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TCC Tereza Rachel 2020 formatado-convertido

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a imagem bíblica de exclusão e preconceito, ou mesmo um 
castigo divino. Portanto, para o indivíduo que recebe o diagnóstico de hanseníase é 
um exercício diário lidar com o estigma. 
 Nesse sentido, torna-se extremamente difícil para o paciente lidar com as 
questões relacionadas ao preconceito e a discriminação da doença. O choque inicial 
do resultado pode acarretar reações psicológicas confusas, que geram o 
afastamento social, isolamento, a vergonha de si, provocados muitas vezes, pela 
falta de conhecimento apropriado sobre a doença. 
 Segundo aponta as Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da 
hanseníase como problema de saúde pública – Manual técnico-operacional: 
 
O diagnóstico de hanseníase deve ser recebido de modo semelhante ao 
de outras doenças curáveis. Entretanto, se vier a causar impacto 
psicológico, tanto a quem adoeceu quanto aos familiares ou pessoas de 
sua rede social, essa situação requererá uma abordagem apropriada pela 
equipe de saúde, que permita a aceitação do problema, superação das 
dificuldades e maior adesão ao tratamento. Essa atenção deve ser 
oferecida no momento do diagnóstico, bem como no decorrer do tratamen-
to da doença e, se necessária, após a alta. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 
2019). 
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 Atuando frente a essa temática o assistente social exerce sua função na área 
da saúde, no intuito de contribuir para a garantia do direito e da socialização de 
informações, sendo atribuições específicas desse profissional na perspectiva do 
Programa de Controle da Hanseníase: realizar a análise socioeconômica dos 
pacientes para orientações sobre benefícios sociais e previdenciários; interagir com 
as redes de apoio social como: conselho tutelar, conselho do idoso e promotoria 
pública; em caso de transferência do paciente para Unidade de Saúde da Família ou 
município de origem o assistente social realiza contato com a equipe da instituição 
em tela para informar a transferência e passar dados do paciente; Busca ativa em 
caso de paciente faltoso – aquele que deixa de comparecer para dose 
supervisionada ou consulta médica - é realizado contato telefônico e reforçada a 
necessidade de adesão ao tratamento; orientar o paciente, residente em outro 
município, sobre o Tratamento Fora de Domicílio a fim de que este não falte ao 
tratamento por falta de condições para deslocar-se até o Hospital; acompanhar as 
reuniões do Grupo de Autocuidados a fim de promover exposição oral/dialogada 
sobre os Direitos dos Pacientes com Hanseníase. Sempre que solicitado e/ou 
necessário realizar atendimento multiprofissional na perspectiva de ampliar o 
atendimento prestado pela equipe contribuindo para a construção de princípios 
favoráveis ao acolhimento do usuário. 
 Diante dessas informações ressalta-se a importância do trabalho do 
assistente social junto a pacientes que recebem o diagnóstico de hanseníase, 
especificamente, aqueles que atuam no Centro de Saúde Dr. Genésio Rêgo, local 
de desenvolvimento da pesquisa em questão. Esse profissional atua como mediador 
do paciente e seu processo de tratamento, para tanto recorre à técnica de 
acolhimento como um dos instrumentais de ações, para tentar minimizar os impactos 
causados pelo diagnóstico. 
Sendo assim, o assistente social, atualmente, vem exercendo suas ações 
pautados por seu aporte teórico que contribui na definição do objeto de ação e na 
escolha de instrumentos a serem utilizados conforme a situação. A esse respeito 
Silva (2017, p. 31) diz que: 
 
[...] os assistentes sociais devem ter domínio das três dimensões de 
profissão (ético-política, técnico-operativa e teórico-metodológica) a serem 
desenvolvidas de forma interdependente para evitar o risco de 
fragmentação e da despolitização do fazer profissional. 
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Nesse sentido, fazendo uma ligação com o tema da pesquisa, o profissional 
de Serviço Social que atua na área da saúde desempenha inúmeras atividades, 
norteados por suas atribuições e competências na área, dentre elas utiliza como 
instrumental a técnica de acolhimento, sendo que o acolhimento é parte do processo 
interventivo dos assistentes sociais. Ele reúne três elementos que agem 
simultaneamente: a escuta, a troca de informações e o conhecimento da situação na 
qual o usuário se encontra. Para Chupel e Moito (2010, p. 43) “O acolhimento-
dialogado seria uma técnica especial de conversar, por se tratar de uma qualidade 
especial de conversa e uma possibilidade real a ser suscitada ou facilitada por uma 
“técnica geral de conversa”. 
Ressalta-se que tal instrumento é considerado fundamental durante o primeiro 
contato com o usuário, uma vez que implica no estabelecimento de relações de 
aproximação de modo humanizado. 
 
3.1 CONCEPÇÕES DE ACOLHIMENTO E QUESTÃO SOCIAL 
 
 O acolhimento segundo dicionário Aurélio, significa o ato ou efeito de acolher; 
acolhida. Maneira de receber ou de ser recebido; recepção, consideração. É algo 
que expressa uma ação de aproximação, do ouvir o outro, dar credibilidade as suas 
palavras, uma aproximação, ou seja, uma atitude de inclusão. 
 No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a prática do acolhimento 
afirma-se como uma diretriz de maior importância no que tange a ética, a estética e 
política, ressaltada na Política Nacional de Humanização do SUS, uma vez que a 
ética, refere-se ao compromisso com o reconhecimento do outro, a atitude de 
acolhê-lo em suas diferenças, dores, alegrias, formas de levar a vida e senti-la. 
 Na concepção estética, elencam-se as relações e os encontros cotidianos a 
intervenção de estratégias que visam contribuir para a acepção da vida e do viver, 
resumindo, para a construção da dignidade humana. 
 O sentido político atribuído ao acolhimento dar-se no compromisso coletivo no 
ato de estar envolvido com o outro, buscando formas de potencializar o 
protagonismo e a vida nos diversos encontros. 
 
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O acolhimento como ação técnico-assistencial possibilita que se analise o 
processo de trabalho em saúde com foco nas relações e pressupõe a 
mudança da relação profissional/usuário e sua rede social, 
profissional/profissional, mediante parâmetros técnicos, éticos, humanitários 
e de solidariedade, levando ao reconhecimento do usuário como sujeito e 
participante ativo no processo de produção da saúde. (PNH, 2006, p. 18). 
 
 Sabe-se que o ato de acolher, de uma forma geral, costuma estar presente 
em todas as formas de relacionamento e os vários encontros na vida. Porém, o 
exercício da prática do acolhimento de forma afetiva e compromissada, nas 
atividades diárias, é uma tarefa difícil. Segundo revela o PNH (2006, p. 8) “Os 
processos de “anestesia” de nossa escuta e de produção de indiferença diante do 
outro, em relação às suas necessidades e diferenças, têm-nos produzido a 
enganosa sensação de salvaguarda, de proteção do sofrimento”. 
 Tal fato justifica-se pela dinâmica assumida pela configuração de sociedade 
capitalista, à precarização do trabalho, emprego, renda e desigualdade social. O que 
observamos é uma sociedade com concepções mais individualistas, com constante 
enfraquecimento das relações e criação de laços afetivos. Diante dessa afirmação, é 
preciso ter mente que a vida não acontece somente no campo individual, pelo 
contrário, são na coletividade, processos que se passam entre os sujeitos, nos 
vínculos que constroem mutuamente. 
 Sendo assim, um dos desafios na prática do acolhimento, é justamente, 
mudar essa visão do individual e passar a enxergar o coletivo, entender os 
benefícios do cuidar do outro, do acolher e estar pronto para compreender as 
nuances impostas pela sociedade, tendo como princípios norteadores o enforque 
dado pelo PNH (2006): 
➢ O coletivo como plano de produção da vida; 
➢ O cotidiano como plano ao mesmo tempo de reprodução, de experimentação 
e invenção de modos de vida; e 
➢ A indissociabilidade entre o modo de nos produzirmos como sujeitos e os 
modos

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