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Método científico

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A Ciência configura-se como uma busca de conhecimento, que envolve questionamentos e outras séries de validações para classificar o objeto de estudo como algo verdadeiro. Ela oferece respostas sobre as possíveis causas materiais em relação às quais se poderão agir e realizar interferências. (NOVELLI, Unesp). Como tal, originou-se a partir do momento em que houve a necessidade de compreender o mundo de uma forma mais aprofundada, além de instigar a troca de informações e dar base para indagações futuras. Dessa forma, a Ciência apropriou-se de conhecimentos difusos e desorganizados, e através de uma sistematização metódica conseguiu elaborar campos específicos de estudo. Sua fundamentação iniciou-se na construção da obra de René Descartes, O Discurso do Método , e também na de Francis Bacon, “Novum organum”, o qual assimila a Ciência como um novo sentido de pensamento. Tal inovação representava uma grande reforma na vida humana, já que o saber científico propicia o desenvolvimento de técnicas capazes de auxiliar o ser humano – o saber instrumental (CHAUÍ, 1996).
As principais características do conhecimento científico são (LAKATOS, MARCONI):
· Factuabilidade, ou seja, lidar com objetos de estudo e ocorrências reais;
· Contingência, a veracidade ou falseamento de informações são determinados através da experiência;
· Sistematização, logo, deve estar contido numa sequência lógica de ideias;
· Ser verificável e/ou falível, pois o estudo é norteado em algo que possa ser comprovado e que também possa ser vítima de falhas, já que não se trata de algo absoluto;
· Transformador, objetivando a reformulação de ideias e conceitos existentes.
Classificação da ciência, segundo Lakatos e Marconi: 
Método científico: “método sistemático de explicar grandes ocorrências semelhantes, a fim de descobrir a realidade dos fatos, e estes, ao serem descobertos, devem, por sua vez, guiar o uso do método.” (CERVO, BERVIAN, SILVA. Metodologia Científica, 2007).
Importância do método científico e aplicabilidade: Elemento fundamental do processo de construção do conhecimento, com o objetivo de não só diferenciar-se do sendo comum, mas também permitir o acesso às questões de causa e conseqüência dos fenômenos. 
Hipótese: proposição explicativa provisória de relação entre os fenômenos, que será experimentada. Se confirmada, transforma-se na lei. 
Lei científica: relações que sintetizam um conjunto de fatos, expondo uma funcionalidade entre eles. É uma relação causal entre os elementos de um fenômeno.
Teoria: Explica num nível mais geral um conjunto maior de fatos aparentemente diferentes. Vários setores de fenômenos reunidos em uma “lei mais abrangente”. (SEVERINO, Metodologia do Trabalho Científico)
· Método indutivo: Baseado na indução experimental, dessa forma, o pesquisador chega a uma lei geral por meio da observação de certos casos sobre o fenômeno a ser estudado.
Processo: observação do fenômeno elaboração de classificações hipóteses verificação das hipóteses por meio de experiências generalizações confirmar hipóteses construção da lei geral.
· Método dedutivo: Baseado nas premissas do pensamento com o uso da razão. Tem como função explicar o conteúdo de suas premissas, consideradas universais. Dessa forma são formuladas ideias iniciais, as quais serão legitimadas pelas regras de conclusão, que se configuram como demonstrações. Exemplo clássico: “Todo mamífero tem um coração. Ora, todos os cães são mamíferos. Logo, todos os cães têm um coração.” (LAKATOS, MARCONI, Fundamentos da metodologia científica).
· Método hipotético-dedutivo: Configura-se como uma crítica ao indutivismo. Baseia-se nas inferências dedutivas como teste de hipóteses.
Processo: formulação de hipóteses, a partir de um fato problema inferência das conseqüências preditivas teste de falseamento (experimentação) confirmação ou refutação.
· Método dialético: É centrado por meio de contradições ou mediante negação de uma coisa sobre a outra. (Diniz, UEPB. Metodologia científica).
No que tange às características da Saúde que a enquadram como um objeto a ser discutido cientificamente, cabe a possibilidade de constatação de doenças. Nesse caso, sendo tal fenômeno um exemplo de causa-efeito, é imprescindível a abordagem científica nesse sentido, já que deve ser priorizada a etiologia de um problema, e caso não seja feita, a falta de embasamento, o qual é produzido pela Ciência, promove a perpetuação de enfermidades. O fenômeno científico conflui com a Saúde na medida em que possibilita a tomada de posição dentro de um campo de debate (BIRMAN, 1991. Physis da saúde coletiva). Assim, as interpretações das inquietudes de um organismo bem como a desarmonia dos aspectos biopsicossociais podem ser alvos da objetividade científica, ainda que muitas vezes o âmbito psíquico e social seja reduzido à dimensão biológica.
A Medicina Baseada em Evidência (MBE) caracteriza-se como o resultado da confluência entre métodos epidemiológicos e a prática clínica, desse modo, representa a capacidade de analisar de uma forma crítica o conhecimento científico, com o objetivo de nortear tomadas de decisões que precisam ser atualizadas. Nessa perspectiva, é de mera importância que a efetividade do tratamento seja alcançada, e isso só acontecerá se evidências durante tal processo real sejam provindas de pesquisas científicas. 
A MBE tem início a partir da construção de uma indagação clínica de interesse. Para isto, é necessário que haja a consistência de quatro itens:
· Situação clínica (qual é a doença);
· Intervenção (tratamento de interesse a ser testado)
· Grupo-controle 
· Desfecho clínico
Após esse ponto de partida, deve ser identificada a melhor evidência que responde a questão clínica proposta, ou seja, há a verificação do desenho de estudo. Em seguida, para a busca de um estudo bem delineado e de uma teorização aprofundada, é recomendável o acesso à base de dados da saúde. Nesse passo, portanto, é relevante a relação com o exercício do método científico, já que as informações pospostas, obrigatoriamente, carregarão um conhecimento hipotético que ultrapassa o senso comum, já que a base de dados trabalha, especialmente, com teorias e leis definidas. Por último, é interessante realizar ponderações críticas da evidência em relação às validades encontradas, analisar o impacto de tal evidência (tamanho do efeito) e levantar aplicabilidades na prática clínica, já que as evidências não podem estar dissociadas da eficácia diária. (EL DIB, Regina . UNIFESP, Centro Cochrane do Brasil).É visível que a essência da MBE é justamente aumentar a qualidade do atendimento dos pacientes, considerando suas particularidades, ao passo que dá continuidade ao desenvolvimento científico na busca de boas evidências na prática clínica aliado ao juízo crítico e conhecimento prévio dos profissionais.

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