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4 Exame neurológico - Sensibilidade

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entre dois pontos, onde 
utiliza-se um compasso, uma pinça ou dois palitos de 
fósforo e pergunta-se ao paciente quantos pontos ele 
está sentindo. Deve-se diminuir a distância entre as duas 
hastes do compasso e novamente coloca-se em contato 
com a região do corpo do paciente a ser estudada e 
pergunta-se ao paciente quanto ao toque. Deve-se ir 
alternando a quantidade de hastes que é colocada. Em 
determinado momento as hastes estarão tão próximas 
que o paciente não conseguirá identificar que são dois 
pontos e dirá que se trata de apenas 1. Trata-se de algo 
fisiológico, todos nós dependendo da distância das hastes 
do compasso ou pinça não seremos capazes de 
discriminar dois pontos. É por isso que comparando os 
dois lados que será possível verificar o que é normal do 
que é anormal. 
 
Fisiologicamente consegue-se nos dedos das mãos uma 
discriminação entre dois pontos com uma distância maior 
que 2mm, de 2mm para baixo não é possível discriminar. 
Já nos dedos pés essa distância de discriminação varia de 
3-8mm. 
Pensando no Homúnculo de Penfield é possível ter uma 
ideia melhor desse exame, visto que em determinadas 
regiões possuímos uma sensibilidade maior e mais 
aguçada do que em outras regiões. 
 
 
Ainda na imagem anterior na figura B temos o teste da 
astereognosia, o reconhecimento de um objeto. 
Classicamente pede-se para que o paciente feche os 
olhos e estenda as mãos e então o examinador coloca um 
objeto na palma das mãos do paciente. Pode ser uma 
chave, fruta – como uma banana. O ideal é que se teste 
separadamente, primeiro na mão direita e depois na mão 
esquerda. 
Na figura C temos o que é chamado de grafestesia. 
Coloca-se um número ou uma letra para que o paciente 
entenda o que é. Deve-se ter o cuidado para não fazer 
coisas que possam confundir o paciente. Na figura temos 
um 7 sendo desenhado, porém é confuso e poder ser 
confundido com um T, por isso recomenda-se fazer a 
letra A, 1, X por exemplo. Deve-se evitar letras parecidas 
como Z e S, M e W. Lembre-se que deve ser feito sempre 
para que o paciente entenda, portanto, sempre virado 
para o paciente. 
 
SÍNDROMES MEDULARES 
São 5 tipos de lesões que encontraremos nas síndromes 
medulares. 
Imagine um motoqueiro que tenha um trauma. Trata-se 
de uma secção transversa completa da medula onde 
perde-se totalmente a ligação. Da área de lesão para 
baixo esse indivíduo não terá mais coordenação motora, 
pois todos os feixes piramidais foram destruídos e a 
comunicação foi interrompida. Esse paciente também irá 
perder toda a capacidade de sensibilidade superficial 
quanto profunda daquele trecho para baixo, como a 
sensibilidade tátil, térmica, dolorosa, tato epicrítico, 
sensibilidade vibratória e cinético-postural. Trata-se da 1ª 
e mais catastrófica das lesões medulares nas síndromes 
medulares, é a transecção completa de um trecho da 
medula. 
Quanto as lesões incompletas da medula. Na primeira 
figura temos a síndrome medular central, trata-se de um 
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FPM III – NEUROLOGIA – PROFº. ELISSON 
 
HELEN MARCONDES – T5 
acometimento dos tratos espinotalâmico – 
principalmente os laterais, porém este tipo de lesão 
poupa o fascículo posterior da medula. Neste tipo de 
lesão geralmente preserva-se o trato espinotalâmico 
anterior, havendo uma lesão muito mais significante do 
trato espinotalâmico lateral. No trato espinotalâmico 
anterior temos a sensibilidade tátil, trata-se do tato 
protopático estando, portanto, preservado neste tipo de 
lesão. Porém, a sensibilidade térmica e dolorosa estarão 
acometidas, enquanto que a sensibilidade vibratória e 
cinético-postural estarão preservados, pois os fascículos 
grácil e cuneiforme não foram afetados. Esse tipo de 
lesão é caracteristicamente chamadas de siringomielia, 
onde um espaço dentro da região central da medula 
cresce, gerando perda da sensibilidade térmica e 
dolorosa bilateralmente, preservação do tato protopático 
e da sensibilidade vibratória, cinético postural e tato 
epicrítico. 
Já na figura do meio temos a representação de uma outra 
condição. Em raros casos pode-se ter o acometimento do 
trato espinotalâmico lateral e do trato espinotalâmico 
anterior. Trata-se de uma síndrome medular anterior. Isso 
ocorre geralmente quando acontece uma lesão da artéria 
que supre da região anterior da medula, a artéria espinal 
anterior. Neste caso temos a clínica com um 
acometimento da sensibilidade térmica e da sensibilidade 
dolorosa bilateral, visto que os tratos espinotalâmicos 
laterais de ambos os lados encontram-se afetados. Bem 
como há alteração da sensibilidade tátil, ou seja, do tato 
protopático bilateralmente, pois o trato espinotalâmico 
anterior também foi lesado. No entanto, há a preservação 
do fascículo posterior – grácil e cuneiforme, portanto, 
não haverá alteração da sensibilidade vibratória e 
cinético-postural. 
Na terceira figura temos uma hemi secção medular 
parcial, chamada de síndrome de Brown-Séquard. 
Imagine um trauma, não temos a secção transversa 
completa da medula, mas sim uma hemi secção da 
medula. Ou seja, houve um acometimento do trato 
espinotalâmico lateral, espinotalâmico anterior e da 
coluna posterior da medula do mesmo lado. Como já 
vimos, a informação da coluna posterior tem um 
neurônio sensitivo que faz conexão com um segundo 
neurônio sensitivo e ascende ipsilateralmente até o 
bulbo, onde cruza de lado. Portanto, as lesões do funículo 
posterior, no caso desta figura do lado esquerdo, gerarão 
alterações da sensibilidade vibratória e da sensibilidade 
cinético-postural ipsilateralmente a lesão, ou seja, seu 
lado esquerdo será afetado. No entanto, o tato 
protopático, sensibilidade térmica e dolorosa estarão 
comprometidas do lado oposto da lesão em si, visto que 
essas fibras cruzam de lado logo que ganham a medula. 
Vale lembrar que estes acometimentos sempre se darão 
do nível da lesão para baixo. 
 
Em raros casos podem haver somente lesão da coluna 
posterior da medula, gerando a perda bilateral da 
sensibilidade vibratória, a sensibilidade cinético-postural, 
bem como se terá prejuízo no tato epicrítico. Há 
preservação do tato protopático, sensibilidade térmica e 
dolorosa. 
Na imagem que segue temos a representação de uma 
secção transversa completa da medula, há perda bilateral 
de todas as funções sensitivas e motoras abaixo da lesão. 
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FPM III – NEUROLOGIA – PROFº. ELISSON 
 
HELEN MARCONDES – T5 
 
 
Já nesta outra imagem temos a representação da perda 
da sensibilidade somática após hemi secção da medula no 
nível de T10 do lado esquerdo. Trata-se da síndrome de 
Brown-Séquard. Se existe uma hemi secção da medula do 
lado esquerdo a nível de T10 ocorre uma perda a 
esquerda da sensibilidade vibratória, da sensibilidade 
cinético-postural e do tato epicrítico, bem como há perda 
da sensibilidade térmica, dolorosa e tato protopático do 
lado direito. 
 
Embora tenham sido abordadas mais as alterações das 
síndromes medulares, é importante lembrar que na 
verdade podem haver 8 padrões de perda sensitiva. Pode 
haver perda somente em um único nervo, onde por 
exemplo, uma alteração de nervo mediano irá gerar 
alterações de sensibilidade no 1º, 2º e 3º dedo da mão do 
lado acometido. Já alterações de nervo ulnar irá gerar a 
perda de sensibilidade no 4º e 5º dedo da mão do lado 
acometido. É preciso ter uma ideia da região de inervação 
dos principais nervos, como mediano, ulnar, radial e 
femoral. 
As alterações em um único nervo podem ocorrer em 
doenças como na hanseníase. Mas também podem haver 
casos com alterações na raiz do nervo, geralmente por 
exclusão discal, gerando alterações na topografia de L4 
ou L5, por exemplo. Podem haver também alterações 
típicas de nervo periférico, classicamente presente no 
Diabetes Mellitus, chamadas de alterações sensitivas em 
meia e luvas. Bem como podem haver alterações 
medulares