A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
ENDOCARDITE CAUSADA POR CANDIDA

Pré-visualização | Página 1 de 1

ENDOCARDITE CAUSADA POR CANDIDA 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, ANIBAL MESCUA CARDOSO, MEDICINA, 2020. 
 
 
FISIOPATOLOGIA 
As espécies mais frequentemente associadas à endocardite por Candida são: 
• Candida albicans 
• Candida parapsilosis 
• Candida tropicalis 
• Candida glabrata 
A infecção em valva protética pode ocorrer no período perioperatório ou tardiamente, durante um 
episódio de candidemia. A embolização arterial apresenta maior taxa de ocorrência em endocardite 
fúngica do que bacteriana. Os sítios de embolização mais comuns são a circulação cerebral, 
extremidades e o trato gastrintestinal. 
 
APRESENTAÇÃO CLÍNICA 
 
ANAMNESE E EXAME FÍSICO 
As manifestações clínicas da endocardite por Candida incluem sintomas e sinais do envolvimento 
cardíaco (dispneia, edema ou outros sinais de insuficiência cardíaca congestiva; dor torácica, sopros 
cardíacos), fenômenos embólicos geralmente envolvendo vasos cerebrais, extremidades e/ou no trato 
gastrintestinal, e sintomas sistêmicos de febre, sudorese noturna, mal-estar e perda ponderal. 
Os sinais clássicos da endocardite: 
• NÓDULOS DE OSLER - lesões nodulares violáceas, dolorosas, geralmente encontradas nas pontas 
dos dedos das mãos e dos pés; 
• SPOTS DE ROTH - manchas retinianas hemorrágicas, de aspecto esbranquiçado ou algodoado, 
constituídas por coleções perivasculares de linfócitos na camada nervosa da retina, circundadas 
por hemorragias; 
• LESÕES DE JANEWAY – lesões eritematosas ou hemorrágicas indolores nas regiões palmares e 
plantares. 
 
FATORES DE RISCO: Doenças valvares, valvas protéticas, uso de drogas endovenosas, cateteres 
venosos centrais, quimioterapia, endocardite bacteriana prévia, baixo peso ao nascer em neonatos. 
 
COMPLICAÇÕES: Endoftalmite, osteomielite vertebral, meningite. 
ABORDAGEM DIAGNÓSTICA 
Os critérios diagnósticos são semelhantes aos utilizados na endocardite bacteriana. As hemoculturas 
geralmente apresentam candidemia persistente e a ecocardiografia frequentemente revela vegetações 
valvares amplas. Embora a ecocardiografia transtorácica possa detectar as vegetações, a 
ecocardiografia transesofágica consiste em método diagnóstico mais sensível, especialmente em 
pacientes com endocardite por Candida em valva protética. O exame direto de vegetações ou êmbolos 
por histopatologia indicam estruturas leveduriformes e as culturas permitem a identificação da espécie 
e teste de susceptibilidade a antimicrobianos. 
 
ACOMPANHAMENTO 
INDICAÇÃO DE INTERNAÇÃO: Investigação diagnóstica e necessidade de tratamento endovenoso. 
INDICAÇÃO DE ALTA: Estabilidade clínica, hemodinâmica e laboratorial, em uso de antibioticoterapia 
adequada. 
 
ABORDAGEM TERAPÊUTICA 
A abordagem terapêutica envolve a combinação de terapia antimicrobiana com tratamento cirúrgico 
por substituição de valva, embora alguns estudos indicam que a mortalidade seria similar entre 
pacientes submetidos unicamente à antibioticoterapia e aqueles submetidos à cirurgia e 
antibioticoterapia. 
TRATAMENTO HOSPITALAR 
TERAPIA DE INDUÇÃO - VALVA NATIVA OU PROTÉTICA 
Opções: 
Anfotericina B Lipossomal 3-5 mg/kg/dia EV; OU 
Anfotericina B Deoxicolato 1 mg/kg/dia EV; OU 
Caspofungina 150 mg/dia EV; OU 
Micafungina 150 mg/dia EV; OU 
Anidulafungina 200 mg/dia EV. 
 
OBS.: Manter uma das opções acima até a estabilidade clínica e hemoculturas negativas, com 
seguimento com a terapia de consolidação. 
 
TERAPIA DE CONSOLIDAÇÃO - VALVA NATIVA OU PROTÉTICA 
Opções: 
Fluconazol 400-800 mg/dia (6-12 mg/kg) VO; OU 
Voriconazol 200-300 mg (3-4 mg/kg) VO de 12/12 horas; OU 
Posaconazol (cápsulas de liberação prolongada) 300 mg/dia VO. 
 
TEMPO DE TRATAMENTO - VALVA NATIVA: > 6 semanas após troca da valva. Para pacientes sem 
possibilidade de substituição de valva, deve-se utilizar azol oral por longa data (Ex.: 6-12 meses). 
TEMPO DE TRATAMENTO - VALVA PROTÉTICA: Recomenda-se a troca da valva e deve-se utilizar azol 
oral por longa data (Ex.: 6-12 meses) para todos os pacientes. 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ARNOLD CJ, Johnson M, Bayer AS, et al. Candida infective endocarditis: an observational cohort study 
with a focus on therapy. Antimicrob Agents Chemother 2015;59:2365. 
LEFORT A, Chartier L, Sendid B, et al. Diagnosis, management and outcome of Candida endocarditis. 
Clin Microbiol Infect 2012;18:E99. 
PASHA AK, Lee JZ, Low SW, et al. Fungal Endocarditis: Update on Diagnosis and Management. Am J 
Med 2016;129:1037. 
PAPPAS PG, Kauffman CA, Andes DR, et al. Clinical Practice Guideline for the Management of 
Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis 2016;62:e1. 
RIVOISY C, Vena A, Schaeffer L, et al. Prosthetic Valve Candida spp. Endocarditis: New Insights Into 
Long-term Prognosis-The ESCAPE Study. Clin Infect Dis 2018;66:825.