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Pensamento e Linguagem

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ou não estarem sequer relacionados com a questão.
Apesar de inferências de conversação serem potenciais dominantes de ancoragem em situações naturais, não são necessariamente uma pré-condição.
· Priming numérico
Este raciocínio assume que os efeitos de ancoragem são superficiais e puramente numéricos na sua natureza.
Desta perspetiva, o único determinante do efeito de ancoragem é o valor de âncora, independentemente do seu contexto, do alvo com que está a ser comparado e das operações em que está envolvido. Um relato recente chega até a dizer que os efeitos de ancoragem podem ser tão superficiais que nem a própria âncora, mas apenas o seu valor absoluto é representado na memória e exerce a principal influência de ancoragem.
No entanto, por mais convincente que possa parecer, uma análise cuidadosa da investigação dos efeitos de ancoragem revela que focar apenas no valor numérico de ancoragem é insuficiente para permitir a compreensão completa da ancoragem nos julgamentos. Em particular, evidências abundantes demonstram que o conteúdo semântico que está associado com a âncora tem necessariamente de ser levado em conta para entender o padrão completo de descobertas do efeito de ancoragem.
· Acessibilidade seletiva
A suposição básica do modelo de acessibilidade seletiva é de que a ancoragem é, na sua essência, o efeito de acessibilidade do conhecimento, cuja natureza é semântica.
O modelo tenta explicar a ancoragem através da ligação com dois princípios que são fundamentais para a pesquisa de cognição social: 1) testagem consistente de hipóteses e 2) priming semântico. Mais especificamente, o modelo postula que, comparando o alvo do julgamento com o valor da âncora altera a acessibilidade do conhecimento acerca do alvo. Em particular, a acessibilidade do conhecimento sobre o alvo é aumentada seletivamente. 
Assumimos que os juízes comparam o alvo com a âncora, testando a possibilidade de que o valor do alvo é igual ao valor da âncora. Por exemplo, quando é perguntado a juízes se a percentagem de países africanos nas Nações Unidas é maior ou menor que uma âncora elevada de 65%, assume-se que vão testar a possibilidade deste valor ser mesmo 65%. Para fazer isto, eles selecionam conhecimentos na memória que são consistentes com este valor (ex. A África é um continente imenso. Existem mais países africanos do que aqueles que me consigo lembrar).
Este tipo de testagem consistente de hipóteses é uma tendência geral que contribui para uma grande variedade de processos de julgamento. Como consequência, a acessibilidade de conhecimento consistente com as âncoras é aumentado. Para gerar uma estimativa numérica consistente, os juízes dependem principalmente no conhecimento facilmente acessível. Assim, a sua estimativa é altamente influenciada por conhecimento consistente com as âncoras geradas anteriormente.
Semelhanças entre a ancoragem e os efeitos da acessibilidade de conhecimentos:
Os efeitos de ancoragem dependem criticamente da aplicabilidade do conhecimento que se tornou acessível durante a tarefa comparativa (dependem muito do critério da aplicabilidade).
Uma característica que é partilhada na ancoragem e no efeito de acessibilidade de conhecimento é de que o tempo necessário para fazer um determinado julgamento depende do grau de acessibilidade da informação relevante para o julgamento.
No entanto, diferentes níveis de acessibilidade não influenciam apenas a latência de respostas para julgamentos absolutos, mas também o conteúdo desses julgamentos.
A robustez temporal também constitui uma outra característica do efeito de acessibilidade de conhecimento que é partilhada também pela ancoragem.
Suporte direto da acessibilidade seletiva:
O mais direto apoio para esta noção vem de uma série de estudos que tiveram acesso direto à acessibilidade do conhecimento do alvo subsequente ao julgamento crítico comparativo.
Em um desses estudos, perguntou-se aos participantes para que eles comparassem o preço médio para um carro Alemão, dando-lhes um valor alto ou baixo de âncora. Após este julgamento comparativo, foi acessada a acessibilidade do conhecimento do alvo com uma tarefa de decisão lexical. Os participantes fizeram uma série de decisões lexicais incluindo palavras alvo que eram altamente associadas com carros caros (ex. Mercedes, BMW) e palavras associadas com carros mais baratos (ex. VW).
As latências de resposta para estes dois tipos de palavras-alvo dependeu claramente da condição de ancoragem. Em particular, os juízes foram mais rápidos a reconhecer palavras associadas com carros caros após a comparação com a âncora alta e menos rápidos em comparação com a âncora baixa. Estes resultados demonstram que a acessibilidade de conhecimento semântico consistente com as âncoras acerca do alvo aumentou em consequência do julgamento comparativo.
Evidências adicionais sugerem que este aumento de acessibilidade é específico al alvo a julgar. Isto é, o conhecimento que é tornado acessível está especificamente ligado ao alvo a julgar.
Integração: ancoragem como um processo em duas fases:
A discussão precedente sugere que os efeitos de ancoragem são, essencialmente, efeitos de acessibilidade de conhecimento. A comparação crítica do alvo a julgar com o valor de âncora, parece envolver uma pesquisa seletiva de âncoras consistentes com o conhecimento do alvo. Apesar de esta comparação entre o alvo e a âncora parecer ser o centro de todos os paradigmas da ancoragem, em alguns desses paradigmas há o envolvimento de um estado precedente.
Nos paradigmas onde o valor da âncora não é dado aos juízes de forma explícita, eles primeiro têm de selecionar uma potencial âncora, que depois pode ser comparada com o alvo. Isto é, em pelo menos alguns paradigmas de ancoragem, os juízes primeiro têm de entrar num processo de seleção antes de poderem entrar nos processos de comparação, que provavelmente envolvem processos de acessibilidade seletiva.
Isto sugere que, para obter a compreensão completa do fenómeno de ancoragem, é preciso diferenciar entre duas fases que parecem ser claramente distinguíveis no que diz respeito aos processos que envolvem: a seleção de uma âncora para fazer o julgamento e a sua comparação subsequente com o alvo.
Pelo menos três mecanismos podem influenciar a fase inicial de seleção:
· Um valor particular pode ser selecionado como âncora porque as inferências conversacionais a sugerem como relevante. Se uma determinada âncora é mencionada explicitamente pelo investigador, então os juízes podem selecioná-la para, subsequentemente, a compararem com o alvo;
· Um valor pode ser selecionado como uma âncora por ser facilmente acessível e vier à cabeça durante a avaliação do alvo;
· Uma âncora pode ser gerada pelo indivíduo devido a um ajustamento insuficiente. Juízes a quem é fornecido, por exemplo, uma âncora implausível, podem usar esse valor como um ponto de partida para gerarem um valor mais plausível, que depois é comparado com o alvo.
Isto sugere que mecanismos alternativos de inferência conversacional, priming numérico e ajustamento insuficiente podem contribuir para a seleção de um valor de âncora.
O resultado deste processo de seleção estandardizada é provável que influencie processos subsequentes de avaliação do alvo. Ao mesmo tempo, esta seleção por si própria não é suficiente para influenciar como é que o alvo é julgado. Em vez disso, estes efeitos resultam dos processos de comparação do standard selecionado para ajudar na avaliação do alvo.
Crença em práticas inefetivas de medicina alternativa:
O que faz com que os tratamentos alternativos pareçam eficientes?
As medicinas alternativas são sustentadas sob casos particulares de sucesso, isto é, se alguém sabe de uma pessoa que afirma ter sido ajudada por tais práticas, é difícil refutar ou ir contra esse resultado pois podemos não ter evidências sobre o contrário (heurística da ancoragem). Estamos assim perante um erro de atribuição causal: "se isto resultou no outro, então pode até resultar comigo". Podemos até apontar uma variedade de razões para