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Tributário - responsabilidade

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um conjunto de bens, direitos e obrigações, e, por isso, o sucessor não recebe apenas os bônus (bens e direitos), mas também recebe os ônus (obrigações), onde se encontram as multas, que fazem parte do patrimônio.
O STJ assim se manifestou sobre o tema: “Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. 
A responsabilidade na fusão, incorporação, transformação, cisão e extinção de pessoas jurídicas:
“Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.”
· Resta clara a regra de que deve ser atribuída responsabilidade à pessoa jurídica de direito privado resultante de alterações.
“Ocorre fusão quando se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações, inclusive as de natureza tributária.
Assim, quando as empresas Antarctica e Brahma resolveram criar a AmBev, aquelas deixaram de existir como sujeitos de direitos e obrigações, sendo nesses aspectos sucedidas por esta. Todos os tributos devidos pela Antarctica e pela Brahma (contribuintes) na data da fusão (1º de julho de 1999) passaram a ser de responsabilidade da AmBev. A partir de tal data, a AmBev passou a ser contribuinte com relação às novas obrigações tributárias surgidas.
Se a Brahma houvesse absorvido a Antarctica (imagine-se que a Brahma houvesse ‘comprado’ a Antarctica), ter-se-ia uma incorporação. Nesta situação, a Brahma continuaria existindo como sujeito de direitos e obrigações, sendo, ainda, contribuinte dos seus tributos. Já a Antarctica deixaria de existir como pessoa jurídica e seus tributos passariam a ter como sujeito passivo a Brahma, na condição de responsável.
O legislador do CTN, novamente mostrando profundo desapego à definição técnica dos institutos jurídicos, também citou a transformação como geradora de sucessão tributária. Segundo a definição legal de transformação, esta ocorre quando a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro (Lei 6.404/1976, art. 220).
A título de exemplo, imagine-se que uma empresa por quotas de responsabilidade limitada (Ltda.) transforme-se numa sociedade por ações (S.A.). Nesta situação a empresa não se extingue como sujeito de direitos e obrigações, continuando como contribuinte dos seus respectivos tributos.
Entretanto, sob a ótica do CTN, a sociedade resultante da transformação – no exemplo citado, a S.A. – passa a ser responsável pelos tributos pela sociedade transformada – a Ltda. É assim que o fenômeno deve ser encarado em provas de concursos públicos.”
· Em razão da omissão do CTN, alguns juristas defendem a idéia de que na cisão não se pode responsabilizar a sociedade recipiente do patrimônio da sociedade cindida, pois a atribuição de responsabilidade tributária depende de expressa previsão legal, estando impedida a extensão na via interpretativa. Porém, forte corrente doutrinária entende que o art. 233 da Lei sob nº. 6.404/76 estabelece a responsabilidade solidária entre:
a) a própria sociedade cindida que continuar a existir (cisão parcial) e as sociedades que receberem seu patrimônio;
b) as sociedades que receberem o patrimônio da sociedade cindida, quando esta deixar de existir (cisão total).
Em resumo, o entendimento da sucessão tributária nos casos de cisão é controverso, inexistindo um posicionamento unânime.
· Quanto aos casos de responsabilidade por sucessão nos casos de extinção da sociedade somente subsistirá responsabilidade caso algum dos sócios remanescentes (ou seu espólio) continue a exploração da mesma atividade a que se dedicava a sociedade extinta.
A responsabilidade do adquirente de fundo de comércio ou estabelecimento:
“Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:
I – integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade;
II – subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.”
O raciocínio do legislador é bem fácil de ser compreendido. Se a empresa que alienou o fundo de comércio ou estabelecimento cessou a exploração do comércio, indústria ou atividade, seria muito difícil para o Fisco dela buscar o pagamento dos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento alienado. A manifestação de riqueza passa a ser exclusiva da adquirente, que responde integralmente pelos citados tributos. Quando a alienante continua a exploração de atividade econômica, ainda é possível cobrar-lhe os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento alienado – sendo esta, inclusive, a solução mais justa. Somente se for infrutífera a cobrança realizada à alienante (contribuinte), é que o Fisco pode redirecionar sua pretensão contra a adquirente, sempre na busca de captar a manifestação de riqueza. 
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS
· Matriz legal: arts. 134 e 135 Em ambos os casos os “terceiros” falharam no cumprimento de um dever legal de gestão ou vigilância do patrimônio contribuinte e por isso deverão responder pelos débitos tributários destes.
· Nos art. 134 os “terceiros” responsáveis atuaram regularmente, sem agressão à lei, ao contrato social ou aos estatutos.
· Nos art. 135 os “terceiros” responsáveis atuaram de forma irregular, com agressão à lei, ao contrato social ou aos estatutos. 
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS DECORRENTES DE ATUAÇÃO REGULAR (ART. 134):
“Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:
I – os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;
II – os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados;
III – os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;
IV – o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;
V – o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário;
VI – os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício;
VII – os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidade, às de caráter moratório.”
· A análise de referido dispositivo legal esclarece que a atribuição de responsabilidade aos “terceiros” elencados em seus incisos dependerá da ocorrência das seguintes situações:
· impossibilidade do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, e
· ação ou indevida omissão imputável à pessoa designada como responsável.
 “Neste ponto, fica patente mais uma imprecisão terminológica do CTN. Ora, se uma das características da solidariedade é justamente a inexistência do benefício de ordem, não se pode designar ‘solidária’ uma responsabilidade que depende da impossibilidade da exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. Seguindo a linha do Código, a Administração Tributária deve inicialmente voltar sua pretensão executória contra a pessoa legalmente