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1. Dados do Filme
Título: Cidadão Kane
Número de horas realizadas: 2h (120 min)
2. RELATÓRIO DO FILME 
2.1 Resumo do Filme
Considerado por muitos como, senão o maior, um dos maiores filmes de todos os tempos, Cidadão Kane (Citizen Kane), lançado em 1941, coloca em cena um magnata da imprensa, Charles Foster Kane, sob diversos pontos de vista. Com narrativa inovadora e uma beleza visual admirável, o diretor Orson Welles, um dos maiores nomes do cinema americano, que também protagoniza o filme, mostra sua habilidade ao adentrar o espectador sutilmente na mansão de Kane, e ao confundir uma casa na neve com o peso de papel que o protagonista deixará espatifar no chão, após pronunciar sua última palavra, Rosebud. 
A partir daí a busca pelo significado dessa expressão leva um repórter, Thompson, a descobrir as diversas facetas do influente Kane. No auge de sua fortuna, antes da crise de 29, o barão da imprensa possuía 37 jornais espalhados pelo território americano, uma rede de rádio, fábricas de papel, prédios e a terceira maior mina de ouro do mundo. O jornalista parte para entrevistar pessoas que viveram com Kane de uma forma ou de outra e, a cada conversa, voltamos no tempo, em flashbacks não lineares, com exceção dos dois últimos, cada um sob o ponto de vista do respectivo entrevistado, que começam a dar forma a Kane, o Homem, no lugar de Kane, o Mito.
A procura é constante, desde amigos, sócios, funcionários até sua última esposa. Mas a finalidade da pesquisa não é conquistada pelos repórteres, apenas por nós telespectadores, onde, no último segundo da obra, é descoberto o real sentido deste termo, demonstrando a importância da perspectiva tanto do diretor quanto do olhar do telespectador perante a obra. É interessante ressaltar a crítica que Welles faz ao cinema clássico nesta cena logo após a sua morte, no início do filme.
O filme também foi muito comentado por reinventar a estética do cinema no campo da fotografia e montagem, inserindo características jornalísticas, ao começar pela narração em off no começo do filme que simula uma reportagem inédita, e pelos jornais que ilustram as cenas ao mostrar as manchetes e as criações de textos.
Cidadão Kane é um filme com características de épico, e estava pelo menos 30 anos à frente do seu tempo, a começar pela espetacular fotografia de Gregg Toland, que surpreende com todos os ângulos de câmera, as metáforas, a edição, os planos fechados, o uso da luz natural e artificial, As montagens de cenários são algo inexplicáveis (com destaque para o discurso de Kane), o roteiro de J. Mankiewicz é para lá de sensacional, usando flashbacks (algo novo na época) e a linha do tempo a seu favor. Foi um dos primeiros a usar esses recursos narrativos, culminando com uma trilha sonora é precisa.
2.2 Valores vinculados (relevância para a formação profissional, valores conflitantes com a cosmovisão pessoal). 
De maneira realista demais para os padrões da época, Wells critica, de forma inteligente, o capitalismo de um país que apostou todas suas fichas no conservadorismo de seus interesses. Apesar da narrativa focar na vida e trajetória de Kane, também é possível perceber o que acontece por debaixo dos panos no mundo jornalístico e, atualizando o contexto, podemos fazer uma analogia inclusive com esse cenário atual de fake news. Desde interesses políticos às notícias típicas da yellow press (imprensa marrom aqui no Brasil).
Essencial para que reflitamos sobre o porquê da necessidade que se tem de fazer da comunicação um jogo de opiniões e manipulação. Para qualquer pessoa que deseja saber os caminhos que já percorreu e, quem sabe, fazer um paralelo sobre o atual papel da mídia e a necessidade de liberdade de expressão, para uma trajetória coerente e digna.