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APS PROCESSO PENAL

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limitar formas opressivas de 
atuação da justiça criminal e facilitar o controle social sobre o 
Judiciário e o Ministério Público. 
"O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário 
para preservar os interesses da justiça", determina o art. 8º, § 5º, 
da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A regra, 
tamanha a sua importância, é reafirmada no art. 93, inciso IX, da 
Constituição Federal, conforme o qual "todos os julgamentos do 
Poder Judiciário serão públicos e fundamentadas todas as 
decisões, sob pena de nulidade (...)". 
A publicidade, como garantia, aparece também no art. 5º, XXXIII, 
da Constituição Federal, que assegura a todos o direito de 
"receber dos órgãos públicos informações de seu interesse 
particular, ou de interesse coletivo ou geral (...)". 
 
Há dois aspectos do princípio da publicidade: 
a) a publicidade geral ou plena, como regra para todo e qualquer 
processo; 
b) a publicidade especial, em que se restringe a audiência nos atos 
processuais e as informações sobre o processo às partes e 
procuradores, ou somente a estes. 
 
Como crítica ao princípio, reconhecem benefícios e malefícios. O 
maior dos benefícios é a dificultação de abusos, exageros, 
omissões e leviandades processuais, pela possibilidade de 
constante controle das partes, dos advogados, do Ministério 
Público, da imprensa e da sociedade. O mais deplorável dos 
malefícios (ou talvez o único) é a possibilidade de haver, com a 
publicidade, a exploração fantasiosa ou sensacionalista de fatos 
levados a discussão nos tribunais. 
Para evitar esses abusos midiáticos, em certas causas e situações 
há exceções ao princípio da publicidade plena, como quando a 
divulgação da informação ou diligência represente risco à defesa 
do interesse social ou do interesse público; à defesa da intimidade, 
imagem, honra e da vida privada das partes; e à segurança da 
sociedade e do Estado.” 
 
A publicidade é fundamental no sistema processual brasileiro, o acusatório. 
 
Conforme aponta Mirabete: 
 
"Trata-se de garantia para obstar arbitrariedades e violências 
contra o acusado e benéfica para a própria Justiça, que, em 
público, estará mais livre de eventuais pressões, realizando seus 
fins com mais transparência. Esse princípio da publicidade inclui 
os direitos de assistência, pelo público em geral, dos atos 
processuais, a narração dos atos processuais e a reprodução dos 
seus termos pelos meios de comunicação e a consulta dos autos e 
obtenção de cópias, extratos e certidões de quaisquer deles". 
 
A própria sociedade possui interesse em saber os rumos tomados no âmbito de processos 
penais, posto que envolvem a privação de direito fundamental e indisponível – liberdade de 
locomoção – e a promoção da justiça penal pelo Estado, o que só é possível caso seja dada 
publicidade aos atos processuais (RANGEL, 2010). 
 
Referências: 
 DIEGO AUGUSTO BAYER. Princípios Fundamentais do Direito Processual 
Penal – parte 03. Jusbrasil. Disponível em: 
<https://diegobayer.jusbrasil.com.br/artigos/121943165/principios-fundamentais-do-
direito-processual-penal-parte-03>. Acesso em: 30 Oct. 2020. 
 Conteúdo Jurídico. Conteúdo Jurídico. Disponível em: 
<http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/50724/principios-
constitucionais-aplicaveis-ao-processo-penal-brasileiro>. Acesso em: 30 Oct. 2020. 
 Nucci, Guilherme de Souza, Código de Processo Penal Comentado / Guilherme de 
Souza Nucci. – 19. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2020. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise de acórdão: (HC 126292, Relator(a): TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado 
em 17/02/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-100 DIVULG 16-05-2016 PUBLIC 17-
05-2016 RTJ VOL-00238-01 PP-00118) 
 
 
No que tange o princípio da presunção de inocência (ou principio da não culpabilidade) disposto 
no art. 5º, LVII/CF88, iremos analisar o seguinte acórdão: 
 
CONSTITUCIONAL. HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO 
CONSTITUCIONAL DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (CF, 
ART. 5º, LVII). SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA 
CONFIRMADA POR TRIBUNAL DE SEGUNDO GRAU DE 
JURISDIÇÃO. EXECUÇÃO PROVISÓRIA. POSSIBILIDADE. 
1. A execução provisória de acórdão penal condenatório proferido 
em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso especial ou 
extraordinário, não compromete o princípio constitucional da 
presunção de inocência afirmado pelo artigo 5º, inciso LVII da 
Constituição Federal. 2. Habeas corpus denegado. 
(HC 126292, Relator(a): TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, 
julgado em 17/02/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-100 
DIVULG 16-05-2016 PUBLIC 17-05-2016 RTJ VOL-00238-01 
PP-00118) 
 
 
Contextualizando o caso, o plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria de votos, 
que era possível a execução provisória de pena privativa de liberdade, quando incabível a 
substituição, confirmada pela segunda instância sem, no entanto, fazer-se coisa julgada. O 
recurso julgado pelo STF visava impedir a execução da sentença condenatória alegando a 
inexistência do trânsito em julgado da ação penal. A decisão do tribunal acerca do caso foi 
desfavorável à concessão do Habeas Corpus, e manteve-se a decisão da segunda instância de 
decretar a prisão do réu. 
 
Os ministros entenderam que a execução provisória era possível e não tinha o condão de 
depreciar o princípio constitucional da Presunção de Inocência. 
 
Positivado na Constituição Federal: 
 
Art 5º, LVII, CF -“Ninguém será considerado culpado até o 
trânsito em julgado de sentença penal condenatória.”. 
 
No art. 283 do Código de Processo Penal: 
 
“Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem 
escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em 
decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no 
curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão 
temporária ou prisão preventiva.” 
 
Bem como em Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos, o princípio ordena que ninguém 
pode ser punido antes de sua culpa ser demonstrada, sem que incida sobre a sentença qualquer 
espécie de recurso ou ainda exista possibilidade de adentrar em fase recursal. 
 
Seguidos pelo entendimento de Guilherme de Souza Nucci: 
 
“Princípio, etimologicamente, significa causa primária, momento 
em que algo tem origem, elemento predominante na constituição 
de um corpo orgânico, preceito, regra, fonte de uma ação. Em 
direito, princípio jurídico quer dizer uma ordenação que se irradia e 
imanta os sistemas de normas, conforme ensina José Afonso da 
Silva (Curso de direito constitucional positivo, p.85), servindo de 
base para a interpretação, integração, conhecimento e aplicação do 
direito positivo. Cada ramo do Direito possui princípios próprios, 
que informam todo o sistema, podendo estar expressamente 
previstos em lei ou ser implícitos, isto é, resultar da conjugação de 
vários dispositivos legais, de acordo com a cultura jurídica formada 
com o passar dos anos de estudo de determinada matéria. O 
processo penal não foge à regra, sendo regido, primordialmente, 
por princípios, que, por vezes, suplantam a própria literalidade da 
lei” 
Um princípio deve ser observado como sendo o ponto central de todo o sistema jurídico, e a 
aplicação desse direito é fundamental, porém, o principio da inocência é um tema amplamente 
discutido e interpretado de diversas maneiras, muitas vezes desrespeitando a Constituição 
Federal. 
 
Citando o processualista Tourinho Filho: 
 
Na verdade, há mais de duzentos anos, o art. 9º da Declaração dos 
Direitos do Homem, de 26-8-1789, proclamava: “Todo homem é 
considerado inocente, até o momento em que, reconhecido como 
culpado, se for indispensável sua prisão, todo rigor desnecessário, 
empregado para efetuá-la, deve ser severamente reprimido pela lei” 
 
Podemos perceber que este princípio percorreu um longo caminho dentre pactos internacionais 
de direitos humanos antes mesmo de adentrar na legislação do