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livro Processo de Exportação e Importação

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do país.
Ao analisarmos o final do ano de 2015 e começo de 2016, percebemos 
que a balança comercial voltou para valores positivos, ajudando assim a frear 
um pouco a alta do dólar. Alta taxa do dólar, que para o ano de 2016 possui uma 
pressão e peso mais recorrente em virtude das incertezas político-econômicas do 
que da balança comercial em si. 
Para terminar o tópico, é importante lembrar que:
A importação pode suprir falhas na estrutura econômica, colaborando 
na complementação dos produtos disponíveis à população de um país, 
ou de bens de capital necessários às empresas, cumprindo também o 
TÓPICO 2 | AS IMPORTAÇÕES
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papel de modernização da economia, por estimular a competição e 
permitir a comparação de processos e produtos. Visto que nenhuma 
nação consegue sobreviver apenas com seus recursos próprios, a 
importação é necessária e tão importante quanto a exportação para 
um país (REBONO, 2004, p. 237).
O argumento exposto pelo autor Rebono é válido para qualquer país do 
mundo, e se repararmos, existem poucos países que possuem realmente quase 
todos (mas não todos) os recursos. São poucos países que têm as extensões 
continentais e recursos como o Brasil, os Estados Unidos, Austrália, Rússia e o 
Canadá, e ainda assim estes países dependem do comércio internacional para 
manter e aprimorar a dinâmica de suas economias.
Pensem aí: se o Brasil e Estados Unidos dependem do comércio exterior, 
imaginem países como o Reino Unido, Japão e Alemanha. Estes países, embora 
potências econômicas, sem o comércio internacional teriam sérios problemas. 
Aliás, eles estão entre os mais afetados pela crise de 2008. Crise que fechou muitas 
portas comerciais e financeiras dos mercados internacionais. Todavia, graças a 
sua competitividade, conseguiram sair mais rápido que outros.
4 DIFICULDADES PARA IMPORTAR
O Brasil é uma economia considerada relativamente fechada ao comércio 
internacional. Isso quer dizer que para manter e proteger a indústria nacional 
existem muitos empecilhos no momento de importar, se comparar com uma 
economia aberta como a chilena. O nosso país tem melhorado muito no que tange 
ao comércio internacional, se compararmos ao Brasil de finais da década de 1980.
Isto quer dizer que, após decorridas duas décadas do início da intensificação 
das relações de comércio exterior por parte das empresas brasileiras, ativas no 
comércio exterior, muitas dúvidas e incertezas ainda existem no momento de 
importar. Ainda assim, existem importadores para todo tipo de mercadorias 
e serviços, é uma área muito dinâmica que faz parte integral da economia 
brasileira. No entanto quem é considerado importador no Brasil? De acordo 
com o art. 104, inciso I do Regulamento Aduaneiro Brasileiro: “o importador é 
assim considerado qualquer pessoa (física ou jurídica) que promova a entrada de 
mercadoria estrangeira no território aduaneiro”.
Deste modo, podemos afirmar que a importação pode ser executada tanto 
por uma pessoa física como jurídica, mas sempre quando as normas brasileiras 
assim o permitirem. Em termos gerais, as empresas, na maioria das vezes, inserem-
se no mercado internacional para obter mercadorias e bens de capital (equipamento 
industrial, tratores etc.) que não são produzidos internamente, e assim poder 
oferecê-las tanto ao setor produtivo como aos consumidores nacionais.
As empresas recorrem aos mercados internacionais para obter matérias-
primas e insumos que logo serão utilizados na fabricação de outras mercadorias. 
UNIDADE 1 | A IMPORTÂNCIA DAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES NO COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL
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No caso do Brasil, como já temos observado anteriormente, em função de seu 
grande setor produtivo, a maioria das importações se destina ao abastecimento 
do setor industrial, através da importação de insumos e bens de capital, tais como 
máquinas e equipamentos.
Apesar da importação ser um setor muito dinâmico, as empresas 
brasileiras possuem diversas dificuldades, ou gargalos, no momento de importar. 
Grande parte dessas dificuldades decorre da excessiva burocracia e da falta de 
conhecimento das normas ou programas governamentais de apoio ao importador. 
Assim, antes de iniciar um processo de importação, devemos prestar atenção aos 
seguintes pontos:
• Identificar quais são as melhores condições comerciais para fazer acontecer a 
importação, em função da cadeia de logística de distribuição.
• Verificar se a importação que se deseja realizar é permitida ou se possui 
alguma exigência e/ou restrição, em função de existir no país uma série de 
impedimentos administrativos/técnicos para determinadas mercadorias a 
serem importadas. 
• Verificar se o produto a ser importado possui semelhante de produção nacional, 
pois devemos levar em consideração que se não houver semelhança, existe a 
possibilidade de importar com taxas bem menores de impostos de importação.
• Fazer o levantamento do custo da importação em questão e verificar se é viável 
realizá-la. Muitas vezes, é aparentemente atrativo importar, mas quando se 
considerar todos os gastos e impostos do processo de importação, isto faz com 
que importações em potencial virem economicamente inviáveis. 
Como acabamos de ver, existem vários pontos a serem considerados antes 
de decidir importar. Estes elementos de análise sempre devem ser considerados, 
e deve-se acrescentar na avaliação dois grandes desestimuladores às importações: 
as barreiras tarifárias e as barreiras não tarifárias. Segundo Hartung (2002, p. 331):
• Barreiras tarifárias compreendem mecanismos de controle e 
reguladores utilizados pelos governos mediante a alteração de 
tarifas aduaneiras.
• Barreiras não tarifárias são mecanismos utilizados pelos governos 
no intuito de controlar a compra ou venda de produtos.
Nesse sentido, podemos dizer que as barreiras tarifárias são aquelas criadas 
por meio da incidência de tarifas ou taxas de impostos para a importação de 
produtos. E as barreiras não tarifárias são aquelas que não possuem incidência de 
taxas de impostos, mas podem acontecer em função da necessidade de requisitos 
administrativos e técnicos, tais como limitação no volume de importações, ou 
requisitos sanitários quando se importar mercadorias que poderiam ameaçar a 
saúde dos brasileiros.
TÓPICO 2 | AS IMPORTAÇÕES
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4.1 RESTRIÇÕES AO COMÉRCIO EXTERIOR 
(EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES)
É conhecido que a globalização maximiza as potencialidades econômicas 
dos países e, portanto, traz benefícios aos consumidores, mas nem sempre os 
países a praticam 100%. Isso acontece porque sempre há interesses econômicos a 
serem protegidos nas diversas áreas em que atuam as empresas. Interesses como: 
agroindústria e risco de desindustrialização nacional. Estes interesses, muitas 
vezes, atrapalham as importações.
No que tange à agroindústria, qual é o motivo que leva o país a proteger 
uma agroindústria que produz produtos mais caros do que os que PODERIAM 
ser importados? Um dos motivadores é a segurança nacional. Situações de 
catástrofes naturais, possíveis guerras, segurança alimentar “justificam” barreiras 
de produtos que possam ameaçar a agroindústria nacional.
 
Em muitas ocasiões, essas agroindústrias, se não fosse pelos subsídios ou 
barreiras tarifárias, não poderiam subsistir. Sobre isto podemos observar alguns 
exemplos:
• Os Estados Unidos têm o interesse de proteger sua agroindústria de soja. 
Deste modo, este setor é protegido por meio de subsídios, perante a ameaça da 
concorrência vinda de outros países, tais como do Brasil e da Argentina.
• O subsídio para a produção de soja e milho nos Estados Unidos é muito alto. 
Resultado? Os preços internacionais deste grão podem se manter abaixo do 
valor de mercado real, prejudicando assim os produtores de soja e de milho 
daqui do Brasil.
Outra justificativa de proteção às importações é o interesse na proteção	
à	 desindustrialização.	 Por que um país poderia ter interesse em proteger as 
indústrias locais que produzem produtos mais caros dos que se poderiam importar?

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