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Inotrópicos positivos e vasodilatadores

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DA ICC  
O sistema de classificação mais conhecido para IC em cães e 
gatos foi proposto pelo “International Small Animal Cardiac Health 
 
Council - ISACHC”, e separa os animais de acordo com a presença ou 
não de remodelamento cardíaco e de sintomas, como descrito abaixo: 
 
Classe IA Doença cardíaca presente, sem 
manifestações clínicas, sem sinais de 
compensação (sem aumento de câmaras 
ou sinais de sobrecarga). 
Classe IB Doença cardíaca presente, sem 
manifestações clínicas, mas com sinais 
de repercussão no ecocardiograma ou 
radiografia torácica (sobrecarga de 
volume do VE ou aumento do AE). 
Classe II Doença cardíaca presente, com sinais 
manifestações clínicas discretas ou 
moderados de IC, sinais de baixo débito 
na agitação. Ao descanso, nenhum sinal 
de disfunção sistólica. Indicado 
tratamento. 
Classe IIIA Doença cardíaca presente, com sinais de 
IC avançada. Manifestações clínicas até 
mesmo ao descanso. Cardiomegalia 
significativa ao ecocardiograma e 
radiografia de tórax. Morte provável ou 
debilitação grave caso não seja tratado. 
Tratamento em casa é possível. 
Classe IIIB Doença cardíaca presente, com sinais de 
IC avançada. Sinais clínicos até mesmo 
ao descanso. Cardiomegalia significativa 
ao ecocardiograma e radiografia de 
tórax. Morte provável ou debilitação 
severa caso não seja tratado. Necessário 
internação e tratamento intensivo. 
 
ESTÁGIO A Identifica pacientes com alto risco de 
desenvolver doença cardíaca, mas que 
ainda não apresentam alterações 
estruturais identificáveis no coração (p. 
ex.: cães Cavalier King Charles Spaniel 
 
sem sopro cardíaco). 
ESTÁGIO B Identifica pacientes com doença 
cardíaca estrutural, mas que nunca 
desenvolveram manifestações clínicas 
de insuficiência cardíaca. Este estágio é 
subdividido em: Estágio B1: pacientes 
assintomáticos, que não apresentam 
evidências radiográficas ou 
ecocardiográficas de remodelamento 
cardíaco em resposta à doença valvar, 
assim como aqueles cães cujo 
remodelamento está presente, mas não 
é importante o bastante para início de 
tratamento. Estágio B2: pacientes 
assintomáticos que apresentam 
regurgitação valvar mitral 
hemodinamicamente significante, 
evidenciados por achados radiográficos 
e ecocardiográficos de aumento de átrio 
e ventrículo esquerdos. Este grupo de 
paciente inclui apenas indivíduos que 
apresentem, ao ecocardiograma, a 
relação átrio esquerdo/ aorta > 1,6 e 
diâmetro diastólico interno do 
ventrículo esquerdo normalizado para o 
peso corpóreo > 1,7. 
ESTÁGIO C Pacientes com sintomas clínicos prévios 
ou atuais de insuficiência cardíaca 
associados à alteração estrutural do 
coração. 
ESTÁGIO D Pacientes com doença cardíaca em 
estágio final, com sinais de insuficiência 
cardíaca que são refratários à terapia 
principal. Esses pacientes necessitam de 
estratégias de tratamento especiais ou 
avançadas para se manterem 
confortáveis, independentemente da 
presença da doença. 
 
DIAGNÓSTICO DA ICC  
O diagnóstico da IC baseia-se na avaliação das manifestações 
clínicas, exame físico e pesquisa da doença cardíaca e suas 
consequências, por meio de exames complementares.  
Manifestações clínicas  
As principais manifestações clínicas apresentadas pelos cães 
cardiopatas são:  
• Tosse e/ ou angústia respiratória (dispneia): acontecem devido 
ao aumento da pressão atrial e venosa pulmonar, levando ao edema 
pulmonar e à compressão do brônquio principal;  
• Fraqueza, síncope e/ou intolerância a exercício: acontece por 
redução do volume sistólico ventricular esquerdo ou direito;  
• Ascite e/ou efusão pleural: secundário a insuficiência cardíaca 
congestiva direita;  
• Morte súbita: que ocorre após edema pulmonar agudo 
fulminante ou fibrilação ventricular. Com isso, as principais queixas do 
proprietário são diminuição da capacidade de exercício, tosse e 
taquipneia ao esforço. 
À medida que a congestão e o edema pulmonar pioram, a 
frequência respiratória em repouso também aumenta. Nos casos mais 
graves, os animais ficam geralmente ansiosos, não conseguem deitar 
para dormir, recusando-se a ficar em decúbito lateral e preferindo a 
posição esternal (posição ortopneica). A tosse acontece principalmente 
à noite e pela manhã, assim como quando o animal se agita ou durante 
o exercício. O edema pulmonar grave provoca angústia respiratória e 
tosse, geralmente produtiva, podendo manifestar-se de forma gradual 
ou súbita. Também é comum a manifestação de sintomas relacionados 
com o edema pulmonar, intercalados com períodos de insuficiência 
cardíaca compensada, o que pode acontecer por meses ou até mesmo 
anos. 
Episódios de fraqueza transitória ou síncope podem ocorrer 
secundariamente à presença de arritmias, tosse excessiva, redução do 
volume sistólico direito ou esquerdo, hipertensão arterial pulmonar ou 
esgarçamento atrial. Manifestações clínicas de regurgitação 
tricúspide, muitas vezes subestimados por aqueles da regurgitação 
mitral, incluem ascite, efusão pleural com esforço respiratório 
associado e, raramente, edema tecidual periférico. Sinais de doença 
gastrintestinal podem acompanhar a congestão mesentérica. 
 
EXAMES COMPLEMENTARES  
Radiografia de tórax  
As radiografias torácicas podem indicar alguns graus de 
aumento atrial e ventricular, que progridem em meses ou anos. Porém, 
a habilidade de avaliar o aumento de câmara cardíaca pela 
radiografia de forma precisa é provavelmente superestimada. 
Variações no tamanho e formato do coração podem acontecer por 
fatores técnicos, posicionamento e conformação racial, e não apenas 
por aumento causado por doenças cardíacas.  
As radiografias torácicas são o indicador clínico mais sensível da 
hemodinâmica pulmonar. Com o aumento da pressão venosa 
pulmonar, as veias pulmonares distendem-se, tornandose mais 
evidentes centralmente e nos campos pulmonares periféricos. Com a 
evolução, há o desenvolvimento de edema pulmonar, primeiramente 
intersticial e, posteriormente, alveolar. A distribuição radiográfica do 
edema pulmonar cardiogênico é classicamente hilar, dorsocaudal e 
bilateralmente simétrico; porém, uma distribuição assimétrica pode ser 
vista em alguns cães (Figura 2). A presença e gravidade do edema 
pulmonar não se correlacionam, necessariamente, ao grau de 
cardiomegalia. 
 
 
Figura 2: imagem radiográfica de paciente apresentando edema pulmonar de origem 
cardiogênica, antes (A e B) e após o tratamento (C e D). Notar acentuado aumento da silhueta 
cardíaca esquerda e direita, sendo mais evidente em topografia de átrio esquerdo, átrio direito 
e ventrículo direito com deslocamento dorsal da traqueia e compressão do segmento terminal 
traqueal. Nas imagens A e B, os campos pulmonares apresentam padrão radiográfico 
intersticial focal, mais evidente em lobo pulmonar caudal direito e esquerda. Foto gentilmente 
cedida pela Dr.a Ariane Marques Mazini, diretora de publicidade da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia Veterinária. 
 
Os achados pulmonares podem ser inconclusivos, pois alterações radiográficas 
iniciais de edema pulmonar intersticial e o padrão radiográfico brônquico de 
doença crônica respiratória podem ser semelhantes. A tendência é de se 
diagnosticar um maior número de casos de edema pulmonar de origem 
cardiogênica. Portanto, é importante ter uma série de radiografias, se possível, e 
avaliar a presença de outras evidências de insuficiência cardíaca esquerda, como 
por exemplo, distensão venosa pulmonar, antes de dar o diagnóstico definitivo. 
Eletrocardiograma  
O traçado eletrocardiográfico em cães com doença cardíaca 
pode ser normal; porém, pode denotar aumento de câmaras cardíacas, 
principalmente atrial e ventricular esquerdas. Na IC direita, pode haver 
sinais de aumento atrial direito, ventricular direito e desvio do eixo 
 
elétrico cardíaco para a direita. Nos casos de doença cardíaca 
avançada, pode-se observar a presença de arritmias, pelo estiramento 
das câmaras e