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Suspensão Condicional do Processo - Requisitos

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PROCESSO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Direito Processual Penal 
Tema: Suspensão Condicional do Processo 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
Fala pessoal, tudo bem? 
No presente resumo, iremos abordar o conceito e requisitos da suspensão 
condicional do processo. 
 
 
A suspensão condicional do processo – também conhecida como sursis 
processual - é prevista art. 89 da Lei nº 9.099/95. Trata-se de um instituto 
despenalizador que permite a suspensão do processo por um período de prova que 
pode variar de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que cumpridas determinadas condições. 
 
De maneira bem simples, institutos despenalizadores são “acordos” celebrados 
entre o Ministério Público e o acusado com fim de evitar a aplicação de uma punição, 
como a imposição de uma pena privativa de liberdade. 
Nesse sentido, GOMES (1995, p. 9) elucida que: 
 
 
 
 
 
 
Vale citar que também há outros institutos despenalizadores além da suspensão 
condicional do processo, como a transação penal e o acordo de não persecução penal. 
 
 
De acordo com o art. 89 da Lei 9.099/1995, se a pena mínima cominada ao crime 
for igual ou inferior a um ano, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor 
a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo 
processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais 
requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). 
A partir do artigo mencionado é possível extrair uma série de requisitos. 
 
1. INTRODUÇÃO 
2. CONCEITO 
Despenalizar consiste, como vimos, em adotar processos substitutivos ou alternativos, de natureza 
penal ou processual, que visam, sem rejeitar o caráter ilícito do fato, dificultar, evitar, substituir ou 
restringir a aplicação da pena de prisão ou sua execução ou, ainda, pelo menos, sua redução. Os 
‘substitutivos penais’ não se confundem com os processos despenalizadores ‘alternativos’ (penas 
alternativas), porque enquanto aqueles substituem uma pena de prisão já fixada (ex: penas restritivas 
de direito no Código Penal, estes aparecem como ‘alternativa impeditiva’ da imposição de tal pena 
(...). Os processos despenalizadores, por outro lado, podem ser consensuais (conciliação, transação etc. 
– isso se deu agora com a Lei 9.099/95) ou não consensuais (impostos pelo juiz). 
3. REQUISITOS 
Mas o que significa ser instituto despenalizador? 
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a) Pena mínima cominada ao crime não superior a um ano; 
O primeiro passo para verificar se é cabível a suspensão condicional do processo 
é analisar a quantidade de pena cominada ao delito. Basicamente, se a pena mínima, 
prevista abstratamente, não ultrapassar o limite de 1 (um) ano, em tese, será possível o 
oferecimento do sursis processual. 
É irrelevante, no caso, que o crime seja doloso ou culposo, bem como a espécie 
de pena cominada, se reclusão ou detenção. 
Ademais, importante destacar que as qualificadoras, causas de aumento e de 
diminuição da pena também devem ser levadas em consideração para verificar o 
cabimento da suspensão. No caso, sempre deve ser analisada a pena mínima cominada 
ao delito. 
Assim, nas situações em que houver causa de aumento de pena variável, deve-
se utilizar o patamar que menos aumente a pena do delito, pois, dessa forma, estar-se-
á chegando à pena mínima cominada à infração. Por outro lado, na hipótese de causa 
de diminuição de pena, deve-se considerar o patamar que mais diminua a pena. 
Outrossim, quando houver concurso de crimes, para fins de cabimento da 
suspensão, deve ser considerada a somatória das penas ou o quantum decorrente da 
majoração da pena em seu patamar mínimo. 
Nesse sentido, Renato Brasileiro (2020, pg. 1589) explica que: 
 
 
 
 
No mesmo sentido, os Tribunais superiores expõem que: 
 
 
 
 
 
 
Importante destacar que embora a suspensão condicional do processo esteja 
prevista na Lei nº 9.099/95, sua aplicação não se restringe às infrações de 
menor potencial ofensivo. 
Além disso, conforme ensinamentos da doutrina, também é cabível a suspensão 
condicional do processo nas situações que em envolver a prática de contravenção penal. 
 
Portanto, o benefício da suspensão condicional do processo não é admitido nos delitos praticados em 
concurso material ou formal impróprio quando o somatório das penas mínimas cominadas for superior 
a 01 (um) ano, assim como não é aplicável às infrações penais cometidas em concurso formal próprio 
ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada ao delito mais grave aumentada da 
majorante de 1/6 (um sexto) ultrapassar o limite de um (01) ano. 
Súmula n. 723 do STF. Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a 
soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de 1/6 (um sexto) for superior 
a 1 (um) ano. 
Súmula n. 243 do STJ. O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações 
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena 
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de 1 
(um) ano. 
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Outro ponto que merece destaque, é a impossibilidade de aplicação da 
suspensão condicional do processo aos crimes praticados com violência doméstica e 
familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista. 
O art. 41 da Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha) veda a aplicaçao da Lei 
9.099/95 e, por conseguinte, da suspensão condicional do processo. 
Inclusive, há entendimento sumulado do STJ. Veja: 
 
 
 
b) Não esteja o acusado sendo processado por outro crime ou não ter sido 
condenado por outro crime; 
Para que o acusado faça jus à suspensão condicional do processo, o art. 89, 
caput, da Lei nº 9.099/95, estabelece que ele não pode estar sendo processado, nem 
tampouco ter sido condenado por outro CRIME. 
Em relação ao fato de o agente “não ter sido condenado por outro crime”, é 
necessário que a sentença tenha transitado em julgado para que possa funcionar como 
fator impeditivo do sursis. Ou seja, o acusado reincidente na prática de CRIME não tem 
direito à suspensão condicional do processo. 
Importante destacar que a vedação não abrange o processo ou condenação por 
contravenção penal. 
Em outras palavras, mesmo que que o acusado esteja sendo processado por 
contravenção penal ou tenha prévia condenação por contravenção, continuará fazendo 
jus à suspensão condicional do processo. 
 
c) presença dos demais requisitos que autorizam a suspensão condicional da 
pena; 
 
Por fim, os demais requisitos estão previstos no art. 77 do Código Penal, quais 
sejam: 
I – o condenado não seja reincidente em crime doloso; 
 
A respeito do inciso I, Norberto Avena (2019, pg. 1600) esclarece que: 
 
 
 
 
Súmula nº 536 do STJ: “A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na 
hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha”. 
(...) Quanto à previsão do art. 77, I, do CP (não se tratar de reincidente em crime doloso), resta, em 
tese, prejudicada sua aplicação, já que, nos termos do art. 89 da Lei 9.099/1995, basta, para impedir 
suspensão, que esteja o agente respondendo ou tenha sido condenado por outro crime. 
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II – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do 
agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; 
III – não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 do CP. 
Em relação ao inciso III, Norberto Avena (2019, pg. 1600) também esclarece que: 
 (...) E, por fim, também afastado o pressuposto do art. 77, III, do CP (impossibilidade de substituição