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livro Processo de Exportação e Importação

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RelatorioImportacao/2011/ImportacoesAgosto2011.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2016.
E será que esse cenário da composição das importações mudou para o 
ano de 2015? Talvez aconteceram pequenas mudanças nas porcentagens, mas 
no contexto global pouca coisa tem mudado. A seguir trazemos um quadro 
comparativo das principais importações do Brasil por produto para os meses 
tanto de janeiro 2015 como de janeiro 2014.
TÓPICO 2 | AS IMPORTAÇÕES
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QUADRO 1 - PRINCIPAIS PRODUTOS IMPORTADOS PELO BRASIL, JANEIRO 2015 E JANEIRO 
2014, EM MILHÕES DE US$
Importação	Total
jan/15 jan/14 VARIAÇÃO
US$ % US$ % %
16,878 100 20.094 100 -16,01
Gás natural liquefeito 648 3,84 105 0,52 517,2
Óleos combustíveis 509 3,02 1.051 5,23 -51,52
Partes e peças para veículos 501 2,97 707 3,52 -29,15
Medicamentos humanos e veterinários 463 2,74 493 2,45 -5,98
Plataformas de perfuração e exploração 429 2,54 379 1,89 13,16
Circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos 367 2,17 441 2,19 -16,72
Automóveis de passageiro 355 2,11 549 2,73 -35,32
Nafta 295 1,75 252 1,25 16,93
Gás natural 282 1,67 331 1,65 -14,77
Circuitos impressos para telefonias 278 1,65 278 1,39 -0,12
Partes de aparelhos transmissores ou receptores 248 1,47 422 2,1 -41,36
Polímeros de etileno, propileno e estireno 243 1,44 215 1,07 13,02
Hulhas não aglomeradas 239 1,42 246 1,22 -2,80
Motores, geradores e transformadores eletrônicos 223 1,32 250 1,24 -10,78
Instrumentos e aparelhos de medida e verificação 219 1,3 251 1,25 -12,45
Parte e acessórios para processamento de dados 196 1,16 216 1,07 -9,16
Gasolina 192 1,14 33 0,17 476,6
Óleos brutos de petróleo 190 1,13 1.087 5,41 -82,54
Rolamentos e engrenagens 187 1,11 237 1,18 -21,21
Bombas, compressores, ventiladores e suas partes 181 1,07 227 1,13 -20,15
Lanimados planos de ferro ou aços 174 1,03 139 0,69 24,87
Compostos hetericíclicos, seus sais e sulfonamidas 173 1,02 235 1,17 -26,57
Cloreto de potássio 168 1 129 0,64 30,26
Inseticidas, formicidas, herbicidas e semelhantes 162 0,96 246 1,23 -34,16
Partes de motores e turbinas para aviação 153 0,9 155 0,77 -1,37
Outros 9.803 58.08 11.420 56.83 -14,17
FONTE: <http://br.advfn.com/indicadores/balanca-comercial/brasil/2015/01/importacao>. 
Acesso em: 10 fev. 2016.
Ao observarmos o quadro comparativo de janeiro 2014 e janeiro 2015, os 
25 produtos com maior volume de importação representam mais de 40% do total 
das importações, ou seja, o peso desses produtos vem se mantendo ano após ano. 
Isso quer dizer que tanto quanto os demais países, o Brasil é dependente desses 
produtos para que sua economia possa continuar operando e crescendo.
Nesse sentido, sem as importações das matérias-primas e alguns produtos 
essenciais com maior valor agregado, a economia brasileira estaria prestes a um 
UNIDADE 1 | A IMPORTÂNCIA DAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES NO COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL
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colapso. Será que isso é normal? Para uma economia globalizada, sim. Observe 
que o Japão quase não possui recursos naturais, mas todas as matérias-primas e 
insumos necessários para suas indústrias são importados. Indústrias japonesas 
que dão valor agregado aos insumos importados para logo serem exportados. Ou 
seja, o Japão é uma das maiores economias do mundo, e possui uma economia 
totalmente dependente de seu comércio exterior.
Já no ano de 1963, o economista Glycon de Paiva (apud PIFFER, 2013, p. 12) 
dizia: “Dos 300 minerais normalmente necessários ao progresso e à sobrevivência 
de um país, até agora nos faltam 250”. Na média, um país, para poder manter 
suas atividades econômicas, precisa importar 250 minerais fundamentais para 
gerar produtos, e no Brasil não é diferente. Mas o que o país deve fazer, de fato, é 
reduzir as importações de produtos com pequeno valor agregado. Nesse contexto, 
exportamos petróleo para ter de importar óleo diesel e gasolina; ou exportamos 
grão de soja para logo importar óleo de soja, para citar só alguns exemplos. Ou 
seja, se o Brasil melhorar a capacidade de gerar valor agregado, o que é gasto em 
importações poderia ser aproveitado de maneira mais eficiente, isto quer dizer 
que a economia brasileira deveria aprimorar a qualidade do gasto do que está 
importando. Em termos da economia como um todo, o país precisa importar por 
vários motivos, entre os mais importantes:
• Matéria-prima e produtos básicos: Necessidade de matéria-prima ou produtos 
básicos que não temos a capacidade nem os recursos naturais suficientes para 
serem produzidos 100% nacionalmente, dentre tantos outros fatores. Exemplo: 
gás, gasolina, hulhas, borracha etc.
• Produtos diferenciados com alta tecnologia: Necessidade de acesso aos 
produtos e bens diferenciados, ou que possuam grau de inovação tecnológica 
de ponta, para assim melhorar a competitividade da indústria nacional.
• Produtos de consumo: Necessidade de oferecer bens importados diretamente 
aos consumidores, devendo estes produtos concorrerem com a produção 
nacional. Isto gera diferenciação de preços e melhor capacidade de escolha 
aos consumidores. Além disso, isto faz com que a indústria nacional tenha 
que inovar constantemente para poder se manter ao nível da qualidade dos 
produtos importados, aliás, isto é um fator para qualquer economia globalizada. 
Ao observarmos a década de 1980, percebemos que a indústria americana de 
automóveis teve que inovar urgentemente, com vistas a dar conta da forte 
concorrência vinda da alta qualidade dos veículos japoneses que estavam 
tomando conta do mercado americano.
• Produtos de consumo diferenciados: Necessidade de oferecer ao consumidor 
produtos que, por motivos de falta de produção nacional, devem ser 
importados. Isto gera qualidade e diferenciação ao consumidor, com vistas a 
manter a economia mais dinâmica e ligada aos avanços da economia global.
Apesar de todas as vantagens expostas, nem sempre as importações são 
vistas como favoráveis a um país, e o Brasil não é a exceção, pois, de maneira 
direta, as importações vazam a poupança interna, consomem divisas e geram 
perda de mercado às indústrias nacionais. Este prejuízo de mercado das indústrias 
TÓPICO 2 | AS IMPORTAÇÕES
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nacionais produz perda de empregos, um dos principais motivadores para os 
países levantarem barreiras comerciais às importações. Eis a necessidade de um 
país realmente avaliar bem a qualidade do que é gasto em importações, ou seja, 
a importação deve ser um gasto que possa oferecer valor agregado às cadeias 
produtivas e ao consumidor.
Aprimorar a qualidade das importações como um todo, a longo prazo, 
fazendo uma boa gestão de comércio exterior. As importações são necessárias 
e benéficas. Nesse sentido, todos os países que pretenderam “economizar” e 
fecharam suas portas às importações ficaram atrasados, suas economias ficaram 
menores e sua população ficou empobrecida. Basta dar uma olhada nos casos 
de Cuba, Coreia de Norte, da ex-União Soviética, e o caso da Venezuela e da 
Argentina no final do ano 2015.
Na economia globalizada, de fato, os países são interdependentes. A 
Europa necessita da borracha da Ásia, do petróleo e gás do Oriente Médio e da 
Rússia; e para satisfazer às necessidades de sua população importa café, chá, 
cacau etc. É assim em função da decorrência das diferenças geográficas, tais como 
clima, solo e recursos naturais. Assim, os países têm suas produções nacionais 
diretamente ligadas ao custo menor relativo, o que é conhecido como a vantagem 
competitiva das nações.
Podemos exemplificar sobre a vantagem competitiva de nações com o 
exemplo Chile. Este país, que em função de sua cultura, posição geográfica e 
solo é extremadamente competitivo na produção de vinho, consequentemente, 
exporta grandes volumes deste produto, entre outros produtos. Contudo, também 
importa quase de tudo, como veículos, por exemplo. O Chile considera que não 
é competitivo produzir carros, mas é competitivo, sim, em outros produtos. Será 
que o Chile importa vinhos vindos de Argentina, Espanha, França e Itália? Com 
certeza sim, pois é uma economia aberta, e quanto

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