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TCC A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA FATAL Final

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Vacaria 
2019 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CÍNTIA MARIA NASCIMENTO CRUZ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO 
SERVIÇO SOCIAL 
 
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA FATAL: 
O problema do feminicídio como manifestação das relações de poder 
entre os gêneros. 
 
Vacaria 
2019 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA FATAL: 
O problema do feminicídio como manifestação das relações de poder 
entre os gêneros. 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Universidade Pitágoras Unopar, como requisito parcial 
para a obtenção do título de graduação em Serviço 
Social. 
 
Orientadora: Prof. Cristiane Lames Siota 
 
CÍNTIA MARIA NASCIMENTO CRUZ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CÍNTIA MARIA NASCIMENTO CRUZ 
 
 
 
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA FATAL: 
O problema do feminicídio como manifestação das relações de poder 
entre os gêneros. 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso aprovado, apresentado à UNOPAR - Universidade 
Norte do Paraná, no Centro de Ciências Empresárias e Sociais Aplicadas, como 
requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social, com nota 
final igual a _______, conferida pela Banca Examinadora formada pelos professores: 
 
 
____________________________________________ 
Professora Orientadora 
Universidade Norte do Paraná 
 
____________________________________________ 
Prof. Membro 
Universidade Norte do Paraná 
 
 
 
____________________________________________ 
Prof. Membro 
Universidade Norte do Paraná 
 
 
Vacaria, _________de_________de 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho à todas as mulheres 
valentes e rebeldes que a cada dia 
enfrentam um sistema que as viola, 
discrimina e mata. Em especial, dedico às 
mulheres que lutam todos os por direitos 
iguais e a todas as mulheres que, em seu 
cotidiano, infelizmente, convivem ou 
conviverão com a violência. 
AGRADECIMENTOS 
 
Primeiramente а Deus que permitiu que tudo isso acontecesse, ao longo de 
minha vida, е não somente nestes anos como universitária, mas que em todos os 
momentos. Agradeço а minha mãe Joana, heroína que me deu apoio e incentivo em 
sempre lutar pelos meus direitos e nunca me calar perante uma injustiça. 
Ao meu esposo, Felipe, pelo incentivo, pela paciência e parceria em caminhar 
sempre ao meu lado em mais um trabalho, sendo compreensivo e companheiro nos 
momentos de cansaço e exaustão. Aos meus filhos, Stefan e Valentina, que mesmo 
tão pequenos já fez parte deste importante momento de minha vida, sendo 
motivadores para que eu seja um exemplo para eles. A todos os professores que 
contribuíram com a minha trajetória acadêmica. 
Agradeço a todos os movimentos sociais do qual fiz e faço parte que 
enriqueceram minha caminhada, ao Movimento Nacional de Meninas e Meninos de 
Rua (MNMMR), Rede de Jovens do Nordeste (RJNE), Casa Brasil de Juventude e a 
Fundação Marcos de Bruim (FMB). A comunidade do Grande Lagamar em Fortaleza 
o meu muito obrigado, vocês moram em meu coração. 
A minha supervisora de campo no meu estágio assistente social Aurea de 
Carvalho, a minha amiga e mestra assistente social Linekely Aguiar, a minha 
orientadora Cris. E a todos os professores que contribuíram com a minha trajetória 
acadêmica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Eu não sou livre enquanto alguma mulher 
não o for, mesmo quando as correntes dela 
forem muito diferentes das minhas.” 
 
 (Audre Lorde) 
CRUZ, Cíntia M. Nascimento. A Violência Doméstica Fatal: O problema do 
feminicídio como manifestação das relações de poder entre os gêneros. 2019. 34f. 
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social) – Centro de 
Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Pitágoras Unopar, Vacaria, 
2019. 
 
RESUMO 
 
Este trabalho foi elaborado por meio de pesquisa bibliográfica, com foco no tema 
feminicídio e a violência contra as mulheres. Com foco nas leis 11.340/06 (Lei Maria 
da Penha),13.104/2015(Lei do Feminicídio). O objetivo geral deste trabalho foi 
verificar os dados estatísticos da violência contra a mulher no Brasil, os avanços 
com a conquista das leis acima citadas, verificar a violência contra as mulheres, bem 
como, foram destacados os tipos de violências sofridas pelas mulheres; analisar o 
crime de feminicídio que se caracteriza pela morte de uma mulher pela condição de 
seu gênero. O presente trabalho permitiu a compreensão de que a violência contra 
as mulheres ocorre também pelas desigualdades entre os sexos, na sociedade 
machista e patriarcal. A violência contra a mulher não é um fato recente, há muito 
tempo as mulheres vêm sendo vítimas de agressões, humilhações, assédios muitas 
vezes chegando à violência fatal, a morte, visto que o feminicídio se define como a 
expressão máxima da violência contra as mulheres. Por outro lado, existe grandes 
conquistas e avanços no campo dos direitos das mulheres. 
 
Palavras-chave: Violência. Violência contra a mulher. Feminicídio. Lei Maria da 
Penha. 
CRUZ, Cíntia M. Nascimento. The Domestic Violence Fatal: the issue of feminicide 
as a manifestation of power relations between genders. 2019. 34f. Trabalho de 
Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social) – Centro de Ciências 
Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Pitágoras Unopar, Vacaria, 2019. 
 
ABSTRACT 
 
This study was prepared by means of a bibliographic research, focusing on the 
theme of feminicide and violence against women. With a focus on the Laws 
11.340/06 (Maria da Penha Law),13.104/2015(Law of feminicide). The overall 
objective of this work was to verify the statistical data on violence against women in 
Brazil, the advances with the conquest of the laws cited above, check the violence 
against women, as well, have been highlighted the types of violence suffered by 
women; analyze the crime of feminicide that is characterized by the death of a 
woman by the condition of their gender. The present study allowed the understanding 
that violence against women also occurs by the inequalities between the sexes, the 
sexist and patriarchal society. Violence against women is not a recent fact, long ago 
women have been victims of aggressions, humiliation, harassment often reaching the 
fatal violence, death, seen that FEMICIDE is defined as the maximum expression of 
violence against women 
 
Key-words: Violence. Violence against women. Femicide. The Maria da Penha Law 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 – Ciclo da Violência ..................................................................................... 15 
Figura 2 – Processos de Feminicídio ...................................................................... 299 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ONG Organização Não Governamental 
DDM 
FLACSO 
IPEA 
OEA 
CPMI 
CNJ 
Delegacia de Defesa da Mulher 
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais 
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
Comissão Interamericana de Direitos Humanos 
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito 
Conselho Nacional de Justiça 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 
2 A INFERIORIDADE FEMININA COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL ........................ 12 
2.1 Violência contra a mulher ................................................................................. 13 
2.2 Formas de violência contra a mulher .............................................................. 15 
3 DA PROTEÇÃO ÀS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ........ 199 
3.1 Lei Maria da Penha .......................................................................................... 199 
4 FEMINICÍDIO NO BRASIL ...................................................................................244 
4.1 Tipos de feminicídio ........................................................................................ 244 
4.2 Lei do feminicídio ............................................................................................ 277 
5 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 32 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 333 
 
11 
1 INTRODUÇÃO 
 
A violência contra a mulher não é um fato recente, há muito tempo as 
mulheres vêm sendo vítimas de agressões, humilhações, assédios muitas vezes 
chegando à violência fatal, pois, o Feminicídio se define como a expressão máxima 
da violência contra as mulheres. Historicamente, a relação de subordinação das 
mulheres em relação aos homens foi e continua a ser sustentada por uma divisão 
sexual e desigual. Essa cultura desigual entre homens e mulheres vem sendo 
engendrada, ao longo dos séculos, machista e patriarcal, impondo às mulheres, 
ainda na sociedade atual, uma condição de submissão, subalternidade e 
dependência financeira, emocional e social. Assim, a violência do homem sobre a 
mulher é um instrumento de manutenção dessa relação de dominação. 
Esse trabalho tem como objetivo pesquisar e analisar as Leis Maria da Penha 
nº 11. 340/2006 e a do Feminicídio nº 13.104/2015, bem como, observar os dados 
nacionais perante as crescentes denúncias de violência contra as mulheres e suas 
causas enraizadas no sistema machistas e patriarcal e todas as consequências 
dessa cultura que mata mulheres todos em função de seu gênero. 
Para se alcançar os objetivos propostos neste trabalho, utiliza-se como 
metodologia a revisão bibliográfica, a fim de trazer os principais conceitos e 
posicionamentos acerca da temática em questão. Onde serão utilizados livros, 
periódicos e artigos científicos, utilizando os pensamentos dos autores de forma 
isolada e associada como: Violência de gênero, violência contra a mulher e 
Feminicídio. Este trabalho de conclusão de curso está dividido em capítulos, neste 
sentindo, o primeiro capítulo buscará tratar da inferioridade da mulher como 
construção social, bem como, abordaremos a violência contra as mulheres no Brasil, 
as formas de violência, sendo elas: a violência física, a violência psicológica, a 
violência sexual, a violência patrimonial e a violência moral, apresentando, ainda, 
dados estatísticos. No capítulo será dedicado a proteção as mulheres vítimas de 
violência doméstica, dentro deste capítulo especificamente a Lei Maria da Penha 
como a primeira lei criada para a proteção das mulheres. 
No terceiro e último capítulo tratará do feminicídio lei n.º 13.104/15, sua 
origem e conceituação, os tipos e taxas de feminicídios no Brasil. E, por fim, as 
conclusões entendidas por meio de desenvolvimento do trabalho. 
12 
2 A INFERIORIDADE FEMININA COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL 
 
A sociedade ainda é machista e patriarcal, predominando o controle sobre a 
vida da mulher, seu corpo, seu modo até de pensar. Papéis de inferioridade são 
impostos pela sociedade machista a mulher, que implicam até hoje, na exclusão 
feminina como forma também de manter determinado poder sobre a mulher. Poder 
esse que vai do seu nascer até a velhice, como forma de hierarquização. 
De acordo com Campos e Corrêa (2007, p. 99): 
 
A primeira base de sustentação da ideologia de hierarquização masculina 
em relação à mulher, e sua consequente subordinação, possui cerca de 
2.500 (dois mil e quinhentos) anos, através do filósofo helenista Filon de 
Alexandria, que propagou sua tese baseado nas concepções de Platão, que 
defendia a ideia de que a mulher pouco possuía capacidade de raciocínio, 
além de ter alma inferior à do homem. Ideias, estas, que transformaram a 
mulher na figura repleta de futilidades, vaidades, relacionada tão-somente 
aos aspectos carnais. 
 
O modo como homens e mulheres se relaciona afetam as relações sociais 
como um todo. Santana (2010, P.3) explica que “por vários séculos, a mulher foi 
vista pelo viés masculino, ou seja, pela ótica e percepções do homem, visto que a 
mulher deve a ele obediência e respeito, pois é vista como frágil e incapaz, 
determinando assim, sua maneira de pensar, de ser e de agir, fazendo-a acreditar 
que é inferior a ele.” Nesse contexto a mulher fica com papel de submissão e seu 
destino era a maternidade, seu papel principal. 
Segundo Guedes e Westphal (2011, P. 4), “O papel requerido à mulher era o 
esteio moral da família e da sociedade, através da educação dos filhos e do suporte 
ao marido, por isso o seu lugar, por excelência, seria o espaço doméstico”. 
Assim, o patriarcado pode ser entendido como um alicerce onde o homem 
mantém dominação na mulher. Saffioti (2004, p. 105) expressou que o regime 
patriarcal se sustenta em uma economia organizada domesticamente, 
consequentemente uma maneira de assegurar aos homens os meios necessários à 
produção diária e à reprodução da vida. Estabelecendo um pacto masculino para 
garantir a opressão das mulheres, que se transformam em seus objetos de 
satisfação sexual e reprodutoras de seus herdeiros, de força de trabalho e de novas 
reprodutoras. Desta forma, a violência contra a mulher tem feito parte do cotidiano e 
nas relações entre os sexos, marcadas por profundas desigualdades entre eles, 
prevalecendo o poder masculino. 
13 
Historicamente, a relação de subordinação das mulheres em relação aos 
homens foi e continua a ser sustentada por uma divisão sexual e desigual. Essa 
cultura desigual entre homens e mulheres vem sendo engendrada, ao longo dos 
séculos, machista e patriarcal, impondo às mulheres, ainda na sociedade atual, uma 
condição de submissão, subalternidade e dependência financeira, emocional e 
social. Assim, a violência do homem sobre a mulher é um instrumento de 
manutenção dessa relação de dominação. 
 
2.1 Violência contra a mulher 
A violência contra as mulheres é complexa e multifacetados, apesar da 
violência contra a mulher não ser algo novo nem especifico da contemporaneidade. 
A diferença desse fenômeno histórico da violência contra as mulheres é a 
visibilidade dada nos últimos tempos, principalmente pela imprensa e meios de 
comunicação. Manifestando-se com mais frequência dentro do ambiente familiar, 
praticado na maioria das vezes, por pessoas próximas a essa mulher e que 
possuem vínculo amoroso. Segundo Celmer (2010, p.73), a violência doméstica 
seria: [...] aquela conduta que cause dano físico, psíquico ou sexual não só à mulher 
como a outras pessoas que coabitem na mesma casa, incluindo empregados e 
agregados. 
Já a violência familiar é explicada ainda por Celmer (2010, p.74): 
 
Já a violência familiar é mais específica, abrangendo apenas as agressões 
físicas ou psicológicas entre membros da mesma família. Por fim, violência 
conjugal deve ser entendida como todo tipo de agressão praticada contra 
cônjuge, companheira (o) ou namorada (o). 
 
Portanto, a violência se caracteriza como qualquer agressão, física, 
psicológico, moral ou sexual que venha machucar a mulher ou qualquer outra 
pessoa dentro do ambiente doméstico e familiar. Assim, a violência sofrida pelas as 
mulheres é pouco a pouco revelada e mostrada em sua multiprocessualidade, em 
recorrência e ambivalências. 
A Convenção de Belém do Pará (1994, p. 1) define: 
 
[...] a violência contra a mulher constitui uma violação aos direitos humanos 
e às liberdades fundamentais e limita total ou parcialmente à mulher o 
reconhecimento, gozo e exercício de tais direitos e liberdades [...] violência 
contra a mulher é qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause 
morte, dano físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público 
como no privado. 
 
14 
 Com o crescimento visível nos últimos anos da violência contra a mulher que 
tem sido apresentada de maneira constante, em formade denúncia, TV e redes 
sociais, atingindo a todas as mulheres, não importando a condição social ou 
econômica, nem faixa etária. A violência contra a mulher deve ser vista em sua 
complexidade, multidimensionalidade e historicidade. Assim, se concretiza, 
atualmente, como um problema de toda a sociedade, pois toda mulher, 
independentemente de sua classe econômica, social, raça e ou etnia está sujeita a 
ser vítima deste fenômeno que resulta em graves consequências físicas, 
psicológicas, e sociais como a depressão, a incapacidade e o medo, podendo 
chegar ao suicídio. 
Para Pinafi (2007, p. 1): 
 
A violência contra a mulher é produto de uma construção histórica — 
portanto, passível de desconstrução — que traz em seu seio estreita relação 
com as categorias de gênero, classe e raça/etnia e suas relações de poder. 
Por definição, pode ser considerada como toda e qualquer conduta baseada 
no gênero, que cause ou passível de causar morte, dano ou sofrimento nos 
âmbitos: físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública 
quanto na privada. 
 
A violência doméstica está enraizada nas desigualdades das relações entre 
homens e mulheres, sendo socialmente tolerada, diária e escondida pela vítima e 
pela sociedade em nome da família. Como mostra os dados pesquisa Mapa da 
Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil (FLACSO, 2015), para mulheres 
com idade de 18 a 59 anos, o principal agressor é o parceiro ou ex-parceiro, 
concentrando a metade do todos os casos registrados. No total de todas as faixas 
etárias, predomina largamente a violência doméstica e familiar com 67,2%, sendo 
praticado por parentes próximos ou parceiros e ex-parceiros são responsáveis por 
do total das vítimas. A residência é o local com maior ocorrência da violência com 
71,9%. Em segundo lugar, a rua, local de ocorrência de 15,9% das violências 
praticadas contra a mulher. 
Os dados da pesquisa Violência e Assassinatos de Mulheres (Data 
Popular/Instituto Patrícia Galvão, 2013), permitiram identificar que para 70% da 
população, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços 
públicos no Brasil. De acordo ainda, com a pesquisa todos os dias, mulheres, jovens 
e meninas são submetidas a alguma forma de violência, no Brasil e no mundo. Para 
a vítima de qualquer tipo de violência, viver nessa situação não deixa dúvidas do 
quanto é perverso para as vítimas um verdadeiro abismo emocional. Pois,essa 
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/pesquisas/mapa-da-violencia-2012-atualizacao-homicidios-de-mulheres-no-brasil-cebelaflacso-2012/
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/pesquisas/mapa-da-violencia-2012-atualizacao-homicidios-de-mulheres-no-brasil-cebelaflacso-2012/
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/pesquisas/percepcao-da-sociedade-sobre-violencia-e-assassinatos-de-mulheres-data-popularinstituto-patricia-galvao-2013/
15 
mulher já foi tão desrespeitada, em todos os sentidos, como mulher, como um ser 
humano. Iniciando assim, um processo de perda de sua própria identidade, 
autonomia, de baixa autoestima causando nessa mulher a sensação de 
incapacidade de realizar tarefas simples do dia a dia. 
Muitas mulheres sentem vergonha de procurar qualquer tipo de ajuda, por 
medo, se sentirem incapazes e ou dependência financeira. Medo de serem julgadas 
por vizinhos e até familiares muitas mulheres preferem o silêncio. Para romper com 
o ciclo de violência, e ainda se reconhecer vítima de violência, e denunciar seu 
agressor a polícia é um processo doloroso para mulheres que sofrem violência 
doméstica. 
Na pesquisa intitulada Tolerância Social à Violência contra as Mulheres 
(IPEA, 2014) constatou que 63% dos entrevistados concordam, total ou 
parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente 
entre os membros da família”. E 89% concordam que “a roupa suja deve ser lavada 
em casa”, enquanto que 82% consideram que “em briga de marido e mulher não se 
mete a colher”. 
Existe no Brasil e no mundo uma banalização da violência contra às 
mulheres, para falar de violência é preciso também falamos sobre as relações de 
gênero e suas desigualdades impostas a mulher pelo sistema machista e patriarcal. 
 
2.2 Formas de violência contra a mulher 
 
A violência doméstica e familiar contra a mulher geralmente acontece de 
forma cíclica. Este ciclo de violência pode ser dividido em três fases, que foi criado 
pela psicóloga americana Lenore Walker (1979), Walker tenta evidenciar as faces da 
violência, identificando as dificuldades das mulheres em romper com seu agressor. 
Cada fase possui características diferentes. O gráfico abaixo ilustra algumas delas. 
 
Figura 1 – Ciclo da Violência 
http://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/pesquisa/tolerancia-social-a-violencia-contra-as-mulheres-ipea-2014/
16 
 
Fonte: Instituto Maria da Penha (2019) 
 
A primeira fase do ciclo é a explosão ou tensão que começa com o agressor 
usando meios de humilhação para coibir a vítima, que ocorrem em menor escala, 
como tapas, chutes, empurrões e murros. O segundo ato de violência em si, essa 
fase se caracteriza quando a tensão alcança seu limite, essa fase é marcada por 
agressões violentas e a convivência se torna insuportável. A terceira e última é a 
fase, da lua de me ou arrependimento, o agressor volta arrependido de seu ato, 
fazendo promessas de que isso nunca vai se repetir, implora perdão, e suas ações 
são destinadas a agradar a sua parceira. 
De acordo com Dias (2007, p. 18) o ciclo da violência é: 
O ciclo da violência é perverso. Primeiro vem o silêncio seguido da 
indiferença. Depois surgem as reclamações, reprimendas, reprovações e 
começam os castigos e as punições. Os gritos transformam-se em 
empurrões, tapas, socos, pontapés, num crescer sem fim. As agressões não 
se cingem à pessoa da família, o varão destrói seus objetos de estimação, a 
humilha diante dos filhos. Sabe que estes são os seus pontos fracos e os 
usa como massa de manobra, ameaçando maltratá-los. 
 
Segundo a Lei Maria da Penha, a violência é “qualquer ação ou conduta, 
baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou 
psicológico à mulher, sem distinção de raça, classe, religião, idade ou qualquer outra 
condição, tanto no espaço público como no privado” (BRASIL, 2010, p.4). São 
consideradas violência contra a mulher: 
a) Violência Física- Entendida como, qualquer forma de violência física que 
prejudique a integridade e saúde da mulher como: esmurrar, pontapear, 
17 
estrangular, queimar, induzir ou impedir que o (a) companheiro (a) obtenha 
medicação ou tratamentos. 
b) Violência Psicológica- Caracteriza-se como qualquer conduta que cause 
sofrimento psíquico à mulher, diminuindo sua autoestima e cause prejuízo ao 
seu bem-estar psicológico. 
c) Violência Sexual- É entendido como qualquer conduta que obrigue a mulher, 
por medo, ameaça ou uso da força física, a participar, ´presenciar ou manter 
relação sexual, bem como o impedimento da vivencia plena de seus direitos 
sexuais e reprodutivos. Como: impedimento de métodos contraceptivos, força 
a mulher engravidar ou a realizar um aborto e o estupro dentre outros. 
Existe a Lei nº 12.845/2013 em seus artigos 1°, 2º e 3º garantem atendimento 
obrigatório às mulheres vítimas de violência sexual. 
 
Art. 1° Os hospitais devem oferecer às vítimas de violência sexual 
atendimento emergencial, integral e multidisciplinar, visando ao controle e 
ao tratamento dos agravos físicos e psíquicos decorrentes de violência 
sexual, e encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência 
social. 
Art. 2° Considera-se violência sexual, para os efeitos desta Lei, qualquer 
forma de atividade sexual não consentida. 
Art. 3° O atendimento imediato, obrigatório em todos os hospitais 
integrantes da rede do SUS, compreende os seguintes serviços: 
I - diagnóstico e tratamento das lesões físicas no aparelhogenital e nas 
demais áreas afetadas; 
II - amparo médico, psicológico e social imediatos; 
III - facilitação do registro da ocorrência e encaminhamento ao órgão de 
medicina legal e às delegacias especializadas com informações que 
possam ser úteis à identificação do agressor e à comprovação da violência 
sexual; 
 IV - profilaxia da gravidez; 
 V - profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST; 
 VI - coleta de material para realização do exame de HIV para posterior 
acompanhamento e terapia; 
 VII - fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e 
sobre todos os serviços sanitários disponíveis. 
 § 1° Os serviços de que trata esta Lei são prestados de forma gratuita aos 
que deles necessitarem. 
 § 2° No tratamento das lesões, caberá ao médico preservar materiais que 
possam ser coletados no exame médico legal. 
 § 3° Cabe ao órgão de medicina legal o exame de DNA para identificação 
do agressor (BRASIL, Lei 12845, 2018, grifos nossos). 
 
A vítima de violência sexual conta ainda com uma rede de acolhimento 
imediato nas redes públicas de saúde, onde os serviços de saúde são obrigados a 
darem assistência às mulheres, como: fornecida da pílula do dia seguinte, coleta de 
materiais para efetivação do exame de HIV ou outros tipos de doenças sexualmente 
transmissíveis, entre outros meios para preservação da sua vida. 
18 
d) Violência Patrimonial- Qualquer conduta que configure retenção, subtração e 
destruição parcial ou total de objetos, documentos pessoais, bens e valores 
da mulher. Como por exemplo, quebrar móveis ou eletrodomésticos, rasgar 
roupas e documentos, ferir ou matar animais de estimação, tomar imóveis e 
dinheiro. 
e) Violência Moral- Entendida como qualquer conduta que consiste em caluniar, 
difamar com injúrias, insultos e ofensas, normalmente se dá ao mesmo tempo 
à violência psicológica. Fazer comentários ofensivos na frente de estranhos 
e/ou conhecidos; humilhar a mulher publicamente; expor a vida íntima do 
casal para outras pessoas, inclusive nas redes sociais; acusar publicamente a 
mulher de cometer crimes; inventar histórias e/ou falar mal da mulher para os 
outros com o intuito de diminuí-la perante amigos e parentes. 
 
Fica claro, então tomando por base o texto acima, que a violência contra as 
mulheres é um meio de manutenção das relações de poder e dominação sobre elas 
e os atos de violência uma forma de punir e controlar essa mulher. Essa violência 
atinge as mulheres dentro e fora da família e não é somente praticada por agressões 
físicas ou sexual, mas também, com a violência psicológica, moral patrimonial. 
Atualmente no Brasil há na Câmara dos Deputados 124 projetos de lei, entre 
os anos de 2008 a 2019, com a proposta para alterar a Lei Maria da Penha, entre as 
propostas apresentadas, 56 foram somente em 2019. Neste contexto de avanços, 
novos desafios e retrocessos nas políticas públicas e nos organismos criados para 
questões especificas das mulheres, como é o caso da ex Secretária Nacional de 
Políticas para as Mulheres. É papel do estado criar organismos que tenham a 
capacidade de elaboração e execução políticas públicas especificas que assegurem 
a construção da igualdade que possam contribuir para erradicar todas as formas de 
violência sofrida pelas mulheres, respeitando a diversidade e regionalidade de cada 
mulher. 
 
19 
3 DA PROTEÇÃO ÀS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
 
Ao longo da história de lutas e conquistas por direitos iguais, não podemos 
desconsiderar todo esse processo na história do movimento feminista. Essa luta 
tem importância para a conquista de políticas públicas especificas para as mulheres. 
 Em Belém do Pará setembro de 1994, aconteceu a Convenção 
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. Do 
encontro surgiu o documento conhecido como Convenção de Belém do Pará e foi 
adotado pelo Brasil em 1995. Em seu artigo 3º, traz que ―” toda mulher tem direito a 
uma vida livre de violência, tanto no tanto no âmbito público como no privado.” 
Nesse contexto de avanços e novos desafios, as politicas públicas, as leis e os 
organismos criados para tratar das questões específicas relacionadas à 
desigualdade entre mulheres e homens, sem dúvida, uma respostado estado às 
pressões e reivindicações do movimento feminista. 
 
3.1 Lei Maria da Penha 
 
A lei Maria da Penha está em pleno vigor, não veio pr´a prender homem, 
mas pr´a punir agressor. Pois em mulher não se bate nem mesmo com uma 
flor. Estrofe I de “a lei Maria da Penha em cordel” de Tião Simpatia 
 
Com as articulações e reivindicações dos movimentos feministas que se 
forjaram no final da década de 1970 e início dos anos de 1980 e que tiveram 
grandes conquistas no campo das políticas públicas e direitos para mulheres. Com a 
Constituição Federal de 1988, foi reconhecido a igualdade entre os sexos no que diz 
respeito a direitos e obrigações. Nesse contexto, o movimento ganha força e as 
conquistas vão ganhando corpo. Como a 1ª delegacia da mulher em São Paulo, em 
1985, a própria constituição que dar fim ao tratamento diferenciado entre homens e 
mulheres. Criação da Secretária Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres em 
2005, e no dia 07 de agosto de 2006, foi sancionada a lei 11.340, que pune a 
violência doméstica e familiar contra a mulher e recebeu o nome de Lei Maria da 
Penha. 
Maria da Penha Maia Fernandes cearense, foi vítima da violência doméstica, 
praticada na época pelo marido. Ela foi vítima de tentativa de homicídio com um tiro 
de arma de fogo nas costas, sendo o autor do disparo, Antônio Heredia Viveiros. 
Que tenta matá-la novamente duas semanas após sair do hospital e ainda em 
20 
recuperação, dessa vez o agressor tentou eletrocutá-la durante o banho. Em 28 de 
setembro de 1984 Viveiros é denunciado pelo Ministério Público. Indo a julgamento 
no dia 04 de maio de 1991 quando foi condenado a 15 anos de reclusão. 
A defesa apelou da sentença, alegando falha na formulação das perguntas 
que o Juiz faz ao júri popular. Vai a novo julgamento em 15 de março de 1996, onde 
foi novamente condenado, a dez anos e seis meses de prisão. Novamente a defesa 
faz novo apelo desta decisão, dirigindo recursos aos Tribunais Superiores. 
Passados 15 anos depois, com muita luta e as pressões internacionais, a 
justiça brasileira ainda não havia decidido o caso, nem justificativa o porquê da 
demora. Com a ajuda de Organizações Não Governamentais (ONGs), e até a 
própria Maria da Penha conseguiram enviar o caso para a Comissão Interamericana 
de Direitos Humanos (OEA), que, pela primeira vez, acatou uma denúncia de 
violência doméstica. Viveiro só foi preso em 2002 quase vinte anos após o crime, 
quando lecionava em uma Universidade no Rio Grande do Norte, para cumprir 
apenas dois anos de prisão. 
OEA condenou o Brasil por negligência e omissão em relação à violência 
doméstica. Uma das punições foi a recomendações para que fosse criada uma 
legislação para vítimas de violência doméstica. Sendo está a primeira articulação 
para a criação da lei que hoje está em vigor. Um conjunto de entidades, ONGS, 
Movimentos sociais reuniram-se para criar um projeto de lei definindo formas de 
violência doméstica e familiar contra as mulheres e estabelecendo mecanismos para 
prevenir e reduzir este tipo de violência, como também prestar assistência às 
vítimas. 
Em setembro de 2006 a lei 11.340/06 conhecida como Lei Maria da Penha 
finalmente entra em vigor, a lei estabelece que todo o caso de violência doméstica 
e intrafamiliar é um crime, deve ser apurado através de inquérito policial e ser 
remetido ao Ministério Público. A lei se aplica a toda pessoa, independentemente de 
sua orientação sexual, as mulheres transexuais também estão incluídas, basta que a 
violência seja cometida no ambiente doméstico, no seio familiar ou ainda, praticada 
por alguém que tenha qualquer ligação afetiva coma vítima. Podendo ser esposo, 
companheiro, ex-companheiro, namorado, pais, filhos, ou que a violência tenha sido 
praticada no lar baseada no gênero. 
Em seu Art. 1º a Lei 11.340/06 deixa expresso sua criação: 
 
21 
 Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência 
doméstica e familiar contra a mulher nos termos do § 8º do art. 226 da 
Constituição federal, da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas 
de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, 
Punir e erradicar a Violência contra a mulher e de outros tratados 
internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre 
a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e 
estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de 
violência doméstica e familiar. 
 
Além de prevê medidas de proteção para a mulher agredida, como medidas 
para o agressor e para os órgãos públicos, melhor descritos para compreensão: 
a) Vítima – atendimento em programas assistenciais do governo federal, 
estadual e municipal; manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o 
afastamento do local de trabalho; proteção policial ou garantia de ser abrigada em 
local seguro; assistência judiciária gratuita, a decretação das medidas protetivas, a 
medida se estende aos filhos apenas nos casos em que a violência é, também 
exercida contra eles. 
b) Agressor – detenção de três meses a três anos; encaminhamento a 
programa de recuperação e reeducação; possibilidade de ter a prisão preventiva 
decretada a qualquer momento; possibilidade de ser afastado do lar, impossibilidade 
de substituir a condenação por cestas básicas ou multas. 
a) Órgãos públicos – Criação dos Juizados de Violência Doméstica contra a 
Mulher; criação de Delegacias de Atendimento à mulher; integração entre Poder 
Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e as áreas de segurança e 
assistência. 
Das medidas protetivas que é um dos mecanismos criado pela lei Maria da 
Penha para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar, garantindo que toda 
mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, 
cultura, nível educacional, idade e religião, goze dos direitos fundamentais 
inerentes à pessoa humana e tenha oportunidades e facilidades para viver sem 
violência, com a preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento 
moral, intelectual e social. 
 A lei ainda prevê dois tipos de medidas protetivas de urgência: as que 
obrigam o agressor a cumprir algumas regras de condutas e as medidas que são 
direcionadas à mulher e seus filhos, visando protegê-los. As medidas protetivas de 
urgência estão previstas no art. 22º da Lei 11.340/06 define para o agressor: 
 
 Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a 
22 
mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao 
agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas 
de urgência, entre outras: 
 I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação 
ao órgão competente, nos termos da Lei n. 10.826, de 22 de dezembro de 
2003; 
 II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; 
 III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: 
 a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando 
o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; 
 b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer 
meio de comunicação; 
 c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade 
física e psicológica da ofendida; 
 IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a 
equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; 
 V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. 
 § 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras 
previstas na legislação em vigor, sempre que a segurança da ofendida ou 
as circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser comunicada ao 
Ministério Público. 
 
As medidas protetivas para mulher vítima de violência estão previstas no art. 
23º e 24º da Lei 11.340/06, segundo a lei: 
 
 Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras 
medidas: 
 I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou 
comunitário de proteção ou de atendimento; 
 II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao 
respectivo domicílio, após afastamento do agressor; 
 III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos 
direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; 
 IV - determinar a separação de corpos. 
 Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou 
daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz poderá determinar, 
liminarmente, as seguintes medidas, entre outras: 
 I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; 
 II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, 
venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização 
judicial; 
 III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor; 
 IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por 
perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e 
familiar contra a ofendida. 
 Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins 
previstos nos incisos II e III deste artigo. 
 
 A Lei Maria da Penha se aplica a toda pessoa, independentemente de sua 
orientação sexual, ampliando assim o conceito de família como as uniões 
homoafetivas. 
Em seu Art. 5º a Lei 11.340/06 define: 
 
 Art. 5º Para os efeitos desta Lei configura violência doméstica e familiar 
contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe 
23 
cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou 
patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150, de 2015) 
 I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de 
convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as 
esporadicamente agregadas; 
 II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por 
indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços 
naturais, por afinidade ou por vontade expressa; 
 III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou 
tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. 
 Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo 
independem de orientação sexual. 
 
Contanto que exista uma relação íntima ou familiar, ou ainda, que a violência 
tenha sido praticada no lar baseada no gênero. Nesta direção, a lei busca a inversão 
de valores sociais, tentando garantir as mulheres uma vida segura, com qualidade e 
respeitando as diversidades das mulheres. Confrontando assim, a naturalização da 
violência contra as mulheres, violência que por séculos foi aceita e ainda é pela 
sociedade, de subordinação das mulheres em relação aos homens. 
Em seu artigo 2º e 3º e seu inciso da Lei 11.340/06 define que: 
 
 Art. 2º Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, 
orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza 
dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe 
asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, 
preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, 
intelectual e social. Ver tópico (2200 documentos) 
 Art. 3º Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício 
efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à 
educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, 
ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à 
convivência familiar e comunitária. Ver tópico (1521 documentos) 
 § 1º O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos 
humanos das mulheres no âmbito das relaçõesdomésticas e familiares no 
sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. 
 
 Com a criação da lei a sociedade observa-se que a mídia escrita e não, 
começou a divulgar mais esse tipo de violência, até porque a violência doméstica 
não se restringe somente ao ambiente do lar, ela foi externada e seu agressor 
muitas vezes agride a mulher na rua ou em locais com movimentação, aumentando 
assim, a sensação de impunidade, com aumento das denúncias de violência 
doméstica e a falta às vezes de punição para agressor. Torna-se, evidente a 
importância desta legislação, que incentivou o crescimento do número de denúncias, 
ainda que muitas mulheres sintam grandes dificuldades em procurar ajuda, por 
medo de sofrerem algum tipo de violência mais forte, por medo da sociedade possa 
pensar delas ou por estarem abaladas psicologicamente. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10869061/art-2-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10869061/art-2-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10869023/art-3-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10869023/art-3-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10869002/art-3-1-da-lei-maria-da-penha-lei-11340-06
24 
4 FEMINICÍDIO NO BRASIL 
 
Neste último capítulo, do meu trabalho apresento o assunto feminicídio ou 
femicídio, termos indistintamente utilizados no Brasil, mas que representam a 
expressão letal da violência de gênero, como alternativa ao tipo criminal homicídio, 
no combate ao sexismo e ao machismo contidos nestes crimes. Apresento as 
discussões sobre a Lei do Feminicídio, editada recentemente para combater a 
violência contra a mulher, a partir do paradoxo firmado pela aplicabilidade das leis e 
programas de proteção à mulher em vigor, fundada na dupla obrigação em eliminar 
toda e qualquer forma de discriminação. E de assegurar plena igualdade de 
tratamento entre as pessoas. 
Femicide em inglês surgiu pela primeira vez em 1976, utilizado por Diana 
Russel, durante um depoimento no Tribunal Internacional de Crimes Contra as 
Mulheres, ocorrido em Bruxellas, juntamente com Jill Radford, em uma sessão que 
reuniu cerca de duas mil mulheres de quarenta países a fim de compartilhar 
testemunhos e trocar experiências sobre opressão feminina e violência, 
denunciando os abusos contra elas cometidos. Russel e Radford atribuíram essa 
expressão para intitular os assassinatos de mulheres que teriam sido consumados 
pelo fato de serem mulheres. Todavia, a menção feminicídio traz o significado 
dessas mortes, resultante de uma discriminação baseada no gênero. 
Feminicídio é o assassinato baseado no gênero, pelo simples fato da vítima 
ser mulher. Seria, o ultimo ato de uma serie de violência que ocorreram na vida 
dessa mulher. Então o feminicídio tem raízes profundas no machismo e sexismo por 
ser baseado no sexo ou gênero da vítima e misoginia pelo sentimento de ódio e 
desprezo pela mulher, manifestando-se de diferentes formas de violência que já 
foram citadas acima neste trabalho. 
 
4.1 Tipos de feminicídio 
 
No Brasil atualmente os números descrevem um aumento grande de 
assassinatos de mulheres, o feminicídio cometido por parceiro íntimo, dados 
apontam para a existência de um problema pernicioso, principalmente acontecendo 
no contexto de violência doméstica e familiar, e que geralmente é precedido por 
outras formas de violência e, portanto, poderia ser evitado. 
25 
Para Passinato (2011, p.12) o feminicídio é um generocídio, ela não apenas 
endossa o pensamento como também o reforça ao dizer: 
 
 [...] O femicídio é descrito como um crime cometido por homens contra 
mulheres, seja individualmente seja em grupos. Possui características 
misóginas, de repulsa contra as mulheres. Algumas autoras defendem, 
inclusive, o uso da expressão generocídio, evidenciando um caráter de 
extermínio de pessoas de um grupo de gênero pelo outro, como no 
genocídio. 
 
Ainda segundo a autora: 
 
Outra característica do femicídio refere-se a ele não ser um evento isolado 
na vida de certas mulheres. A violência contra as mulheres é definida como 
universal e estrutural e fundamenta-se no sistema de dominação patriarcal 
presente em praticamente todas as sociedades do mundo ocidental. 
 
As motivações do crime são as mais comuns como: o ódio, o desprezo ou o 
sentimento de perda da propriedade sobre as mulheres. Como base nos dados do 
Mapa da Violência 2015 (Cebela/Flacso). O Brasil está entre os países com maior 
índice de assassinato de mulheres ocupando a quinta posição em um ranking de 83 
países, com uma taxa de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres. O Mapa da 
Violência revela ainda um aumento de 54% de assassinatos de mulheres negras em 
dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. A partir dos dados 
apresentados nessa pesquisa, percebemos que a violência letal atinge de forma 
diferente as mulheres dependendo de sua raça/cor. 
 Em relação aos homicídios de mulheres, a pesquisa Atlas da Violência 
2018(IPEA/FBSP) constatou que no ano 2017 de acordo com ocorreram 4.539 
homicídios de mulheres, o que representa um aumento de 6,1% em relação ao ano 
anterior. Desse total, 1.133 foram registrados como feminicídios. Mostrou ainda que 
é no ambiente doméstico que mais ocorrem as agressões contra as mulheres. 
Neste sentindo, Gomes (2018, p.5) destaca que: 
 
 A vertente que nomeio “genérica” examina os feminicídios congregando e 
visibilizando um conjunto de mortes violentas de mulheres. “O conceito de 
feminicídio vai além de sua definição legal de assassinato, e inclui situações 
nas quais se aceita que as mulheres morram como resultado de atitudes 
misóginas ou práticas sociais” (Jill RADFORD, 2006, p.41). A ideia inicial, ao 
falar em feminicídio, seria envolver um sem número de possibilidades que 
levam à morte as mulheres, inclusive alguns suicídios que podem ser 
considerados suicídios feminicidas, se praticados num contexto que 
configurou situação de opressão sobre a vítima. 
 
De acordo com o documento Diretrizes para investigar, processar e julgar 
com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres(2016), diz que, as 
https://assets-compromissoeatitude-ipg.sfo2.digitaloceanspaces.com/2015/11/MapaViolencia_2015_homicidiodemulheres.pdf
26 
condições das mortes das mulheres não são casos isolados ou excepcionais, mas 
possuem conexões com outras formas de violência sofridos anteriormente pelas 
vítimas, formando parte de um continua de violência que afeta a vida das mulheres 
de forma cotidiana até o desfecho fatal. 
 As condições estruturais dessas mortes também enfatizam que são 
resultados da desigualdade de poder que caracteriza as relações entre 
homens e mulheres nas sociedades, contrapondo-se a explicações 
amplamente aceitas de que se tratam de crimes passionais, motivados por 
razões de foro íntimo ou numa abordagem patologizante, como resultado de 
distúrbios psíquicos. (Brasil,2016, p.21) 
 
Portanto, a violência que as mulheres sofrem acontecem cotidianamente até 
chegar na violência fatal. Na literatura atual é encontradas algumas denominações 
empregadas quando se refere ao feminicídio. Algumas dessas denominações tem 
maior visibilidade principalmente dada pela imprensa aos atos de violência praticada 
contra as mulheres, como a violência nas relações íntimas de afeto, nas relações 
familiares e a violência sexual. Outras somente conhecidas no meio da literatura ou 
acadêmica como a lesbofóbia e transfóbia. 
 a) Íntimos: São aqueles cometidos por homens com os quais a vítima 
possui ou possuiu uma relação íntima, familiar, de convivência ou afins. Incluem-se 
aqui os crimes cometidos por parceiros, ex parceiros, namorado, ex namorados 
entre outros. 
 Importante ressaltar que o feminicídio tem grande impactona vida de 
pessoas ligadas à vítima, sobretudo, a dos filhos que terão de conviver com 
ausência da mãe e também do pai, ou quando esses filhos presenciam o 
assassinato da sua genitora deixando uma marca psicológica. | 
 b) Não íntimos: São cometidos por homens com os quais a vítima não 
possui relação de intimidade, contudo, era ligada por relação de confiança, 
hierarquia, como por exemplo a relação entre empregador e empregada ou ainda 
colegas de trabalho. Está subdividida em dois grupos – feminicídios não íntimos e 
feminicídios sexuais – conforme a vítima tenha ou não sido violentada sexualmente. 
 c) Por conexão: Ocorrem quando uma mulher intervém para impedir o 
assassinato de outra mulher e, no processo, acaba também se tornando uma vítima 
fatal. Não possuindo nenhum vínculo entre o agressor e a vítima para caracterizá-lo, 
podem ser até desconhecidos. 
27 
 d) Infantil- São aquelas mortes de crianças ou adolescentes com menos 
de 14 anos de idade, cometida por um homem no âmbito de uma relação de 
responsabilidade, confiança ou poder conferido pela sua condição de ser adulto. 
 e) Transfóbico- São aquelas mortes de uma mulher transgênero ou 
transexual, na qual o agressor a mata por sua condição ou identidade de gênero 
transexual, por ódio ou rejeição. 
 f) Lesbofóbico- Morte de uma mulher lésbica, na qual o agressor a mata 
por sua orientação sexual, por ódio ou rejeição. 
 g) Racista- Morte de uma mulher por ódio ou rejeição a sua origem étnica, 
racial ou de seus traços fenotípicos. 
As reflexões teóricas acima encontradas na literatura demostram diversas 
manifestações identificadas como formas ou tipos de feminicídios. Contudo, na Lei 
do Feminicídio os tipos de assassinatos de mulheres se enquadram de acordo com 
Art. 121: 
 § 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando 
o crime envolve: 
 I - violência doméstica e familiar; 
 II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
 
Diante dessa conjuntura Sanches, explica que: 
 
 O feminicídio, entendido como a morte de mulher em razão da condição em 
sido sexo feminino. A incidência da qualificadora reclama situações de 
violência praticada contra a mulher, em contexto caracterizado por relação 
de poder e submissão, praticada por homem ou mulher sobre mulher em 
situação de vulnerabilidade. (2015, p.1). 
 
 Neste contexto, e com base na literatura encontrada podemos dizer que o 
feminicídio é um crime praticado tanto por homem ou mulher contra a mulher pela 
simples razão desta ser mulher. Quando se observa, as informações, percebe-se 
que o feminicídio tem raízes engendradas no patriarcado e machismo. 
 
4.2 Lei do feminicídio 
 
A Lei n.º 13.104/15, criada em 9 de março de 2015, modifica o artigo 121 do 
Decreto-Lei n.º 2.848, de 7 de dezembro de 1940, Código Penal, trazendo o 
feminicídio como qualificadora do crime de homicídio, e o artigo 1º da Lei n.º 8.072, 
de 25 de julho de 1990, que altera a categoria dos chamados crimes hediondos, a 
pena para esse crime aumentou para mínimo de 12 e o máximo 30 anos de prisão, 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28716639/art-121-2-da-lei-13104-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28716637/art-121-2-inc-i-da-lei-13104-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28716635/art-121-2-inc-ii-da-lei-13104-15
28 
antes a pena era de 6 a 12 anos. 
A Lei de Feminicídio é fruto da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito 
sobre Violência contra a Mulher (CPMI) que investigou as políticas de enfrentamento 
à violência contra as mulheres nos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal de 
março de 2012 a julho de 2013 e fez recomendações. Segundo dossiê Feminicídio 
do Instituto Patrícia Galvão (2017) que relatou os trabalhos da CPMI: 
 
 A proposta de lei feita pela Comissão definia feminicídio como a forma 
extrema de violência de gênero que resulta na morte da mulher, apontando 
como circunstâncias possíveis a existência da relação íntima de afeto ou 
parentesco entre o autor do crime e a vítima; a prática de qualquer tipo de 
violência sexual contra a vítima, antes ou após a morte; e mutilação ou 
desfiguração da mulher, também antes ou após a morte. 
 
 Segundo a nova lei que alterou o artigo 121 do código penal dispõe que: 
 
 Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
 VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da 
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional 
de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou 
contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro 
grau, em razão dessa condição: 
 Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
 § 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o 
crime envolve: 
 I - Violência doméstica e familiar; 
II - Menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
 Aumento de pena 
 § 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se 
o crime for praticado: 
 I - Durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
II - Contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos 
ou com deficiência; 
III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima.” (NR) 
Art. 2º O art. 1º da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, passa a vigorar 
com a seguinte alteração: 
“Art. 1º 
 I - Homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de 
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado 
(art. 121, § 2o, I, II, III, IV, V e VI); 
 Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. 
 
Houve também alteração nos chamados crimes hediondos da lei nº 8.072/90 
por meio da lei 13.104/15, colocando assim, o feminicídio no mesmo rol dos crimes 
hediondos. A lei ainda prevê o aumento da pena em um terço se o crime acontecer 
durante a gestação ou nos três meses após o parto ou se for contra idosas, crianças, 
adolescentes ou pessoa com deficiência. O mesmo vale no caso de o assassinato ter 
sido cometido na presença de filhos, netos, pais ou avós da vítima. 
 Entretanto, antes da lei entrar em vigor, não havia punição diferente para o 
29 
autor do crime, o que permitia aos agressores, penas mais brandas. Nos jornais e 
revistas, sempre tinham notícias de homicídios e quase sempre o agressor 
respondia em liberdade, na opinião de Ortega (2016, p. 1): 
 
Antes da Lei n.º 13.104/2015, não havia nenhuma punição especial pelo 
fato de o homicídio ser praticado contra a mulher por razões da condição 
de sexo feminino. Em outras palavras, o feminicídio era punido, de forma 
genérica, como sendo homicídio (art. 121 do CP). 
 A depender do caso concreto, o feminicídio (mesmo sem ter ainda este 
nome) poderia ser enquadrado como sendo homicídio qualificado por 
motivo torpe (inciso I do § 2º do art. 121) ou fútil (inciso II) ou, ainda, em 
virtude de dificuldade da vítima de se defender (inciso IV). No entanto, o 
certo é que não existia a previsão de uma pena maior para o fato de o 
crime ser cometido contra a mulher por razões de gênero. A Lei n.º 
13.104/2015 veio alterar esse panorama e previu, expressamente, que o 
feminicídio, deve agora ser punido como homicídio qualificado. 
 
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (2019) cresceu o número de 
processos de feminicídio que comparada a anos anteriores aumentaram 34% em 
2018 em relação a 2016, passando de 3.339 casos para 4.461. Bem como, houve 
um aumento no número de processos pendentes relativos à violência contra a 
mulher. Em 2016, havia quase 892 mil ações aguardando decisão da justiça. Dois 
anos depois, esse número cresceu 13%. É o que mostra a figura logo abaixo. 
 
Figura 2 – Processosde Feminicídio 
 
Fonte: CNJ 2019 
 
A partir de dados apresentados nas pesquisas, mostram uma triste realidade 
vivenciada pelas vítimas de feminicídio. Já que nem sempre esses crimes chegam a ser 
registrados ou, quando são, não são considerados e registrados como casos de 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/172426221/lei-13104-15
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033702/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/172426221/lei-13104-15
30 
feminicídios. Ficando claro, então, que a violência letal contra as mulheres e a lei ainda 
não são conhecidas completamente no país. Contudo, é importante frisar que nem todo 
homicídio em que a mulher é vítima é uma feminicídio. Para se caracterizar como tal, é 
preciso que ele se enquadre em motivações de gênero e nos tipos de feminicídios como 
íntimo, não íntimo entre outros descritos acima nesse trabalho. 
Na pesquisa Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no 
Brasil (FLACSO, 2015), os dados permitiram identificar que feminicídio íntimo, 
compreende mais da metade dos casos que 4.762 dos homicídios que foram 
registrados foram praticados por algum membro familiar da vítima, ou seja, dos 
treze(13) casos de homicídios que acontecem por dia no Brasil, sete(7) foram 
praticados por pessoas com algum tipo de relação íntima ou de afeto, são 
conhecidos da vítima. 
Em outubro de 2019, a comissão de Constituição e Justiça do Senado 
aprovou a proposta de emenda constitucional que torna os crimes de estupro e 
feminicídio imprescritíveis, o que seria um grande avanço, já que alguns desses 
crimes prescrevem ao passar dos anos. Contudo, há um longo caminho a ser 
percorrido, já que, será remetido para Câmara analisar e caso seja aprovado será 
encaminhando para presidente. Caso seja sancionado será uma grande conquista 
na área legal, pois, garantirá que os crimes de feminicídio e estupro sejam julgados 
e punidos independentemente do ano em que ocorreu o crime. 
A partir da percepção que o estado tem responsabilidade nas mortes de 
mulheres, por sua omissão aos serviços prestados, de acordo com livro Feminicídio 
a Invisibilidade Mata (Instituto Patrícia Galvão, 2017) “A partir da compreensão de 
que os feminicídios são, em boa parte, ‘mortes anunciadas’, o Estado pode ser 
responsabilizado”. Como a falta de efetivação dos direitos previstos nos marcos 
legais, o não implementação de serviços especializados de atendimento dentre 
outros. 
A publicação aponta, ainda, que: 
 
 Para efetivar direitos é preciso que existam os serviços responsáveis para 
implementá-los. Uma das principais barreiras enfrentadas ainda hoje é a 
insuficiência dos serviços diante da demanda, seja pela alocação de 
recursos aquém do necessário nos serviços existentes, seja pela 
necessidade de criação de mais serviços especializados no atendimento a 
mulheres em situação de violência, sobretudo nas pequenas e médias 
cidades. (INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO, p. 94, 2017) 
 
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/pesquisas/mapa-da-violencia-2012-atualizacao-homicidios-de-mulheres-no-brasil-cebelaflacso-2012/
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/pesquisas/mapa-da-violencia-2012-atualizacao-homicidios-de-mulheres-no-brasil-cebelaflacso-2012/
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Quando o Estado não responsabiliza os agressores da violência e a 
sociedade de alguma forma naturaliza a violência, fazendo com que a impunidade 
estimule novas formas de violência, transmitindo a mensagem de que a violência 
contra as mulheres é aceitável ou normal em algum nível. 
O Brasil passa a contar a partir da criação da lei do feminicídio com uma 
legislação mais dura para punir crimes de assassinatos contra a mulher. Contudo, possui 
um grande desafio, que é a transformação cultural de uma sociedade machista e 
patriarcal, que diz constantemente que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a 
colher”, mexer com padrões culturais patriarcais que ainda são muito presentes na 
sociedade brasileira é uma luta diária. Neste sentindo, não basta apenas a criação de 
leis, portanto, deve ser desconstruído a imagem da mulher de submissão ou objeto a 
ser possuído. Erradicar toda forma de violência contra a mulher só será possível na 
sociedade quando a igualdade for formalmente instituída pelas normas, tornar-se 
algo plena e exercido pela sociedade. 
 
32 
5 CONCLUSÃO 
 
Diante da realidade de violência a muito tempo vivenciado pelas mulheres no 
âmbito familiar e doméstico, Leis Maria da Penha e a Lei do Feminicídio são um 
avanço e tem por objetivo diminuir os índices de assassinatos contra mulher visando 
sua proteção, pois conforme demonstrado o feminicídio no Brasil, é uma 
problemática decorrente da violência doméstica contra a mulher, por sua vez 
estabelecidos na Lei Maria da Penha. 
É fundamental que o Estado aprimore suas ações no tocante à proteção das 
mulheres, assegurando a efetividade dos mecanismos protetivos para garantir à 
mulher o exercício dos direitos e liberdades fundamentais em igualdade de 
condições com o homem. E as redes de apoio trabalhem em conjunto para o 
acolhimento daquelas mulheres que foram vítimas de qualquer tipo de violência. 
A Lei do Feminicídio e a Lei Maria da Penha são conquistas importantes, 
sendo um instrumento para dar visibilidade ao fenômeno social que é o assassinato 
de mulheres por circunstâncias de gênero. Contudo, a lei é apenas um ponto de 
partida, sozinha não será capaz de acabar com os crimes de feminicídio. Neste 
sentindo, não basta apenas a criação de leis, portanto, deve ser desconstruído a 
imagem da mulher de submissão ou objeto a ser possuído. Erradicar toda forma de 
violência contra a mulher só será possível na sociedade quando a igualdade for 
formalmente instituída pelas normas, tornar-se algo plena e exercido pela sociedade. 
Apesar das conquistas e avanços na legislação brasileira, as mulheres ainda 
se encontram em situação menos privilegiada no país, com salários mais baixos, 
racismo, sexismo e todas as formas de violências e violações, que explicitam a 
perpetuação do machismo e patriarcado em nossa sociedade. Ou seja, persistem 
ainda, desigualdades com origens nas relações estruturadas nas diferenças entre os 
gêneros. 
 
33 
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