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deficiência ou necessidades especiais.
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CAPÍTULO 2 • A ESCOLA InCLUSIvA
O comportamento inclusivo dentro da escola requer comprometimento e ações inclusivas, por 
isso faremos uma breve reflexão sobre essas práticas:
 » a escola parte da premissa de que cada aluno tem o direito a frequentar a sala de aula 
independente de sua deficiência;
 » está plenamente comprometida em desenvolver uma comunidade que se preocupe em 
fomentar o respeito mútuo e o apoio em equipe escolar, os pais e os alunos;
 » a direção cria um ambiente de trabalho no qual os professores são apoiados;
 » os alunos com necessidades educacionais especiais são estimulados a participarem 
plenamente da escola, inclusive das atividades extracurriculares;
 » está preparada para modificar os sistemas de apoio para os alunos à medida que as suas 
necessidades mudem;
 » considera os pais uma parte plena da comunidade escolar, aceitando sugestões e a sua 
participação;
 » proporciona aos alunos com necessidades educacionais especiais um currículo escolar 
pleno e flexível sujeito a mudanças caso seja necessário.
É necessário se investir na capacitação e sensibilização de profissionais da educação para que 
ocorra a diminuição gradativa da exclusão escolar. Delegar ao professor toda a responsabilidade 
de promover a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais é um erro, pois a 
adoção dessa postura deveria ser de toda a estrutura da escola.
A formação do professor para o trabalho em equipe, o conhecimento sobre currículo e as possíveis 
adaptações curriculares cabíveis às necessidades individuais dos alunos, o conhecimento sobre 
o conteúdo, a metodologia de ensino e as possibilidades de reflexão sobre as ações realizadas 
na sala de aula são questões a serem trabalhadas por toda a equipe da instituição escolar, e não 
somente pelo professor que recebe a criança com alguma dificuldade ou necessidade especial. 
Além disso, segundo Mendes (2002), para atender os alunos com necessidades educacionais 
com qualidade, a escola deve modificar-se. Segundo a autora, as ações de uma política inclusiva 
deveriam se pautar em três componentes básicos:
 » Político (construção de uma rede de suportes capaz de formar pessoal e promover 
serviços na escola, na comunidade, na região).
 » Educacional (capacidade de planejar, implementar e avaliar programas para diferentes 
alunos em ambientes da escola regular).
 » Pedagógico (o uso de estratégias de ensino que favoreçam a inclusão e descentralizem 
a figura do professor, o incentivo às tutorias por colegas, a prática flexível, a efetivação 
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A ESCOLA InCLUSIvA • CAPÍTULO 2
de currículos adaptados). Portanto, a autora recomenda que cada município deve 
identificar o perfil do seu alunado e desenvolver projetos pedagógicos de acordo com 
os resultados dessa avaliação.
Consideramos que essas questões são fundamentais e deveriam estar presentes em várias 
dimensões das áreas de saúde e educação: nas reuniões entre pais, coordenadores e professores 
nas escolas, em cursos de capacitação, em reuniões de estudos de caso nas instituições que 
atendem alunos com necessidades educacionais especiais etc.
Oferecer um sistema de ensino de qualidade a todos os alunos, respeitando suas diferenças, deveria 
ser o ponto de partida para a melhora do acesso dos alunos com necessidades educacionais 
especiais no ensino regular. Perceber que qualquer indivíduo possui limitações, o que não 
significa que não possa ser participativo e capaz de aprender, seria um bom ponto de partida 
para a reflexão sobre como trabalhar as diferenças em sala de aula.
O professor na escola inclusiva
Como estamos falando de uma escola inclusiva, as particularidades e individualidade dos 
professores também não podem ser ignoradas. Contudo, se por um lado o professor tem sua 
individualidade, por outro lado, todo o professor tem a ética e os compromissos da sua profissão. 
Oferecer uma educação para todos é obrigação dos educadores, independente das suas crenças 
e percepções.
É comum observarmos no cotidiano escolar mitos e distorções em relação ao processo educacional 
dos alunos com necessidades educacionais especiais. Para mudar essa realidade, é preciso que o 
professor amplie o seu olhar. Ele não pode olhar, apenas com seus olhos, nem somente com os 
olhos do outro. Para que, de fato, o educador enxergue e compreenda o movimento de inclusão, 
é fundamental aprender a desenvolver uma visão mais ampla que comporte o ponto de vista 
individual e coletivo.
Tanto a escola como o professor precisam promover transformações no que se refere à Educação 
Inclusiva. E, se quisermos promover transformações, precisamos reexaminar o jeito de fazer em 
sala de aula. Ele precisa entender a individualidade de cada um de seus alunos, se capacitando 
constantemente, buscando estimular suas potencialidades em um contexto coletivo. Todos 
juntos, mas cada um em seu tempo.
Para pensar no aluno, precisamos pensar na escola em que ele está inserido, precisamos pensar, 
também, em seu contexto social, o qual a escola está inserida, bem como a família, igreja, os 
Poderes locais, dentre outros. Ou seja, é preciso entender o sujeito em seu contexto biopsicossocial. 
A ausência da reflexão faz com que passemos a reproduzir determinados valores, sem perceber, 
sem ao menos nos questionarmos a respeito.
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CAPÍTULO 2 • A ESCOLA InCLUSIvA
Quando refletimos sobre esse processo de absorção e de reprodução de valores e de práticas 
sociais é importante que os professores se voltem para a análise das estratégias que alimentam 
esse processo, com o qual, consciente ou inconscientemente, a escola vem contribuindo.
Por exemplo, um professor que oferece ao aluno questionários padronizados, com perguntas 
e respostas prontas, esperando que todos os seus alunos respondam de uma maneira, em 
determinado tempo, ou dá ordens para que se siga certo modelo, ou que exige cópia de textos, 
pode não estar sequer imaginando que essas práticas estão preparando o aluno para a submissão 
cognitiva, para a subserviência, em vez de prepará-lo para um exercício consciente e responsável 
de cidadania. Além disso, desestimulará seus alunos com necessidades educacionais especial, 
perpetuado a atitude social de que a pessoa com deficiência é incapaz.
As escolas atuais valorizavam a passividade do aluno, refletida principalmente na exigência do 
silêncio na sala de aula e na exigência da fidelidade às palavras do professor e do livro didático nas 
provas. Ou seja, os alunos não passam de “alunos-objetos”. O que o professor inclusivo defende 
é que o seu aluno seja sujeito do processo de construção do seu conhecimento.
É preciso estabelecer uma nova relação professor/aluno. E para que isso aconteça, é necessário 
repensarmos ambos os papéis, refletindo bidirecionalidade e a interdependência que constituem 
as relações pessoais para que nos fiquem claras as suas consequências.
Para formar um aluno cidadão, capaz de usufruir dos seus direitos e deveres individuais e 
coletivos, é preciso um professor capaz de estimular a consciência crítica e o domínio efetivo 
do saber. Ele compreende que é de sua responsabilidade e competência construir e socializar o 
conhecimento na escola!
Cabe ainda a esse professor contribuir para a construção de uma escola de qualidade para 
todos, cooperando com o aprimoramento do sistema escolar no sentido de melhorar o acesso 
à educação das pessoas com necessidades educacionais especiais.
A gestão escolar
Além das sugestões, referentes ao ensino nas escolas, a educação de qualidade para todos e 
a inclusão implicam mudanças de outras condições relativas à administração e aos papéis 
desempenhados pelos membros da organização escolar. Nesse sentido, é primordial que sejam 
revistos:
 » Papéis desempenhados pelos diretores e coordenadores, no sentido de que ultrapassem 
o teor controlador, fiscalizador e burocrático de suas funções pelo trabalho de apoio, 
orientação do professor e de toda a comunidade escolar.

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