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Exame neurológico 1- Anamnese e Exame Fisicio

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e marcha ortopédica: são similares, 
há alteração por causa da dor e a marcha ortopédica é 
mais específica de pessoas com falha óssea, ou com 
sequelas de fraturas corrigidas. 
 
Marcha inconsciente: são as pessoas que possuem 
marcha incongruente, muitas delas simulando. Como 
em transtornos psiquiátricos onde a pessoa simula 
uma marcha que não existe. 
 
Portanto, sem tocar no paciente, somente 
pela observação, nós podemos ver várias alterações 
 
HELEN MARCONDES – T5 
5 FUNDAMENTOS DA PRÁTICA MÉDICA III – PROFº. ELISSON 
que indicam que indicam determinadas doenças. É 
importante no primeiro momento, no primeiro ponto, 
verificar como o paciente se desloca até você. 
 
 
ESTADO MENTAL E AS FUNÇÕES CORTICAIS 
SUPERIORES 
 
Ao avaliar a marcha e já ter o paciente dentro do 
seu consultório, vamos para o segundo ponto do 
exame neurológico. Devemos avaliar o estado mental 
e as funções corticais superiores. 
 
Nas aulas com o Dr. Eder e com a Dra. Larissa, eles serão 
específicos na abordagem da avaliação/exame do estado mental. 
Aqui, focaremos mais nas funções corticais superiores. 
 
 
Agora com o paciente em sua frente, deve-se 
testar, pelo menos como forma de triagem, as funções 
corticais superiores. 
 
Esse tipo de exame engloba os seguintes aspectos: 
 Atenção e concentração; 
 Orientação; 
 Linguagem e cálculo; 
 Memória: de curto e longo prazo e de evocação; 
 Construções: existem vários tipos de construção que 
devem ser analisadas, como a semântica, verbal, 
raciocino crítico. E com alguns desenhos vê se ele tem 
uma boa construção visuoespacial; 
 Pensamento abstrato; 
 Autopercepção e juízo crítico; 
 O intelecto como um todo. 
 
Da mesma forma como precisa-se ver a 
marcha como um todo, nas funções corticais 
superiores essa também é uma regra. Deve-se avaliar 
cada ponto, porém não deve-se esquecer do intelecto 
como um todo. 
A ferramenta que deve-se ser utilizada é o ‘’MINI-
EXAME DO ESTADO MENTAL’’. Há outras ferramentas 
como o Teste MoCA, Avaliação Cognitiva Breve, Teste 
do Relógio. Mas pela facilidade de acesso e amplo 
conhecimento, gostaria que cada um tivesse o MINI-
EXAME DO ESTADO MENTAL, e que seja uma rotina 
para nós. 
 
MINI-EXAME DO ESTADO MENTAL 
É um exame fácil de abordar. Possui vários pontos 
a serem colocados, e o score varia de 0-30 pontos. 
Cada acerto que o paciente faz, vai ganhando pontos. 
Nesse score encontramos a avaliação da orientação – 
começa-se perguntando o dia, dia do mês, da semana, 
que mês se está, que ano se está, que horas são (de 
forma aproximada, havendo uma tolerância de erro de 
até 30 minutos), em que local se está, qual a 
instituição, qual bairro se está, nome da cidade, 
estado. 
 
Memória imediata: pede-se para que o paciente grave 
3 palavras, como por exemplo, pedra, carro e cama. E 
a pessoa deve repetir essas palavras. 
 
Atenção e cálculo: pergunte sobre um pouco de 
matemática, quanto é 100 - 7 = 93, -7 = 86, -7 = 79, - 7 
= 72, -7 = 65. E então vai se pontuando para cada 
acerto. 
 
Evocação: pergunte novamente as palavras ditas 
anteriormente e vê-se como será a memória de 
evocação do paciente. Ou seja, a sua memória 
recente, analisando se ela está acometida nesse teste 
de triagem ou não. 
 
Linguagem: já deve ir avaliando-se se o paciente 
apresenta alguma disartria, afasia. Se o paciente tem 
condições de nomear objetos comuns, como relógio, 
caneta, carimbo, clipes. 
Dê um comando ao paciente, uma única vez. Peça 
para que ele pegue o papel com a mão direita, dobre 
ao meio e coloque em cima da mesa. E veja quantas 
ordens ele conseguirá cumprir. 
Ler e obedecer ‘’Feche os olhos’’. Peça para que o 
paciente escreva uma frase para você, caso o paciente 
tenha pouco estudo e não saiba ler e escrever, pode-
se utilizar outras formas, como pedir para que ele diga 
uma frase, comentar uma situação, e assim avalia-se o 
raciocínio crítico, estrutura de pensamento, se existe 
alterações de linguagem ou não. E por fim, pede-se 
para que o paciente copie os pentágonos entrelaçados 
que segue abaixo. 
 
 
 
HELEN MARCONDES – T5 
6 FUNDAMENTOS DA PRÁTICA MÉDICA III – PROFº. ELISSON 
 
A depender do desempenho no MINI-EXAME DO 
ESTADO MENTAL, pode-se até diante de um 
desempenha ruim fechar o diagnóstico de uma 
síndrome demencial. 
É importante investigar se a síndrome demencial é 
reversível, se existem alterações metabólicas ou 
infecciosas que fizeram com que o paciente chegasse 
a tal ponto. 
Como o MINI-EXAME DO ESTADO MENTAL é 
um teste de triagem pode não ficar tão clara as 
informações. Então faz-se testes mais profundos, 
como testes neuropsicológicos, onde na prática o 
neuropsicólogo – quem desempenha esse teste, 
aborda com testes mais profundos cada função 
cortical superior, como a memória, atenção, cálculo, 
pensamento abstrato, raciocínio crítico, por exemplo. 
Estes são testes demorados, que demoram 3-4 horas 
e geralmente se divide em 2-3 sessões para que se 
tenha uma ideia mais clara e ampla de como o 
paciente está. 
 
Quando se utiliza o teste neuropsicológico? 
Imagine que o paciente chegue até você trazido 
pela esposa e filho, com a história de que ele tem 
perdida a memória, onde em determinados 
momentos o seu desempenho cai. Esse paciente era 
professor universitário, escreveu livros, estudou muito 
em toda a vida – mestrado, doutorado e pós-
doutorado. Então aplica-se o MINI-EXAME DO ESTADO 
MENTAL, e dos 30 pontos que ele deveria fazer, ele fez 
os 30 ou perdeu um ponto e fez 29. 
Ou seja, o MINI-EXAME DO ESTADO MENTAL não 
se fez sensível o suficiente para verificar se existe uma 
síndrome demencial ou não. Isso porque o paciente 
em questão apresenta uma boa reserva cognitiva. 
Neste caso, iremos nos fiar/acreditar no que a família 
apresenta e encaminhá-lo para um teste mais 
profundo, como o neuropsicológico. Sempre que 
existir dúvida diagnóstica, deve-se fazer o teste 
neuropsicológico. 
 
Cuidado com algumas armadilhas para que você 
não saia dizendo que pelo fato do paciente ter 
pontuado mal no MINI-EXAME DO ESTADO MENTAL, 
que ele saia rotulado como um portador de uma 
síndrome demencial. Tenha cuidado com quadros de 
estado confusional agudo. As síndromes demenciais 
são mais crônicas, mais arrastadas ou subagudas. 
Quando o estado confusional for agudo, espere um 
pouco, tenha calma!!!! 
Na maior parte das vezes, principalmente em 
idosos, quando existe uma alteração/declínio no 
desempenho cognitivo de forma aguda, precisa-se 
pensar em quadros infecciosos, principalmente 
infecção urinária, e logo depois pneumonia ou 
alteração metabólica, como desidratação, 
hiponatremia, que são situações mais frequentes e 
causam estados confusionais agudos. 
Em paciente idosos, portanto, com alterações 
agudas do nível de consciência e do desempenho 
cognitivo, deve-se pedir exames gerais para descartar 
infecções ou alterações metabólicas. 
Por vezes, estaremos diante de pessoas com 
dificuldades maiores, não por uma doença, mas por 
baixo nível de inteligência – até mesmo de um ponto 
de vista genético, onde por exemplo, o pai e a mãe já 
tinha uma determinada dificuldade e o paciente 
também tem. 
Existem situação em que o paciente está 
deprimido, diante de um quadro de depressão. Nestas 
condições, não se deve lançar mão de teste para 
avaliação do desempenho cognitivo. É preciso verificar 
se realmente existe depressão, ansiedade, tratá-las e 
quando o paciente estiver melhor submetê-lo ao teste 
de triagem. 
Também é importante estar atento com relação a 
afasia. As vezes o paciente não responderá a questão 
por não ter entendido, possuindo então uma afasia de 
compreensão, ou por não conseguir se expressar, 
existindo uma afasia motora. 
Portanto, tenha cuidado com as armadilhas para 
não rotular todo mundo com síndrome demencial. 
Sendo preciso descartar as outras