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Processos de adaptação e bem-estar

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et al. (1981) estudaram os inconvenientes do dia-a-dia (daily hassless) e as exigências que caracterizam as transações diárias com o ambiente e a sua relação com a saúde, criando a escala de inconvenientes.
Os modelos de estímulos têm, também, algumas limitações:
· Não é pesado o papel das variáveis pessoas e a perceção de stress;
· Há enviesamento dos relatos pela intervenção de variáveis de personalidade e contaminação de itens.
Modelos de respostas:
A reação de alarme de Cannon resulta de uma ação do sistema nervoso simpático em que o indivíduo é preparado para lutar ou fugir. É uma reação geral, difusa, e inespecífica. Sendo inespecífica, é, qualitativamente, a mesma, qualquer que seja a causa da reação, como um assalto, uma luta, a perda de um ente querido ou um acidente.
É ativado o sistema adrenomedular que mobiliza os recursos do organismo pela libertação de glicose no fígado e pelo aumento da atividade cardiovascular.
Enquanto Cannon considerava esta resposta como um fator positivo para a sobrevivência do organismo, Selye (1950) considerou que se a resposta do stress se mantivesse por um longo período de tempo, poderia causar danos ao organismo. Realizando experiências com ratos, submeteu os animais a variados estímulos, como exposição ao frio, ruídos intensos, exercícios excessivos, injeção de substâncias nocivas e traumas físicos, verificando as mesmas reações fisiológicas nos animais, independentemente do tipo de estímulo. Concluiu que se tratava de uma Síndrome Geral de Adaptação (GAS - General Adaptation Syndrome), em que o organismo respondia com um conjunto de defesas contra os estímulos nocivos, constituindo-se o stress numa reação de alarme ao organismo. Esta síndrome apresentava certas características, como o desenvolvimento de úlceras gastrointestinais, a atrofia do timo, a atrofia das estruturas linfáticas e o aumento das glândulas adrenais. Selye (1956) considerou, portanto, o stress como um fenómeno não-específico, representando a interposição de diversos sintomas.
A GAS é um conjunto de respostas não específicas a uma lesão e desenvolve-se em três fases: 
1) Fase de alarme, caracterizada por manifestações agudas; 
2) Fase de resistência, quando as manifestações agudas desaparecem e;
3) Fase de exaustão, quando há a volta das reações da primeira fase e pode haver o colapso do organismo. 
Selye afirma que o stress pode ser encontrado em qualquer uma das fases, embora suas manifestações sejam diferentes ao longo do tempo. Além disso, não é necessário que as três fases se desenvolvam para haver o registro da síndrome, uma vez que apenas o stress mais grave leva à fase de exaustão e à morte.
Modelos transacionais:
Os diferentes acontecimentos, mais ou menos catastróficos, determinam respostas muito variáveis no Ser Humano. É o significado construído pela pessoa que determina o seu estado emocional e a sua resposta comportamental.
O stress resulta da relação transacional entre aspetos do meio e da pessoa.
INCOMPLETO
Relação entre stress e coping:
Lazarus e Folkman vieram dizer que, para além do conhecimento e do conjunto de processos que ocorrem e que explicam quando é que a pessoa entre em stress e como é que vai ser gerido esse desequilíbrio, é necessário entender a importância das variáveis moderadoras que, tal como o nome indica, vão moderar a nossa experiência de stress e o nosso recurso a estratégias de coping
Variáveis moderadoras:
As variáveis moderadoras influenciam o impacto que o stress tem na nossa saúde e bem-estar. Estas variáveis moderam (influenciam), pelo menos, dois processos: a avaliação cognitiva e os processos de coping.
Cada uma das pessoas está inserida em determinado contexto com determinadas características e estas variáveis têm em conta essas variáveis externas na interação da pessoa com a situação de stress.
As variáveis moderadoras podem funcionar como:
· Amortecedores (buffer);
· Catalisadores.
Recursos externos e intrapessoais que influenciam o processo de stress e coping:
· Estatuto socioeconómico;
· Apoio social: informação provinda dos outros de que somos amados e de que os outros se importam connosco, nos estimam e valorizam; de que fazemos parte de uma rede de comunicação e de obrigações mútuas;
No apoio social podemos falar das redes sociais de apoio e das suas diferenças de:
· Estrutura:
· Tamanho: 
· Redes pequenas (menos de 10 elementos);
· Redes grandes (mais de 10 elementos);
· Redes localizadas (mais responsivas às necessidades de apoio);
· Redes alargadas (menos responsivas às necessidades de apoio).
· Tipo de relações: família, amigos, colegas, comunidade.
· Funções:
· Apoio instrumental, emocional, avaliativo, informativo.
· Qualidade do apoio recebido/percebido.
· Integração social e satisfação com as relações sociais.
· Características de personalidade:
· Otimismo disposicional: senso de confiança e criação de expectativas;
· Locus de controlo: interno ou externo; se for interno acreditamos mais em nós e na nossa capacidade de mudar;
· Comportamento Tipo A: associado a pacientes com doença coronária; urgência para a vida, muito orientados para o trabalho e emotividade mais negativa e agressiva;
· Personalidade resistente (hardy personality): traduz-se na avaliação individual que as pessoas fazem sobre a sua relação com o ambiente e expressa-se por meio de três componentes:
· Desafio: encara as situações difíceis da vida como desafios;
· Controlo: locus de controlo mais interno, considera normal existirem desafios na vida, acredita que há quase sempre algo que se pode fazer quanto a eles;
· Compromisso: tem a tendência de, apesar das tentativas que faz para resolver os problemas, persistir mesmo que não tenha sucesso. Persiste de forma equilibrada e não maníaca.
Pessoas com níveis mais elevados de hardiness apresentam menos tendência para perceber as experiências de uma forma negativa. As componente ou dimensões da hardiness estão relacionadas com a resistência ao stress e promoção da saúde física e psicológica.
Vias de impacto do stress e coping no bem-estar:
· Impacto direto: alterações fisiológicas do corpo, para a preparação do organismo para a ação (fuga ou luta). Estas alterações permitem a disponibilização de energia a partir de reservas do organismo;
· Ativação do eixo simpático: aumento da secreção de adrenalina e noradrenalina;
· Aumento dos batimentos cardíacos e tensão arterial;
· Alterações respiratórias facilitadoras da passagem de ar;
· Libertação de glicose.
· Ativação do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal: aumento da secreção de corticosteroides;
· Síntese de glicose, mobilização das reservas de gordura e aumento do nível de lípidos- maiores níveis de energia;
· Enfraquecimento da atividade do sistema imunitário- supressão da dor.
· Modificações nos neurotransmissores;
· Gasto de noradrenalina- estados de humor negativo, baixa motivação e energia;
· Ação da serotonina- supressão da resposta de fuga ou luta e comportamentos de evitamento.
· Desadequação das respostas fisiológicas ao stress (ativação física e imediata) face aos acontecimentos da vida atual.
· Impacto indireto: alterações cognitivas, emocionais e comportamentais:
· Alterações cognitivas;
· Alterações das funções intelectuais- perturbações da atenção, da perceção e da memória;
· Pensamentos irracionais e ruminativos- pensamento perfecionista, catastrofizações, pensamento dicotómico;
· Dificuldades de tomada de decisão.
· Alterações emocionais;
· Quando existe stress, existem sempre emoções associadas ao dano, à perda, à ameaça, ao desafio.
· Alterações no comportamento observável.
· Padrões de relacionamento interpessoal- agressividade, passividade;
Agressividade: Caracteriza-se pela defesa dos direitos do próprio e pela expressão de pensamentos, sentimentos e opiniões de forma predominantemente desonesta, geralmente inapropriada e que, em todas as circunstâncias, viola os direitos dos outros. O objetivo usual da agressividade é dominar e vencer, forçando a outra pessoa a perder. Vencer é conseguido humilhando, denegrindo, subestimando as outras