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APS PROCESSO PENAL

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nosso País, e deve ser observado 
pelos três poderes, o judiciário, o legislativo e o executivo. 
 
A finalidade da garantia processual é de que os direitos do réu permaneçam imaculados antes de 
sua culpa ser demonstrada, impedindo arbitrariedades contra a liberdade individual do sujeito 
réu do processo. 
 
No relatório do Habeas Corpus 126.292/SP, o objetivo do STF era a permitir a execução de 
mandado de prisão expedido pelo STJ, em face do indeferimento do HC 313.021/SP. 
 
As alegações feitas no HC tinham como base a inexistência do transito em julgado da sentença 
condenatória, fato este que, impossibilita a expedição de mandado de prisão em desfavor da 
parte, e que o Mandado de Prisão feria o art. 5º, LVII da CF já mencionado anteriormente. 
 
O plenário do STF, no entanto, trouxe diversas jurisprudências que versavam sobre a execução 
provisória possibilitando a expedição do mandado de prisão pela segunda instancia sem o 
transito em julgado da sentença condenatória. 
 
O ministro Teori Zavascki ainda expressou que: 
 
É natural à presunção de não culpabilidade evoluir de acordo com 
o estágio do procedimento. Desde que não se atinja o núcleo 
fundamental, o tratamento progressivamente mais gravoso é 
aceitável. Esgotadas as instâncias ordinárias com a condenação à 
pena privativa de liberdade não substituída, tem-se uma declaração, 
com considerável força de que o réu é culpado e a sua prisão 
necessária. [...]19 
 
Deixando claro que não havia certeza sobre a culpa do réu, apenas uma presunção de culpa. 
Entendimento esse que foi amplamente debatido e atacado pelos Ministros que votaram contra a 
expedição do mandado. 
 
Apesar de voto vencido, a visão que fundamenta a concessão do Habeas Corpus, mostra-se mais 
adequada no contexto teórico dos direitos fundamentais. 
 
Por fim, a discussão sobre esse tema é infindável e ocorre até hoje uma instabilidade nas 
decisões a respeito do tema. Entre idas e voltas a Suprema Corte atinge diretamente o 
Ordenamento Jurídico causando estragos que vão além do processual e interferem no sistema 
carcerário brasileiro e na vida dos indivíduos parte dos processos. 
 
A cada votação o STF vem mudando de posicionamento gerando uma grande insegurança 
jurídica, e por este motivo em 2019 surgiu a necessidade de julgar a matéria através de Ações 
Diretas de Constitucionalidade com a intenção de pacificar o entendimento. E por maioria, o 
STF mais uma vez mudou o entendimento feito à época do HC escolhido para está analise, 
decidindo pelo não cumprimento imediato da pena até o transito em julgado de sentença penal 
condenatório em segunda instancia. 
 
Além disso, houve também proposta de Emenda à Constituição visando alterar o artigo 93 e 
incluir o inciso XCI que autoriza a execução imediata independentemente do cabimento de 
recursos, justificando que o não cumprimento traria uma sensação de insegurança e de 
impunidade para a sociedade. 
 
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro se posicionou sobre o assunto da seguinte forma: 
“Não se justifica travar toda a efetividade do sistema, gerando 
impunidade – e normalmente é uma impunidade seletiva, nós 
normalmente estamos falando aqui em impunidade dos poderosos, 
política e economicamente – em detrimento dos direitos da vítima 
e da sociedade. Isso vale para todos os crimes: crimes de sangue, 
crimes de colarinho branco, crimes patrimoniais, enfim, todo o 
espectro aí da criminalidade.” 
E reiterou que a prisão depois da segunda instância não afeta a presunção de inocência garantida 
pela Constituição. 
 
Por fim, foram anos e anos tornando o sistema frágil e instável para que a decisão acerca do 
tema fosse o reconhecimento de que o princípio da presunção de inocência é claro e não admite 
interpretações esparsas, devendo o judiciário apenas julgar o texto legal, deixando para o 
legislativo discutir a matéria através de emenda constitucional. 
 
Referencias: 
 NUCCI, Guilherme de Souza. Código de processo penal comentado. 8 ed. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2008, pg 39 
 FILHO, Fernando da Costa Tourinho. Processo Penal. vol 1. 26 ed. São Paulo: 
Saraiva, 2004,pg 89 
 PROPOSTA QUE PERMITE PRISÃO APÓS SEGUNDA INSTÂNCIA ENFRENTA 
RESISTÊNCIAS - NOTÍCIAS. Proposta que permite prisão após segunda instância 
enfrenta resistências - Notícias. Portal da Câmara dos Deputados. Disponível em: 
<https://www.camara.leg.br/noticias/703149-proposta-que-permite-prisao-apos-
segunda-instancia-enfrenta-resistencias/>. Acesso em: 30 Oct. 2020. 
 A Instabilidade No Entendimento Do STF Acerca Da Prisão Imediata Após 
Decisão Condenatória Em Segunda Instância - Âmbito Jurídico. Âmbito Jurídico. 
Disponível em: <https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/a-instabilidade-
no-entendimento-do-stf-acerca-da-prisao-imediata-apos-decisao-condenatoria-em-
segunda-instancia/>. Acesso em: 30 Oct. 2020.