ambiente Método
OSTENSIVO CIAA-112/010
Observe estes exemplos (Tabela 2.1):
Em um escritório • O chefe;
• A secretária;
• Os auxiliares;
• Os digitadores; Etc.
Interferem no processo.
Em uma fábrica
• Os chefes;
• Os empregados;
• Os operários;
• Os contratados; Etc.
Interferem no processo.
Em um ônibus
• O motorista;
• O trocador;
• Os passageiros; Etc.
Interferem no processo.
Tabela 2.1
Todas as pessoas envolvidas são responsáveis pelo Processo.
b) O Fator Material (Fig. 2.4)
Inclui todos os aspectos relativos a materiais, como insumos, matérias-primas,
sobressalentes, peças,etc., que podem interferir no processo e, consequentemente, no
seu resultado.
Veja, agora, alguns dos aspectos relativos a Material:
- Disponibilidade de material e identificação do material;
- Prazo de validade, quantidade, peso e volume da matéria-prima;
- Tolerância de medidas;
- Embalagens e estocagem, conforme as normas;
- Origem de um mesmo lote ou de lotes diferentes;
- Mudanças de fabricantes; e
- Especificação, etc.
Figura 2.4 – Fator Material.
OSTENSIVO - 2-7 - R E V. 3.
• DISPONIBILIDADE
• QUALIFICAÇÃO
• QUANTIDADE
E
F
E
IT
O
Mão-de-obra MATERIAL Máquina
Medida Meio Ambiente Método
• FORNECEDORES
• ESPECIFICAÇÕES
• QUANTIDADE
OSTENSIVO CIAA-112/010
Ao analisar o fator Material, você verifica quais são os aspectos que podem fazer
com que os materiais interfiram positiva ou negativamente num processo.
Observe estes exemplos (Tabela 2.2):
Em uma indústria siderúrgica • O carvão;
• O minério de ferro;
• O calcário;
• Os sobressalentes.
Interferem no processo.
Em uma indústria de cerveja
• Malte;
• Cevada;
• Lúpulo;
• Água.
Interferem no processo.
Em um acampamento • Comida em lata;
• Água;
• Corda;
• Faca;
• Carvão e etc.
Interferem no processo.
Tabela 2.2
c) O Fator Máquina (Fig. 2.5)
Inclui todos os aspectos relativos às máquinas, aos equipamentos e às instalações,
que podem afetar o efeito do processo.
Veja, agora, alguns dos aspectos relativos a Máquina:
- Disponibilidade de máquinas;
- Solicitações exigidas dos equipamentos;
- Condições das máquinas, motores e estruturas;
- Montagem, alinhamento, acoplamento, desgastes; e
- Refrigeração; lubrificação; aquecimento e vibração.
Figura 2.5 – Fator máquina.
OSTENSIVO - 2-8 - R E V. 3.
• SOLICITAÇÕES IMPOSTAS
• CONDIÇÕES
• INSTALAÇÕES
• DISPONIBILIDADE
• QUALIFICAÇÃO
• QUANTIDADE
E
F
E
IT
O
Mão-de-obra Material MÁQUINA
Medida Meio Ambiente Método
• FORNECEDORES
• ESPECIFICAÇÕES
• QUANTIDADE
OSTENSIVO CIAA-112/010
Observe estes exemplos:
- Torno com peças desgastadas, gerando vibrações e outras alterações na máquina;
- O compressor de uma câmara frigorífica que não funciona bem, não consegue
manter a temperatura necessária para conservação dos alimentos.
d) O Fator Método (Fig. 2.6)
Inclui todos os procedimentos, rotinas e técnicas utilizadas, que podem interferir no
processo e, consequentemente, no seu resultado.
Veja, agora, alguns dos aspectos relativos ao Método:
- Instruções para se efetuar determinado trabalho;
- Instruções para lubrificação de um equipamento;
- Instruções para arriar e suspender carga;
- Instruções para pouso e decolagem de aeronaves;
- Procedimentos de segurança.
Na filosofia da Qualidade Total, as atividades devem ser desenvolvidas com base em
um padrão, de forma a garantir que os resultados sejam os esperados. Os padrões
devem ser elaborados por quem executa as atividades, e revisados sempre que se
observar que o efeito desejado não está sendo mais alcançado, por causa do padrão.
Quando se utilizam os padrões, torna-se mais fácil identificar a origem das falhas e
corrigí-las, evitando a geração dos efeitos indesejados.
Como o Método tem que ser obedecido por todos, a melhor maneira de manter seu
padrão, ou sua qualidade, é escrever os vários passos deste caminho, para que, a
qualquer momento, os funcionários, o supervisor ou outra pessoa possa consultá-lo.
Figura 2.6 – Fator método.
OSTENSIVO - 2-9 - R E V. 3.
• INSTRUÇÕES
• PROCEDIMENTOS
• DISPONIBILIDADE
• SOLICITAÇÕES IMPOSTAS
• CONDIÇÕES
• INSTALAÇÕES
• DISPONIBILIDADE
• QUALIFICAÇÃO
• QUANTIDADE
E
F
E
IT
O
Mão-de-Obra Material Máquina
Medida Meio Ambiente MÉTODO
• FORNECEDORES
• ESPECIFICAÇÕES
• QUANTIDADE
OSTENSIVO CIAA-112/010
Observe o exemplo:
Para ligar uma denominada máquina, o Método é:
Verificar o nível de óleo; verificar se a lâmpada que alerta sobre a temperatura
máxima de operação está acendendo; ligar a chave n° 1 e esperar um minuto, até
ligar a chave n° 2, para iniciar o trabalho, etc.
e) O Fator Medida (Fig. 2.7)
Inclui a adequação e a confiança nas medidas que afetam o processo.
Você deve assegurar-se de que as medidas sejam precisas, adequadas e confiáveis,
para não incidir em erros. Se, por exemplo, uma serraria entregar dez portas de 1,78
m de altura, quando a encomenda era de dez portas de 1,80 m, o pedido estará
perdido. O processo gerou um efeito indesejável. Presume-se, então, que a medida
pode ter sido tomada com desatenção, o metro pode estar gasto e torto ou com a
numeração desgastada, decorrendo daí o engano.
Veja, agora, alguns dos aspectos relativos à Medida:
- Aferição e calibração dos instrumentos de medida;
- Posição correta dos instrumentos, em relação ao que deve ser medido;
- Posição dos mostradores e indicadores;
- Escala dos mostradores;
- Limpeza e conservação dos painéis;
- Tolerâncias dimensionais ou de escala;
- Representatividade da medida ou leitura; e
- Freqüência, momento e condições de leitura, etc.
Figura 2.7 – Fator medida.
OSTENSIVO - 2-10 - R E V. 3.
• AFERIÇÃO
• CALIBRAÇÃO
• POSIÇÃO
• INSTRUÇÕES
• PROCEDIMENTOS
• DISPONIBILIDADE
• SOLICITAÇÕES IMPOSTAS
• CONDIÇÕES
• INSTALAÇÕES
• DISPONIBILIDADE
• QUALIFICAÇÃO
• QUANTIDADE
E
F
E
IT
O
Mão-de-Obra Material Máquina
Meio Ambiente MEDIDA Método
• FORNECEDORES
• ESPECIFICAÇÕES
• QUANTIDADE
OSTENSIVO CIAA-112/010
Ao analisar o fator Medida, você verifica quais são os aspectos que podem interferir
positiva ou negativamente num processo.
f) O Fator Meio Ambiente (Fig. 2.8)
Inclui as condições ou aspectos ambientais que podem afetar o processo.
Veja, agora, alguns aspectos relativos ao Meio Ambiente:
- Iluminação; temperatura; umidade; ruído e vibração;
- Limpeza e arrumação;
- Cheiro;
- Leiaute; e
- Equilíbrio, etc.
Ao analisar o fator Meio Ambiente, você verifica quais são os aspectos, que podem
afetar o desempenho da mão-de-obra, e as características dos materiais e das
máquinas, que comprometem, desta forma, a exatidão das medidas e, ainda, alteram
outros detalhes, que podiam modificar o resultado ou o efeito esperado.
Figura 2.8 – Fator meio ambiente.
Observe os exemplos a seguir:
- Trabalhar em local excessivamente quente, quando é possível refrigerá-lo; e
- Trabalhar em locais onde as máquinas estão muito juntas, impedindo a circulação
das pessoas.
Imagine, agora, um exemplo bem prático, que reúna todos estes fatores de
manufatura: uma pescaria, durante as férias, no rio Araguaia.
OSTENSIVO - 2-11 - R E V. 3.
• INSTALAÇÕES
• CLIMA
• ILUMINAÇÃO
• LIMPEZA
• ARRUMAÇÃO
• AFERIÇÃO
• CALIBRAÇÃO
• POSIÇÃO
• INSTRUÇÕES
• PROCEDIMENTOS
• DISPONIBILIDADE
• SOLICITAÇÕES IMPOSTAS
• CONDIÇÕES
• INSTALAÇÕES• DISPONIBILIDADE
• QUALIFICAÇÃO
• QUANTIDADE
E
F
E
IT
O
Mão-de-Obra Material Máquina
MEIO AMBIENTE Medida Método
• FORNECEDORES
• ESPECIFICAÇÕES
• QUANTIDADE
OSTENSIVO CIAA-112/010
Você deve começar pela análise, que consiste em descobrir e detalhar, para cada um
dos m, o que pode afetar a pescaria:
I) Para o fator Mão-de-Obra:
Pensando bem, você tem que verificar todos os aspectos relativos a Pessoal, para
se precaver de possíveis contratempos.
- No grupo tem algum médico, mecânico ou cozinheiro?
- Todos sabem pescar?
- Todos se relacionam bem?
- Têm boa saúde;
- Quantas pessoas vão? Etc.
II) Para o fator Método:
Dependendo do que você pretenda pescar, da época, da legislação, do local, o
método tem que ser muito bem avaliado.
Conforme o caso, os procedimentos a serem seguidos têm que ser específicos,
pois, do contrário, podem comprometer o sucesso da sua pescaria.
III) Para o fator Material:
Você deve decidir sobre o que será útil na pescaria e selecionar os materiais
necessários.
IV) Para o fator Máquina:
Você deve verificar todos os aspectos relativos às máquinas, aos equipamentos e
às instalações, a fim de evitar imprevistos durante a pescaria.
V) Para o fator Medida:
É necessário calcular as distâncias, os tempos, os consumos e os gastos de cada
pessoa. Não se esqueça de que a quantidade de combustível também é importante.
Você precisa ter certeza de que as medidas são confiáveis.
VI) Para o fator Meio Ambiente:
É necessário analisar os aspectos ambientais que podem influenciar a pescaria.
- A lua está boa para pescaria?
- Será que tem muito mosquito?
- Qual a condição da estrada?
- É época de seca ou de chuva?
Agindo desta forma, o processo de planejamento da pescaria no Araguaia tem
grande chance de dar certo.
Os 6M vão ajudá-lo a evitar imprevistos desagradáveis.
OSTENSIVO - 2-12 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Durante este trabalho, você estava executando um processo de planejamento.
Logo, uma vez que a organização se constitui num conjunto de processos, cada
um deles deve ser analisado com base nos 6M.
Quando algo não sai bem, ou seja, o efeito desejado não é obtido, suas causas
devem ser procuradas dentro dos 6M.
2.2 – O MÉTODO GERENCIAL PDCA
Toda a filosofia da GQT está baseada no controle de processos. Isto se explica pelo fato de
todo trabalho humano ser realizado através de processos. Assim, podemos imaginar o
hospital como um grande processo (serviços administrativos, manutenção, diagnósticos,
cuidados médicos e de enfermagem, lavanderia, farmácia, etc), cujo efeito final seria o
tratamento de doentes.
É claro que, quanto mais simples o processo, mais fácil se torna gerenciá-lo. A GQT
propõe a subdivisão desses processos em outros menores, para facilitar o seu controle.
Assim, o processo farmácia poderia ser subdividido, por exemplo, em compra, estocagem,
distribuição e controle de estoque. Cada um desses processos, por sua vez, poderia ser
novamente desmembrado. Controlando-se os processos menores, é possível localizar mais
facilmente os problemas e agir sobre sua causa fundamental. Controle, do ponto de vista da
GQT, é detectar os problemas (metas não atingidas e resultados indesejáveis), analisar
estes problemas, buscando as suas causas, e atuar sobre elas, para modificar o resultado, de
forma que ele se torne exatamente aquele que planejamos e desejamos (Fig. 2.9).
Figura 2.9 – Controle de processo.
OSTENSIVO - 2-13 - R E V. 3.
C
O
N
T
R
O
LA
R
ATUAR
(SOBRE AS CAUSAS, PARA MELHORAR
OS RESULTADOS)
ANALISAR
(BUSCAR CAUSAS)
DETECTAR PROBLEMAS
(RESULTADOS INDESEJÁVEIS)
OSTENSIVO CIAA-112/010
Tradicionalmente, a administração dos serviços de saúde tem-se preocupado
prioritariamente com a avaliação de resultados: mortalidade, taxa de ocupação de leitos,
índice de infecção.
Por que a GQT coloca toda essa ênfase no controle dos processos? Este é sem dúvida um
dos pontos mais importantes dentro do conceito de GQT. O controle dos processos é
absolutamente fundamental porque, de acordo com o Prof. W. E. DEMING, de 85 a 95 dos
problemas são resultado de falha nos processos, e não de falha das pessoas. Isto é uma
incrível mudança de referencial. Diante de um problema, a nossa primeira tendência, em
geral, é procurar o “culpado” – “quem fez isso?”. Quando deveria ser “por que isso
aconteceu?”. Quantas vezes temos visto organizações permeadas pela cultura do medo, em
que as más notícias devem ser ocultadas, maquiando-se dados, e, quando não houver
nenhuma maneira de ocultá-las, é melhor que se coloque a culpa em outro – alguém tem
que ser o bode expiatório – “as responsabilidades serão apuradas e os culpados serão
punidos”. A GQT, ao contrário, encara cada problema, cada mau resultado, como uma
oportunidade para melhorar – uma chance de se estudar o processo, descobrir exatamente
qual foi a causa fundamental que originou aquele resultado indesejável, e atuar nessa
causa, bloqueando-a, para que ele não volte a ocorrer.
Deixados sem controle, a tendência natural dos processos é de deterioração progressiva,
gerando efeitos (produtos ou serviços) de qualidade cada vez pior. Para evitar que isso
aconteça e manter a qualidade, é necessário colocar em ação mecanismos de controle.
Para conseguirmos controlar com êxito os processos, é preciso que lancemos mão de um
método, um caminho, com ferramentas e técnicas específicas, que nos permita chegar onde
desejamos. Dentro da Gestão da Qualidade Total, este método é o Ciclo PDCA de Controle
de Processos (Fig. 2.10).
O ciclo PDCA foi desenvolvido por WALTER A. SHEWART na década de 20, mas
começou a ser conhecido como ciclo de DEMING em 1950, por ter sido amplamente
difundido por este. É uma técnica simples que visa o controle do processo, podendo ser
usado de forma contínua para o gerenciamento das atividades de uma organização.
O ciclo PDCA é um método que visa controlar e conseguir resultados eficazes e confiáveis
nas atividades de uma organização. É um eficiente modo de apresentar uma melhoria no
processo. Padroniza as informações do controle da qualidade, evita erros lógicos nas
análises, e torna as informações mais fáceis de entender. Pode também ser usado para
facilitar a transição para o estilo de administração direcionada para melhoria contínua.
OSTENSIVO - 2-14 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Este ciclo está composto em quatro fases básicas: Planejar, Executar, Verificar e Atuar
corretivamente. São as iniciais de quatro palavras, em inglês, dispostas em círculo, que
significam:
Figura 2.10 – Ciclo PDCA.
a) P (Planejamento)
Este passo é estabelecido com bases nas diretrizes da organização. Quando traçamos um
plano, temos três pontos importantes para considerar:
1) Estabelecer os objetivos, sobre os itens de controles;
2) Estabelecer o caminho para atingi-los; e
3) Decidir quais os métodos a serem usados para consegui-los.
Depois de definidas estas metas e objetivos, deve-se estabelecer uma metodologia
adequada para atingir os resultados.
b) D (Execução)
Neste passo pode ser abordado em três pontosimportantes:
1) Treinar no trabalho o método a ser empregado;
2) Executar o método; e
3) Coletar os dados para verificação do processo.
Neste passo devem ser executadas as tarefas exatamente como estão previstas nos
planos.
c) C (Verificação)
Neste passo, verificamos o processo e avaliamos os resultados obtidos:
OSTENSIVO - 2-15 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
1) Verificar se o trabalho está sendo realizado de acordo com o padrão;
2) Verificar se os valores medidos variaram, e comparar os resultados com o padrão; e
3) Verificar se os itens de controle correspondem com os valores dos objetivos.
d) A (Ação Corretiva)
Tomar ações baseadas nos resultados apresentados na verificação.
a) Se o trabalho desviar do padrão, tomar ações para corrigir estes;
b) Se um resultado estiver fora do padrão, investigar as causas e tomar ações para
prevenir e corrigi-lo; e
c) Melhorar o sistema de trabalho e o método.
2.2.1 - Ciclo PDCA da Rotina (Fig. 2.11)
A Rotina é a situação de estabilidade do processo, onde os resultados são previsíveis, os
procedimentos são repetitivos e, portanto, é conveniente que eles sejam padronizados,
para que todas as pessoas façam o trabalho do mesmo modo.
Figura 2.11 – Ciclo PDCA da Rotina.
OSTENSIVO - 2-16 - R E V. 3.
A P
C D
SISTEMA DE VERIFICAÇÃO
EXECUTAR CONFORME O
SISTEMA DE PADRÕES.
PADRÕES
Situação
Normal
Análise de Processo
Bloqueio
Alteração do Padrão
OK?
SIM
NÃO
ITEM DE
CONTROLE
TREINAMENTO NO TRABALHO
(Manual de Treinamento)
Situação Anormal
(Padrão obedecido)
Situação Anormal
(Padrão não
obedecido)
SISTEMA DE PADRÕES
(Projeto do Processo)
METODOLOGIA DE SOLUÇÃO DE
PROBBLEMAS
TEMPO
OSTENSIVO CIAA-112/010
O gerenciamento de processos repetitivos pelo método do ciclo PDCA é feito da
seguinte maneira (Fig. 2.11):
a) Fase P
Consta dos padrões, do processo que inclui os padrões de procedimentos, os padrões
técnicos, os padrões de controle e os manuais de treinamento. Este sistema de
padrões deve ser estabelecido de tal amaneira que faça chegar ao executor das tarefas
todas as informações de procedimentos técnicos e de controle, de forma clara,
simples, para facilitar o seu entendimento. Deve existir um padrão para cada tarefa.
b) Fase D
É o estágio em que o operador aprende (educação) e exercita o que fazer
(treinamento), conforme os padrões da execução do trabalho, fazendo a necessária
coleta de dados (dos resultados).
c) Fase C
Consiste em verificar se os resultados estão de acordo com o que se espera (padrão).
d) Fase A
Consta da ação necessária para correção do que estiver errado. Pode ser necessário
repetir o treinamento ou até mesmo alterar os padrões se for constatado que eles
estão errados ou são inexequíveis.
Na execução diária do seu trabalho, você deve ter a preocupação constante em
cumprir os padrões e compará-los com os resultados prescritos nestes. Para isso deve
fazer as anotações que forem necessárias (coleta de dados).
2.2.2 - Ciclo PDCA da Melhoria
Melhoria é uma ação administrativa para estabelecer novas metas. Esta ação implica no
estabelecimento de um plano para atingir este novo patamar. Isto é feito através da
Análise do Processo para determinar o que deve e pode ser modificado para que a
Melhoria seja conseguida.
Durante a ação da Melhoria, as fases do Ciclo PDCA, têm um conteúdo transitório
porque a Melhoria é uma fase intermediária entre duas rotinas.
A observação da Fig. 2.12 permite constatar, que as suas fases são diferentes do caso da
Rotina.
a) Fase P
É o estágio onde é discutido o plano, os custos, tempo, novos procedimentos, nova
tecnologia, etc.
OSTENSIVO - 2-17 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
No caso, ainda podemos falar em padrões, porque nada foi definido, a análise do
processo está sendo praticada, somente após se estabelecer o que vai ser modificado
passa-se a fase seguinte.
b) Fase D
É o estágio experimental, de executar o que está sendo planejado. Neste estágio é
importante fazer anotações (coleta de dados).
Cada um no seu nível executa as modificações planejadas observando e anotando os
resultados.
Figura 2.12 – Ciclo PDCA da Melhoria.
OSTENSIVO - 2-18 - R E V. 3.
A P
C D
SUBORDINADO
TAMBÉM
CONTROLA SEU
PLANO E NÃO SUA
META
SIM
NÃO
CONCLUSÃO DOS
PROJETOS
4
3
2
1
0
J F M A MJ J A S O N D
C
U
S
T
O
S
MESES
META
PLANO
A B C D
PROJETO
EM DIA?
PLANO É
VIÁVEL?
ALTERAÇÃO
DO PLANO
REUNIÃO DO
CHEFE COM
EQUIPE
CHEFE AJUDA
SUBORDINADO
A RECUPERAR
O PRAZO
SIM
NÃO
EXECUÇÃO DOS
PROJETOS
PELAS EQUIPES
A P
C D
CONTINUE A
EXECUTAR DE
ACORDO COM O
PLANEJADO
A P
C D
A P
C D
A P
C D
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Fase C
É o estágio da verificação dos resultados do que foi testado no estágio anterior. As
pessoas envolvidas com as ações de melhoria se reúnem para checar os resultados,
utilizando-se da coleta de dados feita no estágio anterior.
d) Fase A
É o estágio no qual se fazem as correções necessárias no plano.
A partir daí repete-se todo o ciclo até que se consiga a consistência da meta desejada,
que passará a ser a nova rotina do processo. Criam-se então novos padrões, novas
metas e adota-se o ciclo PDCA da rotina.
Um ponto importante a destacar é que através da análise de processo, a nova meta é
atingida e pelo método PDCA ela é mantida.
2.3 – INDICADOR DE QUALIDADE E DE PRODUTIVIDADE
Decisões baseadas em fatos, dados e informações quantitativas formam o elemento
estrutural da moderna Gestão da Qualidade Total.
Portanto, passada a primeira fase do Programa de Qualidade Total, em que a prioridade é a
sensibilização e mobilização das pessoas, a internalização dos conceitos de satisfação dos
clientes (externos e internos) e mudanças de atitude e comportamentos, torna-se necessária
uma segunda fase: a de sistematização e de avaliação dos processos.
Esta sistematização se dá quando ocorre a transformação do Sistema de Gestão Tradicional
para o Sistema de Gestão pela Qualidade. Para que isso aconteça, é fundamental que a
administração disponha de informações de desempenho de cada processo e da organização
como um todo, de modo que possam ser estabelecidas metas desafiadoras, e que possam
ser avaliados os resultados após a execução das atividades, permitindo que as ações
corretivas necessárias sejam providenciadas. É exatamente neste contexto que surgem os
Indica`ores de Desempenho.
ChamAmos de I~dIcadïres de Desempenho a relação matemática entre duas ou mais
medidas de desempenho c/m o objetivo $e medir numericamente atVibwtos de um
processo ou de seus besultados, permitindo comparar estas medidas com metas numéricas
pré-estabelecidas.
Na verdAde, os indicadores são parâmetros representativos dos prgcessos que permitem
quantificá-lïs> No entanto, não pode- ser números que simplesmente`mostrem que há
trabalho sendofeito. Mais do que isso, devem acusar se a organização está fazendo as
coisas qqe devem ser feitas e se elas estão sendo feitas da forma correta.
OSTENSIVO - 2-19 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
O grau de competipividade de uma organazação ou processo em particular é a
zesultante`dos seus graus de “adequação ao u{o, produtividaDe e capacidade”.
A Qualidade é função direta dA “adequação ao uso”, isto é, quanto menos prmblemas o
produto ou serviço fornecido apresentar maior tende a ser a qualidade do mesmo.
Os Custos de um produto ou serviço aumentam ou diminuem em função inversa da
Produtividade. Se um processo é mais produtivo que outro é porque consome menos
recursos por unidade produzida, logo seus custos são menores. Sendo assim maior
produtividade implica em menos custos e menor produtividade em maiores custos.
A Capacidade de uma organização varia na razão inversa do Tempo necessário à produção
do produto ou prestação de serviço. Isto é, quanto maior a capacidade menor o tempo de
resposta (fornecimento ou atendimento) e vice-versa.
Para medir e controlar a competitividade precisamos criar indicadores que a avaliem no
seu conjunto “qualidade, produtividade e capacidade” (Fig. 2.13).
Figura 2.13 – Indicadores.
2.3.1 - Indicadores da Qualidade (Adequação ao Uso)
Medem as saídas dos processos (produtos ou serviços). Qualidade está associada ao
conceito de eficácia, e mede se a organização está fazendo o certo, o que deve ser feito.
OSTENSIVO - 2-20 - R E V. 3.
Qualidade X Produtividade X Capacidade
MEDE CONSUMO
DE RECURSOS COMPETITIVIDADE
CAPACIDADE
ADEQUAÇÃO AO USO
PRODUTIVIDADE
QUALIDADE
MEDE A
VELOCIDADE DE
RESPOSTA
MEDE AS SAÍDAS BOAS
(PRODUTOS/SERVIÇOS)
MEDE O
POTENCIAL DA
ORGANIZAÇÃO
TEMPO
CUSTO
OSTENSIVO CIAA-112/010
Na verdade, quem deve estabelecer a definição do certo e dizer o que deve ser feito é o
cliente daquele processo, ou seja, aquele que irá utilizar os produtos ou serviços gerados
por aquelas atividades. Caso o processo ou atividade em questão seja interno, o cliente
interno do processo será uma pessoa, área, setor ou departamento interno à organização.
Caso trate-se de uma atividade, diretamente em contato com o cliente externo, ele é o
cliente do processo. Por isso, todas as necessidades e expectativas dos clientes devem
ser identificadas e quantificadas, com o consequente estabelecimento das metas a serem
alcançadas. Os Indicadores da Qualidade são externos aos processos, estão estritamente
relacionados com os clientes, visando a eficácia e verificando as saídas dos processos
(produtos e serviços).
a) Fórmula dos Indicadores da Qualidade:
Exemplificando: O resultado da aplicação deste indicador para um processo que
produziu 2000 produtos dos quais 10 foram considerados defeituosos, é igual a:
10
IQ = x 100 = 0,5 % de produtos defeituosos.
2000
2.3.2 - Indicadores da Produtividade
Medem a proporção de recursos consumidos com relação às saídas dos processos. A
Produtividade está ligada ao conceito de eficiência, está dentro dos processos e trata da
utilização de recursos para a geração de produtos ou serviços. Medir o que se passa no
interior dos processos permite identificar problemas e, consequentemente, preveni-los
para que não tragam prejuízos aos clientes.
Lembre-se, fazer da maneira ou forma correta não é o mesmo que fazer o certo ou o que
deveria ser feito – na maioria das vezes, fazemos o que não era para ser feito da forma
mais eficiente possível.
Os Indicadores de Produtividade são muito importantes, uma vez que permitem uma
avaliação precisa do esforço empregado para gerar os produtos e serviços.
OSTENSIVO - 2-21 - R E V. 3.
Total de saídas certas ou erradas
IQ = x 100
Total de saídas (produtos/serviços)
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) Fórmula dos Indicadores da Produtividade:
Exemplificando: O resultado da aplicação deste indicador para um processo que
consumiu R$ 50.000,00 para realizar 1.000 treinamentos é igual a:
R$ 50.000,00
IP = = R$ 50,00/Treinamento
1.000 treinamentos
2.3.3 - Qualidade x Produtividade
Os Indicadores de Qualidade devem andar lado a lado com os de Produtividade,
formando assim, um equilíbrio necessário ao desempenho global da organização (Fig.
2.14).
Qualidade X Produtividade
Figura 2.14 – Qualidade X Produtividade.
Por exemplo: com uma classe de apenas cinco alunos, um professor teria condições de
oferecer serviços de altíssima Qualidade – seus alunos receberiam muito mais atenção.
OSTENSIVO - 2-22 - R E V. 3.
Recursos utilizados Total produzido
IP = ou
Total produzido Recursos utilizados
Q
P
P
Q
OSTENSIVO CIAA-112/010
A Produtividade, entretanto, estaria comprometida: a proporção de um professor para
cinco alunos obrigaria a escola a contratar mais profissionais e aumentar seus custos.
Por outro lado, um professor para cem alunos teria poucas condições de oferecer um
bom trabalho. Embora a Produtividade aumentasse grandemente, a Qualidade
provavelmente cairia.
Observe, portanto, que deve ser dada igual importância aos Indicadores da Qualidade e
da Produtividade, de modo que ao melhorar um deles o outro também melhore. Deve se
ter em mente que a crença de que melhoria na qualidade reflete na produtividade
negativamente, como acontece com os pratos de uma balança, é infundada. A
verdadeira melhoria da Qualidade vai melhorar também a Produtividade.
A Produtividade é aumentada pela melhoria da Qualidade. Este fato é bem conhecido
por uma seleta minoria.
Mas como manter altos níveis de Qualidade e Produtividade ao mesmo tempo?
A Gerência por Processos aliada à utilização da Tecnologia da Informação talvez seja
uma das alternativas de solução mais viável para esse caso. A mesma escola, por
exemplo, poderia ter um professor para duzentos alunos caso sua aula fosse transmitida
por videoconferência ou através de vídeos comuns para debates. A escola poderia,
ainda, adotar o ensino por computador, onde o grau de retenção e aprendizado é pelo
menos seis vezes maior que nos métodos tradicionais. Dependendo do nível de
maturidade da turma, a Qualidade das aulas permaneceria ou poderia até melhorar.
Desta forma, muito mais alunos (clientes) poderiam ser atendidos com o mesmo número
de professores (Produtividade) sem prejuízo do ensino (Qualidade), deixando ambos os
lados da balança equilibrados novamente, mas agora, num patamar bem superior.
2.3.4 – Indicadores da Capacidade
Medem a capacidade de resposta de umprocesso através da relação entre saídas
produzidas por unidade de tempo.
Os resultados do Indicador da Capacidade, juntamente com o da Qualidade e da
Produtividade vão mostrar o quanto é competitiva a organização.
a) Fórmula dos Indicadores da Capacidade:
OSTENSIVO - 2-23 - R E V. 3.
N°°°° de produtos/serviços
IC =
Tempo (ano, mês, semana, dia, hora, etc...)
OSTENSIVO CIAA-112/010
b) Exemplos de Indicadores da Capacidade:
O primeiro e mais importante Indicador da Qualidade é o de Satisfação dos Clientes.
OSTENSIVO - 2-24 - R E V. 3.
N°°°° de identidades produzidas/hora
N°°°° de documentos enviados/semana
N°°°° de exames realizados/dia
OSTENSIVO CIAA-112/010
CAPÍTULO 3
PROGRAMA “5S”
3.1 – OS CINCO SENSOS
Sem dúvida alguma, para se produzir qualidade é necessário ter qualidade de vida no
trabalho, entendendo este conceito como a gestão dinâmica e contingencial de fatores
físicos, tecnológicos e sociopsicológicos que afetam a cultura e renovam o clima
organizacional, refletindo-se no bem-estar dos funcionários e na produtividade das
organizações.
A qualidade de vida no trabalho vai além de salários adequados, melhorias nas instalações,
redução de jornada de trabalho etc. É necessário ultrapassar essa visão mecanicista do ser
humano e compreender que existem outras necessidades no campo social, intelectual,
emocional e espiritual. Impõe-se uma mudança da percepção do trabalho apenas como fonte
de renda, mas também como um meio de realização humana na medida em que possa
satisfazer todas as necessidades acima citadas.
É impossível obter do cliente uma taxa de satisfação maior do que as apresentadas pelos
funcionários responsáveis pelo produto ou serviço oferecido. A insatisfação, a má vontade, o
desconforto e outras situações negativas para o trabalhador incorporar-se-ão de uma forma
ou de outra ao produto, reduzindo o nível de satisfação do cliente.
Felizmente, a percepção da relação positiva produtividade x qualidade de vida no trabalho
parece estar se incorporando à visão dos gerentes modernos.
A Qualidade Total, como filosofia de gestão, passa pelo desenvolvimento de um ambiente
de trabalho agradável onde seja estimulante trabalhar e os funcionários sintam-se
gratificados, alegres e felizes com os resultados do seu trabalho.
Neste contexto, aparece o Programa 5S, que, por ser simples, prático e econômico,
pavimenta o caminho em direção a melhoria da qualidade de vida no trabalho. O Programa
5S, mais simplesmente chamado 5S, contribui para que as pessoas façam um melhor uso dos
recursos, melhorem o local de trabalho através da incorporação de hábitos que, além de
tornar as áreas limpas e organizadas, proporcionam um relacionamento profissional mais
agradável e produtivo. O 5S tem empolgado de certa forma muitas organizações brasileiras,
tanto privadas como públicas, assim como as pessoas, individualmente, porque sua
aplicação pode ser estendida às suas vidas particulares.
A cultura naval não terá qualquer relutância ao 5S, principalmente a bordo dos navios, onde
muitas práticas rotineiras estão perfeitamente inseridas no contexto do programa. A sua
adoção pelas Organizações Militares (OM) contribuirá para o aprimoramento do que já
fazemos.
OSTENSIVO - 3-1 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
3.1.1 – O histórico
O “5S”, ou Programa 5S como é mais conhecido, é um conjunto de cinco conceitos
simples que, ao serem praticados, é capaz de modificar o seu humor, o seu ambiente de
trabalho, a maneira de conduzir suas atividades rotineiras e suas atitudes.
As atividades dos “5S” tiveram início no Japão após a Segunda Guerra Mundial, para
combater a sujeira das fábricas, tendo sido formalmente lançado no Brasil em 1991.
O termo “5S” é derivado de cinco palavras em japonês, todas iniciadas com a letra S. Na
tradução destes termos do japonês para o inglês, conseguiu-se encontrar palavras que
iniciassem com “S” e que tinham o significado aproximado da palavra original. Porém, o
mesmo não ocorreu com a tradução para o português.
A melhor forma encontrada para expressar a abrangência e profundidade do significado
destes termos foi acrescentar o termo “Senso de” antes de cada palavra em português que
mais se aproximasse do termo original. O termo “senso de” significa “exercitar a
capacidade de apreciar, julgar e entender”. Significa ainda a “aplicação correta da razão
para julgar ou raciocinar em cada caso particular”.
Ao conhecer o significado de cada “S” você poderá avaliar melhor o porquê do uso deste
termo auxiliar. Além disto, o seu uso permite manter o nome original do método,
conhecido como Programa “5S”, cuja terminologia é mostrada na Tabela 3.1.
JAPONÊS INGLÊS PORTUGÊS
1° SEIRI SORTING SENSO DE SELEÇÃO
Utilização
Arrumação
Organização
2° SEITON SYSTEMATYZING SENSO DE
ORDENAÇÃO
Sistematização
Classificação
3° SEISOU
SWEEPING SENSO DE LIMPEZA
Zelo
4° SEIKETSU SANITIZING SENSO DE BEM-ESTAR
Higiene
Saúde
Integridade
5° SHITSUKE SELF-DISCIPLINING SENSO DE AUTODISCIPLINA
Educação
Compromisso
Tabela 3.1 – Os Cinco Sensos.
OSTENSIVO - 3-2 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Como você pode ter percebido cada “S” é conhecido por diversas denominações. Porém, a
Marinha adotou a terminologia de cada “S” da seguinte maneira (Tabela 3.2):
Terminologia adotada pela Marinha do Brasil
Primeiro Senso Senso de Seleção
Segundo Senso Senso de Ordenação
Terceiro Senso Senso de Limpeza
Quarto Senso Senso de Bem-Estar
Quinto Senso Senso de Autodisciplina
Tabela 3.2 – Terminologia adotada pela MB.
É, sem dúvida, um programa de reeducação agindo nas pessoas, mudando suas atitudes e
comportamentos em relação aos aspectos físicos do ambiente e nas suas relações com
colegas no trabalho.
3.1.2 – O “5S” e a eficiência do trabalho
Observando a execução de tarefas, normalmente notamos que diversas ações não
significam diretamente “trabalho produtivo”, isto é, “não agregam valor”. Tais ações
improdutivas envolvem manuseio, transporte de objetos (materiais, peças, ferramentas,
etc.), procura de algum item, locomoção, escolha de alguma coisa, solicitação de algo,
mudança de posição, dentre outros. Certamente, nestas situações, os distúrbios causados
pelos movimentos de desperdícios mencionados não contribuem para que as pessoas se
concentrem na execução do serviço, além de significarem perda de tempo.
Observe que a identificação dos itens necessários no local de execução da tarefa, o descarte
dos itens desnecessários, a disposição destes itens em locais próximos ao uso ou aplicação,
a identificação destes, de modo que qualquer pessoa possa reconhecer e localizar
rapidamente, a facilidade de acesso e retorno ao local após uso, a limpeza, a disciplina em
manter o ambiente organizado, constituem ações que eliminam este desperdício e
aumentam a eficiência do trabalho.
3.1.3 – O “5S” e a facilidade de manutenção
Os defeitos e falhas emmáquinas e equipamentos podem ter várias causas. Muitos são
resultantes de procedimentos impróprios, matéria-prima fora da especificação,
afrouxamento de parafusos, lubrificação inadequada, método inadequado para remoção de
materiais estranhos, etc.
OSTENSIVO - 3-3 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
O descarte de peças e componentes obsoletos e velhos previne sua aplicação em máquinas
e equipamentos. A ordenação de peças, materiais e componentes permite a execução de
reparos mais rapidamente. A ordenação de óleos lubrificantes, como por exemplo, a
associação de cores dos tipos de óleo e graxas com as graxeiras e pontos de lubrificação
pode ajudar a prevenir a utilização de óleo/graxa inadequada. A limpeza tem uma profunda
associação com manutenção. A identificação de pequenos defeitos durante a limpeza pode
prevenir falha futura. A lubrificação inadequada assume dois aspectos: a falta dele ou a
deterioração de suas características. Desse modo, defeitos e falhas podem ser evitados se
os níveis de lubrificação estiverem sendo verificados periodicamente, pela remoção de
sujeira, poeira e água. Materiais estranhos contaminando lubrificantes podem ser
responsáveis por travamento, arranhões, desgastes prematuros, danos nas superfícies
deslizantes, ruídos e vibrações anormais, deterioração do lubrificante com perda de suas
propriedades, etc.
Como podemos perceber a adoção dos conceitos do Programa “5S” pode ser um aliado na
melhoria da qualidade da manutenção, na facilidade, bem como na prevenção de falhas e
defeitos.
3.1.4 – O “5S” e a segurança no trabalho
A busca de procedimentos seguros conduz à elaboração de padrões operacionais ideais.
Operação segura é garantida quando os padrões operacionais são observados, constituindo
o “5S” uma boa ferramenta para obtenção de condições ambientais seguras, onde as
pessoas podem exercer sua função confortavelmente, além de constituir um instrumento
poderoso de educação e na adoção de atitudes proativas na busca da melhoria do ambiente
de trabalho.
Objetos desnecessários nos locais de trabalho podem ser agentes causadores de acidentes.
A definição de área para trânsito de pessoas, carga e de materiais indicadas claramente,
sinalização adequada de áreas são ações de prevenção de acidente.
A regulamentação de uso/manuseio de materiais perigosos, avisos de advertência com
sinalização visível são fundamentais para que cada pessoa possa visualmente reconhecer e
conduzir ações seguras nos locais de trabalho.
Obstáculos próximos ou obstruindo saídas de emergência ou extintores de incêndio devem
ser removidos para permitir ações rápidas em caso de emergência. A verificação de locais
perigosos e riscos no ambiente de trabalho é o primeiro passo para adoção de medidas
corretivas (eliminação de poeira, mau cheiro, excesso de umidade e calor, etc.), buscando
contribuir para a manutenção da saúde e integridade das pessoas.
OSTENSIVO - 3-4 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
3.1.5 – O “5S” e o dia-a-dia
A contratação de uma faxineira periodicamente pode nos transmitir a certeza de ter a casa
sempre limpa e organizado. A faxineira é capaz de dispor adequadamente todo o
mobiliário e utensílios da casa, retirar a sujeira do chão, do teto, das gavetas, organizar os
armários e prateleiras. Porém, é fato que algum tempo depois de executado seu trabalho, às
vezes horas depois, os chinelos estarão novamente espalhados e fora do lugar, o tapete
sujo, gavetas desarrumadas, livros e revistas espanhadas, etc.
Além da arrumação visível, a faxineira não é capaz de identificar se os remédios devem
ficar aqui ou ali. Se estiverem, no lugar que deveriam estar, se estiverem vencidos e devem
ser descartados, se os eletrodomésticos estarão sempre disponíveis em seus lugares, fáceis
de serem encontrados, limpos e em perfeito estado. Se os procedimentos dos membros da
família no cotidiano refletem preocupação som a segurança, com economia com o não
desperdício, com a afetividade e a compreensão.
Não é incomum adquirir um novo abridor de latas, pois não encontramos o antigo. Os
armários e gavetas estarem sendo ocupados por objetos sem serventia. Alimentos sendo
consumidos com a data de validade vencida. Crianças se acidentando com facas ou
fósforos esquecidos sobre algum móvel. Televisão ligada para a sala vazia. Luzes acesas
desnecessariamente. Comida feita em excesso indo para o lixo. Objetos entulhados nos
cantos ocupando espaço. Muitas outras cenas como estas também não são incomuns. Basta
parar e observar.
Da mesma forma como a faxineira, o trabalho dos garis não impede que haja lixo nas ruas
e calçadas das cidades e que as lixeiras públicas, colocadas estrategicamente, permaneçam
vazias ou depredadas.
A partir destes exemplos, você pode avaliar a aplicação dos conceitos dos cinco sensos na
sua vida cotidiana e como podem ajudar a melhorar a sua rotina, o seu bolso, o seu
ambiente, e constituir um instrumento de educação para o convívio com seu dia-a-dia.
3.1.6 – Os benefícios do “5s”
A leitura do texto até aqui deve ter sido suficiente para você avaliar a potencialidade desta
ferramenta e o quanto você pode incorporar de mudanças positivas na sua vida em todas as
dimensões seja pessoal, profissional, social ou familiar.
Compreendendo e incorporando os conceitos através da sua prática, você poderá completar
a Tabela 3.3, que mostra os benefícios que poderão ser obtidos a partir da aplicação dos
conceitos do “5S”.
OSTENSIVO - 3-5 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A tabela em questão é um “Diagrama de Matriz” onde são relacionados vários benefícios
ou ganhos que constatamos na nossa experiência de implantação do programa com cada
um dos Sensos.
Observe que cada benefício se relaciona com todos os Sensos, mesmo que com
intensidades diferentes.
Exemplo: O benefício “Otimização de Espaços” tem uma relação forte (�) com o 1° e o 5°
S, média (♦) com o 2° S e fraca (•) com o 3° e 4° S.
Sabendo que a lista dos benefícios não termina por aí, propomos que você a complete
através da sua prática.
Efeitos Positivos 1° S 2° S 3° S 4° S 5° S
Otimização de espaços � ♦ • • �
Minimização de excessos � • ♦ • �
Consciência do desperdício � • � • •
Redução do tempo improdutivo ♦ � • ♦ �
Consciência da importância do controle ♦ � ♦ • ♦
Aumento da vida útil de equipamentos • • � ♦ �
Propicia a detecção de defeitos e falhas ♦ • � ♦ •
Melhoria do aspecto visual do ambiente � � � ♦ ♦
Melhoria das relações interpessoais • � � ♦ ♦
Melhoria da comunicação • � • • �
Evidencia a importância do padrão � � � � ♦
Desenvolve o espírito de equipe � � � ♦ ♦
Controle sobre itens de consumo � � ♦ • •
Estimula a criatividade � � � • •
Reduz risco de acidentes � � � • �
Reduz risco de doenças funcionais ♦ • � � ♦
Reduz os efeitos de agentes poluentes ♦ • � � ♦
Promove a redução de custos � � � � �
Legenda: � Relação Forte ♦ Relação Média • Relação Fraca
Tabela 3.3 – Benefícios dos “5S”.
OSTENSIVO - 3-6 - R E V. 3.
OSTENSIVOCIAA-112/010
Você vai conhecer agora os conceitos de cada “S” e alguns comentários sobre cada um
deles, de modo que você possa perceber e avaliar a abrangência e aplicação prática de cada
conceito.
3.2 - IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA 5S
3.2.1 – O senso de seleção
Selecionar significa separar o necessário para a adequada execução do trabalho daquilo que
é desnecessário.
Ter senso de seleção é identificar materiais, equipamento, ferramentas, utensílios,
informações e dados desnecessários, descartando ou dando a devida destinação àquilo
considerado desnecessário ao exercício das atividades.
Guardar coisas é instinto do homem, entretanto, guardar coisas desnecessárias é onerar a
organização. Portanto, o Senso de Seleção pressupõe que além de identificar os excessos
e/ou desperdícios, estejamos também preocupados em identificar o porquê do excesso, de
modo que medidas preventivas possam ser adotadas para evitar que o acúmulo destes
excessos volte a ocorrer. Na terminologia da Qualidade, denominamos esta ação de
bloqueio das causas.
Observe que este conceito pode ser aplicado em casa (na cozinha, na despensa, na
geladeira, no quarto das crianças, na garagem, etc), na escola, no lazer, etc. Como
exemplo, basta verificar aquele espaço da casa onde colocamos tudo que não serve: os
brinquedos quebrados que não usamos mais, a roupa velha que guardamos, as revistas e
jornais que jamais serão lidos novamente, dentre outros exemplos que você está
imaginando.
No sentido mais amplo, o Senso de Seleção abrange ainda outra dimensão. Nesta outra
dimensão, ter Senso de Seleção é preservar consigo apenas os sentimentos valiosos como
amor, amizade, sinceridade, companheirismo, compreensão, descartando aqueles
sentimentos negativos e criando atitudes positivas para fortalecer e ampliar a convivência
apenas com sentimentos valiosos.
a) Como selecionar
S
E
LE
Ç
Ã
O
Itens necessários • Usados constantemente
• Usados ocasionalmente
• Usados raramente
Itens desnecessários • Potencialmente úteis
• Sem uso potencial
• Sem utilidade
Tabela 3.4 – Metodologia para selecionar
OSTENSIVO - 3-7 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
b) Como identificar o desnecessário:
I) Estantes e armários;
II) Sobre a mesa e dentro de gavetas;
III) Paredes e quadro de avisos;
IV) Ao lado de colunas e sob as escadas; e
V) Corredores e partes externas.
c) Como eliminar o desnecessário:
Examine os locais onde, normalmente, as coisas se acumulam.
Tabela 3.5 – Metodologia para descartar
d) Recomendações para a seleção:
I) Definir com o encarregado do SISBENF os procedimentos requeridos para uma
transferência ou alienação de materiais e equipamentos;
II) Determinar áreas de armazenamento para os objetos considerados desnecessários;
III) Adequar a quantidade de mobiliário às necessidades do trabalho;
IV) Eliminar os documentos em duplicidade e não-pertinentes ao setor;
V) Atualizar os documentos e dados importantes para o setor;
VI) Agrupar os documentos de acordo com a natureza ou aplicação;
VII) Adequar os estoques às necessidades de consumo de cada item;
OSTENSIVO - 3-8 - R E V. 3.
LEVANTAMENTO GERAL.
(Envolvendo todos do setor de trabalho)
PESQUISAR A FREQÜÊNCIA DE USO DOS ITENS,
MATERIAIS E EQUIPAMENTOS.
(Envolvendo todos do setor de trabalho)
CALSSIFICAR OS ITENS MATERIAIS, E EQUIPAMENTOS.
(Envolvendo todos do setor de trabalho)
REPARÁVEL? SERVÍVEL?
CONSERTAR ORDENAR DESCARTAR
INSERVÍVEL
OSTENSIVO CIAA-112/010
VIII) Estabelecer uma forma de controle de consumo para criar um histórico;
IX) Estabelecer procedimentos para aquisição de material;
X) Elaborar procedimentos para recebimento, guarda, expedição e descarte de
documentos;
XI) Elabore procedimentos definindo quando e como os estoques devem ser repostos;
XII) Evitar guardar coisas “temporariamente” na concepção de que serão utilizados
alguns dias;
XIII) Antes de descartar algum objeto, verifique se não são úteis a outras pessoas ou
setores;
XIV) Fazer o registro de imagens (fotografias ou filmagem) da situação antes e depois da
aplicação deste Senso;
XV) Registrar o volume de objetos retirados do local de trabalho; e
XVI) Lembre-se que selecionar é um processo contínuo, portanto esteja sempre atento ao
acúmulo de coisas desnecessárias.
e) Benefícios do Senso de Seleção:
I) Eliminação de material desnecessário;
II) Reaproveitamento de recursos (realocação de materiais);
III) Evitar compras desnecessárias de material;
IV) Identificação e eliminação de desperdícios;
V) Liberação de espaço; e
VI) Visual do setor de trabalho mais agradável.
“Guardar coisas sem utilidade ou em excesso onera a organização”.
3.2.2 – O senso de ordenação
Ordenar significa guardar organizadamente os objetos, equipamentos e informações que
são necessárias ao bom desempenho do trabalho, de modo que possam ser acessados
rapidamente por todos que deles necessitem.
Ter Senso de Ordenação é definir local apropriado e critérios para estocar, guardar ou
dispor materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados de modo a
facilitar o seu uso e manuseio, facilitar a procura, localização e guarda de qualquer item.
Popularmente significa “um lugar para cada coisa e cada coisa no seu devido lugar”.
Na definição dos locais apropriados, adota-se como critério a facilidade para estocagem,
identificação, manuseio, reposição, retorno ao local de origem após uso, consumo dos itens
mais antigos primeiro, dentre outros.
OSTENSIVO - 3-9 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Da mesma forma que o Senso de Seleção, este senso se aplica no seu dia-a-dia. Não é
incomum a cena de correria pela manhã à procura da agenda, dos documentos pessoais,
dos cadernos, das chaves e dos documentos do carro. E na hora de declarar o imposto de
renda? É aquela dificuldade para encontrar os documentos, recibos, a declaração do ano
anterior. E as idas e vindas ao supermercado? Cada hora falta alguma coisa para comprar.
Estas e outras cenas são evitáveis com a aplicação do Senso de Ordenação.
Na dimensão mais ampla, ter Senso de Ordenação é distribuir adequadamente o seu tempo
dedicado ao trabalho, ao lazer, à família, aos amigos. É, ainda, não misturar suas
preferências profissionais com as pessoas, ter postura coerente, serenidade nas suas
decisões, valorizar e elogiar os atos bons, incentivar as pessoas e não somente criticá-las.
a) Como ordenar:
O principal critério de ordenação é a frequência de uso dos objetos, equipamentos,
informações, etc., conforme apresentado a seguir.
C
LA
S
S
IF
IC
A
Ç
Ã
O
COMO CLASSIFICAR COMO ORDENAR
IT
E
N
S
N
E
C
E
S
S
Á
R
IO
S • Usados constantemente • Colocar ao alcance das mãos
• Usados ocasionalmente • Coloque em lugar próximo
• Usados raramente • Coloque em lugar adequado
IT
E
N
S
D
E
S
N
E
C
E
S
S
Á
R
IO
S
• Potencialmente úteis
• Enviar para a área de descarte
• Sem uso potencial
• Sem utilidade
Tabela 3.6 – Metodologia para ordenar
b) Recomendações para a ordenação
I) Determine um lugar para cada coisa e garanta que cada coisa esteja no seu devido
lugar;
II) Criar o hábito de, após o uso, recolocar sempremateriais, ferramentas e
equipamentos no local determinado;
III) Tenha em mente que a ordenação tem como objetivo facilitar a busca, a guarda, a
reposição e a localização;
IV) Padronize nomes, nomenclatura de dispositivos, documentos e matéria-prima,
utilizando sempre aqueles que sejam de conhecimento geral e mais usual;
OSTENSIVO - 3-10 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
V) Todas as coisas devem ter um nome e os nomes devem ser de conhecimento de
todos;
VI) Explore a comunicação visual utilizando formas e cores;
VII) Providencie sinalização de segurança para todas as máquinas e equipamentos;
VIII) Garanta a identificação rápida daquilo que está fora do lugar, sobrando ou faltando;
IX) Oriente a guarda e acondicionamento pela praticidade de localização, guarda e
retirada dos elementos;
X) A forma de ordenar deve garantir a integridade dos dispositivos, matéria-prima e
documentos;
XI) Existem dispositivos, matéria-prima e documentos que requerem cuidados especiais
para guarda e manuseio. Siga as instruções inerentes;
XII) Ordenar o material perecível de forma que os itens mais velhos sejam consumidos
primeiro;
XIII) Desenvolva um sistema de arquivo de informações adequado (papel; magnético;
microfilme; etc.);
XIV) Adote a campanha do “um é melhor” (arquivos de uma cópia; utilização de uma
caneta, um lápis; localização única; reuniões de uma hora; etc.); e
XV) Controle o seu estoque para evitar a falta ou excesso de material. A tabela 3.7 a
seguir fornece uma sugestão de gerenciamento de estoque.
G
er
en
ci
am
en
to
d
e
es
to
qu
e
• Itens em falta • Defina níveis mínimos necessários; e
• Informe que foi feito um pedido para repor.
• Itens em uso • Identifique quem está utilizando e quando
devolverá.
• Perda • Defina a quantidade necessária; e
• Identifique os locais vazios claramente.
Tabela 3.7 – Gerenciamento de Estoque.
c) Benefícios do Senso de Ordenação
I) Rapidez e facilidade na busca de objetos e documentos;
II) Rapidez no atendimento a clientes e fornecedores;
III) Controle sobre o que cada um efetivamente utiliza;
IV) Melhoria do ambiente de trabalho e da imagem do setor;
V) Redução de acidentes;
VI) Evacuação rápida em caso de acidentes;
VII) Melhor utilização do tempo;
OSTENSIVO - 3-11 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
VIII) Melhor utilização do espaço e do material existente; e
IX) Facilidade na comunicação, porque a linguagem utilizada é de conhecimento de
todos.
“Um lugar para cada coisa e cada coisa no seu devido lugar” .
3.2.3 – O senso de limpeza
Pode-se começar varrendo conselho do Prof. Ishikawa sobre o início das ações em
direção a Qualidade Total nas organizações. Este Senso é literalmente lavar, varrer,
retirar o lixo e principalmente evitar sujar eliminando as fontes de sujeira.
Ter Senso de Limpeza é eliminar a sujeira ou objetos estranhos para manter limpo o
ambiente (teto, parede, piso, portas, janelas, estantes, armários, mesas, gavetas) bem
como manter dados e informações atualizadas para garantir a correta tomada de decisões.
O mais importante neste conceito não é o ato de limpar, mas o hábito de “não sujar”. Isto
significa que além de limpar é preciso identificar a fonte de sujeira e as respectivas
causas, de modo a podermos evitar que isto ocorra (bloqueio das causas).
No conceito mais amplo, ter Senso de Limpeza significa eliminar todo e qualquer mau
hábito, desperdício, erros, procedimentos errados, qualquer tipo de poluição. Ter Senso
de Limpeza é procurar ser honesto ao expressar, ser transparente, sem segundas intenções
com os amigos, com a família, com os subordinados, com os vizinhos, etc.
Veja na Tabela 8 a seguir os três níveis básicos de limpeza.
Li
m
pe
za
Geral • Limpar tudo e tratar das causas gerais.
Individual • Limpar o local de trabalho e equipamentos específicos.
Detalhada • Limpar objetos e ferramentas específicas, identificar e corrigir
as causas da sujeira.
Tabela 3.8 – Níveis de Limpeza.
a) Recomendações para o Senso de Limpeza
I) Estabeleça uma rotina de limpeza. Defina o que limpar, quem limpa, quando, onde
e como limpar;
II) Mantenha o ambiente sempre limpo, mesmo que no início a frequência de limpeza
seja alta. Isto inibe as pessoas a sujar;
III) Sujeira não é apenas poeira, lixo, restos, sobras e odor. Dados desatualizados,
relatórios e quadros de avisos poluídos são também consideradas fontes de sujeira;
IV) Manuais, componentes, instrumentos e peças obsoletos ou em desuso constituem
sujeira;
OSTENSIVO - 3-12 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
V) Via de regra a fonte de sujeira está no comportamento das pessoas. Manusear
dosumentos com mãos sujas e não limpar os pés ao adentrar em um recinto são
hábitos que devem ser modificados. Crie formas de evitar que isto ocorra;
VI) Adote o princípio “Quem suja impa”;
VII) tenha em mente que se não houve sujeira, não será necessário limpar;
VIII) Procure sempre definir “o que” não está indo bem. Defina as causas e crie formas
de bloqueio;
IX) Crie procedimentos para limpeza após o uso de quaisquer equipamentos,
instrumentos, ferramentas ou ambiente;
X) Não forçar: não utilizar uma máquina, equipamento ou ferramenta fora das suas
especificações;
XI) Não desperdiçar: não desperdiçar significa não colocar matéria-prima além do
necessário para determinada produção; e
XII) Não variar: não variar significa controlar com rigor os pontos de controle do
processo (temperatura, pressão, vazão, etc.) de modo a ter qualidade no produto.
b) Benefícios do Senso de Limpeza:
I) Ambiente de trabalho agradável;
II) Impressão positiva aos clientes e visitante;
III) Maior controle sobre a manutenção do material;
IV) Aumento da vida útil de máquinas, equipamentos e ferramentas;
V) Eliminação do desperdício; e
VI) Prevenção de acidentes.
“Mais importante do que limpar, é não sujar!”.
3.2.4 – O senso de bem-estar
Ter Senso de Bem-Estar significa criar condições favoráveis à saúde física e mental,
garantir ambiente não agressivo e livre de agentes poluidores, manter as boas condições
sanitárias nas áreas comuns (lavatórios, banheiros, sanitários, camarotes, áreas de lazer,
alojamentos, refeitórios, cozinha, etc.), zelar pela higiene pessoal (uniformes limpos e
passados, cabelos cortados, barba feita, sapatos engraxados, cintos polidos, etc.) e cuidar
para que as informações e comunicações sejam claras, de fácil leitura e compreensão.
O termo Bem-estar consiste na padronização das condições ambientais que foram
conseguidas até agora com os três “S” anteriores. A padronização é necessária para evitar
que cada um faça as coisas do seu jeito, segundo seus critérios pessoais.
OSTENSIVO - 3-13 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Neste senso é oportuno o estabelecimento, se não houver, de normas de segurança no
trabalho, alimentação saudável, prática de exercícios físicos, inspeção regular da saúde,
hábitos sadios para evitar o nervosismo e boas condições sanitárias etc.
Atualmente, as preocupações com os aspectosergométricos estão muito presentes nas
organizações, principalmente com o intenso uso dos computadores que fizeram aparecer
com alguma frequência as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), ou Doenças
Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT). Na medida do possível, o
mobiliário do setor de trabalho deve ser substituído por móveis desenvolvidos segundo
conceitos modernos de ergonomia.
A efetividade desse senso é atingida pela escrituração das normas necessárias para
padronizar os procedimentos introduzidos pelos três “S” anteriores e introdução do
gerenciamento visual para orientação do pessoal, tal qual já existe em muitas
organizações nos procedimentos de “Controle de Avarias (CAV), sinalização de vias,
etc”.
a) Recomendações para o Senso de Bem-Estar:
I) O Senso de Bem-Estar será alcançado quando todos tiverem consolidado os “3S”
anteriores (Seleção; Ordenação e Limpeza);
II) O clima entre as pessoas no ambiente de trabalho é muito importante. Evite torná-lo
pesado;
III) Atente para o fato de que seu relacionamento com chefias, colegas e subordinados e
cliente externo, também dependem do seu comportamento para com os mesmos, e que
atritos e tensões geradas repentinamente, prejudicam sua saúde, devendo evitá-los;
IV) Incentive práticas cuja finalidade seja a preservação do bem-estar comum e a saúde
física e mental (higiene pessoal; atividades físicas; exames médicos preventivos;
alimentação saudável; lazer; etc.);
V) Estabeleça, se não houver, procedimentos operacionais visando a melhoria do
ambiente de trabalho (iluminação adequada; temperatura agradável; eliminação de
ruídos e vibrações; etc.);
VI) Elabore, se não houver, procedimentos de segurança objetivando atenuar os efeitos ou
eliminar os riscos causados por materiais perigosos;
VII) Consolidar os procedimentos de emergência e prevenção;
VIII) Certifique-se que os procedimentos de emergência e prevenção sejam de
conhecimento de todos;
IX) Institua uma verificação sistemática do cumprimento dos padrões;
OSTENSIVO - 3-14 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
X) Simule situações de emergência como forma de treinamento;
XI) Cobre a utilização dos EPI (Equipamentos de Proteção Individual)/EPC
(Equipamentos de Proteção Coletiva) quando aplicável;
XII) Evite comportamento de risco que possa ameaçar sua integridade física e mental; e
XIII) É fundamental que todos entendam que o objetivo maior deste senso é alcançar seu
bem-estar e melhorar sua qualidade de vida, através da sanidade física e mental.
b) Benefícios do Senso de Bem-Estar
I) Equilíbrio físico e mental;
II) Bem-estar pessoal;
III) Redução do absenteísmo (faltas ao trabalho);
IV) Aumento da produtividade;
V) Prevenção de acidentes;
VI) Economia de recursos no combate a doenças;
VII) Melhoria da convivência social dentro da organização;
VIII) Melhoria do nível de satisfação e motivação de todas as pessoas da organização;
IX) Melhoria da imagem da organização perante os clientes internos e externos; e
X) Ambiente de trabalho agradável.
“As áreas de uso comum refletem o grau de zelo consigo mesmo e com seus colegas
de trabalho”.
3.2.5 – O senso de autodisciplina
Disciplina é um processo de repetição e prática; é uma questão de internalização de
regras para realizar as coisas naturalmente.
Praticar este senso é cumprir os procedimentos operacionais, éticos e morais
estabelecidos pela organização, sem ser preciso ninguém mandar. Significa fazer as
coisas certas naturalmente. É uma forma de modificar maus hábitos e criar bons hábitos.
Um assunto problemático nas organizações é não cumprimento dos padrões
operacionais. Para alterar esta situação é necessário repetir inúmeras vezes as
instruções. Não adianta falar uma vez somente, pois, provavelmente, cairá no
esquecimento e não haverá cumprimento do procedimento. Há funcionários que não
cumprem os procedimentos operacionais, trazendo prejuízos para a organização. Neste
caso, chama-se a atenção deste funcionário, todavia, verificando antes se a instrução
estava bem clara no procedimento operacional, e ainda, se o Supervisor estava
exercendo corretamente a liderança e se as instruções da gerência foram suficientes.
Criticar o subordinado, sem antes fazer uma análise adequada, só serve para tirar a sua
motivação para o trabalho.
OSTENSIVO CIAA-112/010
OSTENSIVO - 3-15 - R E V. 3.
Assim, não se devem analisar somente os resultados, mas sim, as causas.
Antigamente bastava mandar fazer, todavia, no mundo atual é fundamental que se
explique o “por que fazer”, ou seja, há necessidade de explicação teórica para convencer
as pessoas da importância daquilo que fazem.
Elogiar e reconhecer após alguém ter realizado um determinado procedimento, é muito
importante para motivar as pessoas.
Devemos ter em mente que o elogio e o reconhecimento levam à motivação e a
repetição leva ao hábito.
Este senso completa o programa e garante a sua continuidade e aperfeiçoamento. Sua
efetividade é atingida pela prática diária dos padrões estabelecidos.
a) Recomendações para o Senso de Autodisciplina:
I) Defina padrões de procedimentos com a participação de todo o pessoal do local de
trabalho;
II) Estimule a troca de informações entre as pessoas no local de trabalho;
III) Faça as coisas de modo que todos participem;
IV) Defina autoridade e responsabilidade, de modo que todos se sintam “donos” do
local de trabalho;
V) Todos devem possuir uma lista de responsabilidades individuais;
VI) Institucionalize as boas práticas e crie um ambiente de trabalho disciplinado;
VII) Trabalhe em equipe;
VIII) Cumprir horário é um dos pontos básicos do Senso de Autodisciplina; e
IX) Seja o primeiro a dar o exemplo.
b) Benefícios do Senso de Autodisciplina:
I) Cumprimento dos procedimentos operacionais (previsibilidade dos resultados);
II) Reduz a necessidade de controle;
III) Constante autoanálise e busca de aperfeiçoamento;
IV) Incentivo à capacidade criativa dos funcionários e chefias;
V) Melhor entrosamento entre funcionários e chefias;
VI) Comprometimento e qualidade com tudo que é feito;
VII) Busca da melhoria contínua organizacional e pessoal;
VIII) Trabalho em equipe; e
IX) Resgate de valores perdidos.
OSTENSIVO - 3-16 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
CAPÍTULO 4
FERRAMENTAS GERENCIAIS
4.1 – AS FERRAMENTAS DA GQT
O princípio básico para realização de qualquer processo com Qualidade está fundamentado
na seguinte norma: “Aquilo que não se mede não se controla”.
Em qualidade, a solução dos problemas é alcançada através da aplicação de um método, que
basicamente consiste em identificar, observar, analisar e agir sobre as causas de um
problema.
As ferramentas para a qualidade não são novas, muitas delas resultam de combinações de
ferramentas já existentes na época da II Guerra Mundial.
As ferramentas para a qualidade se destinam a manter o processo sob controle através da
detecção de problemas e remoção de suas causas fundamentais. Apesar da simplicidade de
algumas, têm os seguintes objetivos:
a) Facilitar a visualização e entendimento dos problemas;
b) Sistematizar o conhecimento e as conclusões;
c) Desenvolver a criatividade;
d) Permitir o conhecimento do processo; e
e) Fornecerelementos para o monitoramento dos processos.
Munidos com este conjunto de técnicas, os profissionais da qualidade têm enfrentado
diversos desafios. Devido a sua aplicabilidade, não podem ser consideradas propriedades
exclusivas de especialistas. Sua aplicação tem se mostrado importante para os mais diversos
níveis profissionais.
A utilização destas ferramentas se baseia no método gerencial da GQT que é o Ciclo PDCA,
já estudado.
As interações entre as ferramentas e o Ciclo PDCA se faz da seguinte maneira (Tabela 4.1):
OSTENSIVO - 4-1 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Fases do PDCA
Ferramentas
P D C A
FOLHA DE VERIFICAÇÃO ⌧⌧⌧⌧ ⌧⌧⌧⌧ ⌧⌧⌧⌧ ⌧⌧⌧⌧
BRAINSTORMING ⌧⌧⌧⌧ ⌧⌧⌧⌧
GRÁFICO DE PARETO ���� ⌧⌧⌧⌧
DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO ���� ⌧⌧⌧⌧
FLUXOGRAMA ⌧⌧⌧⌧ ⌧⌧⌧⌧
MATRIZ DE GUT ⌧⌧⌧⌧ ⌧⌧⌧⌧
LEGENDA: ⌧⌧⌧⌧APLICAÇÃO FREQUENTE ���� APLICAÇÃO EVENTUAL.
Tabela 4.1 – Ciclo PDCA x Ferramentas.
Não há limites para a quantidade de ferramentas que podem ser utilizadas na análise e
melhoria de processos. O grande segredo é que a sua eficácia está relacionada à prática,
prática e mais prática.
A seguir serão apresentadas as principais ferramentas para a Qualidade.
4.1.1 –Brainstorming
O Brainstorming é uma dinâmica de grupo em que as pessoas, de forma organizada e com
oportunidades iguais, fazem um grande esforço mental para opinar sobre determinado
assunto.
O grupo deve ser formado por pessoas que tenham vivência no assunto, ainda que de forma
parcial. O resultado final é sempre satisfatório e abrangente, traduzindo-se no somatório de
conhecimentos das pessoas envolvidas, o que é, na maioria das vezes, superior à soma dos
conhecimentos isolados. Tem-se, então, o efeito sinérgico da técnica.
O Brainstorming é a mais conhecida técnica de geração de ideias. Desenvolvida em 1930,
baseia-se em dois princípios e algumas regras básicas:
a) Princípios:
I) O Primeiro Princípio
É a suspensão do julgamento, que requer esforço e treinamento. Dos dois tipos de
pensamentos - o criativo e o crítico - usualmente predomina o último. O objetivo da
suspensão de julgamento é permitir a geração de ideias, sobrepujando a crítica. Só
após a geração de ideias consideradas suficientes é que se fará o julgamento de cada
uma.
OSTENSIVO - 4-2 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
II) O Segundo Princípio
Sugere que quantidade origina qualidade. Quanto mais ideias, maior as chances de
encontrar a solução do problema. Maior será também o número de conecções e
associações a novas ideias e soluções.
b) Regras básicas para o êxito de uma sessão de brainstorming:
I) O processo de brainstorming é conduzido por um grupo de 6 a 12 participantes, bem
acomodados, com Coordenador e um Secretário escolhido;
II) A sessão começa quando o problema é anotado em local visível;
III) Elimine qualquer crítica ou julgamento para que não haja inibição nem bloqueios e
ocorra o maior número de ideias;
IV) As ideias devem ser imaginativas, evitando-se aquelas já citadas ou tentadas;
V) As ideias devem ser anotadas em local visível (devem ser escritas as palavras do
participante, não as interpretar);
VI) O Coordenador deve marcar o tempo (em média 40 minutos) de realização da reunião
e estimular os membros para que seja formulado um grande número de ideias;
VII) Nenhum membro deve ter tratamento especial, seja ele superior ou subalterno; e
VIII) O último passo é a seleção das ideias pertinentes.
c) O Brainstorming pode ser conduzido de duas maneiras:
I) Estruturado
Nesta forma, todas as pessoas do grupo devem dar uma ideia a cada rodada ou
“passar” até que chegue sua próxima vez. Isto geralmente obriga até mesmo os
tímidos a participarem, mas pode também criar certa pressão sobre a pessoa; e
II) Não-Estruturado
Nesta forma, os membros do grupo simplesmente dão as ideias conforme elas surgem
em suas mentes. Isto tende a criar uma atmosfera mais relaxada, mas também há risco
de dominação pelos participantes mais extrovertidos.
Em hipótese alguma, o Coordenador deve permitir que ideias apontadas por
integrantes do grupo sejam ridicularizadas. Não deve comentá-las ou induzir qualquer
tipo de raciocínio. Deve cumprir o papel de Facilitador e zelar pelo fiel cumprimento
do roteiro e pela liberdade de plena participação e expressão dos integrantes do grupo,
de forma ordenada. Para exemplificar esta situação, relata-se o fato a seguir.
Problema: Baixo desempenho dos alunos.
Participantes do Brainstorming: Professores, alunos e pais de alunos.
OSTENSIVO - 4-3 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Na etapa de indicação das causas, uma aluna apontou a falta de cortinas na sala de
aulas como uma das causas importantes para o mau desempenho dos alunos. Houve
uma reação imediata dos participantes. O Coordenador chegou a esboçar uma
reprovação à contribuição, mas se conteve devido o seu papel no processo. Um dos
pais disse que aquilo não era brincadeira e pediu mais seriedade no trabalho. Os
colegas riram.
Ao que a aluna explicou: a nossa sala de aulas quase penetra num bosque do jardim
zoológico. Nas tardes ensolaradas, muito quentes, se as aulas são expositivas e
“chatas”, não há condições de prestar atenção ao que o professor está tentando
apresentar. Fico olhando, e toda a turma também, os macaquinhos pulando de galho
em galho, gozando de uma liberdade invejável.
No desenrolar do trabalho, a falta de cortinas da sala não foi apontada como uma das
causas mais importantes, mas contribuiu para se chegar à causa “desinteresse do
aluno” (apontada como a mais importante). No leque de contramedidas, a colocação
de cortinas foi indicada para a sala de aulas em questão.
Em resumo, não se pode desprezar qualquer ideia, pois o somatório delas, na maioria
dos casos, contribui para a solução do problema.
4.1.2 – Folha de verificação
Os dados são um guia para nossas ações. Dos dados aprendemos os fatos pertinentes, e
tomamos as providências apropriadas baseadas nesses fatos. Antes de coletar os seus
dados é importante definir o que você fará com eles. Em Qualidade os objetivos da coleta
de dados são:
a) Controle e monitoramento do processo;
b) Análise de não-conformidade; e
c) Inspeção.
Qualquer coleta de dados tem o seu próprio propósito, e precisa ser seguida por Ações. Os
dados precisam ser registrados de modo a poderem ser facilmente utilizados.
Quando surge a necessidade de coletar dados baseados em observações amostrais utiliza-
se a ferramenta adequada para este processo, denominada Folha de verificação ou Lista de
Verificaïão. Ao se concEber uma Folha de Verificação deve-se considevar, em primeiro
lugar, o objetivo da coleta de dados. A seguir, num processo criativo,fajem-se$várias
modificaçõ%s de forma a tornar æácil a coleTa e a anotação dos dados, adequindo
a FolhA de Verificação ao"objetivo.
OSTENSIVO - 4-4 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
A Folha de Verificação é um formulário no qual os itens a serem verificados já estãoimpressos, permitindo que os dados coletados sejam registrados de forma fácil e concisa.
Ele inicia o processo transformando “opiniões em fatos” além de mostrar a frequência
com que determinados eventos acontecem.
A elaboração de uma Folha de verificação envolve as seguintes etapas:
I) Definir claramente o que se pretende estudar (verificar);
II) Definir o período em que os dados serão coletados (hora, dia, mês, ano);
III) Elaborar um formulário simples e fácil de ser preenchido;
IV) Verificar se os dados podem ser colhidos consistente e oportunamente;
V) Treinar as pessoas que farão a coleta de dados; e
VI) Efetuar a coleta de dados consistente e honestamente.
As Figuras 4.1 e 4.2 demonstram a formatação de Folhas de Verificação.
Folha de Verificação da Composição Sintática de Artigos de Jornal
Data: 18/12/2000 Jornal: Jornal XX (16/12) Pesquisador: XXX
Estratificação
Item
Internacional Política Rádio e TV Esportes
Total
Final
Quantidade Sub-
total
Quantidade Sub-
total
Quantidade Sub-
total
Quantidade Sub-
total
Substantivo ���� ���� ���� ���� ���� ����
III
33 ���� ���� ���� ���� I 21 ���� IIII 9 ���� ���� II 12 75
Verbo ���� ���� ���� III 18 ���� ���� ���� ���� ���� ���� II 32 ���� ���� IIII 14 ���� ���� ���� ���� IIII 24 88
Adjetivo IIII 4 IIII 0 ���� ���� ���� ���� ���� IIII 29 ���� ���� ���� IIII 19 52
Adverbio III 3 I 1 IIII 4 I 1 9
Preposição 0 II 2 0 I 1 3
Artigo I 1 III 3 II 2 II 2 8
Numeral 0 0 0 0 0
Subtotal 59 59 56 59 59 58 60 59 235
Figura 4.1 – Formato de uma folha de verificação.
OSTENSIVO - 4-5 - R E V. 3.
Estratificar procurando
sintetizar os dados
Inserir as
informações
básicas
Colocar o título na
parte de cima
Deixar colunas para subtotal e total
para facilitar as contas depois da
checagem
Os itens devem ser arranjados de
forma a facilitar a checagem
Os sinais de contagem podem ser de
qualquer tipo
OSTENSIVO CIAA-112/010
Erros de Digitação
Período: Dez/2000 Setor: Departamento “X” Pesquisador: SO Lisboa
Digitador
Erros
Dezembro de 2000
Digitador X Digitador Y Digitador Z Total
Final Quantidade Sub-
Total
Quantidade Sub-
Total
Quantidade Sub-
Total
Tabulação II 2 III 3 III 3 8
Palavras ���� II 7 ���� ���� I 11 IIII 4 22
Pontuação ���� ���� IIII 14 ���� IIII 9 ���� III 13 36
Omissão de
Palavras
II 2 I 1 I 1 4
Números III 3 II 4 III 3 10
Numeração de Pg. I 1 I 1 II 2 4
Tabelas IIII 4 III 3 IIII 4 11
Subtotal 33 33 32 32 30 30 95
Figura 4.2 – Folha de verificação para erros de digitação do Departamento “X”.
4.1.3 – Estratificação
Consiste na divisão de um grupo em diversos subgrupos com base em fatores apropriados,
os quais são conhecidos como fatores de estratificação (Tabela 2). Esta técnica é baseada
numa coleta de dados e, é a maneira mais prática de se visualizar o que está acontecendo
com nosso processo, já que a coleta de dados, por ser uma sucessão de números é uma
amostragem fria e pouco convincente. Ela ajuda na análise dos casos cujos dados mascaram
os fatos reais. Isto geralmente ocorre quando os dados registrados provêm de diferentes
fontes, mas são tratados igualmente sem distinção.
OSTENSIVO - 4-6 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Por exemplo, os dados sobre pequenos acidentes ocorridos em uma indústria podem ser
registrados como um simples valor, estejam eles aumentando ou diminuindo. Mas este
número na realidade é a soma do total de acidentes:
a) Por tipo
Corte, queimaduras, fraturas, etc;
b) Por local afetado
Olhos, mãos, pernas, etc;
c) Por departamento
Manutenção, expedição, transporte, etc.
A estratificação quebra uma representação em categoria ou classes mais significativas a fim
de direcionar a nossa ação corretiva.
a) Fatores de estratificação
Fatores de Estratificação Classe
TEMPO Hora, Dia da semana, Dia do mês, Mês, Ano, Turno.
LOCAL Máquina, Área, Posição.
TIPO Matéria-Prima, Produto.
SINTOMA Defeito, Ocorrência.
INDIVÍDUO Turno, Turma, Operador.
OUTROS Método, Processo, Instrumentos de Medição, Condições
Climáticas, Ferramentas.
Tabela 4.2 – Fatores de Estratificação.
OSTENSIVO - 4-7 - R E V. 3.
40
30
20
10
0
J F M A M J J F M A M J
40
30
20
10
0
Departamento A
Departamento B
Nº por Mês Nº por Mês/Por Departamento
OSTENSIVO CIAA-112/010
A Estratificação é uma ferramenta muito efetiva nas fases de Execução e Verificação do
Ciclo PDCA de Melhoria e nas fases de Execução e Ação Corretiva do Ciclo PDCA de
Rotina. A estratificação utiliza diversos tipos gráficos.
No exemplo a seguir mostramos a utilização da Estratificação na etapa de Verificação
do Ciclo PDCA de Melhoria.
Uma indústria de autopeças produz molas de aço, as quais têm a dureza como uma de
suas principais características de qualidade.
As molas são vendidas em caixas de 100 unidades. Os clientes inspecionam amostras
escolhidas de cada caixa e devolvem as caixas nas quais foram encontradas molas cujos
valores da dureza não atendem às especificações. Cada caixa devolvida reverte em
despesas extras, para a empresa, da ordem de 30% do valor de venda do produto.
Nos últimos meses ocorreu um grande aumento do número de molas devolvidas por
apresentarem dureza inadequada. Diante desta situação, a empresa iniciou o giro do
Ciclo PDCA de melhoria.
Na fase de Execução, foi definido o seguinte problema: aumento do número de molas
devolvidas por apresentarem dureza fora das especificações.
Na fase seguinte – Verificação – o grupo de trabalho decidiu coletar novos dados que
permitissem uma melhor caracterização do problema. A partir destes dados, foi
construído o gráfico sequencial das medidas de dureza das molas de aço apresentado na
Fig. 3. Observando-a, os técnicos da indústria puderam notar a ocorrência de três
medidas de dureza acima do Limite Superior de Especificação (LSE), o que indicava a
presença de algum problema no processo de produção de molas. Como o aço utilizado
para fabricar as molas era comprado de três diferentes fornecedores (A, B, C), surgiu a
suspeita de que poderia ter havido uma queda do nível de qualidade do aço vendido por
alguma destas empresas. Esta queda do nível de qualidade poderia ser a responsável pela
ocorrência dos pontos acima do LSE no gráfico da Fig. 4.3. Para obter mais informações
que pudessem confirmar ou não a suspeita existente, os técnicos construíram um gráfico
sequencial das medidas de dureza das molas, agora estratificada por fornecedor de aço,
o qual é apresentado na Fig. 4.4. A análise deste gráfico forneceu então uma importante
informação: todas as medidas de dureza acima do LSE correspondiam à dureza de molas
fabricadas com o aço do fornecedor “A”. Este fato indicava que talvez estivessem
ocorrendo problemas com a qualidade dos últimos lotes de aço comprados do
fornecedor “A”.
OSTENSIVO - 4-8 - RE V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 4.3 – Dureza das Molas de Aço. Figura 4.4 – Dureza das Molas de Aço,
estratificada por fornecedor.
Neste exemplo, fica claro que a estratificação permitiu o reconhecimento de uma
importante característica do problema vivenciado pela indústria de autopeças e o
direcionamento do estudo das medidas corretivas que deveriam ser adotadas para sua
solução. Note que isto de fato ocorreu porque, após a análise do gráfico da Fig. 4.4, o
grupo de trabalho constituído por técnicos da empresa passou a investigar, na fase de
Verificação do PDCA de melhoria, as causas do desempenho insatisfatório do processo
de produção das molas que ocorria na situação específica correspondente ao emprego do
aço do fornecedor “A”.
4.1.4 – Gráfico de Pareto
O Gráfico de Pareto é uma forma especial do gráfico de barras verticais que nos permite
determinar quais problemas a resolver e qual a prioridade. A informação assim disposta
também permite o estabelecimento de metas numéricas viáveis de serem alcançadas.
Problemas relativos à qualidade aparecem sob a forma de perdas (itens defeituosos e seus
custos). É extremamente importante esclarecer o modo de distribuição das perdas. A
maioria das perdas é devido a muito poucos tipos de defeitos e estes defeitos podem ser
atribuídos a um número muito restrito de causas. Então, se as causas destes poucos defeitos
“vitais” forem identificadas, torna-se possível a eliminação de quase todas as perdas se os
recursos forem concentrados na eliminação destas causas em particular, deixando de lado os
muitos outros defeitos “triviais” para a solução posterior. A utilização do Gráfico de Pareto
permite resolver com eficiência este tipo de problema.
OSTENSIVO - 4-9 - R E V. 3.
440
430
420
410
400
390
380
370
360
0 5 10 15 20 25
Tempo
D
u
re
za
(
H
B
)
LSE
LIE
440
430
420
410
400
390
380
370
360
D
u
re
za
(
H
B
)
0 5 10 15 20 25
Tempo
LSE
LIE
x
*
*
*
LEGENDA:
����Fornecedor A; �Fornecedor B; Fornecedor C.
*
x
x
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) Princípio de Pareto
Em 1897 o economista italiano V. Pareto apresentou uma fórmula que mostrava a
desigualdade da distribuição de salários. Uma teoria semelhante foi apresentada na
forma de diagrama pelo economista americano M. C. Lorenz em 1907. Pareto chegou à
conclusão de que 20% da população (poucos, mas vitais) ficava com 80% da
arrecadação, enquanto para os outros 80% da população (muitos e triviais) restava,
apenas, 20% (Fig. 4.5). Essa assertiva ficou conhecida como o Princípio de Pareto.
Figura 4.5 – Princípio de Pareto.
A partir dos anos 20, Juran começou a observar que os defeitos dos produtos
apresentavam frequências desiguais de ocorrência. Mais tarde fez aplicações nas quais o
princípio dos “poucos, mas vitais e muitos e triviais” se mostrava adequado à análise
dos processos gerenciais de produção. Juran demonstrou que a maior parte das não-
conformidades, e os custos a elas associados, têm origem num número pequeno de
causas, são poucas, mas vitais (Fig. 4.6).
Hoje em dia, constata-se que as bases do Princípio de Pareto se aplicam a várias áreas
do conhecimento (biologia, controle de estoque, etc.). Em particular, no campo da
Gestão da Qualidade, tem-se mostrado uma ferramenta importante na priorização de
ações, minimizando custos operacionais e evitando fracassos. De preferência, quando
aplicar o Gráfico de Pareto, associe as categorias aos seus custos. Isto provocará um
melhor impacto sobre as conclusões, bem como reduzirá a possibilidade de enganos.
OSTENSIVO - 4-10 - R E V. 3.
100%
80%
60%
40%
20%
0%
POPULAÇÃO RENDA
20%
80%
POUCOS, MAS VITAIS MUITOS E TRIVIAIS
OSTENSIVO CIAA-112/010
Nem sempre a causa que provoca grande quantidade de não-conformidade, mas cujo
custo de reparo seja pequeno, será aquela a ser priorizada. Numa análise mais
abrangente é possível identificar causas cujo efeito se traduz em poucas não-
conformidades, mas de custo altíssimo, associado a danos, riscos ou reparos. Por
exemplo, a causa que tenha provocado rasgo em trinta assentos de passageiros não deve
merecer uma atenção maior do que aquela que provocou uma única trinca no trem de
pouso de uma aeronave.
Figura 4.6 – Princípio de Pareto aplicado à Qualidade.
b) Construção do Gráfico de Pareto (Figura 4.7)
1) Decida quais problemas devem ser investigados e como coletar os dados:
- Decida que tipo de problemas você quer investigar;
- Exemplos: Itens defeituosos, perdas monetárias, ocorrências de acidentes;
- Decida quais dados necessários e como classificá-lo; e
- Exemplos: Por tipo de defeito, localização, processo, máquina, funcionário, método.
- Determine o método de coleta de dados e o período durante o qual serão colhidos.
OSTENSIVO - 4-11 - R E V. 3.
200
160
120
80
40
0
20% 80%
100
80
60
40
20
0
Tipos de Não-Conformidades Poucos, mas
Vitais
Muitos e
Triviais
A B C D E F
P
er
ce
nt
ua
l A
cu
m
ul
ad
o
(%
)
Q
ua
nt
id
ad
e
de
it
en
s
N
ão
-C
on
fo
rm
es
OSTENSIVO CIAA-112/010
2) Crie uma Folha de verificação listando os itens e deixando espaço para os totais
(Tabela 3).
TIPO DE DEFEITO VERIFICAÇÃO TOTAL
A � � 010
B � � � � � � � � II 042
C � I 006
D � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � IIII 104
E � 004
F � � � � 020
OUTROS � � IIII 014
TOTAL GERAL - 200
Tabela 4.3 – Folha de Verificação.
3) Preencha a Folha de Verificação e calcule os totais;
4) Preencha a Folha de Verificação e calcule os totais;
5) Prepare uma Planilha de Dados para o Gráfico de Pareto (Planilha 4.1)
Listando os itens, em ordem decrescente, seus totais individuais, os totais acumulados, as
percentagens individuais, as percentagens acumuladas e o total geral (Planilha 1);
TIPO DE DEFEITO TOTAL
INDIVIDUAL
TOTAL
ACUMULADO
PERCENTAGEM
INDIVIDUAL (%)
PERCENTAGEM
ACUMULADA (%)
A 104 104 052 052
B 042 146 021 073
C 020 166 010 083
D 010 176 005 088
E 006 182 003 091
F 004 186 002 093
OUTROS 014 200 007 100
TOTAL GERAL 200 - 100 -
Planilha 4.1 – Planilha de Dados.
Nota: O item “outros” deve ficar no final, seja qual for o seu valor, porque ele é
composto de um grupo de itens que têm, cada um, valor menor do que o menor valor
de item listado individualmente.
OSTENSIVO - 4-12 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
6) Trace dois eixos verticais de mesmo comprimentoe um eixo horizontal:
- No eixo vertical do lado esquerdo marque uma escala de 0 até o valor total;
- No eixo vertical do lado direito marque com uma escala de 0% a 100%; e
- Divida o eixo horizontal em intervalos iguais de acordo com a quantidade de itens
da Planilha de Dados. Construa um gráfico de barras, colocando os itens na ordem da
Planilha de Dados (do maior para o menor);
7) Desenhe a curva acumulada (curva de Pareto):
Marque os valores acumulados (total acumulado e percentual acumulado) acima e do
lado direito do intervalo de cada item, e ligue os pontos por segmentos de reta.
I) Informações referentes ao gráfico (Título, quantidades significativas, unidades,
nome da pessoa que construiu o gráfico); e
II) Informações referentes aos dados (Período, assunto e local do levantamento,
quantidade total dos dados).
8) Complete com as demais informações necessárias:
Figura 4.7 – Gráfico de Pareto.
OSTENSIVO - 4-13 - R E V. 3.
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
A B C D E F G
100
80
60
40
30
20
10
0
Q
ua
nt
id
ad
e
de
it
en
s
N
ão
-C
on
fo
rm
es
P
er
ce
nt
ua
l A
cu
m
ul
ad
o
(%
)
104
42
20
10 6 4
14
91
88
83
93
73
52
146
186
176
182
166
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Tipos de Gráficos de Pareto:
1) Gráficos de Pareto para Efeito (Figura 4.8)
O gráfico de Pareto para efeitos dispõe a informação de modo que se torna possível a
identificação do principal problema enfrentado por uma organização. Pode ser utilizado
para descobrir problemas relacionados às cinco dimensões da Qualidade Total:
a) Qualidade:
Percentual de produtos defeituosos, número de reclamações de clientes, número de
devoluções de produtos.
b) Custo:
Perdas de produção, gastos com reparos de produtos dentro do prazo de garantia,
custo de manutenção de equipamentos.
c) Atendimento:
Índices de atrasos de entrega, índices de entrega em quantidade e local errado, falta
de matéria-prima em estoque.
d) Moral:
Índices de reclamações trabalhistas, índices de demissões, índices de faltas
(absenteísmo).
e) Segurança:
Número de acidentes de trabalho, índices de gravidade de acidentes, número de
acidentes sofridos por usuários do produto.
Gráfico de Pareto para Efeito (Acidentes no Trabalho)
Figura 4.8 – Gráfico de Pareto para Efeito (Tipos de Acidentes no Trabalho)
OSTENSIVO - 4-14 - R E V. 3.
78
60
50
40
30
20
10
0
Q
ua
nt
id
ad
e
de
it
en
s
N
ão
-C
on
fo
rm
es
P
er
ce
nt
ua
l A
cu
m
ul
ad
o
(%
)
Tipos de Não-Conformidades
35
25
Acidentes de Trabalho
M
ão
s
P
er
na
s
O
lh
os
100
80
60
50
0
44,9
76,9
93,6 73
32,5
6,4
O
ut
ro
s
13
5
16,6
OSTENSIVO CIAA-112/010
2) Gráficos de Pareto para Causa (Figura 9)
O gráfico de Pareto para causas dispõe a informação de modo que se torna possível a
identificação das principais causas de um problema. Estas causas fazem parte dos
fatores que compõem um processo (Fatores de Manufatura):
a) Equipamentos:
Desgaste, manutenção, modo de operação, tipo de ferramenta utilizada.
b) Matéria-Prima (Insumos):
Fornecedor, lote, tipo, armazenamento, transporte.
c) Informações do Processo ou Medidas:
Calibração e precisão dos instrumentos de medição, método de medição.
d) Condições Ambientais:
Temperatura, umidade, iluminação, clima.
e) Mão-de-Obra (Pessoas):
Idade, treinamento, saúde, experiência. Métodos ou Procedimentos:
f) Informação, atualização, clareza das instruções.
Gráficos de Pareto para Causa (Acidentes nas mãos)
Figura 4.9 – Gráfico de Pareto para causa
OSTENSIVO - 4-15 - R E V. 3.
9
3
35
20
15
10
5
0
Q
ua
nt
id
ad
e
de
it
en
s
N
ão
-C
on
fo
rm
es
P
er
ce
nt
ua
l A
cu
m
ul
ad
o
(%
)
Tipos de Não-Conformidades
23
Causas dos Acidentes nas Mão
C
or
te
p
el
a
M
áq
ui
na
X
100
80
60
40
0
Q
ue
im
a
po
r
S
ol
da
C
or
te
p
el
a
M
áq
ui
na
Y
91,4
65,7
25,7
8,5
32
23
OSTENSIVO CIAA-112/010
4.1,5 – Diagrama de cauca e efaito
O produto ou resultado de um processo pode ser atribuído a uma grande quantidade de
fatores e uma relação de causa e efeito pode ser encontrada entre esses fatores. Pode-se
determinar a estrutura ou a relação múltipla de causa e feito observando-a sistematicamente.
É difícil resolver problemas complicados sem que seja considerada esta estrutura, a qual
consiste de uma cadeia de causas e efeitos, e um diagrama de causa e efeito é um método
simples e fácil de expressá-la.
Em 1953, K. Ishikawa, professor da Universidade de Tóquio, sintetizou as opiniões dos
engenheiros de uma fábrica na forma de um diagrama de causa e efeito, quando eles
discutiam um problema relativo a qualidade. Considera-se como sendo esta a primeira vez
que foi utilizado este enfoque. Antes disso, os auxiliares do Prof. Ishikawa empregavam este
método para por em ordem os fatores nas suas atividades de pesquisa. Quando o diagrama
foi aplicado na prática, ele provou ser muito útil, e logo passou a ser amplamente utilizado
em empresas de todo o Japão. Ele foi incluído na terminologia de controle da qualidade da
JIS (Japanese Industrial Standards = Normas Industriais Japonesas), e foi definido como se
segue.
O Diagrama de Causa e Efeito é uma ferramenta utilizada para apresentar a relação
existente entre um resultado de um processo (Efeito) e os fatores (Causas) do processo que
por razões técnicas, possam afetar o resultado considerado.
A Figura 4.10 apresenta a estrutura de um diagrama de causa e efeito. Como a sua forma
lembra o esqueleto de um peixe, é também conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe.
Uma terceira denominação é Diagrama de Ishikawa, em homenagem ao Professor Kaoru
Ishikawa, que construiu o primeiro diagrama de causa e efeito.
OSTENSIVO - 4-16 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 4.10 – Estrutura do Diagrama de Causa e Efeito
Para facilitar a construção do diagrama, Ishikawa idealizou quatro categorias de causas
conhecidas como 4M (fatores de manufatura). Atualmente, muitas outras categorias foram
propostas (Tabela 4.4) e nada impede que cada pessoa proponha suas próprias categorias,
não esquecendo, todavia, que a simplicidade é o fundamento desta ferramenta.
Categorias Fatores de Manufatura
4M Mão-de-Obra, Máquina, Método e Matéria-Prima.
5M Mão-de-Obra, Máquina, Método, Matéria-Prima e Medida.
6M Mão-de-Obra, Máquina, Método, Matéria-Prima, Medida e Meio Ambiente.
7M Mão-de-Obra, Máquina, Método, Matéria-Prima, Medida, Meio Ambiente e
Manager (Gerenciamento).
8M Mão-de-Obra, Máquina,Método, Matéria-Prima, Medida, Meio Ambiente,
Manager, e Money (Dinheiro).
9M Mão-de-Obra, Máquina, Método, Matéria-Prima, Medida, Meio Ambiente,
Manager, Money e Marketing.
Tabela 4.4 – Fatores de Manufatura
a) Quando utilizar um Diagrama de Ishikawa:
O Diagrama de Causa e Efeito deve ser empregado sempre que se desejar ampliar o
universo de causas prováveis, em relação a efeitos identificados, como, por exemplo,
nas situações a seguir:
OSTENSIVO - 4-17 - R E V. 3.
Espinha Grande
Espinha Dorsal
Espinha Média
Espinha Pequena
E
fe
ito
Causas Efeito
OSTENSIVO CIAA-112/010
I) Aprimoramento do atendimento a clientes:
- Identificação e análise das possíveis causas de insatisfação dos clientes;
- Avaliação das causas do atraso na entrega de produtos.
II) Análise de processo
- Identificação das principais fontes de variabilidade de um processo.
b) Como construir um Diagrama de Ishikawa.
A construção de um diagrama de causa e efeito deve ser realizada por um grupo de
pessoas envolvidas com o processo considerado. A participação de um maior número
de pessoas envolvidas é importante para que possa ser construído um diagrama
completo, que não omita causas relevantes. Para o levantamento das causas é
aconselhável que seja realizada uma reunião conduzida por uma técnica conhecida
como “Brainstorming”, cujo objetivo é auxiliar o grupo a produzir o máximo de idéias
em um curto período de tempo.
I) Defina a característica da qualidade ou o problema a ser analisado.
Escreva a característica da qualidade ou o problema dentro de um retângulo, no
lado direito de uma folha de papel.
Trace a espinha dorsal, direcionada da esquerda para a direita, até o retângulo.
Muitas vezes, uma situação que a princípio é definida como um único problema,
pode ser subdividida em vários problemas menores após ser analisada com mais
cuidado. Após a divisão, o procedimento de solução dos problemas se torna mais
rápido e eficiente;
II) Relacione dentro de retângulos, como espinhas grandes, as causas primárias
que afetam a característica da qualidade ou problema.
Em muitas situações, os fatores equipamentos, pessoas, insumos, método, medida
e condições ambientais são candidatos naturais a constituírem as causas primárias
do diagrama de causa e efeito;
III) Relacione como espinhas médias, as causas secundárias que afetam as causas
primárias;
IV) Relacione como espinhas pequenas, as causas terciárias que afetam as causas
secundárias;
V) Identifiquem no diagrama as causas que parecem exercer um efeito mais
significativo sobre a característica da qualidade ou problema;
Nesta etapa utilize o conhecimento disponível sobre o processo considerado e
dados previamente coletados, ou colete novos dados.
OSTENSIVO - 4-18 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Como o grau de importância de cada causa, relacionada no diagrama, deve ser
estabelecido com base em dados, tanto as causas quanto o efeito devem ser
mensuráveis. Quando isto não for possível, é importante tentar encontrar variáveis
alternativas substitutivas que sejam mensuráveis; e
VI) Registre outras informações que devam constar no diagrama:
- Título;
- Data de elaboração do diagrama; e
- Responsáveis pela elaboração do diagrama.
O Diagrama de Causa e Efeito é uma importante ferramenta que deve ser utilizada
durante o giro do Ciclo PDCA, para sumarizar e organizar as possíveis causas do
problema analisado. No entanto, a descoberta da causa fundamental do problema
em tela deve ser feita por meio da coleta e análise de dados.
c) Exemplo de utilização de um diagrama de causa e efeito (Alto consumo de
combustível):
Figura 4.11 – Diagrama de Ishikawa
OSTENSIVO - 4-19 - R E V. 3.
Método
Material Mão-de-Obra
Máquina
Dirigir Muito
Rápido
Impaciente
Sempre
atrasado
Uso Incorreto
de Marchas
Não Escuta
o Motor
Rádio em
Alto Volume
Ajuste do
Carburador
Falta de
Fiscalização
Mistura
Rica
A
lto
C
on
su
m
o
de
C
om
bu
st
ív
el
Pressão
dos Pneus
Difícil Acesso
ao Bico
Projeto
Ruim
Manutenção
Insuficiente
Falta Manual
Falta
Conhecimento
Lubrificação
Imprópria
Falta $
Falta $ Pouco
Treinamento
Direção
Imprópria
Desatenção
Combustível
c/baixa Octanagem
Não conhece a
Octanagem
Correta
Não sabe o
Óleo Correto
Óleo Errado
Falta Óleo
Não tem
Manual
OSTENSIVO CIAA-112/010
4.1.6 – Matriz de GUT
É uma matriz de priorização de problemas, especialmente se forem vários relacionados
entre si, a partir de uma análise considerando três critérios:
a) Gravidade
Impacto do problema sobre coisas, pessoas, resultados, processos ou organizações e
efeitos que surgirão em longo prazo, caso o problema não seja resolvido.
b) Urgência
Relação com o tempo disponível ou necessário para resolver o problema.
c) Tendência
Potencial de crescimento do problema, avaliação da tendência de crescimento, diminuição ou
desaparecimento do problema.
A técnica de GUT foi desenvolvida com o objetivo de orientar decisões que envolvem
muitas questões. A mistura de problemas gera confusão. Neste caso, é preciso separar
cada problema que tenha causa própria. Depois disso, aí, sim, é hora de saber qual a
prioridade na solução dos problemas detectados. Isto se faz através de três perguntas
(Tabela 4.5).
I) Perguntas para definir a Matriz de GUT (Gravidade – Urgência – Tendência).
Matriz de GUT (Perguntas)
Qual a Gravidade do
desvio?
� Que efeitos surgirão em longo prazo, caso o
problema não seja resolvido?
� Qual o impacto sobre coisas, pessoas, resultados?
Qual a Urgência de se
eliminar o problema?
� Qual o tempo disponível para resolvê-lo?
Qual a Tendência do
desvio e seu potencial
de crescimento?
� Será que o problema tornar-se-á progressivamente
maior?
� Será que tenderá a diminuir e desaparecer por si
só?
Tabela 4.5 – Perguntas da Matriz de GUT.
OSTENSIVO - 4-20 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
II) Matriz de GUT (Tabela 4.6)
VALOR GRAVIDADE (G) URGÊNCIA (U) TENDÊNCIA (T) G x U x T
5 Os prejuízos ou
dificuldades são
extremamente
graves.
É necessária uma
ação imediata.
Se nada for feito, a
situação irá piorar
rapidamente.
125
4 Muito graves. Com alguma
urgência.
Vai piorar em
pouco tempo.
064
3 Graves. O mais cedo
possível.
Vai piorar em
médio prazo.
027
2 Pouco graves. Pode esperar um
pouco.
Vai piorar em
longo prazo.
008
1 Sem gravidade. Não tem pressa. Não vai piorar e
pode até melhorar.
001
Tabela 4.6 – Matriz de GUT.
4.2 – PRÁTICA DO MÉTODO 5W2H
É uma técnica de levantamento global recomendada para todas as etapas de análise e
melhoria de processos. Apesar de ser considerada uma ferramenta de caráter gerencial, ela
se aplica, perfeitamente, à realidade das equipes de aprimoramento no planejamento e
condução de suas atividades. O produto resultante da utilização desta ferramenta é o Plano
de Ação (PA).Todo Plano de Ação deve estar estruturado para permitir a rápida identificação dos
elementos necessários à implantação do projeto. Estes elementos básicos podem ser
descritos como derivados das iniciais em inglês das perguntas: Who, What, When, Where,
Why, How e How Much (Tabela 4.7).
OSTENSIVO - 4-21 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) Perguntas para elaborar o Plano de Ação pelo Método 5W2H
Método 5W2H
What O que será feito? (etapas)
Why Por que deve ser executado a tarefa ou o projeto? (justificativa)
Where Onde cada tarefa será executada (local)
How Como deverá ser realizada cada tarefa/etapa? (método)
When Quando cada uma das tarefas/etapas deverá ser executada? (tempo)
Who Quem realizará as tarefas? (responsabilidade)
How Much Quanto custará cada etapa do projeto? (custo)
Tabela 4.7 – 5W2H.
O Plano de Ação pode ser apresentado de várias formas. Quando estruturado como um
diagrama de árvore, possibilita melhor visualização (Fig. 4.16).
b) Plano de Ação (PA) para elaborar uma festa de confraternização:
F
E
S
T
A
D
E
F
IM
D
E
A
N
O
Porque? O que? Quem? Quando? Onde? Como? Quanto?
C
on
fr
at
er
ni
za
çã
o
en
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e
a
tr
ip
ul
aç
ão
Churrasco Pedro e Paulo
22
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Área da
churrasquei-
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d
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Arroz
M
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eu
s
e
M
ar
co
s
Cozinha da
Guarnição Farofa
Maionese
Molho
Bebidas João e Moises Frigorífica
Complementos Fiel de
Mantimentos
21
d
e
de
ze
m
br
o
Paiol de
Mantimentos
E
m
ti
na
s
co
m
ge
lo
Figura 4.16 – Plano de Ação (5W2H) utilizando um Diagrama de Árvore
OSTENSIVO - 4-22 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
4.3 – ELABORAÇÃO DE UM FLUXOGRAMA
É uma representação gráfica que mostra, passo a passo, as etapas que constituem um
processo.
Os fluxogramas dão suporte à análise dos processos, tornando-se um meio eficaz para o
planejamento e a solução de problemas. Entretanto, sua aplicabilidade só será efetiva na
medida em que mostrar, verdadeiramente, como é o processo. Devido à representação
gráfica, o fluxograma facilita, consideravelmente, a visualização das diversas etapas que
compõem um determinado processo, permitindo a identificação daqueles que merecem
atenção especial por parte da equipe de melhoria.
No fluxograma, os passos do processo são ordenados de acordo com a sequência lógica de
sua execução. Os símbolos e as técnicas utilizadas identificam os órgãos ou pessoas
responsáveis pela ação.
a) Quando utilizar um Fluxograma
O fluxograma pode ser aplicado a qualquer caso, como o percurso de documento, um
fluxo de material, as fases de operação de um equipamento ou fornecimento de um
produto.
b) Símbolos utilizados para construir um fluxograma
Existem vários tipos de símbolos que podem ser adotados na construção de
fluxogramas. Eles servem para substituir uma extensa descrição verbal, permitindo que,
através de uma rápida análise, seja possível ter uma visão geral da natureza e extensão
do processo.
Os símbolos mais utilizados para descrever os processos da qualidade são aqueles
oriundos da área de processamento de dados (Fig. 4.12).
Figura 4.12 – Símbolos utilizados nos Fluxogramas
OSTENSIVO - 4-23 - R E V. 3.
Terminal
(Início e
Término)
Processamento ou
Operação
Decisão Documento Vários
Documentos
(Cópias/Vias)
Dados
Eletrônicos
Direção do
Fluxo
Conector dentro
da mesma página
Conector entre
páginas
Arquivamento
Temporário
Arquivamento
Definitivo
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Como construir um Fluxograma:
I) Defina a aplicação pretendida do fluxograma:
Esta definição é importante na medida em que, a partir dela, serão alocadas
responsabilidades e informações necessárias aos objetivos pretendidos. Em função
desta definição, escolha o tipo de fluxograma a ser elaborado: Básico ou Matricial
(Fig. 4.13).
Em particular, o fluxograma matricial deverá ser adotado quando desejamos
evidenciar as múltiplas relações entre diversas áreas, pessoas ou departamentos (por
exemplo: A e B; Fig. 4.13). É possível, através dele, visualizar as interfaces entre as
áreas e identificar aquelas que se apresentam sobrecarregadas;
Figura 4.13 – Tipos de fluxogramas
II) Desenhe o fluxograma atual;
III) Desenhe o fluxograma das etapas que o processo deveria seguir se tudo corresse
bem (fluxo ideal); e
IV) Compare o gráfico do fluxo atual com o gráfico do fluxo ideal para verificar onde
diferem entre si, pois aí estará a raiz do problema.
OSTENSIVO - 4-24 - R E V. 3.
Departamento A Departamento B
Fluxograma Básico Fluxograma Matricial
OSTENSIVO CIAA-112/010
d) Exemplo de utilização de um Fluxograma:
I) Exemplo 1: Fluxograma para ligar uma moto (Fig. 4.14)
Figura 4.14 – Tipos de fluxogramas
OSTENSIVO - 4-25 - R E V. 3.
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Início
Abrir a
válvula
A válvula
está fechada?
O motor
pega?
Adicionar
gasolina
Há gasolina
no tanque?
A gasolina chega
ao carburador?
Limpar a vela
A vela produz
faísca?
A vela está
suja?
Levar para
oficina
Fim
Sim
OSTENSIVO CIAA-112/010
II) Exemplo 2: Fluxograma para requisitar material (Fig. 4.15)
Figura 4.15 – Tipos de fluxogramas
OSTENSIVO - 4-26 - R E V. 3.
Início
N
ÓRGÃO EMITE
PEDIDO DE
MATERIAL (PS)
PEDIDO DE
MATERIAL
(PS)
PEDIDO DE
NATERIAL (PS)
ENVIA MATERIAL
PARA O ÓRGÃO
REQUISITANTE
REGISTRA SAÍDA
DO MATERIAL NO
CONTROLE DO
ALMOXARIFADO
ALMOXARIFADO
VERIFICA SE PS
ESTÁ CORRETO
1
2
3
ARQ.
TEMP.
PS CORRETO? 1
MATERIAL EM
ESTOQUE?
CONTROLE DE
SAÍDA DO
ALMOXARIFADO
ARQ.
DEF.
2
2
1
Sim
Não
Sim
Não
1
FIM
OSTENSIVO CIAA-112/010
CAPÍTULO 5
EXCELÊNCIA EM GESTÃO PÚBLICA
5.1 – FUNDAMENTOS DA GESTÃO: IMPORTÂNCIA E PERSPECTIVAS
O Modelo de Excelência da Gestão (MEG) está alicerçado em 8 (oito) Fundamentos da
excelência, desdobrando-se em temas adequado.
Os Fundamentos da Excelência que, por sua vez, abrem-se em processos para os quais são
indicados o ferramental mais expressam esses conceitos reconhecidos internacionalmentee
que são encontrados em organizações líderes de Classe Mundial.
1) Pensamento sistêmico: compreensão e tratamento das relações de interdependência e
seus efeitos entre os diversos componentes que formam a organização, bem como entre
estes e o ambiente com o qual interagem.
2) Aprendizado organizacional e inovação: busca e alcance de novos patamares de
competência para a organização e sua força de trabalho, por meio da percepção,
reflexão, avaliação e compartilhamento de conhecimentos, promovendo um ambiente
favorável à criatividade, experimentação e implementação de novas ideias capazes de
gerar ganhos sustentáveis para as partes interessadas.
3) Liderança transformadora: atuação dos líderes de forma ética, inspiradora, exemplar
e comprometida com a excelência, compreendendo os cenários e tendências prováveis
do ambiente e dos possíveis efeitos sobre a organização e suas partes interessadas, no
curto e longo prazos - mobilizando as pessoas em torno de valores, princípios e
objetivos da organização; explorando as potencialidades das culturas presentes;
preparando líderes e pessoas; e interagindo com as partes interessadas.
4) Compromisso com as partes interessadas: estabelecimento de pactos com as partes
interessadas e suas inter-relações com as estratégias e processos, em uma perspectiva de
curto e longo prazos.
5) Adaptabilidade: flexibilidade e capacidade de mudança em tempo hábil, frente a novas
demandas das partes interessadas e alterações no conteXto.
6) Desenvolvimento sustentável: compromisso da organização em responder pelos
impactos de suas decisões e atividades, na sociedade e no meio ambiente, e de
contribuir para a melhoria das condições de vida, tanto atuais quanto para as gerações
futuras, por meio de um comportamento ético e transparente.
OSTENSIVO - 5-1 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
1) Orientação por processos: reconhecimento de que a organização é um conjunto de
processos, que precisam ser entendidos de ponta a ponta e considerados na definição das
estruturas: organizacional, de trabalho e de gestão. Os processos devem ser gerenciados
visando à busca da eficiência e da eficácia nas atividades, de forma a agregar valor para
a organização e as partes interessadas.
2) Geração de valor: alcance de resultados econômicos, sociais e ambientais, bem como
de resultados dos processos que os potencializam, em níveis de excelência e que
atendam às necessidades e expectativas as partes interessadas.
5.2 - NOÇÕES SOBRE A PRODUÇÃO: CADEIA DE VALOR
Cadeia de valor é um modelo de estruturação das atividades desenvolvidas pelas empresas,
visando garantir a máxima qualidade do serviço e produto ao cliente final, além de criar
vantagem competitiva no mercado.
O conceito da cadeia de valor foi criado pelo professor estadunidense Michael Eugene
Porter, que consiste na criação de um fluxograma dos conjuntos de atividades essenciais
para a agregação de valor ao produto ou serviço de determinada empresa.
Na cadeia de valor de Porter, cada etapa do processo de desenvolvimento do produto ou
serviço é essencial para a sua valorização total, desde o modo como é mantida a relação
com os fornecedores da matéria-prima, até o modo como o produto final é entregue aos
consumidores.
Com a cadeia de valor a empresa consegue identificar quais as etapas de produção
responsáveis por agregar valor ao produto e, com isso, desenvolver uma estratégia que
ajude a potencializar esses setores.
Assim, aqueles processos que não agregam nenhum valor podem ser revistos, seja como
alvo de reestruturação ou corte (evitando desperdício de dinheiro e tempo de produção).
5.2.1 - Elementos na Cadeia de Valor de Porter
Este modelo foca-se nos sistemas e na maneira como os inputs são mudados para
outputs comprados pelos consumidores. A partir deste ponto de vista, Porter definiu
uma cadeia de atividades, comum a todos os negócios, e dividiu-as em atividades
primárias e de suporte, conforme se mostra no esquema abaixo.
OSTENSIVO - 5-2 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 5.1 – Cadeia de valor
1) As atividades primárias relacionam-se diretamente com a criação física, venda,
manutenção e suporte de um produto ou serviço. Essas atividades genéricas
primárias são as seguintes:
a) Logística de entrada: Todos os processos relacionados com a recepção, controlo de
inventário, marcação de transporte. Neste ponto, as relações que tem com os
fornecedores são um fator decisiva para a criação de valor.
b) Operações: inclui maquinaria, embalagens, montagem, manutenção de
equipamento, testes e outras atividades de criação de valor que transformam
inputs no produto final, para ser vendido aos clientes.
c) Logística de saída: as atividades associadas com a entrega do seu produto ou serviço
ao cliente, incluindo sistemas de recolha, armazenamento e distribuição e podem
ser internos ou externos à organização.
d) Marketing e Vendas: São os processos que a empresa utiliza para convencer os
clientes a comprarem os seus produtos ou serviços. As fontes de criação de valor
aqui são os benefícios que oferece e o modo como os transmite.
e) Serviço: as atividades que mantêm e aumentam o valor dos produtos ou serviços
após a compra. Aqui incluem-se o apoio ao cliente, serviços de reparação e/ou
instalação, formação, atualizações, etc.
OSTENSIVO - 5-3 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
2) As atividades de apoio ajudam as atividades primárias. Aqui podemos encontrar:
a) Infraestrutura : Estes são os sistemas de apoio que a empresa necessita para manter
as operações diárias. Inclui a gestão geral, administrativa, legal, financeira,
contabilística, assuntos públicos, de qualidade, etc.
b) Gestão de Recursos Humanos: As atividades associadas ao recrutamento,
desenvolvimento (educação), retenção e compensação de colaboradores e
gestores. Uma vez que as pessoas são uma fonte de valor significativa, as
empresas podem criar grandes vantagens se utilizarem boas práticas de RH.
c) Desenvolvimento Tecnológico: inclui o desenvolvimento tecnológico para apoiar as
atividades da cadeia de valor, como Investigação e Desenvolvimento (I&D),
automação de processos, design, etc.
d) Aquisição/Compra: Todos os processos que a empresa realiza para adquirir os
recursos necessários para trabalhar: aquisição de matérias-primas, serviços,
edifícios, máquinas, etc. Aqui também se inclui encontrar fornecedores e negociar
os melhores preços.
5.3 - NOÇÕES SOBRE MEDIDAS DE DESEMPENHO
Uma medida de desempenho é uma maneira de medir o desempenho em uma determinada
área, e de agir sobre os desvios em relação aos objetivos traçados.
Assim, derivada do próprio conceito de medida de desempenho a mensuração deve
possibilitar uma tomada de ação. Além disso, ela deve ainda ser compreendida
por todos os membros da organização, aceita pelas pessoas envolvidas e reprodutível
e orientada para resultados.
Alguns exemplos de medidas úteis ao gerenciamento da empresa:
a) Clientes: desempenho em relação a suas exigências e sua satisfação;
b) Processo Produtivo: tempo de ciclo: qualidade do produto ou serviço,
desempenho de custos (mão de obra direta, matéria prima, gastos indiretos) e
confiabilidade de entrega;
c) Fornecedores:nível de qualidade das entregas e cumprimentos de prazos,
quantidade e entrega;
d) Recursos Financeiros: nível de alavancagem de capital, rentabilidade da
empresa ou de uma linha de produtos; e
e) Recursos Humanos: nível de absenteísmo; número de sugestões homem/ano.
OSTENSIVO - 5-4 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
5.4 - ENFOQUE GERENCIAL CONTEMPORÂNEO
O enfoque gerencial contemporâneo entende que as organizações são redes de
negociações, admitindo-se o conflito como inerente a elas. Nesse enfoque, líderes de
equipes precisam desenvolver habilidades de negociação para lidar com os conflitos, que
refletem vários estilos.
5.5 - EXCELÊNCIA EM GESTÃO
O novo Modelo de Excelência da Gestão® (MEG), lançado em outubro de 2016, em
sua 21ª edição, é o carro-chefe da FNQ (Fundação Nacional da Qualidade) para a
concretização da sua missão, que é a de estimular e apoiar as organizações brasileiras no
desenvolvimento e na evolução de sua gestão para que se tornem sustentáveis,
cooperativas e gerem valor para a sociedade e outras partes interessadas.
Em sua 21ª edição, o MEG incorpora as mais recentes e emergentes questões concernentes
à gestão e, ao mesmo tempo, representa uma mudança significativa na forma como ele é
proposto.
O novo MEG mitiga a dificuldade para o uso do modelo, tornando-o de mais fácil
absorção e entendimento, sem, no entanto, afetar o rigor técnico com que os temas são
tratados. Ele continua sendo único e incomparável em sua abrangência e visão holística da
gestão.
Os Fundamentos da Excelência foram sincopados em oito, desdobrando-se diretamente
em Temas que, por sua vez, abrem-se em processos para os quais são indicados o
ferramental mais adequado.
A 21ª edição do MEG traz, ainda, todo o referencial bibliográfico utilizado na publicação,
reunindo conteúdos nos mais diversos subcampos da gestão.
A antiga mandala dá lugar ao Diagrama do MEG, com seus oito Fundamentos da
Gestão para Excelência, que substituem os antigos Critérios de Excelência.
Na figura a seguir, temos a nova representação gráfica do MEG, baseada no Tangram
(quebra-cabeça de sete peças de origem chinesa), criada com inspiração nas cores da
bandeira do Brasil e no Ciclo PDCL.
Ao utilizar o MEG como referência, a organização deve adaptá-lo (remontá-lo) na melhor
forma que defina seu modelo de gestão. A figura simboliza um modelo de relacionamento
entre a organização - considerada como um sistema adaptável, gerador de produtos e
informações - e seu ambiente organizacional e tecnológico, além do próprio ambiente
externo.
OSTENSIVO - 5-5 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Figura 5.2 - Modelo de Excelência da Gestão (MEG)
5.6 - PROGRAMA GESPÚBLICA
O Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – GESPÚBLICA – foi
instituído pelo Decreto nº 5.378 de 23 de fevereiro de 2005 e é o resultado da evolução
histórica de diversas iniciativas do Governo Federal para a promoção da gestão pública de
excelência, visando a contribuir para a qualidade dos serviços públicos prestados ao
cidadão e para o aumento da competitividade do País.
Visto como uma política pública fundamentada em um modelo de gestão específico, o
Programa tem como principais características o fato de ser essencialmente público –
orientado ao cidadão e respeitando os princípios constitucionais - de ser contemporâneo –
alinhado ao estado da arte da gestão –, de estar voltado para a disposição de resultados para
a sociedade – com impactos na melhoria da qualidade de vida e na geração do bem comum
– e de ser federativo – com aplicação a toda a administração pública, em todos os poderes e
esferas do governo.
A gestão pública para ser excelente tem que ser legal, impessoal, moral, pública e eficiente.
a) Legalidade
Estrita obediência à lei; nenhum resultado poderá ser considerado bom, nenhuma gestão
poderá ser reconhecida como de excelência à revelia da lei.
OSTENSIVO - 5-6 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
b) Impessoalidade
Não fazer acepção de pessoas. O tratamento diferenciado restringe-se apenas aos casos
previstos em lei. A cortesia, a rapidez no atendimento, a confiabilidade e o conforto são
requisitos de um serviço público de qualidade e devem ser agregados a todos os
usuários indistintamente. Em se tratando de organização pública, todos os seus usuários
são preferenciais, são pessoas muito importantes.
c) Moralidade
Pautar a gestão pública por um código moral. Não se trata de ética (no sentido de
princípios individuais, de foro íntimo), mas de princípios morais de aceitação pública.
d) Publicidade
Ser transparente, dar publicidade aos fatos e aos dados. Essa é uma forma eficaz de
indução do controle social.
e) Eficiência
Fazer o que precisa ser feito com o máximo de qualidade ao menor custo possível. Não
se trata de redução de custo de qualquer maneira, mas de buscar a melhor relação entre
qualidade do serviço e qualidade do gasto.
Por sua vez, o Modelo de Excelência em Gestão Pública (MEGP) representa a principal
referência a ser seguida pelas instituições públicas que desejam aprimorar constantemente
seus níveis de gestão. Como todo modelo de gestão, o MEGP contém diretrizes expressas
em seus critérios de excelência gerencial (liderança, estratégias e planos, cidadãos,
sociedade, informação e conhecimento, pessoas, processos e resultados), técnicas e
tecnologias para sua aplicação (como, por exemplo, a Carta de Serviços ao Cidadão, o
Instrumento Padrão de Pesquisa de Satisfação, o Guia de Gestão de Processos, o Guia de
Simplificação Administrativa e o Instrumento de Avaliação da Gestão) e práticas de gestão
implantadas com sucesso. Para que tanto o Modelo de Excelência em Gestão Pública
quanto o próprio Programa GESPÚBLICA acompanhem a dinâmica da sociedade
brasileira e estejam em conformidade com as necessidades dos cidadãos, são fundamentais
ações contínuas de inovação do modelo, de sua comunicação e de garantia de sua
sustentabilidade.
Nos últimos anos, o GESPÚBLICA utilizou-se de uma estratégia de sucesso alicerçada no
trabalho voluntário de representantes de instituições públicas, desenvolvendo e divulgando
conceitos e soluções para gestão, implantando e mobilizando núcleos regionais e setoriais
nas unidades da federação e realizando avaliações do nível de gestão das instituições, seja
por meio de autoavaliações, seja nos ciclos anuais do Prêmio Nacional da Gestão Pública.
OSTENSIVO - 5-7 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Destaque também foi dado a iniciativas relacionadas ao atendimento ao cidadão, tais como
o desenvolvimento de estudos, guias e eventos para as centrais de atendimento integrado e
a recente publicação do Decreto de Simplificação do Atendimento.
5.6.1 - Experiências anteriores
Desde 1991, no contexto do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP),
vem se desenvolvendo na administração pública brasileira um conjunto de ações cujo
propósito é transformar as organizações públicas, procurando torná-las cada vez mais
preocupadascom o atendimento do cidadão e não, apenas, com seus processos
burocráticos internos.
O que se busca é fazer que a organização pública passe a considerar o cidadão como parte
interessada e essencial ao sucesso da gestão pública, e em função disso que a avaliação do
desempenho do desempenho institucional somente seja considerada aceitável se incluir a
satisfação do cidadão como item de verificação.
A base desse movimento nacional pela Qualidade no serviço público é uma rede de
parcerias entre organizações, servidores e cidadãos mobilizados para a promoção da
melhoria da gestão no setor público.
Elevar o padrão dos serviços prestados aos cidadãos é, ao mesmo tempo, tornar o cidadão
mais exigente em relação aos serviços públicos a que têm direito é o grande desafio da
Qualidade na administração pública e o foco de sua atuação.
As ações do programa se desenvolvem, principalmente, no espaço em que a organização
pública se relaciona diretamente com o cidadão, seja na condição de prestadora de serviço,
seja na condição de executora da ação do Estado.
O Programa atua mobilizando e sensibilizando as organizações para a melhoria da
Qualidade da gestão pública e do desempenho institucional.
Atua junto aos cidadãos procurando torná-los participantes das atividades públicas,
desempenhando o papel de avaliadores dos serviços e das ações do Estado.
O Programa GESPÚBLICA é um poderoso instrumento de cidadania, conduzindo
cidadãos e agentes públicos ao exercício prático de uma administração pública
participativa, transparente, orientada para resultados e preparada para responder as
demandas sociais.
OSTENSIVO - 5-8 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
5.6.2 - História do desenvolvimento do programa
a) Império - Administração Pública Patrimonialista
1) O Estado funciona como extensão do poder soberano;
2) Os direitos são concedidos segundo critérios pessoais; e
3) Os cargos são considerados prebendas.
b) 1930 - Administração Pública Burocrática
1) Poder racional-legal: profissionalização, ideia de carreira, hierarquia funcional,
formalismo e impessoalidade;
2) Controles administrativos “a priori”; e
3) Administração auto referenciada: o controle e o poder do Estado transformam-se
na sua própria razão de ser.
c) 1990 - Administração Pública Gerencial
1) Controle “a posteriori” dos resultados;
2) Eficiência: fazer mais com menos;
3) Voltada para o atendimento ao cidadão;
4) Indutora do controle social;
5) Formatos organizacionais flexíveis e horizontalizados;
6) Processo decisório descentralizado;
7) Proativa e inovadora; e
8) Prestar serviço de melhor qualidade.
d) 2005 - Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização –
GESPÚBLICA.
1) Qualidade nos serviços e aumento da competitividade;
2) Foco Externo e Interno, desburocratização, melhoria da gestão e satisfação do
cidadão; e
3) Técnicas e Ferramentas.
5.7 - PROGRAMA NETUNO DA MB
5.7.1 – Origem
O Programa Netuno foi elaborado com baSe no programc GESPÚBLICA, estabelecido
no âmbito do Governo Federal pelo Decreto nº 5.378,"de 23FEV2005, e de acordo com
as seguintes ações:
OSTENSIVO - 5-9 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
a) Orientação do Comandante da Marinha 2006 (ORCOM) - Estudar e propor
ações para a implementação de um programa dinâmico de excelência de gestão, de
acordo com o Decreto nº 5.378/2005, que estabeleceu o GESPÚBLICA, visando
aprimorar o desempenho Institucional, focado na valorização e capacitação humana
e caracterizado por ações que otimizem processos e permitam o gerenciamento de
projetos, levando-se em consideração os resultados obtidos com os processos
anteriores de Gestão da Qualidade Total (GQT), Gestão Contemporânea (GECON)
e Reengenharia (RGA).
b) Orientação do Secretário-Geral da Marinha 2006 (ORISET) - Elaborar um
Programa de Implantação da Excelência de Gestão na Marinha e mecanismos de
acompanhamento das ações planejadas, em consonância com o Decreto nº
5.378/2005, que estabeleceu a GESPÚBLICA.
Em cumprimento à ORISET, acima a Diretoria de Administração da Marinha
(DAdM) elaborou e submeteu à aprovação do Comandante da Marinha o Programa
Netuno.
Em 24 de Maio de 2007, foi assinado o Of n° 176/2007, da SGM, no qual o Exm° Sr.
Secretário-Geral da Marinha oficializa a adesão da Marinha do Brasil ao Programa
Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (GESPÚBLICA).
5.7.2 – Objetivos
Os objetivos foram elaborados a partir das Diretrizes Básicas expostas no item anterior,
visando a estabelecer um estilo de gestão para as organizações militares da Marinha,
com base nas determinações contidas no Decreto nº 5.378/05 – GESPÚBLICA:
a) instrumentalizar as OM com ferramentas de análise e melhoria de processos,
promovendo a eficiência por meio do melhor aproveitamento dos recursos;
b) acompanhar e avaliar as ações de melhoria da qualidade dos serviços da OM alinhado
com os conceitos da GESPÚBLICA, premiando aquelas que se destacarem;
c) incentivar a capacitação e participação do pessoal por meio de treinamentos
contínuos e premiação de iniciativas de destaque; e
d) sensibilizar os diversos níveis da estrutura naval para a importância do Programa.
OSTENSIVO - 5-10 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
5.7.3 – Modelo de excelência
O programa está calcado basicamente em três pilares: treinamento, autoavaliação e
premiação, e adota o modelo que pode ser graficamente representado na figura abaixo,
que possui tres blocos os quais guardam relação com o ciclo PDCA (Plan, Do, Check),
que foi traduzido para nossa língua como Planejar, Executar, Controlar e Agir
corretivamente, sendo um método consagrado e largamente utilizado dentre as
ferramentas administrativas disponíveis.
Modelo de Excelência em Gestão - Netuno
Figura 5.3- Modelo de Excelência em Gestão - Netuno
a) O primeiro bloco é composto por 4 (quatro) critérios (Liderança e Desempenho
global; Formulação e Implementação de Estratégias; Imagem e relacionamento
com outras OM extra MB; e Responsabilidade Socioambiental, Ética e Controle
Social)
Representa o PLANEJAMENTO , na qual os serviços, produtos e processos são
planejados para melhor atender as necessidades dos cidadãos. É primordial a presença
de uma Liderança na definição desse planejamento.
OSTENSIVO - 5-11 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
b) O segundo bloco é composto por 1 (um) critério (Gestão do Conhecimento e
Informações Comparativas)
Identifica-se com o CONTROLE, pois serve para acompanhar o atendimento à
satisfação dos destinatários, dos serviços e da ação do Estado.
c) O terceiro bloco é composto por 2 (dois) critérios (A Tripulação, seu Trabalho,
Capacitação e Desenvolvimento; e Processos Orçamentários, Financeiros,
Finalísticos e de Apoio)
Traduz a EXECUÇÃO do que foi planejado, transformando metas e objetivos em
resultados concretos. Nesta etapa, a ênfase recai sobre as pessoas como operados dessa
transformação.5.7.4 – Critérios do modelo de excelência
O Modelo de Excelência em Gestão – Netuno é a representação de um sistema gerencial
constituído de sete partes integradas, que orientam a adoção de práticas de excelência
em gestão com a finalidade de levar as organizações militares da MB a padrões
elevados de desempenho e de excelência em gestão. O modelo é composto por sete
critérios que, interligados, possibilitam a análise da organização segundo enfoques
distintos.
a) Liderança e desempenho global
Este critério examina a governança pública e a governabilidade da organização,
incluindo aspectos relativos à transparência, equidade, prestação de contas e
responsabilidade corporativa. Também examina como é exercida a liderança,
incluindo temas como mudança cultural e implementação do sistema de gestão da
organização. O critério aborda a análise do desempenho da organização enfatizando
a comparação com o desempenho de outras organizações e a avaliação do êxito das
estratégias.
b) Formulação e implementação de estratégias
Este critério examina como a organização, a partir de sua visão de futuro, da análise
dos ambientes interno e externo e da sua missão institucional formula suas
estratégias, as desdobra em planos de ação de curto e longo prazos e acompanha a
sua implementação, visando o atendimento de sua missão e a satisfação das partes
interessadas.
OSTENSIVO - 5-12 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
c) Imagem e relacionamento com outras OM extra MB
Este critério examina como a organização, no cumprimento das suas competências
institucionais, identifica os cidadãos usuários dos seus serviços e produtos, conhece
suas necessidades e avalia a sua capacidade de atendê-las, antecipando-se a elas.
Aborda também como ocorre a divulgação de seus serviços, produtos e ações para
fortalecer sua imagem institucional e como a organização estreita o relacionamento
com seus cidadãos-usuários, medindo a sua satisfação e implementando e
promovendo ações de melhoria.
d) Responsabilidade socioambiental, ética e controle social
Este critério examina como a organização aborda suas responsabilidades perante a
sociedade e as comunidades diretamente afetadas pelos seus processos, serviços e
produtos e como estimula a cidadania. Examina, também, como a organização atua
em relação às políticas públicas do seu setor e como estimula o controle social de
suas atividades pela Sociedade e o comportamento ético.
e) Gestão do conhecimento e informações comparativas
Este critério examina a gestão das informações, incluindo a obtenção de informações
comparativas pertinentes. Também examina como a organização identifica,
desenvolve, mantém e protege os seus conhecimentos.
f) A tripulação, seu trabalho, capacitação e desenvolvimento
Este critério examina os sistemas de trabalho da organização, incluindo a
organização do trabalho, a estrutura de cargos, os processos relativos à seleção e
contratação de pessoas, assim como a gestão do desempenho de pessoas e equipes.
Também examina os processos relativos à capacitação e ao desenvolvimento das
pessoas e como a organização promove a qualidade de vida das pessoas interna e
externamente ao ambiente de trabalho.
g) Processos orçamentários, financeiros, finalísticos e de apoio
Este critério examina como a organização gerencia, analisa e melhora os processos
finalísticos e os processos de apoio. Também examina como a organização gerencia
o processo de suprimento, destacando o desenvolvimento da sua cadeia de
suprimento. O critério aborda como a organização gerencia os seus processos
orçamentários e financeiros, visando o seu suporte.
OSTENSIVO - 5-13 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
5.7.5 – Autoavaliação
Um dos pilares do Programa Netuno é a autoavaliação do Sistema de Gestão (Fig. 5.4).
A autoavaliação representa uma visão panorâmica da organização sobre o seu sistema
de gestão. Pode ser comparada a um exame de rotina, ou análise da situação, que
permite aos gestores perceberem onde há problemas, onde há boas práticas e qual o
impacto desse conjunto de práticas sobre o desempenho da organização (EMA-134). A
autoavaliação visa fazer com que a Administração da OM reflita sobre suas ações,
proporcionando um maior comprometimento na busca da melhoria contínua. O
instrumento utilizado na autoavaliação é a lista Programa Netuno (Lista P10), que deve
ser preenchida conforme orientações constantes no EMA-130. A autoavaliação da OM
deve estar na pauta do Conselho de Gestão, conforme estabelecido na SGM-107. Não é
necessário aguardar a IAM na OM para realizar a autoavaliação. É recomendável que a
OM a realize anteriormente e implemente ações de melhoria antes da IAM, de modo
que, quando ocorrer a autoavaliação formal por ocasião da IAM, a OM apresente
melhores resultados em sua gestão.
Ciclo de Avaliação e Melhoria
Fig. 5.4 - Ciclo de Avaliação e Melhoria
É importante que a Alta Administração da organização patrocine e participe do processo
de autoavaliação. Essa participação começa pela indicação de uma equipe, nomeada de
Comitê de Gestão Organizacional, com número de componentes compatível com seu
tamanho de acordo com o quadro a seguir, que atuará como facilitador e relator da
autoavaliação.
OSTENSIVO - 5-14 - R E V. 3.
AUTOAVALIAÇÃO
VALIDAÇÃO
CONTROLE PLANO DE MELHORIA
IMPLEMENTAÇÃO
AÇÃO CORRETIVA
PPEEOO
CONSELHO
DE GESTÃO
OSTENSIVO CIAA-112/010
Com base nessa autoavaliação são identificados os processos que podem ser melhorados
e, consequentemente, estabelecido um Plano de Melhoria de Gestão (PMG-
Administrativo). Esta autoavaliação é simples e deve ser feita com base nos critérios
constantes do Instrumento de avaliação de Gestão (Lista P10).
Concluída a autoavaliação a organização deve solicitar a validação externa dos
resultados obtidos visando obter uma visão de terceiros sobre a gestão da OM, e o
aumento do grau de confiabilidade de sua avaliação.
OSTENSIVO - 5-15 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
CAPÍTULO 6
ISO 9000
6.1 – DEFINIÇÃO
Durante uma reunião em Londres em 1946, representantes de vinte e cinco países
decidiram criar uma organização internacional com o objetivo de facilitar, em nível
mundial, a coordenação e a unificação de normas industriais. Essa organização, com sede
em Genebra, Suíça, começou a funcionar oficialmente em 23 de fevereiro de 1947 com a
denominação International Organization for Standardization (ISO), ou Organização
Internacional de Normalização.
6.1.1– O que é ISO
A ISO é uma organização não-governamental internacional, que reúne mais de uma
centena de organismos nacionais de normalização. Representando países que respondem
por cerca de 95% do PIB mundial, tem por objetivo promover o desenvolvimento da
padronização de atividades correlacionadas, de forma a possibilitar o intercâmbio
econômico, científico e tecnológico emníveis mais acessíveis aos aludidos organismos
(Marshall Jr., 2001).
O escopo da ISO sobre normalização está estabelecido em todos os campos do
conhecimento, exceto no de normas da área de engenharia eletrônica e elétrica, que são de
responsabilidade da International Eletrotechnical Commission.
A ISO concilia interesses de produtores, usuários, governos e da comunidade científica na
preparação de normas internacionais. Seu trabalho é desenvolvido por intermédio de mais
de 2.600 grupos técnicos, compostos por mais de vinte mil especialistas de todo o mundo,
e que participam anualmente dos trabalhos técnicos da ISO, dos quais já resultou a
publicação de mais de treze mil normas desde a fundação da organização.
6.1.2 – Objetivos da ISO
Os objetivos da ISO são:
a) Economia: proporcionar a redução da crescente variedade de produtos e
procedimentos;
b) Comunicação: proporcionar meios mais eficientes de troca de informações entre o
fabricante e o cliente, melhorando a confiabilidade das relações comerciais;
c) Segurança: proteger a vida e a saúde;
d) Proteção do consumidor: prover a sociedade de meios eficazes para aferir a
qualidade de bens e serviços; e
OSTENSIVO - 6-1 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
e) Eliminação de barreiras técnicas e comerciais: evitar a existência de regulamentos
conflitantes sobre bens e serviços em diferentes países, facilitando, assim, o
intercâmbio comercial.
Na prática, a normalização está presente na fabricação dos produtos, na transferência de
tecnologia e na melhoria da qualidade de vida, através de normas relativas à saúde, à
segurança e à preservação do meio ambiente.
6.1.3 - Evolução das atividades
Em 1987, a ISO lançou a família de normas ISO 9000, fortemente baseadas nas normas
britânicas da qualidade e nas experiências e contribuições de especialistas e representantes
de diversos países, e que conseguiram superar divergências quanto a terminologia,
conceitos e práticas e chegar a um resultado que pode ser considerado um marco histórico
na evolução da garantia e da gestão da qualidade. A partir desse momento as normas
começaram a evoluir.
Em 1994, foi realizada a primeira revisão geral, para melhorar sua interpretação e garantir
a inclusão dos aspectos preventivos da garantia da qualidade. Essa revisão foi considerada
superficial, pois foram feitas apenas pequenas adequações formais, visando a antecipar as
grandes alterações previstas para o ano 2000.
Em 2000, ocorreu a segunda revisão, mais significativa, tendo maior ênfase não só os
aspectos industriais como também os de serviços. De modo geral, grande parte das normas
requer revisões periódicas. Vários fatores provocam a sua obsolescência, como, por
exemplo, a evolução tecnológica, novos métodos e materiais, novos requisitos de qualidade
e segurança, entre outros. Levando em consideração esses fatores, a ISO estabeleceu que as
normas devessem ser revisadas em intervalos inferiores a cinco anos.
Essas revisões periódicas provocam uma constante adaptação nas atividades de
certificação, pois as organizações certificadas precisam adaptar e melhorar seus sistemas
de gestão para incluir os novos requisitos que são inseridos nas normas de referência. A
certificação passa, então, a ser uma atividade dinâmica, que proporciona à organização
oportunidades de melhoria consideráveis.
6.1.4 – Certificação
A necessidade das empresas comunicarem aos seus clientes e ao mercado a adequação de
seu sistema da qualidade às normas de referência originou a atividade de certificação.
OSTENSIVO - 6-2 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
Certificação é um conjunto de atividades desenvolvidas por um organismo independente,
sem relação comercial, com o objetivo de atestar publicamente, por escrito, que
determinado produto ou processo está em conformidade com os requisitos especificados.
Esses requisitos podem ser nacionais, estrangeiros ou internacionais.
As atividades de certificação podem envolver análise de documentação; auditorias e
inspeções na empresa; coleta e ensaios de produtos, no mercado ou na fábrica, com o
objetivo de avaliar a referida conformidade e sua manutenção.
Não se deve pensar na certificação como uma ação isolada e pontual e, sim, como um
processo que se inicia com a conscientização da necessidade da qualidade para a
manutenção da competitividade e consequente permanência no mercado, passando pela
utilização de normas técnicas e pela difusão do conceito da qualidade por todos os setores
da empresa, abrangendo seus aspectos operacionais internos e o relacionamento com a
sociedade e o ambiente.
Em 2002 havia cerca de 400 mil certificados em todo o mundo. O Brasil apresenta uma das
maiores taxas de crescimento em certificações, com cerca de 6.800 certificados emitidos
para mais de 5.500 diferentes empresas, até outubro de 2002.
A certificação é efetuada por um organismo certificador, que, no âmbito do modelo do
Sistema Brasileiro de Certificação (SBC) determinado por resolução do Conselho Nacional
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO), deve estar
credenciado no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(INMETRO) para exercer tal atividade. O SBC conceitua esse tipo de atividade como
certificação de terceira parte, na qual uma entidade independente das partes envolvidas nas
relações contratuais (fornecedor – cliente) realiza a avaliação do sistema de qualidade da
empresa.
As normas da família ISO 9000, por também serem utilizadas em situações contratuais,
pressupõem a realização de auditorias pelo cliente. Em face da multiplicação dessas
exigências, tornou-se natural admitir a situação em que um organismo independente
(terceira parte), reconhecido por todos, efetuasse essas auditorias, que seriam assim aceitas,
facilitando e simplificando as relações comerciais.
Contudo, as auditorias por parte dos clientes ainda são empregadas, em especial quando as
empresas fornecedoras ainda não estão certificadas. Nesse caso, trata-se da avaliação ou
qualificação de fornecedores. A tendência é que os clientes passem a exigir dos
fornecedores e parceiros a sua certificação por organismos de certificação credenciados, a
fim de reduzir os custos com as auditorias de qualificação.
OSTENSIVO - 6-3 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
As auditorias podem ser classificadas em auditoria de primeira parte (auditoria interna),
auditoria de segunda parte (cliente – fornecedor) e auditoria de terceira parte (sem relação
comercial, feita por organismo independente). Entre os vários organismos credenciados
pelo INMETRO para a realização de auditorias e certificação de empresas, destaca-se a
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). É responsável pela produção de
normas nacionais e pela representação brasileira na ISO. Os documentos normativos de
caráter consensual aprovados pela ABNT são considerados “normas brasileiras”. O
Certificado de Registro de Empresa ABNT é o documento que atesta a conformidade dos
sistemas de qualidade ou ambiental de uma empresa aos requisitos das normas da família
ISO 9000 (qualidade) e ISO 14000 (ambiental).
6.1.5 - Por dentro da ISO 9001
A ISO 9001 é um modelo seguro para a implantaçãoda gestão de qualidade. No Brasil, ela
foi revisada e publicada pela ABNT. O exercício dessas regras segue um padrão
estabelecido para empresas do mundo inteiro, sejam elas públicas ou privadas.
Isso significa mais confiança para os clientes e usuários em relação aos produtos e serviços
oferecidos, pois a gestão passa a utilizar o ciclo PDCA, o Plan–Do–Check–Action, que
significa planejar, fazer, checar e agir. Dentro disso, 7 princípios são respeitados:
a) Foco no cliente: O foco principal da gestão da qualidade é atender às necessidades dos
clientes e empenhar-se em exceder as expectativas dos clientes.
b) Liderança: Líderes em todos os níveis estabelecem uma unidade de propósito e
direcionamento e criam condições para que as pessoas estejam engajadas para alcançar
os objetivos da qualidade da organização.
c) Engajamento das pessoas: Pessoas competentes, com poder e engajadas, em todos os
níveis na organização, são essenciais para aumentar a capacidade da organização em
criar e entregar valor.
d) Abordagem de processo: Resultados consistentes e previsíveis são alcançados de
forma mais eficaz e eficiente quando as atividades são compreendidas e gerenciadas
como processos inter-relacionados que funcionam como um sistema coerente.
e) Melhoria: A melhoria é essencial para uma organização manter os atuais níveis de
desempenho, reagir às mudanças em suas condições internas e externas e criar novas
oportunidades.
f) Tomada de decisão baseada em evidência: Decisões com base na análise e avaliação
de dados e informações são mais propensas a produzir resultados desejados.
OSTENSIVO - 6-4 - R E V. 3.
OSTENSIVO CIAA-112/010
g) Gestão de relacionamento: Para o sucesso sustentado, as organizações gerenciam seus
relacionamentos com as partes interessadas pertinentes, como provedores.
6.1.6 - ISO 9001:2015
Se a certificação da ISO 9001 já é primordial para a qualidade de gestão, imagine, então, a
versão atualizada, que leva em conta uma série de transformações pelas quais passou o
mundo nos últimos 10 anos! A ISO 9001:2015 traz inúmeros benefícios.
A atualização sana algumas dúvidas que cercavam o documento de 2008. A primeira
alteração é em relação à estrutura e à terminologia. Agora, o Apêndice SL está mais
harmônico, com termos e definições padronizados.
A nova versão do ISO também fez a inclusão de novos termos. A anterior utilizava a
expressão ‘produtos’ para qualquer tipo de produção. Isso deixava as empresas prestadoras
de serviços utilizando uma terminologia inapropriada. Agora, os termos ‘bens e serviços’
deixam mais claro que a ISO 9001 abrange todos os tipos de empresas.
Outro tópico considerado na migração da norma é em relação às partes interessadas. O
texto prevê que elas não podem se referir somente aos clientes, mas a pessoas ou entidades
que influenciam direta ou indiretamente nos resultados da organização.
Por falar em organização, a ISO 9001:2015 também determina a necessidade de gerenciar
o conhecimento da corporação. Essa é uma forma de incentivar a busca pela especialização
e evitar que o capital intelectual da produção seja perdido.
Além disso, a nova versão traz conceito aperfeiçoado em relação à documentação exigida
para um sistema de gestão da qualidade. Em 2008, as regras mencionavam manual da
qualidade, plano da qualidade ou procedimentos e registros da qualidade. Em 2015, esse
assunto é tratado como “informação documentada”, de forma muito mais adequada ao
modo como as organizações trabalham nos dias atuais.
Um tópico abordado de forma inédita trata do contexto organizacional, requerendo que a
organização considere questões internas e externas no planejamento de seu sistema de
gestão da qualidade. Isso faz com que as organizações busquem a perfeita aderência entre
os processos do negócio e os processos considerados no sistema de gestão da qualidade.
Porém, não há dúvidas de que a mudança mais significativa na contida na ISO 9001:2015
refere-se à adoção da mentalidade de riscos e oportunidades. Essa abordagem amplia o
conceito de ação preventiva por todo o texto normativo, de forma que as organizações, ao
determinarem seus riscos como base do planejamento do sistema de gestão da qualidade,
estejam trabalhando para aumentar suas chances de alcançar os resultados planejados.
OSTENSIVO - 6-5 - R E V. 3.