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Livro-Texto Unidade I

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um equívoco pensar no meio ambiente como apenas aquilo que provém da natureza. 
O meio ambiente natural é apenas uma das classificações em que se subdivide o meio ambiente, não 
podendo nos esquecer, jamais, das outras.
1.3. Globalização.
A globalização é um fenômeno que surgiu com o desenvolvimento econômico, apoiado na tecnologia. 
Trata-se de um processo de superação das fronteiras nacionais no desenvolvimento do comércio, que 
ao mesmo tempo possibilita e força a integração regional. Ela se baseia numa larga interdependência 
mundial da economia e da comunicação, formando uma sociedade única.
Esse fenômeno começou a surgir ao fim do regime comunista na antiga URSS, que separava o mundo 
em dois grandes blocos: o capitalista e o comunista. Juntamente com suas diferenças ideológicas, aqueles 
dois grandes blocos enfrentavam-se numa batalha que se denominou “Guerra Fria”, apoiada numa 
corrida armamentista, seguida por uma ameaça concreta de que qualquer uma das duas superpotências 
poderia destruir o mundo com suas armas nucleares. Aglutinados em alianças militares, o bloco liderado 
pelos EUA denominava-se OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), enquanto o bloco liderado 
pela URSS constituía o Pacto de Varsóvia.
A internet, a rede mundial de computadores, foi desenvolvida no meio da Guerra Fria, na 
década de 1960, quando o governo dos Estados Unidos encarregou o Pentágono de criar um 
sistema de troca de dados eficaz, ágil e à prova de sabotagens. Com o fim da Guerra Fria, e 
especialmente com a dissolução do bloco soviético em dezembro de 1991, a internet tornou-se 
de acesso público, mudando a face o planeta e reduzindo as distâncias e facilitando o surgimento 
do fenômeno em questão.
A principal consequência da globalização é a integração regional. Essa regionalização é construída 
a partir do momento em que os países geograficamente próximos estreitam seus laços econômicos, 
iniciando um processo de unificação de diversos critérios. Os processos de integração econômica 
regional têm se desenvolvido, normalmente, por etapas progressivas e distintas. Os principais objetivos 
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DIREITO INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE
desses processos de integração regional são a ampliação da resistência frente às barreiras aduaneiras, o 
fomento do intercâmbio tecnológico, a ampliação dos mercados, a maior facilidade de acesso a matérias 
primas e o maior poder de pressão na defesa de seus interesses nas negociações internacionais.
A construção desses blocos econômicos regionais se antepõe ao desafio proposto pela globalização, 
que avança sobre o planeta ignorando as fronteiras, conduzindo os Estados a uma situação de impotência 
e debilidade. A integração regional desses Estados faz com eles adquiram a força necessária para 
enfrentar as grandes potências econômicas (estatais e privadas).
A globalização, como fenômeno econômico que é, vai representar um importante papel na questão 
ambiental. Tanto é, que na Declaração de Johanesburgo, de 2002, restou consignada essa preocupação, 
como se vê no item 14:
A globalização adicionou uma nova dimensão a esses desafios. A rápida integração de mercados, a 
mobilidade do capital e os significativos aumentos nos fluxos de investimento mundo afora trouxeram 
novos desafios e oportunidades para a busca do desenvolvimento sustentável. Mas os benefícios e custos 
da globalização são distribuídos desigualmente, sendo que os países em desenvolvimento enfrentam 
especiais dificuldades para encarar esse desafio. 
1.4. A sociedade de risco como paradigma da gestão ambiental.
A evolução do modelo econômico iniciado com a Revolução Industrial, manifestado especialmente 
pela assunção do capitalismo como modelo vencedor, vai acarretar uma mudança de paradigma no 
modo como devemos observar a relação homem-natureza, no que se refere às atividades empresariais.
Não há dúvida de que a Revolução Industrial exerceu um papel importante na alteração da vida 
humana em todo o século XX e neste início de século XXI. Antes dessa revolução, não havia produção 
industrial em larga escala, sendo que a agricultura era a principal atividade econômica até o século XIX.
A Revolução Industrial veio alterar essa situação, na medida em promoveu retirou o homem do 
campo e o inseriu nos grandes centros urbanos que se formaram em torno das indústrias.
Mas do mesmo modo que esse processo de industrialização aumenta a força produtiva, ele 
permite um crescimento das potencialidades do homem. E quanto maior o potencial humano de gerar 
conhecimento, mais torna incerto o futuro. O aumento do desenvolvimento econômico, de forma 
acelerada e sem uma maior preocupação com fatores externos, vali levar a humanidade numa situação 
perigosa, colocando-a em risco.
A produção econômica da sociedade contemporânea tem por base a busca por inovações, que 
possibilitem o aumento da produção com um menor custo. Essas novas relações econômicas advindas 
daí estruturam-se sobre a busca da modernização de novas tecnologias. Assim, o desenvolvimento vai 
ser ditado pela rapidez com que essas novidades são apresentadas, e a própria sobrevivência da empresa, 
no modelo capitalista em que se funda o mercado, depende da sua adaptação a essas modernidades.
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Unidade I
O problema é que a velocidade dessas descobertas - que aumentam a produção e reduzem os custos 
- não são acompanhadas pelo conhecimento científico necessário para neutralizar seus efeitos. Muitas 
vezes, nem mesmo seus efeitos são conhecidos.
Muitos produtos são colocados no mercado sem que estudo conclusivo sobre seus efeitos tenha sido 
realizado. Basta lembrar, por exemplo, da Talidomida, medicamento utilizado como sedativo e que foi 
responsável pela deformidade de nascituros.
Tais circunstâncias vão caracterizar a sociedade contemporânea como uma sociedade de risco. A 
assunção do risco como elemento preponderante da organização social é o caminho a ser trilhado pelos 
principais instrumentos de interação social, inclusive o direito. É o risco, pois, o novo paradigma que as 
ciências sociais e jurídicas deverão utilizar no seu desenvolvimento.
Não há consenso sobre as origens da palavra “risco”, mas podemos observar duas vertentes. A primeira 
é que ela provém de um termo árabe, utilizado pelos espanhóis na época das grandes navegações, que 
significa correr para o perigo ou ir contra uma rocha. A segunda, é que ela seria derivada do latim risicu, 
que significa ousar, atuar perante a possibilidade de perigo.
Risco e perigo não são sinônimos, mas é evidente que eles se relacionam. Risco é a atitude que o ser 
humano adota diante do perigo ou da possibilidade de perigo; ele refere-se à tomada de consciência 
do perigo futuro e às opções que o ser humano faz ou tem diante dele. Assim, o risco deve estar 
diretamente relacionado com planejamento, estratégia e tomada de decisão.
A sociedade de risco é produto da evolução do modelo econômico surgido com a Revolução Industrial, 
baseado no capitalismo e no livre mercado, onde o incremento das técnicas de produção aumenta 
consideravelmente o perigo para a sociedade. A produção da riqueza é inexoravelmente acompanhada 
por um risco social.
Há um flagrante descompasso entre esse desenvolvimento científico industrial e o conhecimento 
das consequências de seu uso, que faz surgir a insegurança, a incerteza e que conduz o ser humano 
a ter de lidar com os riscos sob uma nova perspectiva, que será importante para a organização social, 
em todos os seus aspectos. Desta forma, o risco deixa de ser um dado periférico da organização social 
para transmutar-se