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Psicologia- Emoções

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estes promoviam respostas específicas. À semelhança de Darwin, Tomkins mostrou particular interesse na face, a qual identificou como sendo o “órgão primário do afeto”.
Exemplo- As emoções básicas de Ekman:
A abordagem categorial atual postula a existência de emoções básicas. O principal proponente desta abordagem é do psicólogo Paul Ekman que, inspirado por Darwin e Tomkins, apresenta uma série de critérios que definem as emoções primárias e que as distingue de outros estados mentais.
O primeiro critério postula que as emoções básicas têm sinais universais distintos, ou seja, elas têm uma forma específica de expressão corporal e, apesar da expressão poder ser reprimida, modificada ou fingida, está ligada de forma inata à sua emoção. Se for verdadeira, devem existir expressões que os indivíduos apresentam e reconhecem independentemente da sua etnicidade, cultura, ou seja, universal.
Como um segundo critério para definir as emoções básicas, Ekman propôs perfis fisiológicos específicos para cada emoção. Como os seus antecessores, ele argumentava que as emoções tinham valor funcional ao lidar com eventos importantes da vida e que evoluíam através da seleção natural. Ekman presumia que a funcionalidade das emoções repousa na preparação do corpo para a ação.
O terceiro princípio estipula a existência de um mecanismo automático de avaliação. Tal como os seus antecessores, ele assumia que, devido à sua importância evolutiva, certas impressões sensoriais podem ativar representações emocionais e comportamentos associados sem a contribuição de processos cognitivos de maior ordem.
Como quarto princípio, Ekman formula que cada emoção básica tem um antecedente universal- um evento ou tipo de evento que fielmente desencadeia uma determinada emoção independentemente do contexto cultural e da educação do indivíduo.
Para além destes quatro principais princípios, Ekman postula uma série de características das emoções básicas. Por exemplo, ele sugere que as emoções básicas não necessitam de estar necessariamente presentes ou totalmente diferenciadas à nascença. Apesar delas serem inatas, elas estão destinadas a emergir apenas quando são necessárias para motivar comportamentos de auto-proteção.
Ekman também acredita que as emoções básicas podem ser caracterizadas por terem um início repentino, durarem pouco tempo e surgirem de forma espontânea, tal como defende que estão ligadas a pensamentos ou memórias específicas e supõe que elas despertam uma experiência subjetiva distinta.
Com estes princípios estipulados, Ekman reconhece uma série de emoções básicas que incluem a diversão, a raiva, o desprezo, o contentamento, o nojo, a vergonha, a excitação, o medo, a culpa, o orgulho, o alívio, a tristeza, a satisfação, o prazer sensorial e a vergonha.
De acordo com Ekman, não há distinção entre emoções primárias e emoções não-primárias, uma vez que ele não acredita na existência destas últimas. Tudo o que merece ser chamado de emoção deve ser considerado básico.
Esta abordagem é um descendente direto da abordagem de Darwin, onde as emoções eram vistas como categorias básicas, naturais e universais, tal como o foco estava na expressão emocional facial ou postural.As emoções são programas sensoriomotores discretos e cada um destes programas consiste num circuito cerebral coerente que elicita e integra cognições e respostas somáticas num sistema neural unitário.
Limitações da abordagem categorial:
A primeira, e muito provavelmente mais importante, limitação é de que as categorias presumidas das emoções podem ser produzidas artificialmente através de escolhas metodológicas dos investigadores.
Uma segunda limitação é a falta de consensualidade no que toca ao número exato de categorias ou de emoções básicas. Apesar de alguns investigadores acreditarem, tal como Ekman, no conceito de emoções básicas, discordam nos princípios que as definem e no que consideram ser uma emoção básica.
Investigadores teóricos das emoções argumentam que existe apenas alguma consensualidade em certos princípios definidores de emoções. Por exemplo, muitos aceitariam que as emoções básicas têm um papel importante na evolução por promoverem comportamentos relevantes para a sobrevivência.
Uma terceira limitação levantada contra esta abordagem das emoções é a falta de suporte de respostas psicológicas e comportamentais específicas das emoções. 
A quarta e última limitação a ser mencionada é que a evidência da abordagem das emoções básicas não descarta interpretações alternativas.
A abordagem dimensional- as emoções como instâncias num espaço multidimensional:
Uma alternativa à abordagem anterior, é de considerar as emoções como experiências que podem ser classificadas em uma ou mais dimensões. Por exemplo, um indivíduo pode imaginar que as emoções variam ao longo de uma dimensão de valência que vai do bom ao mau, ou do positivo ao negativo.
Robert Woodworth procurou insights sobre as dimensões subjacentes das emoções ao examinar expressões faciais e os erros que os observadores fazem ao julgar emoções. Ele descobriu estes erros não estavam divididos de forma igual pelas opções de julgamentos possíveis, mas que tinham tendência em agrupar-se numa série de opções que diferiam para cada expressão. Woodworth dividiu estas opções por uma escala linear que ia desde (1) felicidade, (2) surpresa, (3) medo, (4) raiva, (5) nojo, (6) desprezo, com erros para uma determinada expressão facial sendo maus frequentes para as opções de julgamento adjacentes. Por exemplo, caras raivosas eram mais vezes classificadas como medo ou nojo, que são as opções de julgamento que se encontram antes e depois da categoria raiva. No entanto, a expressão era muito pouco frequentemente classificada com felicidade ou desprezo.
Harold Schlosberg conduziu um experimento de forma a verificar o que era efetivamente proposto pela escala de Woodworth. Nos seus estudos, apercebeu-se que as expressões representadas pelos dois extremos da escala (felicidade e desprezo) não seguiam o mesmo princípio que todas as outras emoções da escala. Por estarem em extremos da escala, não deveriam ser confundidos um com o outro, o que não aconteceu. Acontecendo tão frequentemente como acontecia com as suas categorias vizinhas. Sendo, assim, a escala de Woodworth sofreu uma série de alterações, até se tornar uma escala multidimensional com três eixos.
Para além do avanço na metodologia, a evolução na psicologia e na filosofia permitiu o avanço da compreensão da natureza dos conceitos mentais. Por exemplo, o filósofo Ludwig Wittgenstein tinha dado destaque para o facto de que as categorias que nós consideramos no mundo real não são necessariamente discretas ou partilham o mesmo número de características. Ao invés disso, eles podem ser entendidos como uma família de tipos que diferem no número de características que têm em comum e, portanto, no modo como se diferenciam de outras categorias. Esta ideia inspirou as psicólogas Carolyn Mervies e Eleanor Rosh que avançaram com uma teoria onde as categorias derivam de ativos de semelhança. Pensa-se que estes ativos são o resultado do melhor exemplar ou protótipo que define a categoria.
Outros exemplares são incluídos numa categoria dependendo do seu grau de semelhança com o protótipo da categoria em questão. Por exemplo, um bom protótipo para a categoria “emoção” seria a raiva, e os indivíduos poderiam considerar algo como uma emoção se tivesse uma semelhança mínima com o que eles sentem quando estão com raiva.
Um exemplo- O modelo circumplexo e o afeto central: 
O afeto é compreendido como um estado de prazer ou descontentamento que possui algum grau de ativação e é vivenciado constantemente.
O afeto, para Russell (1980), é compreendido através de um circumplexo. As suas dimensões são bipolares e ortogonais, sendo nomeadas de valência (prazer ou desprazer) e ativação percebida (alta ou baixa). Quando um constructo pode ser representado por um circumplexo, a sua matriz de correlações apresenta um padrão de correlações fortes perto da diagonal e, conforme as correlações