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Tributário - responsabilidade

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intenção do agente, acabou por permitir sua punição independentemente da perquirição da presença de elementos subjetivos (dolo ou culpa) na conduta. Assim, se o sujeito passivo da obrigação acessória de entregar declaração de imposto de renda das pessoas físicas, até o último dia do mês de abril, não a cumprir, será punido com a respectiva multa. Não haverá relevância na alegação, por exemplo, de que o sujeito estava doente, viajando, ou que contratou um contador para elaborar a declaração e este não cumpriu a avença. Infringida a legislação a punição se impõe.” 
· Também deve ser mencionado que a legislação tributária pode estabelecer a possibilidade de majoração do percentual da multa a ser aplicada em um determinado caso concreto, caso determinadas situações ocorram, por exemplo:
· Lei Federal sob nº. 9.430/96 que em seu art. 44, I, prevê a multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
· Já o seu § 1º estabelece que a multa será duplicada (agravada para 150%), nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei Federal sob nº. 4.502/64 (sonegação, fraude e conluio), independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
“Assim, se em sua declaração de imposto de renda o contribuinte pessoa física declarou como despesas com educação o gasto com um cursinho preparatório para concurso público porque pensava que tal despesa era dedutível, ele será punido com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de pagar, em virtude da inexatidão da declaração. Caso o contribuinte, visando a reduzir o imposto devido, declare como dependentes filhos fictícios, a multa será de 150%, agravada em virtude da prática de ato definido como sonegação fiscal (art. 71, II, da Lei 4.502/64). Perceba-se que a responsabilidade não deixou, a rigor, de ser objetiva, visto que, havendo ou não dolo, o contribuinte será punido. Entretanto, a presença do intuito fraudulento, caso comprovada, resulta no agravamento da punição aplicada.
Relembre-se, por oportuno, que, em se tratando de infração à legislação tributária, é aplicável a regra consubstanciada no brocardo in dúbio pro reo, de forma que, se houver dúvida sobre a caracterização de sonegação, fraude ou conluio, o contribuinte deve ser punido com a multa mais suave. A base é o já estudado art. 112, I, do CTN, que impõe a interpretação mais favorável em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato. Dessa forma, no primeiro exemplo citado (abatimento de despesa com cursinho), seria possível que o contribuinte efetivamente soubesse que a despesa não poderia ser deduzida e, com intuito fraudulento, a incluísse na declaração. Quando a autoridade fiscal estivesse a analisar a declaração e percebesse o erro, provavelmente ficaria em dúvida sobre a existência ou não de dolo e, por conseguinte, sobre a correta capitulação legal do fato (puramente no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 ou na gravosa combinação de tal inciso com o § 1º do mesmo dispositivo legal). Não havendo como dirimir a dúvida, impor-se-ia a solução mais benéfica para o contribuinte, qual seja a aplicação da menor multa, com a capitulação isolada no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96.” (Ricardo Alexandre, ob. cit., págs. 339 e 340)
A RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE:
 “Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente:
I – quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito;
II – quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar;
III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico:
a) das pessoas referidas no art. 134, contra aquelas por quem respondem;
b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores;
c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas.”
· Conforme já dito, a regra básica sobre responsabilidade por infrações é no sentido de que as sanções aplicáveis no ilícito tributário devem recair pessoalmente ao infrator, ou seja, devem atingir exclusivamente quem agrediu o sistema jurídico. Sabe-se que os atos praticados pelas pessoas jurídicas são exteriorizados através de pessoas físicas (sócios, administradores, gerentes, diretores, prepostos, empregados e etc...).
· A fim de não haver dúvidas sobre quem deve sentir a punição nos casos de violação por pessoa jurídica, em direito tributário se estabelece que a regra é punir a própria pessoa jurídica pelos ilícitos que venha a cometer, assim, a multa é aplicada contra a pessoa jurídica e não contra o agente (pessoa física) que concretizou, no mundo dos fatos, o ilícito.
“Há casos, no entanto, em que o ordenamento jurídico entrevê a necessidade de que o ato punitivo recaia pessoalmente sobre o agente responsável”. É nesse sentido que o art. 137 do CTN trata das excepcionais hipóteses de responsabilidade pessoal do agente.
O dispositivo enumera situações em que a própria pessoa jurídica sobre os danos causados pela condenável ação daquele que atua em seu nome, de forma que a punição deve ser imposta ao próprio agente, permanecendo a pessoa jurídica na condição de sujeito passivo do tributo, mas não da multa.” 
· Nos casos do inciso I: infrações mais sérias, pois além de violações a legislação tributária se traduz em violações a legislação penal (crimes e contravenções). A regra é a punição das pessoas físicas (agentes) e não das entidades em nomes das quais atuam. Ressalva: quando o agente praticar o crime ou contravenção no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito.
“Ora, é muito difícil imaginar, por exemplo, um cargo ou emprego que tenha entre suas funções regulares o cometimento de crimes ou contravenções. Novamente, é necessário um esforço interpretativo para entender o que quis afirmar o legislador.
As pessoas jurídicas possuem órgãos de deliberação que tomam as decisões mais importante sobre a atuação da entidade no mundo jurídico. Quando o órgão diretivo delibera, os órgãos de execução são incumbidos de transformar em atos concretos as decisões tomadas. Nessa situação, o agente (administrador, mandatário, empregado, etc.) é simplesmente um braço executório da vontade de outrem, atuando em exercício regular de administração, mandato, emprego, etc., devendo a responsabilidade pela infração à legislação tributária porventura cometida recair sobre a própria pessoa jurídica. Entretanto, o agente será responsável se, por decisão própria, resolver praticar o ilícito, caso em que não estará no exercício regular de suas atribuições.”
· Nos casos do inciso II: para se definir um ilícito, mostra-se necessária a análise de três elementos (elementares), a saber: objetivo (formal), o subjetivo e o normativo (valorativo). Praticamente não tem aplicação prática, pois o “CTN quis afirmar que a presença, na própria definição do delito, de uma finalidade especial impõe a punição pessoal de quem o pratica.
· Nos casos do inciso III: aplica-se contra aqueles que agem com o objetivo específico de prejudicar pessoas cujos interesses deveriam defender.
Assim, o normal é que a empresa seja responsável pelos ilícitos praticados pelos seus empregados. Caso se verifique, contudo, que o empregado praticou determinada infração tributária com a finalidade especial (dolo específico) de prejudicar a empresa, a penalidade tributária recairá sobre aquele e não sobre esta. 
A DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÕES:
“Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.
Parágrafo