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Marketing-Depois-de-Amanha

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tada no conteúdo, pois quem alimenta e mantém em dia seus textos 
são os próprios internautas, e sustentada financeiramente através de 
doações dos mesmos.
Alguns anos atrás, sites de pirataria usavam este método para se 
manter. Com o discurso de precisar de dinheiro para comprar es-
paço e link de Internet, os piratas pediam doações. Os que tinham 
bom conteúdo e eram rápidos geralmente atingiam suas cotas de pa-
trocínio, mas os métodos para receber as doações eram sempre bem 
complexos, baseados em comissão de visitantes que se inscreviam 
em outros sites e outras fórmulas bem incômodas para o visitante. 
Falar em sites pornôs e piratas não remete a coisas sérias, mas pense 
nos sites gratuitos que você visita: muitos deles estão fadados à mor-
te, porque dão muito trabalho e geram pouco retorno em propagan-
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da. Fechar o conteúdo cobrando pelo acesso mensal não se provou 
muito eficiente. Doações via micropagamento podem servir para 
manter muitos desses sites no futuro.
A Internet permitiu que pequenas empresas e pequenos empreen-
dedores concorressem com as grandes empresas. Como milhares de 
pequenas formigas, eles são capazes de incomodar as árvores mais 
sólidas. O pagamento via celular dará mais força para os pequenos. 
Aqueles que viram na Internet uma possibilidade de abrir uma lo-
jinha ou um site de conteúdo agora terão mais uma maneira de ser 
lucrativos e brigar com as grandes empresas. Será mais fácil ven-
der produtos e conteúdo, cobrar por acesso temporário, criar novos 
serviços, novas formas de assinatura e novos pacotes de venda. As 
formigas viraram abelhas. Para os grandes, mais um motivo para se 
preocupar e começar a ousar.
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Capítulo 9
computação ubíqua
Todos os dias, somos bombardeados com milhares de mensagens 
de todo tipo. Nosso telefone toca várias vezes, recebemos dezenas 
de e-mails, malditos pop-ups quando navegamos na Web, mensa-
gens informando que a bateria do celular está carregada, que a do 
laptop está acabando, que alguém deixou uma mensagem na caixa 
postal do celular e por aí vai. Quanto mais apetrechos fazem parte 
da nossa vida e mais conectados estamos, mais somos bombardea-
dos. A tecnologia é parte presente e 100% visível de nossas vidas.
Um dos conceitos mais importantes da computação ubíqua, tam-
bém conhecida como computação onipresente ou computação pe-
netrante, é justamente mudar isso. Tornar a tecnologia presente no 
ambiente em que vivemos, mas de maneira invisível. Invisível não 
apenas no sentido de não estar à vista, mas principalmente no senti-
do de não ser percebida.
O conceito apareceu em 1988 através de Mark Weiser em seu 
trabalho no Xerox Palo Alto Research Center (Xerox PARC), uma 
subsidiária da Xerox Corporation, responsável por nada menos 
que a criação do ambiente gráfico nos computadores, do editor de 
texto WYSIWYG82, do precursor do PostScript, da impressora a 
laser, do padrão de rede Ethernet, da programação voltada ao ob-
jeto e do e-paper.
A idéia é que, para que a tecnologia se torne transparente, ela 
vai precisar aprender a se relacionar com a gente. Por isso, a com-
putação ubíqua é descrita por Weiser como uma integração muito 
difícil de fatores humanos, ciência da computação, engenharia e 
ciências sociais.
Microprocessadores estão em vários aparelhos como relógios, 
eletrodomésticos, carros, celulares, controles remotos da TV, players 
82 What You See Is What You Get. 
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de DVDs e brinquedos. No futuro, teremos microprocessadores e 
sensores em todo lugar e todo tipo de objeto, incluindo paredes, 
interruptores de lâmpadas, roupas, geladeira, portas, chuveiros, 
banheira etc.
Há aquelas historinhas bonitinhas, como a do despertador que 
avisa a torradeira para ligar sozinha e entregar o pão quentinho 
quando acordamos e aquela da banheira que se prepara quando você 
abre a porta de casa. Na verdade, tanto as histórias quanto padrões 
de comunicação entre aparelhos que usam a rede elétrica para auto-
mação doméstica já existem faz tempo. Mas essa infinidade de pa-
drões diferentes pode acabar quando esses aparelhos começarem a 
usar o mesmo protocolo da Internet. A Internet doméstica, também 
conhecida como Internet-Zero, é mais simples, mais prática e mais 
lenta. Mais lenta não significa pior, lembre­se de que seu liqüidifica-
dor não vai querer baixar vídeo pi rata no Kazaa. E de sua velocida-
de vem também seu nome, uma piada em referência à super-rápida 
conhecida como Internet-2.
Padrões de automação doméstica, motes, redes mesh e outras re-
des sem fio, com aparelhos conectados e conversando entre eles, 
passamos a ter uma mudança de percepção do mundo virtual. Hoje, 
temos uma separação bem clara entre o mundo de tijolo e o mundo 
virtual, porém, no futuro, essa sensação de distância acabará, pois 
praticamente tudo estará interligado. Não entraremos mais online, 
pois já estaremos online o tempo todo.
Claro que nem toda tecnologia ou computador terá que ser trans-
parente, mas à medida que a computação estiver por todo lado, 
vamos precisar de espaço para viver e respirar. Para nos ajudar e 
não atrapalhar, todas essas traquitanas terão que aprender a fazer a 
abordagem correta e no momento correto. Para cumprir com esses 
objetivos, será necessário ter sensibilidade para entender o usuário, 
raciocínio para saber quando comunicar e finalmente saber como se 
comunicar. A tecnologia deve criar calma e conforto e não o caos.
Apesar de parecer muito distante, a computação ubíqua já pode 
ser aplicada nos dias de hoje. A Microsoft está testando interna-
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mente um sistema para gerenciar telefonemas. Antes de passar uma 
ligação, o sistema faz “perguntas” como: o usuário está em reunião? 
(tem reunião neste horário em sua agenda); o interlocutor está na 
agenda de telefones do usuário? O interlocutor está na lista de te-
lefones da empresa? O interlocutor está na lista de chamadas feitas 
recentemente? No sistema, parentes, supervisores e pessoas na lista 
de chamadas feitas recentemente fazem o telefone tocar, as outras 
recebem aviso para ligar mais tarde e têm a opção de deixar recado 
ou reagendar a chamada.
As pessoas tendem a categorizar a importância das situações. É 
comum alguém colocar toque diferente no celular para a namorada 
ou para o chefe. Eu apliquei filtros para o meu cliente de e­mail para 
não me avisar quando receber e-mails de listas de discussão de que 
participo ou de sites em que me cadastro. Meu cliente de e­mail fica 
aberto e pega e-mail a cada cinco minutos, mas alguns deles eu pos-
so ler sem pressa.
A Lockheed Martin produziu para a marinha norte-americana o 
Human Alerting and Interruption Logistics-Surface Ship (HAIL-
SS). Produzido para controlar as interrupções, o software é o in-
termediário entre o operador e vários sistemas que emitem alertas, 
entre eles o sistema de controle de armas e o radar espião. O HAIL-
SS conseguiu reduzir de 50 a 85% das interrupções enquanto os 
marinheiros estão em combate. O nível de stress durante o trabalho 
dos operadores diminuiu bastante e esse tipo de solução pode ser 
adotado para situações corriqueiras, do nosso dia-a-dia.
A Universidade de Washington junto com o centro de pesquisa 
da Intel em Seattle estão utilizando etiquetas RFID em escovas de