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Penas restritivas de direitos - Requisitos

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DIREITO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Direito Penal 
Tema: Penas restritivas de direitos II 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
Fala pessoal, tudo bem? 
No presente resumo, iremos abordar os requisitos para concessão das penas 
restritivas de direitos. 
 
 
A substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos deve 
observar alguns requisitos, previstos no art. 44, incisos I a III, do Código Penal. Veja: 
 
 
 
 
 
 
A doutrina costuma fazer uma divisão dos requisitos em: objetivos e subjetivos. 
Os requisitos objetivos dizem respeito à natureza do crime e à quantidade da 
pena aplicada. 
Em se tratando de crime doloso, o CP exige que a infração tenha sido cometida 
SEM violência ou grave ameaça à pessoa para a substituição da pena. 
Importante destacar que a violência imprópria, ou seja, aquela em que não 
há emprego de força física contra a vítima, mas o agente reduz por qualquer 
meio à impossibilidade de resistência, também impede a substituição da 
pena privativa de liberdade. 
Em relação aos crimes culposos, é possível a substituição da pena privativa de 
liberdade por restritiva de direito, AINDA que cometido com violência contra a pessoa, 
como no homicídio culposo previsto no art. 121, § 3º, do CP. Nesse sentido: 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
2. REQUISITOS DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: 
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; 
II – o réu não for reincidente em crime doloso; 
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os 
motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO DE TRÂNSITO. APLICAÇÃO DE 
MEDIDAS RESTRITITVAS DE DIREITO. POSSIBILIDADE. ART. 44 DO CP. 1. O recorrente atende aos 
requisitos exigidos para a substituição da pena corporal por medidas restritivas de direito, a saber, é 
primário, condenado por crime culposo, e as circunstâncias judiciais são todas favoráveis. (...) (STJ: 
RHC 30.680/SP, rel. Min. Og Fernandes, 6.ª Turma, j. 06.09.2011). (grifos nossos) 
Qual quantidade de pena impede a substituição? 
Direito Penal 
Tema: Penas restritivas de direitos II 
Prof. Tassio Duda 
 
 
Em se tratando de crimes dolosos, desde que não tenham sido cometidos com 
emprego de violência ou grave ameaça à pessoa, o limite é de 4 (quatro) anos. Na 
hipótese de concurso de crimes, a substituição da pena privativa de liberdade será 
cabível apenas quando o total das penas não ultrapassarem o limite de 04 (quatro) anos 
previstos. 
Em relação aos crimes culposos, é possível a substituição, qualquer que seja a 
quantidade de pena privativa de liberdade aplicada. 
Por Seu turno, os requisitos subjetivos dizem respeito à pessoa do condenado, 
seja a pessoa nacional ou estrangeira, residente no Brasil ou não. Nessa linha de 
raciocínio, o STF expôs no informativo n. 639 que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
O primeiro requisito subjetivo diz respeito ao fato de o agente não ser reincidente 
em crime doloso. Significa, por outro lado, que a reincidência em crime culposo não 
impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. 
Importante registrar que o agente reincidente em crime doloso pode, 
excepcionalmente, ter a pena privativa de liberdade substituída por restritiva 
de direitos, nos termos do art. 44, § 3º, do CP. 
Para tanto, o CP exige que a medida seja socialmente recomendável e a 
reincidência NÃO se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. Observe: 
 
 
 
 
 Desse modo, a reincidência não é um impedimento absoluto, sendo possível a 
substituição desde que a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não 
seja específica. 
 
 
Em conclusão, a 2ª Turma concedeu a ordem para afastar o óbice da substituição da pena privativa 
de liberdade por restritiva de direito a estrangeiro não residente no país. (...) Consignou, de início, que 
o fato de o estrangeiro não possuir domicílio no território brasileiro não afastaria, por si só, o 
benefício da substituição da pena. Mencionou haver jurisprudência antiga desta Corte segundo a qual 
a residência seria apenas um ponto para aplicação espacial da Constituição. Não se trataria, pois, de 
critério que valorizasse a residência como elemento normativo em si mesmo. Assentou que a 
interpretação do art. 5º, caput, da CF não deveria ser literal, porque, de outra forma, os estrangeiros 
não residentes estariam alijados da titularidade de todos os direitos fundamentais. Ressaltou a 
existência de direitos assegurados a todos, independentemente da nacionalidade do indivíduo, 
porquanto considerados emanações necessárias do princípio da dignidade da pessoa humana. (HC 
94.477/PR, rel. Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, j. 06.09.2011, noticiado no Informativo 639) (grifos 
nossos) 
Art. 44 (...) 
§ 3º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de 
condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado 
em virtude da prática do mesmo crime. (grifos nossos) 
Direito Penal 
Tema: Penas restritivas de direitos II 
Prof. Tassio Duda 
 
 
Nas palavras do STJ: 
 
 
 
 
 
Outro requisito subjetivo diz respeito ao que a doutrina chama de princípio da 
suficiência, previsto no art. 44, III, do CP. 
Segundo o dispositivo, a pena restritiva de direitos substitui a privativa de 
liberdade quando a “culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade 
do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa 
substituição seja suficiente”. 
Nas palavras de Cléber Masson (2020, pg. 623): 
 
(...) A reincidência genérica não é motivo suficiente, por si só, para o indeferimento da substituição da 
pena privativa de liberdade. Nos termos do art. 44, § 3.º, do Código Penal, é possível o deferimento da 
benesse ao réu reincidente desde que atendidos dois requisitos cumulativos, quais sejam, ser a medida 
socialmente recomendável em face da condenação anterior e que não esteja caracterizada a 
reincidência específica. (AgRg nos EDcl no AREsp 279.042/SP, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 5.ª 
Turma, j. 24.09.2013). 
A pena restritiva de direitos precisa ser adequada e suficiente para atingir as finalidades da pena. Em 
outras palavras, tanto a retribuição do mal praticado pelo crime como a prevenção (geral e especial) 
de novos crimes, inerentes à pena privativa de liberdade, devem ser alcançadas com a pena restritiva 
de direitos. Por corolário, não cabe a substituição quando a pena-base tiver sido fixada acima do 
mínimo legal, em razão do reconhecimento judicial expresso e fundamentado das circunstâncias 
desfavoráveis, em face do não atendimento do art. 44, inciso III, do CP. 
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