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está condenada. As estatísticas de desemprego, fome, analfabetismo e violência revelam um 
cenário internacional dominado pelas diferentes formas de exclusão social. Realidades como 
essas, lamentavelmente, não são exceção e, sim, mais uma regra de um mundo caracterizado 
pela globalização neoliberal em que falar de diversidade é quase um paradoxo.
Acreditamos que a Educação Inclusiva seja um caminho possível para que países marcados 
por desigualdades sociais enfrentem problemas de exclusão social e educacional, por meio das 
mudanças sugeridas a partir da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no 
sistema regular de ensino. O respeito à diversidade é um dos pilares básicos da Educação Inclusiva 
que se converte em alternativa para que os sistemas educacionais rompam, definitivamente, 
com as diferentes formas de exclusão educacional.
Observamos, ao longo da nossa exposição, que na trajetória que vai da falta de atendimento 
aos alunos com necessidades educacionais especiais associadas à deficiência e passa pela 
consolidação da Educação Especial enquanto subsistema até chegar à proposta de Educação 
Inclusiva, verifica-se que muitas barreiras foram derrubadas.
Porém, ainda existem muitas outras barreiras a serem enfrentadas. A segregação, marginalização e 
assistencialismo ainda perpassam nosso imaginário sociocultural. Uma maneira de observarmos 
essas atitudes sociais é a terminologia que ainda ouvimos em nossas escolas e na própria 
sociedade de maneira geral. Expressões como: inválidos, anormais, excepcionais, incapacitados, 
subnormais, deficientes, portador de deficiência e portadores de necessidades educacionais especiais 
ainda são comuns dentro das escolas brasileiras. O primeiro passo, e, talvez, o mais simples de 
ser executado, é aprendermos e utilizarmos o termo correto: pessoa com deficiência. 
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CAPÍTULO 1 • MARCOS POLÍTICOS, SOCIAIS E LEgAIS DA EDUCAçãO ESPECIAL SOB A ÓTICA DA EDUCAçãO InCLUSIvA
Avanços na legislação e políticas públicas rumo à Educação 
Inclusiva
No capítulo anterior, conhecemos o percurso histórico da deficiência. Alinhado a esse processo, 
o Brasil foi construindo suas leis na tentativa de possibilitar direitos iguais a todos os cidadãos 
brasileiros com deficiência, possibilitando o acesso de alunos com deficiência ao sistema regular 
de ensino, embora saibamos que a inclusão ainda é uma meta a ser alcançada.
A pessoa com deficiência como ser humano, tem os mesmos direitos que as demais. O art. 
5o, caput, da Constituição Federal (BRASIL, 1988), estabelece que:
Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à  segurança e à propriedade, nos 
termos seguintes: (...).
A Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência é equivalente a emenda 
constitucional e, consequentemente, deve sempre servir de base para interpretação das normas 
do ordenamento jurídico brasileiro, referentes às pessoas com deficiência. Para a Convenção 
Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2007) 
as pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo 
de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, com interação com 
diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdades de condições com as demais pessoas.
Como podemos observar, o princípio da igualdade é a maior de todas as regras e deve ser invocado 
para garantir o direito à integração social e educacional da pessoa com deficiência.
Até meados do século XX, as pessoas com deficiência eram vistas como sujeitos incapazes, portanto, 
sem direitos e deveres de participação na sociedade. A primeira diretriz política norteadora foi 
a Declaração Universal dos Direitos Humanos quando preconizou que “Todo ser humano tem 
direito à educação”.
Na década de 1960, pais e parentes de pessoas com deficiência organizam-se. Surgem as primeiras 
críticas à segregação. Teóricos defendem a normalização, ou seja, a adequação dos “deficientes” 
à sociedade para permitir a sua integração. A Educação Especial no Brasil aparece pela primeira 
vez na LDB – Lei no 4.024, de 1961. A lei aponta que a educação dos “excepcionais” deve, no que 
for possível, enquadrar-se no sistema geral de educação.
Na década de 1970, os Estados Unidos avançam nas pesquisas e teorias de inclusão para 
proporcionar condições melhores de vida aos mutilados da Guerra do Vietnã. A Educação Inclusiva 
tem início naquele país via Lei no 94.142, de 1975, que estabelece a modificação dos currículos 
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MARCOS POLÍTICOS, SOCIAIS E LEgAIS DA EDUCAçãO ESPECIAL SOB A ÓTICA DA EDUCAçãO InCLUSIvA • CAPÍTULO 1
e a criação de uma rede de informação entre escolas, bibliotecas, hospitais e clínicas. No Brasil, 
no ano de 1978, pela primeira vez, uma emenda à Constituição brasileira, em seu art. 1o, trata 
do direito da pessoa deficiente: “É assegurada aos deficientes a melhoria de condição social e 
econômica especialmente mediante Educação Especial e gratuita”. 
Em 1985, a Assembleia Geral das Nações Unidas lança o Programa de Ação Mundial para as 
Pessoas com Deficiência e recomenda: “Quando for pedagogicamente factível, o ensino das 
pessoas deficientes deve acontecer dentro do sistema escolar normal”. 
No Brasil, o interesse pelo assunto é provocado pelo debate antes e depois da Constituinte. A 
nova Constituição, promulgada em 1988, garante atendimento educacional especializado aos 
“com deficiência”, preferencialmente na rede regular de ensino. 
A Lei Federal no 7.853, de 1989, no item da Educação, prevê a oferta obrigatória e gratuita da 
Educação Especial em estabelecimentos públicos de ensino e prevê crime punível com reclusão 
de um a quatro anos e multa para os dirigentes do ensino público ou particular que recusar ou 
suspender, sem justa causa, a matrícula de um aluno.
A Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em março de 1990, na cidade 
de Jomtien, Tailândia, prevê que as necessidades educacionais básicas sejam oferecidas para 
todos (mulheres, camponeses, refugiados, negros, índios, presos e pessoas com deficiência) pela 
universalização do acesso, promoção da igualdade, ampliação dos meios e conteúdos da Educação 
Básica e melhoria do ambiente de estudo. Ainda em 1990, o Brasil aprova o Estatuto da Criança 
e do Adolescente, que reitera os direitos garantidos na Constituição: atendimento educacional 
especializado para alunos com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. 
Em junho de 1994, dirigentes de mais de 80 países se reúnem na Espanha e assinam a Declaração 
de Salamanca, um dos mais importantes documentos de compromisso de garantia de direitos 
educacionais. Ela proclama as escolas regulares inclusivas como meio mais eficaz de combate 
à discriminação. E determina que as escolas devam acolher as crianças, independentemente de 
suas condições físicas, intelectuais, emocionais ou linguísticas. 
Uma consequência imediatamente visível à Educação Especial reside na ampliação da clientela 
potencialmente nomeada como possuindo necessidades educacionais especiais. Outra se verifica 
na necessidade de inclusão da própria Educação Especial dentro dessa estrutura de “educação 
para todos”, oficializada em Jomtiem. Entre outras coisas, o aspecto inovador da Declaração 
de Salamanca consiste justamente na retomada de discussões sobre essas decorrências e no 
encaminhamento de diretrizes básicas para a formulação e reforma de políticas e sistemas 
educacionais. Assim, segundo o seu próprio documento afirma (UNESCO, 1994), a Conferência 
de Salamanca:
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CAPÍTULO 1 • MARCOS POLÍTICOS, SOCIAIS E LEgAIS DA EDUCAçãO ESPECIAL SOB A ÓTICA DA EDUCAçãO InCLUSIvA
(...) proporcionou uma oportunidade única de colocação da Educação Especial 
dentro da estrutura de “educação para todos” firmada em 1990 (...) Ela promoveu 
uma plataforma que afirma

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