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multirresistentes deve ser feita de 
acordo com orientações da CCIH. Essa prática está muito bem validada em situações en-
volvendo transferência de RN de outros serviços, cuja flora é desconhecida. Nesse caso, 
sobretudo envolvendo RN de maior risco, com longo tempo de permanência na unidade, 
em uso de ventilação mecânica, submetidos a procedimentos invasivos ou em uso prolon-
gado de antibióticos, a pesquisa de colonização é fundamental para estabelecer medidas 
de contenção bacteriana. Uma vez detectada a presença de bactérias multirresistentes, 
devem-se seguir as orientações de precauções de contato (isolamento) preestabelecidas 
pela CCIH. Pode-se usar a incubadora para limitar o espaço físico do RN e luvas de proce-
dimento para a manipulação em geral. O uso de aventais de manga longa está indicado 
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nas situações em que o profissional de saúde possa ter contato mais direto com a criança, 
como exemplo, pegá-la no colo.
Além das estratégias para redução de transmissão cruzada de micro-
-organismos, o uso racional de antibióticos é de fundamental importância 
para o controle de bactérias multirresistentes.14
5.8 Prevenção e controle de surtos em UTI neonatal
Surto (ou epidemia) é definido como o aumento do número de casos de uma doença, ou sín-
drome clínica, em uma mesma população específica e em um determinado período de tempo.15
No caso das IHs, quando o número de casos excede o esperado na curva endêmica, ou 
quando ocorrem casos de infecção por um novo agente infeccioso, pode-se estar diante 
de um surto hospitalar.
Para suspeitar e diagnosticar um surto é preciso conhecer as taxas basais de 
infecção pelo agente etiológico em questão da unidade.
Vale a pena ressaltar que infecções provocadas por novos agentes para a unidade podem 
ser consideradas um surto, mesmo que sejam apenas dois casos.
O nível endêmico de uma determinada doença ou agente infeccioso em uma população 
específica, como por exemplo, na unidade neonatal, é o número de casos que já existem 
e suas variações são esperadas. Para inferir que se está diante de um surto é necessário co-
nhecer as taxas históricas. Pseudossurtos correspondem ao aumento do número de casos 
de infecção devido à melhora na notificação, contaminação no laboratório etc.
5.8.1 Investigação de surtos
O objetivo da investigação de surtos é evitar o surgimento de novos casos instituindo medi-
das de bloqueio para o seu controle. Os seguintes passos são fundamentais na investigação 
e no manejo de surto hospitalar nas unidades neonatais.1
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Prevenção da Infecção Hospitalar 5 Capítulo
Passos para investigar um surto de IH:
•	Definir caso.
•	Revisar a literatura.
•	 Implantar medidas de controle.
•	Montar tabela com todos os fatores comuns aos RNs envolvidos.
•	Desenhar curva epidêmica com o provável 
caso índice e os casos secundários.
•	Comparar dados e formular hipóteses sobre a 
provável fonte causadora do surto.
•	Provar ou conhecer estatisticamente a hipótese, 
por meio de estudo de caso controle.
•	Manter vigilância nas áreas envolvidas para documentar o término do surto.
•	Fazer relatório descritivo do surto e das medidas de controle 
estabelecidas, e distribuir às chefias de unidades e à diretoria.
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Referências
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associated bloodstream infections in patients in neonatal intensive care units. 
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Control. Hosp. Epidemiol., Thorofare, New Jersey, U. S., v. 25, n° 9, p. 772-777, 2004. 
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<http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP[22026-2-0]>. Acesso em: 20 out. 2010. 
7. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 930, de 10 de maio de 2012. Define as diretrizes 
e objetivos para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido grave 
ou potencialmente grave e os critérios de classificação e habilitação de leitos de Unidade 
Neonatal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: < http://bvsms.saude.
gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt0930_10_05_2012.html>. Acesso em: 22 nov. 2012.
8. BENJAMIN, D. K.; MILLER, W.; GARGES, H. Bacteremia, central catheter, and neonates: 
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9. RICHTMANN, R. Cadeia Epidemiológica da Infecção Neonatal. In: DIAGNÓSTICO e 
prevenção de infecção hospitalar em neonatologia. São Paulo, APECIH, 2002. p. 20-28. 
10. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guideline for hand hygiene in health-care 
settings. Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), Atlanta, v. 51, n° RR16, p. 1-56, 2002. 
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by successful hand hygiene promotion. Pediatrics, [S.l.], v. 120, n° 2, p. 382-390, 2007. 
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catheter-related infections. Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), Atlanta, v. 51, n° RR10, 2002. 
Available at: <http:// www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/rr5110a1.htm>. Access on: 28 Out. 2010. 
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Prevenção da Infecção Hospitalar 5 Capítulo
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(Org.). Infecção associada ao uso de cateteres vasculares. 3. ed. São Paulo: APECIH, 2005. 
14. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guideline for prevention of nosocomial 
pneumonia. Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), Atlanta, v. 46, p. 1-80, 1997.
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bacteria in a unit after institution of educational measures and restriction in the use of 
cephalosporins. Am. j. infect. control., Saint Louis, Mo., v. 29, p. 133-138, 2001. 
16. HAAS, J. P.; TREZZA, L. A. Outbreak investigation in a neonatal intensive care 
unit. Seminars Perinatol., New York, v. 26, n° 5, p. 367-378, 2002.
17. BRASIL. Ministério da Saúde; Anvisa. Pediatria: prevenção e controle de infecção hospitalar. Brasília, 2006.
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Aleitamento Materno 6 Capítulo
Aleitamento
Materno 6
Amamentar é muito mais do que alimentar. Além de nutrir, a amamentação promove o 
vínculo afetivo entre mãe e filho e tem repercussões na habilidade da criança de se de-
fender de infecções, em sua fisiologia e em seu desenvolvimento cognitivo e emocional, e 
também na saúde física e psíquica da mãe.
Apesar de todas as evidências científicas provarem a superioridade do aleitamento materno 
(AM) sobre outras formas de alimentar a criança pequena, a maioria das crianças brasileiras 
não é amamentada por