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APOSTILA - DIREITO EMPRESARIAL III (1)

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TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITOS
1. NOÇÕES DE CRÉDITO
A palavra crédito, etmologicamente, vem do latim creditum, credere (confiança, crença), pois importa em ato de fé do credor que acredita na promessa de pagamento que lhe faz o devedor. Caracteriza a realização de uma prestação presente, executada pelo credor, tendo por contrapartida a promessa de realização de uma prestação futura, a ser satisfeita pelo devedor. 
Assim, crédito pode ser definido como: “operação mediante a qual alguém efetua uma prestação presente, contra uma promessa de uma prestação futura...” Trata-se de uma síntese perfeita de troca de bens presentes por bens futuros.
Do conceito econômico de crédito decorrem os seguintes elementos: confiança (entrega da mercadoria ou dinheiro e a crença do pagamento e o tempo (o intervalo entre a prestação – mercadoria ou dinheiro – realizada pelo credor e aquele a ser desempenhada pelo devedor). 
A superação daquele vínculo estático, estanque, imóvel, entre credor e devedor, permitiu que o crédito, correspondente àquele vínculo, pudesse ser transposto para um documento, fazendo com que esse documento pudesse ser objeto de transações, de negócios, de transferência autônoma de direitos, desprendendo-se daquela relação entre credor e devedor. Surgiram então os títulos de créditos. Quando o direito que resulta da operação de crédito estiver contido num documento físico ou eletrônico, sem o qual ele não pode ser exercido, onde o documento é essencial ou indispensável à existência e a exigibilidade autônoma do direito, defronta-se então com o título de crédito.
2. ORIGEM
Originalmente, adotou-se como instrumento de trocas os produtos de uso comum, como gado e sal. Posteriormente, surgi a fase financeira e com ela a moeda-papel. Assim, a economia que antes era de economia natural passa-se para a fase monetária. 
Finalmente da economia monetária chegou-se à economia creditória, ampliando-se, como se vê, o conceito de troca. Muitos afirmam, que a economia moderna é a economia creditória. Com surgimento dos títulos de credito o dinheiro em espécie é substituído. Os títulos de credito desempenham uma extraordinária função econômica, proporcionando uma aplicação fácil ao capital particular.
Os títulos de crédito tiveram sua origem na Idade Média, provavelmente no século XIII, surgindo com a exigência de um documento para firmar acordos financeiros. Com as feiras de mercadores existentes neste período, foi necessário ter uma forma de trocar os vários tipos de moeda que circulavam, além de que na época os assaltos eram freqüentes. Havia dois tipos de câmbio, o manual e o trajetício.
A partir do século XV, os títulos de crédito foram evoluindo em diferentes lugares da Europa, buscando satisfazer os interesses dos comerciantes da época. Em Roma, não tinha documento que provasse a existência dos títulos de crédito, mas, no chamado período italiano (até 1673), o comércio funcionava com base na confiança, ou seja, usava-se do câmbio trajetício apenas para trocar documento por moeda. Já no período francês (1673 a 1848), os títulos de crédito passam a ser instrumento de pagamento, nessa época surge o endosso, e não podiam ser abstratos, teriam que apresentar causa específica e provisão de fundos, ou seja, apenas com saldo disponível o título seria pago. 
No período alemão (1848 a 1930) surgiu o título de crédito propriamente dito. Nessa época, o título se tornou abstrato, não tinha causalidade e nem exigência de fundos, mas existia o aceite, dado pelo sacador, atribuindo responsabilidade de pagamento ao sacado. Começou, assim, o processo de conceituação dos títulos de crédito, além de conferências para elaborar uma legislação uniforme, realizadas na cidade de Haia, Suíça.
A uniformização das leis dos títulos de crédito aconteceu no período moderno (1930), nesta fase, os países se reuniram para criar uma legislação única, que foi denominada Lei Uniforme de Genebra. O Brasil incorporou esta lei apenas em 1966, através do Decreto 57.663/66, sendo que antes a nossa lei era pelo Decreto 2.044/1908.
3. CONCEITO DE TÍTULO DE CREDITO
O conceito que melhor define título de crédito é de Cesare Vivante: “Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado. A conceituação de Vivante é aceita pela unanimidade da doutrina comercialista e sintetizadora dos principais elementos da matéria cambial. 
Tal definição foi adotada pelo Código Civil de 2002 no seu art. 887: “O título de credito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeitos quando preencha os requisitos da lei”
O título de crédito consiste num documento que corporifica um crédito, que se materializa num documento e vale por aquilo que esta nele escrito, e que, ao mesmo tempo, é autônomo frente a relação jurídica originária, contando com uma série de obrigações juridicamente destacadas que vão sendo assumidas nos títulos de crédito independente das outras. 
Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigação pecuniárias. Não se confundem com a própria obrigação mas se distinguem dela na exata medida em que a representam.
Uma obrigação pode ser representada por diferentes instrumentos jurídicos. Se uma pessoa agindo com culpa, provoca, com seu automóvel, danos em bens de propriedade alheia, deste ato ilícito surgirá a obrigação no sentido de indenizar os prejuízos decorrentes. Se o devedor credor estiver de acordo quanto a existência da obrigação e também quanto ao valor da indenização esta pode ser representada por um título de crédito. Se não concordam com a existência da obrigação ou seu valor somente outro título poderá documentar a obrigação: título judicial.
As obrigações representadas em um título de crédito ou tem origem extracambial, como no exemplo acima, ou de um contrato de compra e venda, ou de mútuo etc., ou tem origem exclusivamente cambial, como na obrigação do avalista.
Um credor que possui um título de crédito tem a seu favor uma negociação mais fácil do credito decorrente da obrigação representada (negocialidade); de outro lado a cobrança judicial de um crédito documento por este tipo de instrumento é mais eficiente e célere (executividade). 
Os títulos de crédito são definidos em lei como títulos executivos extrajudiciais (CPC, art. 585,I), possibilitando a execução imediata do valor. 
Assim, o documento que preencha os requisitos da lei, do próprio código civil, ou de leis anteriores que já dispunham sobre a matéria de títulos de crédito, como a LEI DO CHEQUE, a LEI DA DUPLICATA etc...o documento que contiver os requisitos previstos em lei passa a ter a natureza de título de crédito
Para Fábio Ulhoa são três as características que distinguem os títulos de crédito dos demais documentos representativos de direitos e obrigações: o fato dele referir-se unicamente a relações creditícias; sua facilidade na cobrança do crédito em juízo (não há necessidade de ação monitória); e, finalmente, pela fácil circulação e negociação do direito nele contido. 
Para melhor explicar o título de crédito, podemos compará-lo a um contrato privado. O contrato, instituto de Direito Civil, apresenta diversos princípios, como: a autonomia da vontade; a capacidade das partes para contratar; e objeto lícito. Na prática, o contrato, devido ao subjetivismo das partes, não se transfere por mera circulação, ou seja, não há efeitos se ocorrer transmissão do mesmo, pois este ato jurídico fica restrito às partes contratantes. Já os títulos de crédito, têm a confiança e o tempo como elementos incorporados. A confiança é necessária, pois, o crédito se assegura numa promessa de pagamento, e como tal, deve haver entre o credor e o devedor uma relação de confiança. O tempo é fundamental, visto que no sentido do crédito é o pagamento futuro que configura a promessa, pois, o adimplemento à vista, inutilizaria a devolução posterior do valor. 
4. CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITOS
Dentre as várias características
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