ANTROPOLOGIA DO CIBORGUE
129 pág.

ANTROPOLOGIA DO CIBORGUE


DisciplinaAntropologia I11.789 materiais72.054 seguidores
Pré-visualização27 páginas
Antropologia do ciborgue 
As vertigens do pós-humano
Antropologia do ciborgue
Donna Haraway
Hari Kunzru
Tomaz TaDeu (org.)
M i M o
O ciborgue nos força a pensar não em 
termos de "sujeitos", de átomos ou de 
indivíduos, mas em termos de fluxos 
e intensidades. O mundo não seria 
constituído, então, de unidades ("sujeitos") 
de onde partiriam as ações sobre outras 
unidades, mas, inversamente, de correntes 
e circuitos que encontram aquelas unidades 
em sua passagem.
Integre-se, pois, à corrente. Plugue-se. 
A uma tomada. Ou a uma máquina. 
Ou a outro humano. Ou a um ciborgue. 
Eletrifique-se. O humano se dissolve como 
unidade. É só eletricidade. Tá ligado?
O ensaio de Donna Haraway que constitui o 
centro deste livro, \u201cManifesto ciborgue\u201d, publicado 
pela primeira vez, nos Estados Unidos, no final da 
década de 1980, é hoje um clássico da literatura 
feminista sobre ciência e tecnologia. Sua importância 
pode ser avaliada pela quantidade e frequência com 
que é referido na literatura contemporânea de teoria 
social e cultural. É com esse texto que a figura do 
ciborgue torna-se um elemento reconhecido de 
análise cultural.
Donna Haraway utiliza a imagem do ciborgue 
para problematizar uma série de pressupostos do 
pensamento contemporâneo sobre subjetividade, 
tecnologia, ciência, gênero e sexualidade. O ci-
borgue, na análise de Haraway, coloca em xeque 
os mitos de origem, as nostalgias de restauração, as 
fantasias de unidade e totalização e os raciocínios 
teleológicos. O mito do ciborgue serve, sobretu-
do, para questionar as dicotomias que têm servido 
de fundamento ao pensamento ocidental: mente/
corpo, organismo/máquina, natureza/cultura. Ao 
borrar as fronteiras entre o humano e a máquina, o 
ciborgue nos força a repensar a ontologia do próprio 
sujeito humano.
É a nossa própria relação com a tecnologia que 
é posta em questão. Ao confundir o tecnológico 
com o humano, os artefatos tecno-humanos não 
nos deixam esquecer que a tecnologia não é sim-
plesmente uma relação social, mas uma relação social 
fundamentalmente ambígua e indeterminada. 
www.autenticaeditora.com.br
0800 2831322
9 7 8 8 5 7 5 2 6 3 9 5 2
ISBN 978-85-7526-395-2
D
. 
H
a
r
a
w
a
y
, 
H
. 
K
u
n
z
r
u
, 
T
. 
T
a
D
e
u
 
A
nt
ro
po
lo
gi
a 
do
 c
ib
or
gu
e
Um mimo é um dom. Uma dádiva. Um agrado. 
Uma graça. Um mimo não é nada. Mas pode ser mui-
to. Não tem cálculo. Nem intento. Não é pensado. 
E, contudo: escolhido a dedo. Um mimo é generoso, 
gentil, delicado. Uma joia rara. (Mas não cara). Pra 
alguém que faz anos. Ou sofreu desenganos. Mas tam-
bém a pretexto de nada. Simplesmente porque você 
gostou. E lembrou de alguém que gostaria. Porque 
você botou o olho e pensou: é isso! Um mimo não 
é um objeto de desejo. Porque não é pra si. É pra 
outrem. E não é pra ostentar. É pra dar. Discreta-
mente. Na cumplicidade de uma amizade. Ou na 
clandestinidade de um amor. Não é pra guardar como 
um tesouro. Porque não é pra dentro, mas pra fora. 
E não é da ordem da usura, mas da generosidade. É 
gratuito. Não espera nada em troca. Mas sem que você 
o saiba, acaba depositado. No fundo perdido do dom 
universal. Até que um dia, do nada, quando menos 
esperava, você recebe um. E o circuito se completa, 
mas também recomeça. E a lei do mimo se cumpriu. 
Quem mima mimado será.
Como na história contada por Paul Auster (Collected 
Prose, Picador). Um amigo andava desesperadamente 
atrás de um livro que queria muito, mas não conse-
guia encontrar em lugar algum. Após meses de busca, 
passando pela Grand Central Station, em Nova York, 
avista uma moça que lia exatamente o cobiçado livro. 
Aborda-a, conta que andava atrás do livro e pergunta 
onde poderia encontrá-lo. Ela diz que o livro é mara-
vilhoso . \u201cÉ para você\u201d, disse. \u201cMas é seu\u201d, disse ele. 
\u201cEra\u201d, respondeu ela, \u201cmas terminei de lê-lo. Vim aqui 
hoje para dá-lo a você\u201d.
As vertigens do pós-humano
Leia também da coleção Mimo:
\u2022 Manual do dândi \u2013 A vida com estilo
 Baudelaire, Balzac, D'Aurevilly
\u2022 Meu coração desnudado
 Charles Baudelaire
\u2022 O casaco de Marx \u2013 Roupas, memória, dor
 Peter Stallybrass
m
i
m
o
 AVISO 
A disponibilização gratuita deste e-book pelo Livros de humanas só foi possível porque 
usuários do site acreditaram na idéia do compartilhamento e participaram da compra 
coletiva. Portanto, a comercialização ou qualquer ganho motivado pelo compartilhamento 
desta cópia é reprovável. Divulgue, espalhe, compartilhe livremente. O conhecimento não 
pode e não deve ser apenas para os que podem pagar. 
Para visualizar nosso acervo na área de ciências humanas e participar de novas 
liberações de livros na internet, acesse:
www.livrosdehumanas.org
1. O ensaio de Donna Haraway é traduzido do capítulo 8, \u201cA Cyborg Manifesto: 
Science, Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century\u201d, 
do livro da autora, Simians, Cyborgs, and Women. The Reinvention of Nature, 
publicado pela editora Routledge. © Donna J. Haraway 1991. Reproduzido 
aqui com permissão de Taylor & Francis, Inc./Routledge, Inc., http://www.
routledge-ny.com.
2. Os ensaios \u201cVocê é um ciborgue\u201d e \u201cGenealogia do ciborgue\u201d, de autoria 
de Hari Kunzru, foram originalmente publicados na revista Wired, 5.02, 5 de 
fevereiro de 1997. © Hari Kunzru, 1997. Reproduzidos aqui com a autorização 
do autor.
Créditos
Antropologia do ciborgue 
As vertigens do pós-humano
Donna Haraway 
Hari Kunzru 
Tomaz Tadeu (org. e trad.)
2ª edição
Copyright da tradução © 2000 Tomaz Tadeu
projeto gráfico da capa
Diogo Droschi
editoração eletrônica
Luiz Flávio Pedrosa
revisão
Cilene De Santis 
Ana Carolina Lins Brandão
editora responsável
Rejane Dias
AutênticA editorA ltdA.
Rua Aimorés, 981, 8º andar . Funcionários
30140-071 . Belo Horizonte . MG
Tel: (55 31) 3222 68 19 
televendas: 0800 283 13 22
www.autenticaeditora.com.br
Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta 
publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, 
seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.
Revisado conforme o Novo Acordo Ortográfico.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro)
Antropologia do ciborgue : as vertigens do pós-humano / organização e tradução 
Tomaz Tadeu \u2013 2. ed. \u2013 Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2009. \u2013 (Mimo)
Títulos originais: A cyborg manifesto: science, technology, and socialist-
feminism in the late twentieth century / Donna Haraway ; You are cyborg \u2013 The 
cyborg ancestry / Hari Kunzru
Bibliografia
ISBN 978-85-7526-395-2
1. Antropologia filosófica 2. Ciborgues 3. Tecnologia - Aspectos sociais 4. Teoria 
feminista I. Kunzru, Hari. II. Haraway, Donna III. Tadeu, Tomaz. IV. Série
09-04028 CDD-128
Índices para catálogo sistemático: 
1. Ciborgue : Antropologia filosófica 128 
2. Humano e máquina : Antropologia filosófica 128 
3. Máquina e humano : Antropologia filosófica 128
Nós, ciborgues
O corpo elétrico e a dissolução do humano
Tomaz Tadeu
7
\u201cVocê é um ciborgue\u201d
Um encontro com Donna Haraway
Hari Kunzru
17
Manifesto ciborgue
Ciência, tecnologia e feminismo-socialista 
no final do século XX
Donna J. Haraway
33
Genealogia do ciborgue
Hari Kunzru
119
Nós, ciborgues
O corpo elétrico e a 
dissolução do humano
Tomaz Tadeu
9
A subjetividade humana é, hoje, mais do que nunca, uma 
construção em ruínas. Ela já não tinha mesmo jeito, desde as 
devastadoras demolições dos \u201cmestres da suspeita\u201d: Marx, 
Freud, Nietzsche, sem esquecer, é claro, Heidegger. A obra 
de desconstrução iria prosseguir,