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TCC Tereza Rachel 2020 formatado-convertido

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Assim, o processo da saúde na segunda metade do século XX, impulsionado 
pelo processo de industrialização, que se passou a valorizar o processo de 
produção, admitindo a importância do ser humano como parte do processo. Foi 
nesse período também, que o Estado deu mais atenção aos sujeitos excluídos dos 
sistemas de proteção da previdência social, e de forma tímida o amparo a essas 
pessoas iniciou-se com a criação Legião Brasileira de Assistência (LBA) e do 
Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS). 
A LBA atendia às famílias de pracinhas brasileiros enviados à guerra, e 
depois passou a atender aos pobres. Esse tipo de serviço deu margem ao modelo 
assistencialista que acontecia no campo não governamental. O CNSS era 
responsável pela avaliação de pedidos de auxílio que depois eram enviados aos 
ministérios da Saúde e Educação para que fossem liberados recursos financeiros. 
Já na década de 60, tem-se como marca registrada a desigualdade social, 
caracterizada pela baixa renda e alta concentração de riquezas. Surgem a partir daí 
propostas para adequação dos serviços de saúde pública e desenvolvimento. 
Rezende e Cavalcanti (2009, p. 69) expõem que: “É interessante observar que as 
principais características do sistema de saúde brasileiro, no período de 1964 até 
1974, eram o privilegiamento do setor privado pelo governo e a medicalização da 
saúde”. 
Contudo, o final da década de 1980, ganha destaque a promulgação da 
Constituição Federal de 1988, que determinou como dever do Estado garantir saúde 
a toda população, e para tanto, foi criado o Sistema Único de Saúde em 1990. Tem-
20 
 
se ainda, a aprovação da Lei Orgânica da Saúde, que detalha o funcionamento do 
serviço. 
Sendo assim, atualmente, o modelo de saúde pública brasileira em vigor no 
Brasil é o SUS, que prevê ações e serviços de acesso universal em todo território 
brasileiro. 
 
2.3 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 
 
A Constituição Federal de 1988 instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS), 
definido como uma nova formulação política e organizacional para o reordenamento 
dos serviços e ações de saúde. 
A instituição do SUS possibilitou a ampliação do olhar para a coletividade e, 
com isso, também mudou suas concepções quanto às ações para as práticas e os 
serviços. De acordo com o Ministério da Saúde, os princípios doutrinários do SUS 
são: 
1. Universalidade: garantia de assistência à saúde, por parte do sistema, a todo 
e qualquer cidadão. 
2. Integralidade da assistência: o indivíduo deve ser considerado um ser integral 
e biopsicossocial, que deve ser atendido integralmente com ações de promoção, 
prevenção, cura e reabilitação oferecida pelo mesmo sistema de saúde, pois são 
indivisíveis. 
3. Equidade: garantia de ações e serviços em todos os níveis, de acordo com a 
complexidade exigida em cada caso, sem privilégios e sem barreiras. 
4. Descentralização político-administrativa: direcionada a cada esfera de 
governo, pois quem está mais próximo da população possui maior probabilidade de 
acertos quanto às soluções apresentadas para os problemas de saúde. 
5. Participação da comunidade: ocorre por meio de conselhos de saúde 
intensificando a democracia do sistema. 
 No que se refere ao sistema político federativo, temos que a constituição 
pelas três esferas de governo (União, estados e municípios) consideradas como 
entes com autonomia administrativa e sem vinculação hierárquica, sendo cada ente 
responsável pelo desenvolvimento do SUS. 
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 Quanto à regulamentação do SUS, destacamos que o mesmo foi estabelecido 
no final de 1990 através da Lei Orgânica de Saúde (LOS), a Lei nº 8.080 e a Lei nº 
8.142, leis que destacaram os princípios organizativos e operacionais do sistema. 
 As políticas de saúde são dotadas de grande complexidade, podendo-se 
destacar, por exemplo: as diversas determinações sobre o estado de saúde da 
população; multiplicidade de necessidades; diferentes ações e serviços para supri-
las; pessoal capacitado e recursos tecnológicos para atendê-las, sendo que essas 
situações abalam um sistema pautado na visão de saúde como um direito de 
cidadania. 
 Diante desse fato, esse processo passa a ser guiado pelas normas 
operacionais do SUS, instituídas por meio de portarias ministeriais. 
 
A operacionalização do sistema e a relação entre instâncias do SUS foram 
tratadas nas Normas Operacionais Básicas do SUS (NOB) e nas Normas 
Operacionais da Assistência à Saúde (Noas), sendo que estas últimas 
abordam o regionalismo da assistência. (REZENDE E CAVALCANTI, 2009, 
p. 73). 
 
Fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS), os centros e postos de 
saúde, hospitais – incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros (bancos de 
sangue), além de fundações e institutos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo 
Cruz (Fiocruz) e o Instituto Vital Brasil. 
O SUS garante a todos os cidadãos o direito a consultas, exames, 
internações e tratamentos nas unidades de saúde vinculadas, sejam elas públicas, 
privadas, contratadas pelo gestor público de saúde. 
Conclui-se que o processo de descentralização da saúde contribui de forma 
significativa para a ampliação da atenção básica em saúde e para a adesão dos 
municípios aos programas considerados prioritários pelo Ministério da Saúde. 
Medida que, favoreceu a instituição pública de saúde, configurar-se no contexto 
capaz de materializar as práticas sociais mediante as quais a população incorpore o 
direito à saúde e o favorecimento da consolidação de um sistema público de saúde 
universal. 
 
 
 
 
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2.4 PANORAMA DA SAÚDE PÚBLICA NO ATUAL CENÁRIO BRASILEIRO 
 
O Brasil é considerado uma das dez maiores potências econômicas globais, e 
apesar de apresentar importantes progressos relacionados às condições de saúde 
da população ao longo dos anos, principalmente após implementação do Sistema 
Único de Saúde (SUS), o país ainda precisa evoluir muito até atingir os níveis de 
saúde vigentes em outros países mais prósperos. 
 
Os grandes avanços científicos e tecnológicos do século XX no âmbito da 
saúde pública, como as vacinas, a penicilina e a epidemiologia social com 
os determinantes do processo saúde-doença levaram a uma saúde e do 
grau de necessidades e desafios das sociedades contemporâneas. 
(FORTES E RIBEIRO, 2014, p. 3). 
 
Destaca-se que a saúde pública no Brasil sempre esteve cercada por 
desafios tendo que lidar constantemente com poucos incentivos financeiros, altas 
cargas tributárias e com surgimento de epidemias em vários momentos políticos e 
econômicos complicados para o país. 
O quadro da saúde pública brasileira encontra-se atualmente a beira de um 
colapso, um momento muito delicado frente aos inúmeros causados por vírus da 
zika, dengue, Chikungunya, H1N1 e mais recentemente a pandemia causada pelo 
Coronavírus (COVID-19) que tem afetado a população do mundo, altos índices de 
mortes e até o momento sem descoberta de cura e tratamento eficaz. 
O COVID-19, segundo dados do Ministério da Saúde, é uma doença 
infecciosa causada pelo novo vírus, ele provoca doenças respiratórias semelhantes 
à gripe e sintomas como tosse, febre e, em casos mais graves, dificuldade para 
respirar. 
O vírus teve as primeiras manifestações na China, e tornou-se uma pandemia 
que tem atingido vários países, sendo registrado um percentual elevado de casos de 
óbitos. No Brasil, após a confirmação de casos, foram tomadas medidas de 
contenção seguindo-se determinações governamentais e do Ministério da Saúde. 
Dentre as medidas estão a indicação de higiene, como lavar as mãos com 
sabão neutro e uso de álcool em gel sempre tiver que sair de casa ou estiver doente, 
também foram anunciadas medidas de adesão ao isolamento social. A indicação do 
isolamento visa diminuir a propagação do vírus. 
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O isolamento social, também chamado de quarentena, está em vigor desde 
18 de março de 2020. No Maranhão, de acordo com boletim

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