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livro Processo de Exportação e Importação

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brasileira fixou-se no mercado doméstico, que, impulsionado pelo 
aumento do crédito promovido pelo governo, voltou a absorver a produção brasileira.
Quando as vendas internas deixaram de bastar para suportar um 
crescimento robusto, as empresas notaram que lá fora a competição estava mais 
renhida do que nunca.
No caso dos veículos de carga, a perda começou pouco antes da crise, em 
2006, mas piorou nos anos seguintes. O Brasil deixou de vender a países como 
Austrália, Suécia, Alemanha, França, Portugal, Coreia do Sul e Grécia.
O resultado é que, em 2013, foram embarcados 12,5 mil caminhões 
menos que em 2006, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos 
Automotores (Anfavea). Uma vez perdido o mercado, é difícil recuperá-lo.
EFEITO ARGENTINA
Quanto maior a dependência de um mercado, maior o risco de um 
problema no país de destino resultar em prejuízos para os exportadores.
Além de crises, pode haver aumento de tarifas de importação ou a 
introdução de exigências sanitárias que bloqueiem parte dos embarques.
A crise econômica na Argentina ilustra esse risco.
Enquanto o mundo fechava as portas para o produto brasileiro, o setor 
de veículos de carga foi aumentando sua dependência do mercado vizinho. A 
participação do país nas compras de caminhões passou de 36% em 2006 a 58% no 
final do ano passado.
Aproveitando as facilidades tarifárias do Mercosul e a proximidade, 
outras indústrias seguiram o roteiro, sobretudo no setor automotivo. No caso dos 
carros, a participação argentina nas exportações brasileiras foi de 28% em 2005 
para 88% em 2013.
TÓPICO 1 | AS EXPORTAÇÕES E FORMALIZAÇÃO DAS TRANSAÇÕES COMERCIAIS INTERNACIONAIS
61
Mais sete setores, como autopeças, pneus e produtos siderúrgicos, 
seguiram esse rumo. Quando o vizinho recaiu em sua mais recente crise, o efeito 
para a balança comercial brasileira foi imediato. Até julho, na comparação com o 
mesmo período de 2013, as vendas para lá caíram 22%.
MUDANÇA DE ROTA
Vendas do
Brasil para o1
2
3
Uma das
grandes
mundanças nesse
período foi o apetite
chinês
Com o avanço do
gigante asiático, o
perfil das vendas mudou,
com as exportações de
matérias-primas
ganhando força
Aviões
Minérios
de ferro
Minérios
de ferroSoja Soja
Deriv.
de óleo
de soja
Deriv.
de óleo
de soja
Deriv. de
petroleo
Carne
de frangoCarros
2001
2014
55
66
16
8
16
13
7
3
4
8
2
2
exterior neste século
mais que triplicarem
Exportações brasileiras
no primeiro semestre,
em US$ bilhões
Principais destinos das
exportações brasileiras,
em % das vendas
Principais produtos exportados,
em % das vendas
Divisão das vendas
por categoria de uso, em %
Matérias-primas e
produtos intermediários Bens de capital
Bens de consumo
não duráveis
Bens de
consumo
duráveis
Combustíveis
e lubrificantes
Outros
2001
2014
Após quinze
anos de
negociação,
China
ingressa
na OMC
29
2001 25
2002
33
2003
43
2004
54
2005
61
2006
73
2007
91
2008 89
2010
118
2011
117
2012 114
2013 111
2014
70
2009
Preço das
commodities
dispara e
cotação do
petróleo
bate recorde
No 2º sem. 08,
banco Lehman
Brothers quebra
e detona crise
Os EUA
perdem
o posto de
principal
destino
As vendas para o
país vizinho são
cada vez mais
dependentes do
setor automotivo
A China foi o
nono maior
comprador em
2001, com 3%
Japão
O minério de
ferro representa
mais de1/3 das
exportações
para o país
China
EUA
Holanda
Argentina
Alemanha
Itáli
a
24,1
11,5
Brasil
2001 2014
5,4
14,6
12,7
6,2
3,2 2,9
5,2 4,9
3,4 3,4
9,9
6,7
4,8
6,3
21,6
3
4,6
3,5
62
UNIDADE 1 | A IMPORTÂNCIA DAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES NO COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL
Essa
mudança
 Esse cenário
 também teve impacto
nas empresas, com indústrias
como Embraer e Volks
cedendo espaço
Principias empresas
exportadoras
Participação, em %
 Apesar do
 crescimento
e da mudança de perfil,
o Brasil tem fatia pequena
nas exportações globais
0,94
Brasil 2001
1,29
Brasil 2013
Mercado global
também se refletiu
nos principais
Estados exportadores,
com a região Sul
perdendo força
e o Centro-Oeste
avançando
Divisão das
exportações por
região, em %**
Principais Estados
exportadores, em
% das vendas.
Sudeste
Nordeste
Centro-
Oeste
Norte
Sul
*Todos os dados se referem
ao 1º semestre dos anos
**A conta não fecha 100%
porque nem todas as origens
foram declaradas.
Fontes: OMC (Organização
Mundial do Comércio) e
Ministério da Indústria,
Desenvolvimento e
Comércio Exterior
4 5 6
2001
2014
54
34,8
SP RS RSMTRJMG MGPR SC SP
10,710,7
22,5
13,6
8,2 7,8
1º
2001
Embraer
Petrobras Petrobras
Vale
Vale
Volks
Bunge
Bunge
Cargill
JBS
2014
2º
3º
4º
5º
88,9
5,2
50
20
25
14
4
6
8
8
7
FONTE: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/09/1508799-mundo-encolhe-para-as-
principais-exportacoes-industriais-do-brasil.shtml>. Acesso em: 27 fev. 2016.
63
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Após a Segunda Guerra Mundial o comércio internacional começou a ter 
organismos internacionais e normas regulamentadoras, visando melhorar o 
livre-comércio internacional.
• Com a criação do GATT, iniciaram-se processos de reduções de taxas de 
importações e regulamentações sobre as barreiras ao comércio entre os países, 
por meio de rodadas de negociações.
• Na última rodada de negociações do GATT, a rodada de Uruguai, foi criada a 
OMC, objetivando ter o primeiro organismo internacional para regulamentar e 
arbitrar o comércio mundial.
• Antes da década de 1990, o Brasil ainda tinha seu comércio exterior relativamente 
fechado e a partir de 1990 começou a abertura comercial do Brasil, apresentando 
crescimento de empresas brasileiras atuando no comércio exterior.
• A gestão governamental e a política brasileira de comércio exterior envolvem 
atividades administrativas, fiscal-tributária, de financiamento, de câmbio, de 
infraestrutura e de logística, visando auxiliar as empresas para fazer acontecer 
os processos de exportação e importação.
• As principais entidades públicas (órgãos) atuantes fazem gestão direta e 
indireta nos processos de comércio exterior. Essa gestão é feita por meio de 
dois grandes grupos de entidades públicas: órgãos gestores e órgãos anuentes.
64
1 Um dos objetivos do FMI é manter a estabilidade das taxas de câmbio e assistir 
aos países com problemas de balanço de pagamentos, isso em vistas de?
2 Quais foram as principais metas atingidas nas oito rodadas de negociação 
do GATT?
3 Em relação ao GATT, determine quais sentenças são verdadeiras (V) e quais 
falsas (F):
( ) O principal objetivo do GATT era de aumentar as barreiras comerciais 
quando assim os interesses de uma nação precisar.
( ) O GATT tem como principal objetivo implementar processos de livre-
comércio entre os países membros.
( ) O GATT é considerado como a primeira organização internacional a 
desenvolver processos de livre-comércio.
( ) Todas as negociações do GATT foram estabelecidas por meio de rodadas, 
durante várias décadas.
4 Em relação à OMC, determine quais sentenças são verdadeiras (V) e quais 
falsas (F):
( ) As Conferências são executadas por meio de rodadas.
( ) As rodadas de negociações são definidas pelo diretor da OMC e os países 
devem seguir as instruções comerciais.
( ) Todas as decisões da OMC são feitas por meio de acordos multilaterais 
entre os países membros.
5 As entidades públicas (órgãos) que fazem parte da estrutura organizacional 
do governo para o comércio exterior podem ser divididas entre órgãos 
gestores e anuentes. Em função disso, responda:
a) Quais são os principais elementos que diferenciam um órgão gestor de um 
anuente?
b) Exponha, pelo menos, dois órgãos gestores e dois anuentes, descrevendo 
suas principais funções.
AUTOATIVIDADE
65
UNIDADE 2
CONDIÇÕES TÉCNICAS DA 
EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender como é a padronização da classificação

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