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Psicologia- Emoções

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se afastam da diagonal, elas ficam mais fracas, até que voltam a ficar mais fortes. Esse padrão de correlações repete-se em toda a matriz, e, por isso, pontos próximos no circumplexo estão fortemente correlacionados.
A dimensão valência está relacionada com a codificação do ambiente como prazeroso ou não-prazeroso. Para um estímulo num determinado momento, o sujeito pode atribuir um significado: bom ou mau; útil ou prejudicial; recompensador ou ameaçador. A ativação, por sua vez, é a dimensão da experiência que corresponde à mobilização ou energia dispensada; ou seja, é representada por um continuum, desde a baixa ativação, representada por sono, até a ativação alta, representada pela excitação.
Estados afetivos que estão próximos no circumplexo representam uma combinação similar de valência e ativação percebida; já os estados afetivos posicionados longe um do outro diferem em termos de valência e ativação. Assim, as quatro variáveis alocadas diagonalmente não são dimensões, mas ajudam a definir os quadrantes no espaço do circumplexo.
Ao testar estatisticamente as dimensões valência, ativação, afeto positivo e afeto negativo num mesmo modelo, foi identificado que, por mais que tais dimensões demonstrem diferenças conceituais, enfaticamente elas apresentam aspetos complementares quanto ao constructo afeto. A análise do espaço bidimensional com modelos que estabeleciam dimensões relacionadas à valência/ativação ou a afeto positivo/afeto negativo demonstrou que todas as dimensões poderiam ser representadas simultaneamente em um espaço com duas dimensões. Dessa forma, elas estavam próximas entre si no circumplexo.
Limitações da abordagem dimensional:
Uma das maiores limitações desta abordagem é o facto da evidência primária vem de dados de autorrelato. As dimensões obtidas com estes dados podem não vir a representar as verdadeiras experiências emocionais. Para lidar com esta limitação, os investigadores começaram a validar a abordagem dimensional através do uso de medidas implícitas, como registos físicos e neuroimagem. No entanto, nos dias de hoje, estas validações são baseadas nas dimensões estabelecidas pelos autorrelatos, potencialmente tendenciosos.
Uma segunda limitação desta abordagem está relacionada com o número e natureza das dimensões propostas. Alguns investigadores concordam apenas com uma dimensão enquanto que outros já concordam com quatro ou mais. Para além disso, as propostas diferem em relação à função e à inter-relação ente dimensões. Estas diferenças emergem da imensa gama de fatores metodológicos, incluindo as ferramentas de análise estatística e do tipo de estímulo selecionado para a pesquisa.
A terceira e última limitação deste modelo prende-se com o facto de que esta abordagem parece retirar às emoções as suas diferenças qualitativas essenciais. Colocá-las em um ou mais continuums faz com que os aspetos das emoções que não podem ser quantificados nas dimensões propostas pareçam irrelevantes.
A abordagem avaliativa- as emoções como sendo o resultado de processos de avaliação:
Esta abordagem aborda algumas fraquezas das abordagens categorial e dimensional. A abordagem de apreciação permite uma multitude de estados emocionais, ultrapassando o grande problema da abordagem categorial, que limitava a quantidade de estados emocionais. Para além disso, tal como na abordagem dimensional, assume a existência de dimensões avaliativas críticas, mas sendo muito mais generosa no número de dimensões que permite. Assim, pode explicar emoções sem fazer referência a processos não eficazes.
A ideia de ter a avaliação como um mecanismo subjacente às emoções já tinha sido concebido na Grécia antiga. Aristóteles tinha postulado que as emoções pressupõem a existência de uma razão ou reflexão sobre um evento.
Esta ideia voltou a emergir durante o período da revolução cognitiva, onde os psicólogos começaram a descrever formalmente processos mentais. As funções cognitivas foram sendo vistas cada vez mais como o resultado de vários subprocessos.
De acordo com a abordagem de apreciação, estes subprocessos são avaliações ou apreciações. 
Um exemplo- Modelo de processo de avaliação de componentes: 
Scherer (1986) desenvolveu um modelo, conhecido como “modelo de processo componencial”, que procura explicar os critérios pelos quais o processo de avaliação cognitiva ocorre. 
Como é enfatizado por Scherer, a emoção é vista neste modelo como um processo e como uma resposta adaptativa de vários subsistemas (componentes) do indivíduo a um evento antecedente relevante para ele. Percebe-se aqui a presença da perspetiva cognitivista no modelo aliada à visão evolucionista das emoções, pois para Scherer as alterações nos subsistemas do indivíduo teriam a função de ajudar esse indivíduo a sobreviver. 
A ideia central deste modelo é a de que os diversos subsistemas de processamento de informação do indivíduo (cognitivo, motivacional, fisiológico e motor) continuamente fazem check a estímulos internos e externos através de critérios definidos, os SECs (Stimulus Evaluation Checks), os quais ocorrem numa ordem fixa.
O autor especifica os seguintes SECs: 
· Check de relevância: verifica se o estímulo é relevante para as metas ou necessidades do indivíduo, se é consistente ou não com as expectativas que o indivíduo tem da situação, se o evento o facilita ou o impede de alcançar seu objetivo e se é necessária uma resposta comportamental urgente. O resultado deste SEC determina o grau de envolvimento do indivíduo com o evento;
· Check das implicações do evento: inclui inferências acerca da causalidade do evento e das possibilidades de resultados do mesmo; 
· Check do potencial de coping: avalia se o indivíduo tem potencial para mudar ou evitar as consequências do evento e também seu grau de controlo sobre o mesmo;
· Check da significância normativa do evento: avalia se o evento está em conformidade com normas sociais e culturais e também se é consistente com a imagem que o indivíduo tem de si mesmo (normas internas). 
Os resultados dos SECs terão influência no sistema nervoso somático e no sistema nervoso autónomo do organismo. Este último tem um efeito direto na fala, já que é responsável por controlar a respiração e a salivação. O sistema nervoso somático, por sua vez, está relacionado ao controlo voluntário dos músculos. Pode-se ver, portanto, que a grande vantagem deste modelo é possibilitar que hipóteses sobre os efeitos dos SECs no corpo humano (e, consequentemente, nos parâmetros acústicos da fala) sejam feitas e testadas empiricamente, através das alterações esperadas nos órgãos e mecanismos envolvidos na produção da fala.
Suporte à abordagem avaliativa:
A abordagem avaliativa leva a cabo por Scherer e outros investigadores ofereceu uma perspetiva sofisticada aos processos emocionais. Ao contrário de outras abordagens, esta explica o grande espectro de experiências emocionais, incluindo experiências não-prototípicas para o qual ainda não existe um nome próprio dessas emoções. Também é a única abordagem atual que explica especificamente o porquê de dois indivíduos confrontados com o mesmo evento se podem sentir de forma diferente ou o porquê de dois eventos diferentes causarem a mesma emoção no sujeito.
As avaliações também explicam o porquê de uma emoção como o medo poder resultar de uma vasta gama de eventos incluindo um simples tom de voz ou o olhar de outro indivíduo (fatores contextuais). O medo resulta de qualquer evento que é visto como perigoso e incontrolável.
A sofisticação teórica desta abordagem foi muito útil na pesquisa empírica porque permite que sejam formuladas e testadas hipóteses concretas. 
Esta abordagem permitiu destacar a importância de considerar as emoções como sendo um subproduto de múltiplos processos. Especificamente, investigações com o objetivo de identificar os subprocessos emocionais sugerem que as diferentes emoções não estão não-relacionadas, mas resultam de um conjunto comum de operações mentais que são caracterizadas por mais de duas dimensões.
Limitações da abordagem avaliativa: