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Doença de Chron_aluno

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ESTUDO DE CASO
FSD, sexo feminino, 21 anos, estudante, foi encaminhada para o ambulatório do
hospital das clínicas com queixa de diarreia e perda de peso. A paciente tem
diagnóstico de Doença de Crohn há 1 mês. Relata que atualmente, refere
evacuações semilíquidas, cerca de 4 episódios ao dia, com muco e sem sangue,
acompanhadas de dor abdominal; fezes de coloração e odor característicos.
Na avaliação antropométrica apresentou os seguintes dados: peso atual- 49,5
Kg; peso habitual – 55 Kg; altura – 1,65m; PCT – 4 mm; PCB – 5 mm; PCSE –
10 mm; PCSI – 15 mm; CB – 22 cm.
a) Faça avaliação nutricional e calcule as necessidades energéticas.
b) Qual a conduta nutricional e a melhor forma de alimentação desta
paciente?
1º PASSO
• Grifar as palavras chaves, ou seja, as palavras que são importantes para
resolvermos o que se pede:
FSD, sexo feminino, 21 anos, estudante, foi encaminhada para o ambulatório do
hospital das clínicas com queixa de diarreia e perda de peso. A paciente tem
diagnóstico de Doença de Crohn há 1 mês. Relata que atualmente, refere
evacuações semilíquidas, cerca de 4 episódios ao dia, com muco e sem sangue,
acompanhadas de dor abdominal; fezes de coloração e odor característicos.
Na avaliação antropométrica apresentou os seguintes dados: peso atual- 49,5
Kg; peso habitual – 55 Kg; altura – 1,65m; PCT – 4 mm; PCB – 5 mm; PCSE –
10 mm; PCSI – 15 mm; CB – 22 cm.
O QUE NOS CHAMOU A ATENÇÃO?
• Em relação à doença:
• Queixa de diarreia e perda de peso;
• Diagnóstico de Doença de Crohn há 1 mês;
• Evacuações semilíquidas, cerca de 4 episódios ao dia, com muco e
sem sangue, acompanhadas de dor abdominal;
• Fezes de coloração e odor característicos.
• Em relação aos dados antropométricos:
• Peso atual- 49,5 Kg; peso habitual – 55 Kg
• Perda de peso de 5,5kg
2º PASSO
Relembrar as características da doença de Chron e como podemos auxiliar a
paciente na melhora dos sintomas.
O que é?
Quais as 
características?
Quais as 
orientações?
Quais os 
sintomas?
DOENÇA DE CHRON (DC)
DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL (DII)
• Corresponde a qualquer processo inflamatório crônico que tem como característica o
surgimento do processo inflamatório no sistema digestório, principalmente os intestinos
(delgado e grosso), em que 80 a 90% dos casos englobam a Retocolite Ulcerativa (RCU) e a
Doença de Crohn (DC);
• Os sintomas gastrointestinais típicos das DII´s incluem diarreia, sangue nas fezes, cólicas
abdominais entre outros. Em alguns pacientes podem apresentar, além dos sintomas
gastrointestinais, manifestações extraintestinais (MEI). Os órgãos mais afetados pelas MEI são
a pele, articulações, olhos e o fígado;
• A DII pode acometer indivíduos de ambos os sexos em qualquer faixa etária, porém incide
predominantemente entre os 20 e 40 anos de idade, com pico de incidência da doença por
volta dos 30 ou 40 anos; 10 a 25% dos pacientes têm o diagnóstico na infância ou na
adolescência;
• Os fatores de risco para DII incluem fatores genéticos e os ambientais, como tipo de dieta
(rica em carboidratos e pobre em frutas), uso de anticoncepcionais, antiinflamatórios não
esteroidais (AINE) e ocorrência de infecções prévias (Paramyxovirus, Mycobacterium avium
paratuberculosis e Escherichia coli).
RETOCOLITE ULCERATIVA (RCU)
• É uma doença sem causa definida, caracterizada por episódios
recorrentes de inflamação que acomete predominantemente a camada
mucosa (mais superficial) do cólon (intestino grosso) e do reto, em geral de
forma contínua;
• Muitos pacientes permanecem em remissão por longos períodos, mas a
probabilidade de ausência de recidiva por 2 anos é de apenas 20%. As
recidivas geralmente ocorrem na mesma região do cólon das outras
agudizações;
• A doença pode iniciar em qualquer idade, sendo homens e mulheres
igualmente afetados. O pico de incidência parece ocorrer dos 20 aos 40
anos e muitos estudos mostram um segundo pico de incidência nos idosos.
DOENÇA DE CRONH (DC)
• É uma doença inflamatória intestinal de origem desconhecida, caracterizada pelo
acometimento segmentar, assimétrico (áreas sadias entremeadas por porções
acometidas pela doença) e transmural (atinge todas as camadas) de qualquer porção
do tubo digestivo, da boca ao ânus;
• Foi descrita pela 1ª vez em 1932 por Crohn et al.;
• Apresenta-se sob três formas principais: inflamatória, fistulosa e fibroestenosante;
• Os segmentos do tubo digestivo mais acometidos são íleo, cólon e região perianal;
• Além das manifestações no sistema digestório, a DC pode ter manifestações
extraintestinais, sendo as mais frequentes as oftalmológicas, dermatológicas e
reumatológicas (olhos, pele e articulações);
• A DC tem início mais frequentemente na segunda e terceira décadas de vida, mas pode
afetar indivíduos de qualquer faixa etária;
• Sua história natural é marcada por ativações e remissões (períodos de crise e períodos
de ausência dos sintomas);
• Apesar de não ter cura, pode ser controlada por medicamentos e cuidados que ajudam
o paciente a voltar a ter uma vida saudável.
TIPOS
• DC leve – pacientes ambulatoriais, capazes de tolerar alimentação via oral,
sem manifestações de desidratação, toxicidade, desconforto abdominal,
massa dolorosa, obstrução ou perda maior que 10% do peso.
• DC moderada – pacientes que falharam em responder ao tratamento ou
aqueles com sintomas mais proeminentes de febre, perda de peso, dor
abdominal, náuseas ou vômitos intermitentes (sem achados de obstrução
intestinal) ou anemia significativa.
• DC grave – pacientes com sintomas persistentes a despeito da introdução de
corticosteroide ou indivíduos que apresentam febre, vômitos persistentes,
evidências de obstrução intestinal, sinais de irritação peritoneal, caquexia ou
evidências de abscesso.
CAUSAS
• Podem ser desencadeadas por uma interação entre predisposição genética,
fator ambiental e bactérias intestinais. Mas nenhum desses fatores sozinho, ou
mesmo stress, ou alguma comida, provocam o surgimento das doenças;
• O sistema imunológico responde exacerbadamente atacando o próprio
tecido e causando inflamação.
SINTOMAS
• Os sintomas apresentados pelos pacientes com RCU e DC são semelhantes:
• As principais manifestações da RCU: diarreia e perda de sangue nas fezes;
• A perda crônica de sangue pode resultar em anemia ferropriva de intensidade
considerável, que pode contribuir para a fraqueza que alguns pacientes apresentam.
• Outro mecanismo relevante de anemia, específico para os pacientes em tratamento com
sulfassalazina, é a carência de ácido fólico, que decorre do prejuízo que essa droga
acarreta à absorção desse nutriente.
• Nos casos em que há comprometimento mais intenso de extensão maior do intestino
grosso, a liberação de mediadores da resposta inflamatória pode produzir febre e
contribuir para a sensação de fraqueza.
• As principais manifestações da DC quando acomete o intestino grosso:
são muito semelhantes aos que ocorrem na RCU.
• As principais manifestações da DC quando acomete o intestino delgado:
• Diarreia e dor abdominal, com perda de peso e anemia e em casos com
comprometimento do íleo mais distal há má absorção de sais biliares predispondo o
paciente à coletíase. Eventualmente, a má absorção de vitamina B12, no íleo
comprometido ou ressecado, pode gerar anemia megaloblástica.
• Dor abdominal, localizada no quadrante inferior direito do abdome e de duração mais
constante, , cólicas abdominais;
• Anorexia e náuseas podem acarretar diminuição acentuada da ingestão de alimentos,
ocasionando perda de peso, bem como carência de vitaminas e microelementos.
SINTOMAS
DIAGNÓSTICO
• Baseia-se em um conjunto de dados de ordem clínica, laboratorial,
radiológica, endoscópica e histopatológica, o que se aplica tanto à RCU
quanto à DC:
• Os exames laboratoriais podem estar normais ou apenas discretamente alterados, o que
acontece, sobretudo, nos casos leves. O hemograma pode revelar anemia hipocrômica
microcítica, leucocitose de grau não muito acentuado e

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