RESUMO David Harvey - O desenvolvimento geográfico desigual
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RESUMO David Harvey - O desenvolvimento geográfico desigual


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1. O mapa dos movimentos da neoliberalização 
> Um mapa dos movimentos mediante os quais ocorreu o progresso da 
neoliberalização no cenário mundial a partir de 1970 é difícil de elaborar. 
> A maioria dos Estados que seguiram a virada neoliberal só o fizeram 
parcialmente (...). Mudanças totais na esteira de crises (como o colapso da 
União Soviética) podem ser sucedidas por lentas reversões quando os 
aspectos não-palatáveis do neoliberalismo se tornam mais evidentes. 
 - E na luta de restauração ou implantação do poder de uma classe alta 
distintiva ocorre todo tipo de idas e vindas enquanto os poderes políticos 
mudam de mãos e os instrumentos de influência se enfraquecem ali ou se 
fortalecem alhures. 
 - Assim, todo mapa desses movimentos apresentaria correntes 
turbulentas de desenvolvimentos geográficos desiguais que precisam ser 
rastreados para compreender de que maneiras transformações locais se 
vinculam a tendências mais amplas. 
> A competição entre territórios com respeito a quem tem o melhor 
modelo de desenvolvimento econômico era relativamente insignificante 
nos anos 1950 e 1960. 
 - Esse tipo de competição veio a existir nos sistemas de relações 
comerciais mais fluidos e abertos instaurados depois de 1970. 
> O progresso geral da neoliberalização viu-se cada vez mais impelido por 
mecanismos de desenvolvimento geográfico desigual. - Estados ou regiões 
bem-sucedidos pressionam todos a seguir seu exemplo na acumulação de 
capital. 
 - Mas as vantagens competitivas se mostram frequentemente efêmeras, o 
que introduz no capitalismo global uma extraordinária volatilidade. 
 - Mas também é verdade que fortes impulsos de neoliberalização 
emanaram de uns quantos epicentros mais importantes e até foram 
orquestrados por eles. 
> UK e EUA sem dúvida foram os líderes, mas em nenhum deles a virada 
deixou de apresentar problemas. 
 - Nos EUA, o "compromisso keynesiano" dos anos 1960 nunca se 
aproximou das realizações dos Estados socialdemocratas da Europa. A 
oposição a Reagan foi, portanto, menos combativa; ele estava bastante 
preocupado com a Guerra Fria (...). Embora isso por certo não fosse 
compatível com a teoria neoliberal, os déficits federais crescentes 
proporcionaram na prática uma conveniente desculpa para estrangular 
programas sociais (um objetivo neoliberal). 
> Apesar de toda a retórica da cura de economias doentes, nem a UK nem 
EUA alcançaram altos níveis de desempenho econômico nos anos 1980, o 
que sugere que o neoliberalismo não era a resposta às orações capitalistas. 
> Na América Latina, por outro lado, atingida pela primeira onda de 
neoliberalização forçada no começo dos anos 1980: o resultado foi em 
geral toda uma "década perdida" de estagnação econômica e perturbação 
política. 
> Os anos 1980 foram de fato a década do Japão, dos "tigres" asiáticos e da 
Alemanha Ocidental como casas de força competitivas da economia global. 
Seu sucesso na ausência de reformas liberais amplas torna difícil alegar 
que a neoliberalização no cenário mundial progrediu como paliativo 
comprovado para a estagnação econômica. Com efeito, os bancos centrais 
desses países seguiam em geral uma linha monetarista (combate à 
inflação), e graduais reduções das barreiras comerciais criaram pressões 
competitivas que desembocaram no sutil processo do que se poderia 
denominar "neoliberalização insidiosa", mesmo em países que em geral 
resistiam a ela. 
 - O acordo de Maastrich, de 1981, por exemplo, que estabeleceu um 
amplo arcabouço neoliberal para a organização interna da União Européia, 
não teria sido possível sem a pressão de Estados como a Inglaterra, que 
haviam se comprometido com reformas neoliberais. 
 - Mas na Alemanha Ocidental os sindicatos mantiveram-se fortes, 
preservaram-se as proteções sociais e os níveis relativamente altos de 
salários permaneceram. Isso estimulou a inovação tecnológica que 
manteve esse país bem à frente no âmbito da competição internacional na 
década de 1980. O crescimento voltado para as exportações impeliu o país 
à posição de líder global. 
> No Japão, sindicatos independentes eram fracos, e havia altas taxas de 
exploração do trabalho, mas o investimento do Estado em inovações 
tecnológicas e as estreitas relações entre corporações e bancos geraram 
um espantoso crescimento voltado para exportações nos anos 1980, em 
larga medida a expensas do Reino Unido e dos Estados Unidos. 
> Por conseguinte, o crescimento ocorrido nos anos 1980 não dependeu 
da neoliberalização exceto no sentido mais restrito de que uma maior 
abertura do comércio e dos mercados globais proporcionou o contexto no 
qual as histórias de sucesso do Japão, Alemanha Ocidental e dos tigres 
asiáticos puderam ocorrer com mais facilidade em meio a uma competição 
internacional que se intensificava. Ao final da década de 1980, os países 
que haviam seguido o caminho neoliberal mais forte pareciam estar com 
dificuldades econômicas. Era difícil não concluir que os "regimes de 
acumulação" da Alemanha Ocidental e dos tigres asiáticos mereciam ser 
emulados. Muitos Estados europeus resistiram portanto a reformas 
neoliberais e adotaram o modelo alemão ocidental. Na Ásia; o modelo 
japonês foi amplamente emulado primeiro pela Coréia do Sul. Taiwan, 
Hong Kong e Cingapura ("Gangue dos Quatro) e depois por Tailândia, 
Malásia, Indonésia e Filipinas. 
> Mas os modelos da Alemanha Ocidental e Japão não facilitavam a 
restauração do poder de classe. Os aumentos da desigualdade social que 
havia no Reino Unido e nos EUA na década de 1980 foram postos em 
xeque. Embora as taxas de crescimento fossem baixas nesses dois países, o 
padrão de vida do trabalho declinava ponderavelmente e as classes altas 
começavam a se sair bem. 
 - As taxas de remuneração dos CEOs norte-americanos, por exemplo, 
eram invejadas pelos europeus em posições comparáveis. 
 - Na Inglaterra, uma nova onda de financistas empreendedores começou a 
consolidar grandes fortunas. Se o projeto era restaurar o poder de classe 
às principais elites, o neoliberalismo era a resposta. Em consequência, a 
possibilidade ou não de um país ser levado à neoliberalização dependia do 
balanço de forças entre as classes, bem como do grau de dependência da 
classe capitalista com relação ao Estado. 
> Os recursos por meio dos quais o poder de classe tinha condições de ser 
transformado e restaurado foram instaurados de modo desigual durante a 
década de 1980 e se consolidaram na década seguinte. 
> Quatro componentes tiveram papel essencial nisso. 
1 - Em primeiro lugar; a virada para uma financialização mais aberta, 
iniciada em 1970, acelerou-se durante os anos 1990. O investimento 
externo direto e o investimento indireto aumentaram rapidamente por 
todo o mundo capitalista, mas se disseminaram desigualmente, 
dependendo com frequência de quão favorável fosse o clima de negócios 
em cada lugar. Os mercados financeiros passaram por uma forte onda de 
inovação e desregulação internacionalmente, e, além de se tornarem 
instrumentosmais importantes de coordenação, ofereciam meios de 
obtenção e concentração de riqueza. Passaram assim a ser os recursos 
privilegiados de restauração do poder de classe. O estreito vínculo entre 
corporações e bancos que tão bem servira aos alemães ocidentais e aos 
japoneses nos anos 1980 foi enfraquecido e substituído por uma crescente 
ligação entre corporações e mercados financeiros (as bolsas de valores). e 
nisso o Reino Unido e os Estados Unidos estavam em vantagem. Na década 
de 1990, a economia japonesa entrou em parafuso (liderado pelo colapso 
nos mercadosespeculativos de terras e imóveis), e o setor bancário viu-se 
ameaçado. 
> A apressada reunificação da Alemanha criou tensões, e a vantagem 
tecnológica anterior dos alemães se dissipou, tornando necessário abalar 
maisprofundamente sua tradição socialdemocrata para garantir a 
sobrevivência. 
2 - Em segundo